Reciclagem
e coleta seletiva
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Cada brasileiro produz,
em média, 1 quilo de lixo por dia, uma quantidade pequena se comparada com os 3
quilos de cada americano. Mas, somando o descarte de todos os cidadãos, o monturo
diário no Brasil chega a 170.000 toneladas. Dessa montanha de sujeira, o país
reaproveita apenas 11% - cinco vezes menos do que os países desenvolvidos. A maior
porção desses detritos é matéria orgânica, que pode ser convertida em adubo.
O que resta é composto, majoritariamente, por vidros, plásticos, papéis e metais,
os materiais recicláveis por excelência. Os índices brasileiros de reciclagem
desses produtos variam muito. O Brasil é campeão mundial no reaproveitamento de
garrafas PET e latas de alumínio, mas, por outro lado, despeja a maior parte dos
plásticos e latas de aço nos "lixões" a céu aberto. Atualmente, apenas 327 municípios
dispõem de algum sistema público de coleta seletiva. Dar um destino adequado ao
lixo é um dos grandes desafios da administração pública em todo o planeta. Atualmente,
compram-se muito mais produtos industrializados do que na década passada, incluindo
alimentos e bebidas. Alguns países, porém, já descobriram como transformar objetos
sem valor num grande negócio. Conheça os principais processos de reciclagem, seus
benefícios e os índices brasileiros e mundiais.
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| 1. O que é
reciclagem?
A partir da década de 1970, a preservação do meio ambiente
passou a ser uma das grandes preocupações mundiais. Preocupação que se voltou,
principalmente, para o aumento da produção de lixo, alavancado pela proliferação
das embalagens e produtos descartáveis. A palavra reciclagem ganhou, na ocasião,
sua acepção ecológica. E de lá para cá, passou a designar o conjunto de técnicas
que busca reprocessar substâncias jogadas no lixo para que elas se tornem novamente
úteis e possam ser reinseridas no mercado. Ela é um dos fins - certamente o mais
lucrativo e ecológico - que os resíduos podem ter. Mas nem todo material pode
ser reciclado. E para cada um daqueles que podem ser reaproveitados existe uma
forma adequada de reciclagem. Nesse processo, a coleta seletiva é fundamental
e consiste, basicamente, na separação e no recolhimento do lixo. |
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| 2. Que
tipos de materiais podem ser reciclados?
Os principais materiais
recicláveis são o metal, o vidro, o plástico e o papel. Dentre eles, porém, há
exceções. Lâmpadas fluorescentes, por exemplo, não costumam ser recicladas e devem,
portanto, ser depositadas no lixo comum, assim como os espelhos. Constam ainda
dessa lista cerâmicas, objetos de acrílico, papéis plastificados (como o das embalagens
de biscoito), papel-carbono, papel higiênico, fotografias, fitas e etiquetas adesivas,
bitucas de cigarro, fraldas, absorventes e guardanapos. As baterias de telefones
sem fio, de filmadoras e de celulares podem ser reaproveitadas, assim como
as pilhas comuns. | | | | •
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| 3. O
que impede a reciclagem de um material?
Se o processo de reciclagem
for muito caro, ninguém irá fazê-lo, muito menos a iniciativa privada, que hoje
é responsável por grande parte do processamento de substâncias para serem reutilizadas.
Ou seja, até existem técnicas de reciclagem para alguns materiais que não são
reaproveitados, mas os procedimentos consomem muita energia ou exigem equipamentos
caros. O desafio é desenvolver processos que tragam retorno financeiro, ou que pelo
menos compensem o investimento. No Brasil, a reciclagem de pilhas ainda não é
feita em escala industrial justamente pelo alto custo do processo. O desmonte
das peças, sempre compostas por muitos elementos, alguns deles tóxicos, é muito
trabalhoso. Outro problema a ser superado é o lixo poluído. É preciso garantir
que os resíduos cheguem à fabrica de reciclagem em bom estado. Isso significa
que o lixo seco não pode entrar em contato com os restos orgânicos. Um copo de
café jogado numa lata de lixo pode comprometer a reciclagem de todo o papel ali
contido. Vale lembrar que é inútil separar o lixo seco por tipo de material -
as empresas e cooperativas sempre fazem uma nova triagem. Amassar latas e garrafas
PET ou desmontar as embalagens longa-vida também são medidas que não encurtam
em nada o processo de reciclagem. | | | | •
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| 4. Como
funcionam os principais processos de reciclagem (papel, metal, vidro e plástico)?
Metais e papéis: nesses
casos, a primeira etapa da reciclagem, a coleta seletiva,
costuma ser feita por catadores. São eles que recolhem os restos nas ruas
e vendem o material, já compactado e limpo, às empresas recicladoras. O
processo de reaproveitamento do alumínio, o metal mais reciclado, consiste
na retirada de impurezas (como areia, terra e metais ferrosos), na remoção
das tintas e vernizes e, por fim, na fundição do metal. Num forno
especial, ele se torna líquido, para ser, então, laminado - o combustível
queimado nesta etapa pode provir do gás gerado nas fases anteriores. São
essas chapas que são transformadas em novas latas.
Papel: assim que chega à indústria da reciclagem, é cortado
em tiras e colocado num tanque de água quente, onde é mexido até
que forme uma pasta de celulose. Na fase seguinte, drena-se a água e retiram-se
as impurezas. O preparado é, então, despejado sobre uma tela de
arame. A água passa e restam as fibras. O material é seco e prensado
por pesados cilindros a vapor e alisados por rolos de ferro. Está, então,
pronto para ser enrolado em bobinas e ser papel de novo.
Plástico: a reciclagem pode ser feita de duas maneiras: com ou sem a separação
das resinas. O primeiro processo é mais caro para os brasileiros, uma vez
que requer equipamentos que não são fabricados no país. O
resultado desta técnica é a chamada madeira plástica, usada
na fabricação de bancos de jardim, tábuas e sarrafos. O outro
processo, mais comum, inicia-se pela separação dos plásticos
conforme sua densidade. Depois, são triturados até virarem flocos
do tamanho de um grão de milho. Já lavados e secos, os flocos são
vendidos às fábricas que confeccionam artefatos de plástico.
Vidro: a primeira etapa do processo de reciclagem é separá-lo conforme
a cor - o incolor é o de melhor qualidade. Em seguida, o material é
lavado e ocorre a retirada de impurezas, como restos de metais e plástico.
Um triturador, então, transforma o vidro em cacos de tamanho homogêneo.
Antes de serem fundidos, os pedaços são misturados com areia e pedra
calcária. Sem que resfriem, recebem um jato de ar quente para tornarem-se
mais resistentes. Estão, enfim, prontos para serem utilizados mais uma
vez. | | | | •
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| 5. Dá
para reciclar matéria orgânica?
Sim. Matéria orgânica - sobras de comidas,
legumes, verduras e frutas estragadas, cereais, sementes, casca de ovos, pão embolorado,
aparas de lápis apontado, saquinhos de chá, guardanapos de papel, podas de jardim,
galhos, serragem, pó de café, etc. - corresponde a 65% de todo o lixo que se produz
no Brasil. A reciclagem deste tipo de material chama-se compostagem. Seu papel
é acelerar o processo natural de decomposição da matéria orgânica e transformá-la
em adubo. O método mais comum resume-se ao revolvimento da porção de terra onde
foram despejados os resíduos. Mas existem também procedimentos mais avançados.
Num deles, o lixo é vertido em células de concreto que, oxigenadas, estimulam
ainda mais as atividades das bactérias responsáveis pela decomposição. |
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| 6. Quais
são os benefícios trazidos pela reciclagem?
Para se ter uma idéia,
a reciclagem de uma única latinha de alumínio propicia economia de energia suficiente
para manter uma geladeira ligada por quase dez horas; cada quilo de vidro reutilizado
evita a extração de 6,6 quilos de areia; cada tonelada de papel poupada preserva
vinte eucaliptos. Poupam-se a natureza e os gastos. No Brasil, estima-se que uma
tonelada de lixo reciclado economize 435 dólares. Em 2006, com a reciclagem de
30.000 toneladas de papel, o país deixou de derrubar 600.000 árvores. A indústria
também pode se beneficiar. A versão reciclada dos plásticos, por exemplo, consome
apenas 10% do petróleo exigido na produção do plástico virgem - economia que vem
a calhar com a escalada vertiginosa do preço do barril verificada nas últimas
décadas. As vantagens também podem ser obtidas pela reciclagem do aço, cuja tonelada
reaproveitada preserva 110.000 toneladas de minério de ferro, material de extração caríssima. Calcula-se que 700 milhões de toneladas de materiais de todos os tipos sejam
recicladas anualmente no planeta. Isso representa um faturamento anual de 200
bilhões de dólares. Nos EUA, a reciclagem já emprega diretamente meio milhão de
pessoas, o dobro do que emprega a indústria do aço. | | |
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| 7. Quanto
o Brasil recicla? O Brasil é campeão mundial na reciclagem de alumínio:
mais de 1 milhão de latinhas por hora. No total, reaproveita-se 94% delas. Destas,
70% são recicladas em Pindamonhangaba, no leste paulista. O país também apresenta
bons índices em relação ao papelão - 77% - e às garrafas PET - 50%. No entanto,
ainda recicla pouco outros tipos de plástico, latas de aço e caixas longa-vida,
cujos índices não ultrapassam os 30%. No primeiro caso, a justificativa é que
a maioria das pessoas não reconhece como plástico as resinas mais maleáveis, como
as das sacolas de supermercado. Por isso elas acabam no lixo comum. Já as latas
de aço são pouco recicladas porque há resistência das pessoas em guardá-las no
lixo de casa. Diz-se delas que são "volumosas" e "difíceis de amassar". A tecnologia
para reciclar as caixas longa-vida, que permite separar as seis camadas que compõem
a embalagem, é recente e, por enquanto, poucas pessoas a possuem no Brasil. |
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| 8. Quais
cidades brasileiras podem ser tomadas como exemplos?
Os cinco municípios
brasileiros onde a prefeitura faz chegar o serviço de coleta seletiva a 100% das
residências são Curitiba (PR), Itabira (MG), Londrina (PR), Santo André (SP) e
Santos (SP). Em Curitiba, por exemplo, a fórmula que deu certo inclui o uso de
caminhões que recolhem apenas o lixo seco, sem nenhum resto orgânico. O resultado: o lixo fica mais limpo e acaba vendido por um preço mais alto às indústrias
de reciclagem. Isso ajuda a tornar o sistema de coleta seletiva em Curitiba mais
barato (e viável) que o da maioria das cidades brasileiras. |
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| 9. Por
que em alguns municípios há programas de reciclagem e em outros não? Todo
o resíduo de uma cidade é de responsabilidade das prefeituras. Dessa maneira,
se não existirem iniciativas municipais, dificilmente a reciclagem será massificada.
Outra situação a ser vencida é a falta de mecanismos de coleta seletiva. Essa
etapa inicial e fundamental da reciclagem é realizada pelos órgãos públicos em
cerca de 6% dos municípios brasileiros. A situação levou à formação de cooperativas
de catadores de lixo e de empresas privadas especializadas, que enxergaram na
coleta seletiva e na reciclagem uma forma de ganhar dinheiro. Na capital paulista,
por exemplo, um estudo identificou, em 2002, cerca de setenta associações que
coletam, fazem a triagem e comercializam material reciclável. |
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| 10.
Quais são os países que mais reciclam no mundo? Entre os países que
mais reciclam estão os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha e a Holanda. Os EUA,
por exmplo, conseguem reaproveitar pouco mais da metade do que vai parar nas lixeiras.
Na Europa Ocidental, virou rotina nos supermercados cobrar uma taxa para fornecer
sacolas plásticas. Os clientes levam as suas de casa. Também na Europa, o bom
e velho casco (de vidro ou de plástico) vale desconto na compra de refrigerantes
e água mineral. Para a redução do lixo industrial, a União Européia está financiando
projetos em que uma indústria transforma em insumo o lixo de outras fábricas.
Até a fuligem das chaminés de algumas é aproveitada para a produção de tijolos
e estruturas metálicas. | | | | •
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