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Agosto de 2007
Reforma ortográfica
Maira Soabres/Folha Imagem
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Com data marcada
para entrar em vigor em 2009, a reforma ortográfica
pretende fazer com que pouco mais de 210 milhões
de pessoas em oito países que falam o português
tenham a escrita unificada, conservando as variadas
pronúncias. A proposta foi apresentada em 1990,
mas era necessário que pelo três países ratificassem
os termos da proposta, o que ocorreu somente em
2006. O Congresso brasileiro aprovou as mudanças
em 1995. Saiba o que vai mudar no nosso idioma:
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1.
Quais as diferenças básicas da ortografia usada no Brasil
e em Portugal?
Existem duas ortografias oficiais da língua portuguesa:
a do Brasil e de Portugal. A norma portuguesa é a que
serve de referência para o ensino de português em outros
países. O vocabulário português contém palavras escritas
com consoantes mudas, como Egipto e objecto.
Em outras, como indemnizar e facto, as
consoantes "a mais" são pronunciadas. Além disso, nas
sílabas tônicas seguidas de m e n, o som é aberto. Por
exemplo, a palavra econômico (escrita brasileira)
é escrita e lida económico em Portugal.
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2.
Quantos e quais países falam português?
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)
é composta por oito países: Brasil, Portugal, Angola,
Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe
e Timor Leste.
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3.
A unificação pode trazer benefícios para a economia
dos países que falam português?
Uma vez unificado, o português auxiliará a inserção
dos países que falam a língua na comunidade das nações
desenvolvidas, pois algumas publicações deixam de circular
internacionalmente porque dependem de "versão". Um dos
principais problemas que as novas regras vão acarretar,
no entanto, será o custo da reimpressão de livros.
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4.
Por que é preciso padronizar o português?
O português, segundo estudos, é a quinta língua mais
falada no mundo – cerca de 210 milhões de pessoas –
e tem duas grafias oficiais, o que dificulta o estabelecimento
da língua como um dos idiomas oficiais da Organização
das Nações Unidas (ONU) . A ortografia-padrão facilitará
o intercâmbio cultural entre os países que falam português.
Livros, inclusive os científicos, e materiais didáticos
poderão circular livremente entre os países, sem necessidade
de revisão, como já acontece em países que falam espanhol.
Além disso, haverá padronização do ensino de português
ao redor do mundo.
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5.
O que é necessário para que ocorram mudanças na língua
portuguesa?
É preciso que o projeto com as novas regras seja aprovado
pelos oitos países da CPLP e que pelo menos três deles
ratifiquem as mudanças em seu território. Assim que
as novas regras forem incorporadas ao idioma, inicia-se
o período de transição, no qual os materiais didáticos
serão adequados às mudanças.
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6.
Quais foram as reformas na língua portuguesa anteriormente?
Já foram feitos três acordos oficiais,
aprovados pelos países falantes: o de 1943, o de 1971
e o que vai vigorar a partir de 2009.
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7.
O que elas mudaram de essencial na ortografia?
A mudança mais importante antes da aprovada em 1990
(e que vai vigorar a partir de 2009) foi a de 1971.
Nesse acordo foi estipulada a eliminação do trema nos
hiatos átonos, bem como a do acento circunflexo diferencial
nas letras "e" e "o" da sílaba tônica das palavras homógrafas,
de significados diferentes, mas com a mesma grafia,
além da extinção do acento circunflexo e do grave em
palavras terminadas com "mente" e "z". Com a reforma,
êle passou a ser escrito ele, sómente, somente
e bebêzinho, bebezinho.
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8.
O acordo para unificação foi proposto em 1990. Por que
só foi aprovado agora?
A principal causa da demora é a relutância de alguns
países, como Portugal, em ratificar o acordo. Até julho
de 2004, era preciso que todos os países membros da
CPLP ratificassem as novas normas. Um acordo feito nessa
data estabeleceu que bastaria a ratificação por parte
de três países. Em 1995, o Brasil efetivou sua ratificação,
seguido de Cabo Verde, em fevereiro de 2006, e São Tomé
e Príncipe, em dezembro. Portugal ainda precisa adaptar
sua legislação às novas regras. Enquanto as mudanças
afetarão 0,45% das palavras brasileiras, Portugal sofrerá
alterações em 1,6% de seu vocabulário. Os portugueses
deixarão, por exemplo, de escrever húmido e escreverão
úmido, como os brasileiros.
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9.
As mudanças serão apenas gráficas ou vão alterar a pronúncia?
As mudanças serão apenas na ortografia, permanecem
as pronúncias típicas de cada país.
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10.
Quais as mudanças na utilização do hífen?
O hífen será mantido nos substantivos compostos (arco-íris,
guarda-chuva). Mantém-se nas palavras compostas:
norte-americano, ano-luz. O sinal cai em compostos nos
quais "se perdeu a noção de composição", como paraquedas
e paraquedista. Na prefixação, existe hífen
sempre antes de h. Se o prefixo termina por vogal e
o elemento seguinte começa por r ou s, duplica-se a
consoante. Se o prefixo termina por vogal igual à vogal
inicial do segundo elemento, existe hífen. Se as vogais
finais e iniciais forem diferentes, não haverá hífen.
Hiper, inter e super têm hífen antes de
outro elemento iniciado por r. Circum e pan
têm hífen antes de elemento iniciado por vogal,
m, n e h. Ex e vice mantêm o hífen existente hoje.
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11.
Como fica a regra de acentuação?
Paroxítonas terminadas com duas letras "o" não mais
terão acento circunflexo. Abençôo, vôo, enjôo passarão
a ser escritos da seguinte forma: abençoo, voo, enjoo.
O circunflexo também será extinto nas terceiras pessoas
do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo
dos verbos crer, dar, ler, ver e seus decorrentes.
A grafia correta será creem, deem, leem e
veem. O trema desaparece por completo. As palavras
linguiça e frequência estarão gramaticalmente
corretas. Serão eliminados os acentos agudos nos ditongos
abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como jibóia
e idéia. Além disso, será eliminado o acento diferencial
em pára (verbo) de para (preposição).
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O que muda
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Grafia
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Acentuação
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Brasil
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Criada a dupla grafia, em alguns casos, para diferenciação.
Ex: amámos, em vez de amamos;
O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter
26, com a incorporação de "k",
"w" e "y";
Mudam-se as normas para uso do hífen.
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Eliminação do acento agudo nos ditongos
abertos "ei" e "oi" de palavras
paroxítonas;
O acento deixará de ser usado para
diferenciar "pára" (verbo)
de "para" (preposição);
Extinção completa do trema;
Mudanças na utilização
do acento circunflexo |
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Portugal
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O "c" e o "p" não deverão
mais ser escritos em palavras nas quais não
são pronunciados. Ex: acção
passará a ser escrito ação,
como no Brasil;
Elimina-se o "h" inicial de algumas
palavras, como em "húmido",
que passará a ser "úmido".
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Serão mantidos o acento agudo no "e"
e no "o" tônicos que antecedem "m"
ou "n", enquanto o Brasil continua a ser
usado o acento circunflexo nessas palavras. Ex:
académico (em Portugal) e acadêmico
(no Brasil). |
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