Taxa de Juros
Desde meados dos anos 1990,
quando enfim curou sua febre inflacionária,
o Brasil segue fortalecendo sua economia e
consolidando suas instituições financeiras.
Um dos cuidados que o país tem tomado para
se manter economicamente saudável é um controle
rigoroso contra uma nova disparada da inflação.
Para isso, o principal instrumento que têm
em mãos as autoridades financeiras é a taxa
de juros. Ao alterá-la, o Banco Central é
capaz de aquecer ou desaquecer a economia
e influenciar nos principais indicadores de
crescimento do país. Entenda como age o BC
e os efeitos das mudanças na taxa de juros.
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1.
O que é taxa Selic?
A taxa Selic, o instrumento primário de política
monetária do Copom, é a taxa de juros média que
incide sobre os financiamentos diários com prazo
de um dia útil (overnight) lastreados por títulos
públicos registrados no Sistema Especial de Liquidação
e de Custódia (Selic). O Copom estabelece a meta
para a Selic, e cabe à mesa de operações do mercado
aberto do Banco Central manter a taxa diária próxima
à meta. Ela foi criada em 1979 para tornar mais
transparente e segura a negociação de títulos públicos.
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2.
Qual a importância dela para a economia?
A dívida pública brasileira é gigantesca e a Selic
é uma forma do estado brasileiro compensar seus
credores pelo risco de emprestar ainda mais dinheiro
ao governo - a compensação é feita na forma de juros
altos. A Selic também é o principal instrumento
de controle da inflação, funcionando como a taxa
de juros básica adotada no país.
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3.
O que é o Copom?
O Comitê de Política Monetária, criado em 1996, é o órgão do Banco Central
responsável pela definição das diretrizes da política
monetária e da taxa básica de juros. Criado à semelhança
de organismos existentes nos BCs dos Estados Unidos,
União Européia, Alemanha e Inglaterra, entre outros,
o comitê toma decisões que determinam os índices
de consumo e produção e influenciam diretamente
no crescimento anual do país. Ao final de cada trimestre
(março, junho, setembro e dezembro), o Copom publica
o Relatório de Inflação, documento que analisa detalhadamente
a conjuntura econômica e financeira no Brasil, bem
como apresenta suas projeções para a taxa de inflação.
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4.
Com que freqüência o Copom se reúne?
O calendário de reuniões do Copom é divulgado,
regularmente, no site do Banco Central (www.bc.gov.br).
Os encontros costumam ocorrer, em média, a cada
45 dias. Em 2008 ainda estão agendadas reuniões
nos dias 28 e 29 de outubro e 9 e 10 de dezembro.
No primeiro dia discute-se a conjuntura econômica
e os indicadores de inflação; no dia seguinte, a
taxa de juros.
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5.
Quem participa das reuniões do Copom?
Participam das reuniões os membros do Comitê (o presidente do BC e os diretores
de Política Monetária, de Política Econômica, de
Estudos Especiais, de Assuntos Internacionais, de
Normas e Organização do Sistema Financeiro, Administração,
Fiscalização e Liquidações e Desestatização), os
chefes de seis departamentos do BC - Departamento
Econômico (Depec); Departamento de Operações das
Reservas Internacionais (Depin); Departamento de
Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban);
Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab);
Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores
(Gerin); e Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep)
- e ainda o assessor especial do presidente do BC,
três consultores e o secretário-executivo da diretoria,
além do assessor de imprensa do BC.
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6.
As decisões do Copom são influenciadas pelo governo?
O BC sofre muita pressão política, inclusive do presidente. No entanto, se
não se manter fiel ao papel de guardião da moeda,
cujo maior inimigo é a inflação, perde seus melhores
instrumentos: a credibilidade e a autonomia. São
estas qualidades que dão ao mercado a certeza de
que as medidas, quando necessárias, serão tomadas
independentemente do humor do governo e dos partidos.
Se o BC se rende às pressões, sua autoridade cai
em descrédito, arriscando o mercado a fixar novos
preços.
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7.
Por que se aumenta a taxa Selic para combater a
inflação?
Para que não ocorram remarcações de preços, sempre
que os valores sobem acima do estabelecido, o BC
utiliza o seu principal instrumento, a taxa de juro,
para diminuir o dinheiro em circulação, conter a
expansão do crédito e, assim, evitar que a espiral
inflacionária desperte. No Brasil, como o estado
insiste em não caber dentro do PIB, os gastos públicos
costumam inundar a economia com mais reais do que
ela é capaz de metabolizar. Assim, o BC se vê na
obrigação de acionar sua única e, às vezes, perversa
arma de aumentar o custo do dinheiro para esfriar
a atividade econômica - quanto maior a taxa, menor
é a demanda. Com menos pessoas e empresas consumindo
bens e serviços, os preços tendem a cair.
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8.
Quais podem ser os efeitos colaterais desse aumento?
Sempre que o juro sobe a dívida pública cresce. Por isso, o sistema de metas
de inflação, utilizado pelo BC brasileiro desde
1999, funciona melhor em países como a Nova Zelândia
do que no Brasil. A razão? Por aqui, metade da dívida
é atrelada ao juro. Toda vez que o Copom eleva os
juros para combater a inflação, essa metade da dívida
aumenta. Como países com dívida alta em relação
ao PIB precisam de juros mais altos, cria-se um
círculo vicioso do qual só se sai com cortes profundos
de gastos.
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9.
E o que ocorre quando se reduz a taxa?
A redução da Selic dá ânimo à economia e estimula
o crescimento. O efeito é exatamente o inverso daquele
obtido pelo aumento da taxa de juros: o sistema
de crédito cresce, o volume de dinheiro em circulação
aumenta e as pessoas consomem mais. A facilidade
em obter financiamentos pode, por exemplo, fazer
com que as pequenas empresas cresçam, novos negócios
surjam e os empregos se multipliquem.
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10.
Quais podem ser os efeitos colaterais dessa redução?
Uma redução abrupta da taxa de juros pode trazer
inflação, tamanho é o estímulo dado à economia.
Existe também certo consenso de que os juros reais
- que são o resultado da taxa Selic menos a inflação
anual - não podem ficar abaixo de 8% ao ano, sob
o risco de despertar o dragão inflacionário. Abaixo
desse patamar, a economia ficaria sujeita a dois
choques. Um interno, devido ao superaquecimento
da atividade, que causa inflação. Outro externo,
porque os juros passariam a ser menos atraentes
para os investidores, o que levaria a uma fuga de
capitais e a uma disparada do dólar.
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11.
Por que as mudanças na Selic são tão polêmicas?
Política monetária não é ciência, muito menos exata.
Portanto, não há conta matemática que comprove qual
a melhor atitude a ser tomada numa determinada situação.
De maneira geral, os melhores bancos centrais do
mundo são aqueles que convencem a sociedade de que
vão agir sempre que a inflação ameaçar sair das
metas. Reclamações são normais, já que a conquista
da credibilidade não é um concurso de popularidade.
O setor produtivo sempre pede juros menores. Quando
os empresários, investidores ou políticos acharem
que suas reclamações influenciam as taxas de juro,
o BC perdeu a batalha.
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12.
Qual a influência da Selic na vida do cidadão?
Ela serve como base para o cálculo das demais taxas
de juros de todo o crédito concedido na economia.
Não sofrem impacto do aumento do juro preços de
serviços administrados - como energia elétrica e
telefonia, petróleo ou commodities, fortes fatores
que influem no índice de inflação atualmente.
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