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Junho de 2007
Reuniões do G8



Desde 1975, um grupo de chefes de estado e diplomatas das sete mais ricas e industrializadas nações democráticas do mundo se reúne todos os anos para discutir grandes questões econômicas e políticas. Embora sempre entrem na pauta uma série de preocupações domésticas de cada integrante, boa parte do debate é marcada por temas que dizem respeito à comunidade internacional como um todo. Com a acentuação da globalização, observada especialmente a partir de meados dos anos 90, estas reuniões ganharam cada vez mais importância. Atraem os olhos de toda a imprensa mundial, bem como um considerável número de manifestações contrárias às ações das grandes potências. Entenda quem são e sobre o que conversam os membros do G8
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1. Que países fazem parte do G8?
2. Quando e por que começaram as reuniões anuais do grupo?
3. O que se discute nestes encontros?
4. Quais as conseqüências dessas reuniões para o cenário internacional?
5. O que já foi debatido - e implementado - nas últimas reuniões?
6. Por que os encontros do G8 costumam provocar tantos protestos?
7. Existem outros grupos internacionais similares ao G8?

1. Que países fazem parte do G8?

Integram o G8 a França, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Alemanha, a Itália, o Japão, o Canadá e a Rússia. Enquanto os seis primeiros participaram de todos os encontros desde 1975, o Canadá juntou-se aos demais no ano seguinte. Já a Rússia foi formalmente admitida apenas em 2006, quando sediou a primeira reunião do G8 em seu território. O país, entretanto, já participava das conversas desde 1994, e foi aos poucos sendo recebido pelos outros sete, como um reconhecimento pelo esforço em abandonar a antiga economia socialista e implantar reformas democráticas.

Ao contrário do que se pensa, o G8 não reúne as oito maiores economias do mundo, e sim as auto-proclamadas oito mais industrializadas nações democráticas. Daí a ausência da China, cujo PIB supera os de Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá. E a inclusão da Rússia, cuja economia regula com a de países como o Brasil, a Índia e o México. Com um representante em cada reunião desde 1977, a União Européia (antiga Comunidade Européia) é considerada um nono membro do seleto clube, mas participa apenas das discussões econômicas - nunca das políticas.

 

 
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2. Quando e por que começaram as reuniões anuais do grupo?

O movimento que culminou com a criação do G8 tem origem na crise do petróleo de 1973, e na recessão econômica mundial que ela causou. Naquele ano, os Estados Unidos promoveram uma reunião informal entre os ministros de Finanças de alguns governos europeus, do Japão e de seu próprio, para discutir os problemas criados pela crise. Por iniciativa do então presidente francês Valéry Giscard d'Estaing, uma reunião nos moldes daquela foi realizada em Rambouillet, na França, em novembro de 1975. Desta vez, no entanto, os próprios chefes de estado de França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos foram ao encontro, em vez dos economistas. A partir de então, estes países decidiram que esta reunião aconteceria anualmente. No geral, as reuniões do G8 oferecem boas oportunidades para que os líderes das grandes potências discutam importantes questões internacionais e definam prioridades a serem buscadas. São também uma chance para que eles se conheçam e construam relações pessoais que podem se tornar importantes no caso de uma crise global.

 
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3. O que se discute nestes encontros?

Embora o G8 tenha sido pensado para debater temas essencialmente econômicos, as discussões políticas passaram a fazer parte da pauta das reuniões já no fim dos anos 70. Questões macroeconômicas sempre estiveram presentes, como o comércio internacional, as relações entre as nações ricas e os países em desenvolvimento e os rumos da globalização. No entanto, conversas sobre energia, terrorismo e problemas ambientais também se tornaram recorrentes. Com o abertura da agenda ocorrida nos últimos anos, os líderes das potências têm debatido ainda sobre trabalho, comunicação e tecnologia, segurança, direitos humanos, educação e saúde. O grupo chegou, inclusive, a propor programas para combater a Aids e a estudar maneiras de aliviar a dívida externa das nações subdesenvolvidas. O último assunto a concentrar as atenções dos integrantes do G8 é a redução da emissão de gases do efeito estufa, que causam o aquecimento global.

 
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4. Quais as conseqüências dessas reuniões para o cenário internacional?

Por ser apenas um fórum informal, e não uma organização internacional estabelecida por um tratado, com estatuto e critérios de admissão pré-definidos, o G8 não tem poder para garantir que todas as suas decisões sejam colocadas em prática. Seus líderes podem definir metas e elaborar políticas, mas o cumprimento dos projetos ali formulados é voluntário. Obtidas sempre a partir de um consenso, as determinações do grupo são assumidas por seus integrantes, mas nem sempre são levadas a cabo. O cumprimento das resoluções costuma ser maior no que diz respeito a acordos sobre comércio e energia, especialmente da parte de alemães, britânicos e canadenses. Mesmo quando não colocadas 100% em prática, as decisões extraídas das reuniões do G8 têm o poder de influenciar outras organizações mundiais, que freqüentemente revêem suas ações baseadas nas discussões do grupo. Por não ter o peso de uma instituição mundial como a ONU, por exemplo, o clube costuma ser mais ágil para enfrentar novos desafios que surgem no cenário internacional.

 
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5. O que já foi debatido - e implementado - nas últimas reuniões?

O encontro entre os líderes do G8 terminado no início de junho de 2007 em Heiligendamm, na Alemanha, foi marcado pelas discussões sobre questões ambientais. As potências concordaram que é necessário reduzir as emissões de gases do efeito estufa para conter o aquecimento global, mas não fixaram metas para lidar com o problema. Em 2006, quando a reunião aconteceu em São Petersburgo, Rússia, o grupo focou suas atenções sobre o conflito no Oriente Médio, cobrando moderação de israelenses e palestinos. Exigiu também mais eficiência dos países da Organização Mundial do Comércio para liberalizar o comércio mundial. No ano anterior, em Gleneagles, Escócia, o G8 prometeu 50 bilhões de dólares à África para combater a pobreza e o fim dos subsídios agrícolas - sem fixar metas, não houve avanços essenciais. Em meio às explosões no metrô de Londres ocorridas naquele ano, o terrorismo também esteve no centro da pauta. Já no encontro de 2004, realizado em Sea Island, nos Estados Unidos, o Oriente Médio também foi assunto, assim como a guerra do Iraque - houve troca de farpas entre o presidente francês Jacques Chirac e o americano George W. Bush. Um racha também ocorreu em 2003, em Evian-les-Bains, França, quando os americanos haviam invadido o país árabe há poucos meses. Na ocasião, EUA e Reino Unido foram rechaçados por Alemanha, França e Rússia. O conflito, entretanto, não impediu que os líderes também discutissem sobre a desvalorização do dólar e a instabilidade da economia mundial, bem como a rejeição às armas de destruição em massa a aos programas nucleares de Coréia do Norte e Irã.

 
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6. Por que os encontros do G8 costumam provocar tantos protestos?

Os críticos do G8 acusam o grupo de representar os interesses de uma elite rica e minoritária, que deixa de lado as necessidades da maioria da população mundial. Países importantes com economias emergentes, como a China e a Índia, são deixados de fora, assim como os africanos e latino-americanos. Contudo, são nações que também participam do processo de globalização econômica capitaneado pelos membros do G8. Embora ONGs, ativistas e rebeldes em geral afirmem ser contra a globalização, as próprias manifestações antiglobalização só podem existir em um mundo globalizado. Suas tropas são mobilizadas pela internet e cruzam fronteiras para se encontrarem nos protestos que acompanham cada reunião do G8. Nos últimos anos, especialmente a partir do encontro de Gênova, na Itália, em 2001 - quando um manifestante morreu baleado pela polícia -, a violência de algumas manifestações chamou a atenção do mundo. Motivou ainda um aumento no rigor da segurança, que a cada reunião isola os chefes de estado a quilômetros de distância dos seres humanos comuns, reforçando a imagem de clube privado do G8. Boa parte dos protestos, contudo, é pacífica.

 
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7. Existem outros grupos internacionais similares ao G8?

Quando não incluía a Rússia entre seus membros oficiais, o G8 era conhecido como G7 - ainda hoje, há quem chame o G8 de G7/8 ou G7+1. O G7, contudo, não é um grupo separado do G8, e a nomenclatura tende a cair em desuso. Além desta cúpula, existe também o chamado G5, mais informal e recente que o G8. Trata-se do grupo de cinco países emergentes que vêm sendo convidados a participar das reuniões do G8 com freqüência, devido à relativa importância econômica que têm no cenário mundial. São eles o Brasil, a China, a Índia, o México e a África do Sul, e os encontros esporádicos que reúnem estes países com as grandes potências são chamados de G8+5. Um outro grupo de países em desenvolvimento, um pouco mais antigo, é o G20, do qual fazem parte 21 nações: África do Sul, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, China, Cuba, Egito, Filipinas, Guatemala, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Tanzânia, Tailândia, Uruguai, Venezuela e Zimbábue. Este grupo discute questões essencialmente comerciais, muitas das quais são posteriormente levadas à Organização Mundial do Comércio.

 
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