| Agosto de 2008 Recordes
da natação
Reuters  |
As sucessivas quebras de recordes nas provas de natação na Olimpíada de Pequim garantiram à competição um lugar na história. As provas foram consideradas algumas das mais fantásticas da história do esporte mundial. O que explica o fato de tantos recordes terem sido quebrados? Foi a tecnologia dos maiôs? Novos treinamentos? Ou uma soma desses fatores? Entenda nas perguntas a seguir os motivos que levaram a esses resultados inéditos.
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| 1. Os nadadores que foram a Pequim têm uma preparação melhor que os antecessores?
Sim. Hoje em dia, os grandes nadadores do mundo têm ao seu dispor uma equipe de profissionais de diversas áreas -- tudo para ganhar cada centésimo de segundo a menos na prova. O time geralmente é formado por treinador específico para cada prova, outro para a parte de cima do corpo, um técnico para os membros inferiores, um fisiologista, um nutricionista, um psicólogo, um biomecânico e até massagista. |
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| 2. Como é feito o treinamento de atletas de ponta?
Os atletas que chegam a uma Olimpíada treinam desde a infância. A programação de treino dos profissionais é dividida em blocos: treino na água e mais musculação, nutrição e preparação psicológica. Na água, o treinamento costuma ser feito em dez sessões de três horas cada por semana. O fenômeno Michael Phelps, por exemplo, nada cerca de 80 quilômetros por semana. Normalmente esses atletas participam de seis competições por semestre. | | | | •
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| 3. Houve alguma mudança significativa no treinamento dos atletas?
Sim. Os profissionais de natação avançaram muito entre a Olimpíada de Atenas e a de Pequim. Segundo o treinador de natação do Clube Pinheiros, Álvaro Taba, nos últimos quatro anos houve um intenso trabalho de evolução no uso das pernas. “Os braços sempre foram mais trabalhados que as pernas. Hoje em dia, é sabido que as pernas são tão importantes quanto os braços. Com isso, muitos treinadores tornaram-se especialistas em pernas e isso é um fator importantíssimo para a quebra desses recordes", explica ele. | | | | •
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| 4. Que tipo de tecnologia está à disposição atualmente?
Há aparelhos parecidos com os de musculação, que simulam a força da água para o atleta. Além disso, há várias câmeras espalhadas pela piscina, que proporcionam aos técnicos a observação detalhada do movimento do nadador. A partir das várias imagens, é possível corrigir a braçada, movimento de pernas e até a respiração, um fator fundamental para um atleta de ponta. O fenômeno Phelps, por exemplo, tem a melhor respiração da natação atual -- o que faz com que ele produza menos ácido lático. Segundo especialistas, quanto menos ácido lático produzido, menor a dor muscular e menor o cansaço. É por isso que Phelps agüenta nadar tantas provas seguidas e mesmo assim bater tantos recordes. | | | | •
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| 5. E a alimentação? Há alguma mudança nesse aspecto do esporte?
Sim, e este é um fator importante para a quebra de recordes. Nos dias atuais, a alimentação é construída com base no treinamento do atleta, para recuperar o nadador e dar mais força física durante as competições. Phelps, por exemplo, afirmou durante as Olimpíadas de Pequim que consome 12.000 calorias por dia, seis vezes mais que o recomendado para uma pessoa comum. Para se ter uma idéia, o café-da-manhã dele é composto por duas xícaras de café, três sanduíches de ovo frito recheados com queijo, tomates, cebolas fritas, alface e maionese, um omelete com cinco ovos, cerais, três pedaços de torradas com açúcar e três panquecas de chocolate. No almoço, Phelps come macarrão e dois sanduíches de presunto e queijo com maionese em pão branco; no jantar, uma pizza inteira e meio quilo de macarrão. | | | | •
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| 6. O novo maiô LZR lançado em Pequim ajuda mesmo?
Sim. O maiô LZR Racer, fabricado pela Speedo, foi desenvolvido pela Nasa, a agência espacial americana. É feito de um tecido ultraleve, que reduz as oscilações musculares e a vibração da pele do nadador, além do atrito com a água. O maiô contém um zíper quase imperceptível e um silicone aderente no tornozelo, que ajuda na movimentação das pernas. Para o técnico de natação Álvaro Taba, o maiô ajuda também no lado psicológico do atleta. “O lado emocional é fundamental em uma competição. Quando o atleta coloca esse maiô e diz ‘Nossa, isso é demais’, pode ter certeza que ele vai melhorar seu desempenho. Isso porque ele se sentiu bem -- além, é claro, da parte técnica do traje”, afirma Taba. | | | | •
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| 7. O tipo de piscina usada nas competições tem alguma influência?
No caso de Pequim, sem dúvida que sim. A piscina do Cubo D’Água tem 3 metros de profundidade -- é 50 centímetros mais funda que a de Atenas, onde foi disputada a última Olimpíada -- e não tem variação com partes fundas e rasas, o que reduz a turbulência. A água que é levada para as bordas escoa para baixo da piscina e não retorna às raias, o que diminui as ondulações. Além disso, os separadores de raia dos Jogos de Pequim são mais avançados. Eles servem como aparadores para as ondas que se formam com o movimento do nadador. Os blocos de largada também foram desenhados em ângulos que dão maior impulso na partida dos nadadores. | | | | •
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| 8. Essas mudanças fazem grande diferença nos tempos?
Para Cesar Cielo, ouro na prova dos 50 metros e bronze nos 100, “a piscina
parece que tem 48 metros, e não os 50 oficiais”.
Já Thiago Pereira, quarto colocado na prova dos
200 medley, disse ter ficado surpreso com a piscina.
“É muito rápida. É uma estrutura maravilhosa a que
construíram aqui, é a melhor piscina em que já nadei
até agora”, disse o brasileiro, o quarto colocado
na prova vencida por Phelps.
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9. Os especialistas esperavam tantas quebras de recordes mundiais?
Sim. Por causa da estrutura que foi montada em Pequim, pelo ciclo olímpico que a natação mundial teve e com a invenção do maiô LZR, os nadadores foram para a China esperando ótimos resultados. “Os atletas do mundo inteiro se esforçaram demais para estar nessa Olimpíada, pois era sabido que os tempos iam baixar em Pequim. Foi possível notar a vontade dos nadadores nas seletivas dos países”, explica o treinador Álvaro Taba. |
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10. E depois de Pequim, virão novos recordes na natação?
Os especialistas não acreditam em novos recordes. “Depois de uma grande onda, é normal que venha uma pequena”, diz Taba. O treinador acha, contudo, que no próximo mundial, em Roma-2009, aconteça a quebra de pelo menos outros cinco recordes. “Atletas que chegaram nadando muito bem na Olimpíada mas ficaram em segundo lugar devem subir ainda mais de produção. Esses devem quebrar os novos recordes, mas não vai ser na mesma proporção”, prevê ele. |
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