União Européia
A
crise financeira internacional assusta também
os europeus. Mas apesar da turbulência nas
bolsas e da falta de confiança nos mercados,
o continente abriga atualmente uma superpotência
com PIB superior a 15 trilhões de dólares
e uma moeda fortíssima, o euro. O próximo
passo para a União Européia é uma Constituição
comum aos países que integram o bloco. Em
2005, franceses e holandeses rejeitaram, em
referendos populares, um texto que uma mesma
legislação à UE inteira. Em junho de 2008,
foi a vez da Irlanda dizer não ao Tratado
de Lisboa, uma versão reformulada daquele
documento. A Constituição é considerada por
muitos a peça que falta para a UE deslanchar
de vez como potência, fazendo frente até mesmo
aos Estados Unidos. O bloco, contudo, já exerce
enorme influência em todo o planeta. Saiba
mais sobre a história e os números dessa aliança
que já dura mais de meio século.
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1.
O que é a União Européia e quais são seus objetivos?
A União Européia é uma parceria econômica e política
entre 27 países de todas as partes do continente.
Os principais objetivos são promover o livre comércio
e a livre circulação de pessoas entre os seus países-membros,
além de assegurar a manutenção da segurança e da
democracia. Em suas origens, a UE tinha como uma
de suas missões colocar um ponto final às freqüentes
guerras entre os países da Europa.
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2.
O que é Comunidade Econômica Européia? E Comissão
Européia?
A Comunidade Econômica Européia (CEE) ou Mercado
Comum Europeu foi o embrião da União Européia. Formada
em 1957, com o Tratado de Roma, a organização pretendia
permitir a livre circulação de pessoas, mercadorias
e serviços entre os países-membros. A CEE teve como
ponto de partida, por sua vez, a Comunidade Européia
do Carvão e do Aço, primeira iniciativa a unir econômica
e politicamente países europeus, pouco depois do
fim da II Guerra Mundial. Em 1993, é constituído
o mercado único, com quatro liberdades: de circulação
das mercadorias, dos serviços, das pessoas e de
capitais. A Comissão Européia é uma parte da UE
que representa os interesses do bloco, colocando-os
acima dos interesses de seus países-membros. Cabe
à Comissão Européia elaborar propostas de legislação,
em seguida apresentadas ao Parlamento Europeu e
ao Conselho da UE, e gerir a aplicação das políticas
e tratados, assim como dos fundos do bloco. Em caso
de irregularidade, a comissão pode recorrer ao Tribunal
de Justiça europeu para punir os infratores. A Comissão
é composta por 27 homens e mulheres, nomeados pelos
respectivos governos nacionais mas não representantes
deles, e por um presidente, eleito pelos governos
da UE e aprovado pelo Parlamento Europeu. O presidente
e os membros da comissão têm um mandato de cinco
anos, mesma duração da legislatura do Parlamento.
Mais de 23.000 funcionários trabalham na comissão,
a maioria lotada em Bruxelas.
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3.
Como e quando o bloco foi oficialmente formado?
A história da integração entre países europeus
é antiga. Data de 1957, quando o Tratado de Roma
instituiu a CEE, iu até de antes, se tomarmos como
base a Comunidade Européia do Carvão e do Aço, criada
em 1950. O bloco, com o nome atual, foi instituído
pelo Tratado da União Européia, assinado na cidade
holandesa de Maastricht, em 1992. O acordo estabelece
regras claras para a futura moeda comum, uma política
externa e de segurança e o reforço da cooperação
em matéria de justiça e de assuntos internos.
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4.
Qual é a moeda da União Européia? Quais países a
adotam?
A moeda oficial da UE é o euro, adotado por 15
dos 27 países-membros da organização: Alemanha,
Áustria, Bélgica, Eslovênia, Espanha, Finlândia,
França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda,
Portugal, Chipre e Malta. Os dois últimos adotaram
a moeda em janeiro de 2008. O euro foi usado pela
primeira vez em janeiro de 1999, somente para transações
comerciais e financeiras. Em janeiro de 2002, com
a entrada de 80 bilhões de moedas e notas em circulação,
o euro se torna a moeda comum a todos os cidadãos
da UE. Mas seu surgimento remonta a 1972, com a
criação do mecanismo das taxas de câmbio (MTC),
que visa limitar as margens de flutuação entre as
moedas dos países da CEE. As notas e moedas de euro
são idênticas em todos os países, mas cada país
cunha as próprias moedas, com uma face comum e outra
nacional, específica. Alguns países, apesar de não
compor a zona do euro, têm hotéis, lojas e restaurantes
que aceitam a moeda, como forma de oferecer facilidade
ao turista. A cotação do euro, como a de qualquer
moeda, varia. Em novembro de 2008, um euro valia
2,7 reais.
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5.
Quais foram os primeiros países-membros? Quais são
os atuais?
Alemanha Ocidental, França, Itália, Bélgica, Holanda
e Luxemburgo são membros-fundadores da semente da
União Européia: a Comunidade Européia do Carvão
e do Aço. Em 1973, já com o nome de Comunidade Econômica
Européia, o bloco recebe a Grã-Bretanha, a Dinamarca
e a Irlanda. A Grécia vem oito anos depois, em 1981.
Mais cinco anos, e ingressam Espanha e Portugal.
Em 1990, o lado oriental da Alemanha também está
no bloco. Áustria, Suécia e Finlândia chegam em
1995. Em 2004, dez países, quase todos remanescentes
do antigo bloco comunista do leste, passam a integrar
a UE: Hungria, Polônia, República Checa, Eslovênia,
Eslováquia, Estônia, Letônia, Lituânia, Malta e
Chipre. Bulgária e Romênia são as últimas a chegar,
em 2007.
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6.
Quantos idiomas são falados na União Européia?
Os 27 países-membros da União Européia falam um
total de 23 línguas oficiais. Cada estado-membro,
quando adere à União, decide a língua ou línguas
que pretende declarar como línguas oficiais da UE.
Por ano, são consumidos 300 milhões de euros com
2.080 tradutores e intérpretes. O valor equivale
a um terço do orçamento anual do Parlamento europeu
e resulta na tradução de 1 milhão de páginas por
ano e numa média de 2,6 tradutores por deputado.
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7.
A UE tem algum símbolo próprio? Quais são eles?
Tal qual um país, a União Européia tem hino, bandeira,
data comemorativa e lema - "Unida na Diversidade".
O hino não é uma música composta especialmente para
o bloco, mas a Nona Sinfonia de Beethoven, sem letra
- sem a Ode à Alegria, que Friedrich von Schiller
escreveu em 1785. A música não substitui os hinos
nacionais dos países-membros. A bandeira também
não foi feita para a UE. Criada originalmente para
a Comunidade Européia do Carvão, foi adotada pelo
governo da UE em 1985. Nela, há 12 estrelas douradas
formando um círculo sobre um fundo azul, um símbolo
de unidade, solidariedade e harmonia. Sobre a data
comemorativa: como se considera que foi a 9 de maio
de 1950 que se acendeu pela primeira vez a idéia
de criar um bloco de países europeus, o dia passou
a marcar o aniversário da organização.
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8.
Quais são os novos candidatos à entrada no bloco?
Atualmente, três países são candidatos a integrar
a União Européia, com reconhecimento oficial do
bloco: a Croácia, a Turquia e a Macedônia. Mas outros
países já manifestaram a intenção de pertencer à
UE, como a Sérvia e a Ucrânia.
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9.
Existem condições para um país fazer parte da UE?
Sim. Para aderir à União Européia,
um país deve cumprir três critérios
formulados pelo Conselho de Copenhague, em 1993.
São eles:
• critério político:
existência de instituições estáveis
que garantam a democracia, • estado de direito,
os direitos do homem, o respeito pelas minorias
e a sua proteção;
• o critério econômico:
ter uma economia de mercado que funcione efetivamente
e capacidade de fazer face às forças
de mercado e à concorrência da UE;
• o critério do acervo comunitário:
capacidade para assumir as obrigações
decorrentes da adesão, incluindo a adesão
aos objetivos de união política, econômica
e monetária.
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10.
A UE oferece ajuda para integrantes em dificuldade?
Sim. Em dezembro de 1974, quando ainda se chamava
Comunidade Econômica Européia, o bloco criou o Fundo
Europeu de Desenvolvimento Regional, que estabelece
a transferência, das regiões mais ricas para as
mais pobres, de recursos para a melhoria de estradas
e as comunicações e também para atrair investimentos
e gerar emprego. Esta política de assistência absorve
hoje um terço do orçamento europeu (de 115 bilhões
de euros anuais). Segundo a UE, o Tratado de Lisboa
deve complementar a ação dos países do bloco "quando
estes não conseguem, por si sós, realizar os seus
objetivos".
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11.
A UE tem uma Constituição própria comum aos países-membros?
Ainda não. Depois de anos de esforços para conferir
a toda a Europa uma única legislação, os irlandeses
entornaram o barril. Rejeitaram em referendo, em
junho de 2008, o Tratado de Lisboa, considerado
a versão mais suave já proposta para a Constituição
européia. Mas os irlandeses não são os únicos culpados
da UE ainda não ter uma carta constitucional. Em
2005, franceses e holandeses também disseram "não"
a um texto proposto para a Constituição. A novela,
como se pode ver, dura anos. Na prática, o Tratado
de Lisboa é uma nova versão do documento reprovado
por franceses e holandeses, que foi batizado de
Tratado que Estabelece uma Constituição para a Europa
e assinado em Roma, em outubro de 2004. Mas, a rigor,
o documento de Lisboa não é constitucional: a palavra
foi até sacada do nome, juntamente com a menção
a elementos simbólicos. Outra diferença é que o
texto de Lisboa se limita a fazer a tradicional
revisão dos tratados, enquanto o Tratado Constitucional
substituía na íntegra todos os tratados anteriores.
Com a negativa da Irlanda, o texto de Lisboa fica
temporariamente engavetado - a expectativa é de
que entre em vigor antes das eleições para o Parlamento,
em junho de 2009. Além da Irlanda, faltam a República
Checa, que assume a presidência da UE em janeiro
de 2009, e a Suécia. Enquanto o Tratado de Lisboa
não sai, vale como base para o trabalho da UE o
Tratado de Nice, em vigor desde 2003. Feito para
preparar terreno para a chegada de novos países-membros,
o texto de Nice versa sobre assuntos como a dimensão
da Comissão Européia, por exemplo. É preciso lembrar
que a UE conta com uma Carta dos Direitos Fundamentais,
uma síntese dos valores dos diferentes países da
UE, das suas tradições constitucionais e regras
jurídicas. O Tratado de Lisboa iria conferir a ele
um valor juridicamente vinculativo.
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12.
Como são eleitos os ocupantes do Parlamento Europeu?
O Parlamento Europeu é eleito a cada cinco anos
pelos cidadãos dos países que compõem a UE. As próximas
eleições estão marcadas para junho de 2009. A primeira
vez que os membros do Parlamento Europeu foram eleitos
de forma direta foi em junho de 1979. Até esta data,
os deputados provinham dos parlamentos nacionais
- os congressos de cada país-membro do bloco. Ao
todo, os 27 países contam com 785 representantes.
No Parlamento, os deputados não se distribuem em
grupos de acordo com a sua nacionalidade, mas orientados
pela linha política. São oito grupos, ao todo. O
maior é o Grupo do Partido Popular Europeu (Democratas-Cristãos),
seguido pelos grupos dos Socialistas, dos Liberais
e dos Verdes.
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13.
O Conselho da União Européia obedece ao Parlamento?
O Conselho da União Européia e o Parlamento são
órgãos distintos. O Conselho representa os governos
nacionais e o Parlamento, os cidadãos. Mas ambos
trabalham juntos em algumas oportunidades. É o caso
da avaliação das propostas enviadas pela Comissão
Européia. Parlamento e Conselho também dividem a
responsabilidade de aprovar o orçamento anual da
UE, de cerca de 115 bilhões de euros. Entre as outras
funções do Parlamento, estão a de eleger o Provedor
de Justiça Europeu, a quem cabe averiguar queixas
de cidadãos contra a UE. Vale dizer, também, que
o Parlamento tem o poder de demitir a Comissão Européia.
Já o Conselho da UE, antes chamado de Conselho de
Ministros, trata de adotar as decisões tomadas no
âmbito da UE e de coordenar a política externa,
de segurança e de defesa do bloco. Como o antigo
nome indicava, o conselho é formado por ministros
dos governos nacionais que compõem o bloco. Cada
país possui um determinado número de votos no conselho,
proporcional ao tamanho da sua população.
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14.
Quantas pessoas moram na UE? Qual é a riqueza total
do bloco?
Em 2006, a UE reunia mais de 490 milhões de pessoas,
o que dava a ela a terceira maior população do mundo,
atrás apenas da China e da Índia. Essa extensa população
se distribui numa área de mais de 4 milhões de quilômetros
quadrados. O PIB do bloco gira em torno de 11,5
trilhões de euros (15 trilhões de dólares). Já em
2004, com a chegada de dez novos membros, o PIB
da União Européia superou o dos Estados Unidos.
Em 2005, a UE teve participação de 17% nas exportações
mundiais.
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15.
Como um brasileiro pode ter o passaporte da UE?
É preciso ter, além da brasileira, a cidadania
relativa a uma das nacionalidades que compõem o
bloco. Em geral, é necessário estar casado com um
cidadão europeu ou ser descendente, em linha direta,
de europeu - até a terceira geração, ou seja, ter
pelo menos um avô nascido na Europa. Para saber
mais sobre os trâmites burocráticos da dupla cidadania
- as regras e documentos pedidos por cada país -,
procure o consulado relativo à nação dos seus antepassados.
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