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Novembro de 2008
Recessão econômica

Reuters

Depois que Grã-Bretanha, Alemanha, Itália e a zona do euro (pela primeira vez desde sua criação) anunciaram ter entrado em recessão, em meados de novembro foi a vez da segunda maior economia do mundo, o Japão, admitir que sua economia retraiu. No mesmo barco estão a Espanha e os Estados Unidos, que aguardam a confirmação dos dados para entrar no grupo. Uma crise que no início parecia isolada, restrita apenas ao mercado imobiliário americano, se propagou. Agora, os efeitos do abalo chegam à economia real e interrompem o crescimento econômico. Entenda o que é uma recessão e como ela afeta o cotidiano das pessoas.

1. O que é uma recessão econômica?
2. O que pode provocar uma recessão?
3. Ela pode trazer algum benefício para a economia?
4. Qual foi a última vez que o Brasil entrou em recessão?
5. Os EUA já estão em recessão? Quando ocorreu a última?
6. O que acontece quando um país está em recessão?
7. Qual a diferença entre recessão e depressão?
8. Qual país sofreu a recessão mais duradoura?
9. Qual órgão deve diagnosticar se o país está em recessão?
10. Quais são as efeitos de uma recessão nos EUA para o Brasil?
11. Como uma recessão afeta o cotidiano das pessoas?

1. O que é uma recessão econômica?

O conceito de recessão é bastante complexo. Costuma-se dizer que uma recessão instala-se quando é registrada uma queda no Produto Interno Bruto (PIB) durante dois trimestres consecutivos. O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Portanto, a diminuição no valor dele indica que a demanda decresceu na maioria dos mercados. Economistas, no entanto, contestam o uso do PIB como medidor de uma recessão. De acordo com Robson Gonçalves, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), recessão significa uma capacidade ociosa generalizada. “É preciso comparar o crescimento do PIB com o crescimento da capacidade produtiva das empresas”, explica ele.

 
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2. O que pode provocar uma recessão?

Existem diversos fatores capazes de provocar uma recessão. De forma geral, é possível dizer que ela acontece quando a maioria dos setores da economia entra em declínio. “A perda de confiança dos agentes econômicos leva a uma adiamento de decisões, tanto de investimento, por parte das empresas, como da compra de bens duráveis, por parte das famílias”, afirma Gonçalves. Com isso, entra-se num ciclo em que as pessoas deixam de gastar e as companhias deixam de produzir.

 
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3. Ela pode trazer algum benefício para a economia?

Alguns economistas defendem que as recessões fazem parte de um ciclo econômico natural dos mercados, caracterizado por altos e baixos. Em 1942, um dos economistas mais importantes do século passado, Joseph Schumpeter, escreveu em seu livro Capitalismo, Socialismo e Democracia que as recessões são um "mal necessário" nas sociedades capitalistas. A idéia de que elas são necessárias ainda é discutida nos dias atuais. Na opinião de certos analistas, sempre depois de uma expansão, acontece a retração. Para eles, a principal função da recessão é limpar a “gordura” do sistema. Eles acreditam, que sem os excessos, as economias ficam “limpas” para o próximo crescimento. Outros economistas, porém, contestam essa teoria, argumentando que nem sempre um grande crescimento vem acompanhado de uma grande perda. Para o professor Robson Gonçalves, a recessão tem, de fato, um lado positivo. “Ela obriga as empresas a corrigirem a ineficiência que surgiu durante a fase de expansão”, argumentou.

 
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4. Qual foi a última vez que o Brasil entrou em recessão?

O país já passou por diversos ciclos de recessão. O mais longo ocorreu na década de 1980, quando ocorreu a transição do regime militar para a democracia. No governo do presidente José Sarney, os brasileiros enfrentaram longos períodos de inflação e hiperinflação. Ao mesmo tempo, crescia a dívida externa. Com o passar dos anos, em vez da situação melhorar, ela piorava, e os produtos ficavam ainda mais caros. Durante essa fase, o Brasil chegou a ter três moedas diferentes (cruzeiro, cruzado e cruzado novo). Além disso, vários planos econômicos foram criados com o intuito de remediar a crise. Durante a chamada "década perdida", o cotidiano das pessoas e o funcionamento do setor produtivo eram outros. O cenário só foi melhorar mesmo cerca de dois anos depois da queda do presidente Fernando Collor de Mello, com o início do Plano Real.

 
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5. Os EUA já estão em recessão? Quando ocorreu a última?

Oficialmente, os Estados Unidos ainda não anunciaram o início da recessão. Porém, segundo pesquisa da Associação Nacional para Economia de Negócios (Nabe, na sigla em inglês), a economia americana enfrenta uma recessão "prolongada" que se “estenderá para além do primeiro trimestre do próximo ano e verá aumentos adicionais na taxa de desemprego”. De acordo com os resultados da pesquisa, 96% dos consultados disseram que os EUA estão em recessão. Para Gonçalves, o governo dos EUA ainda não admitiu a recessão por uma questão estratégica. “Se você insiste em falar da doença, o paciente piora", compara ele. "Não assumir a crise é uma tentativa de corrigir a expectativa. Todos sabem que o país está mal, então vamos falar da saída da recessão.” A última vez que a economia americana sofreu um grande abalo foi em 2001, depois do ataque de 11 de setembro. Além da tragédia, havia os efeitos do estouro da bolha tecnológica. Na ocasião, os gastos dos consumidores tiveram a maior queda em 15 anos e também houve um crescimento substancial nos pedidos por seguro-desemprego. Só naquele ano, 1 milhão de trabalhadores foram demitidos. No total, a economia dos Estados Unidos já sofreu onze recessões desde o fim da II Guerra Mundial.

 
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6. O que acontece quando um país está em recessão?

Há uma redução na geração de renda e um corte pesado nas vagas do mercado de trabalho. Em alguns países, os trabalhadores podem até não perder o seu emprego, mas podem ter seus salários reduzidos. De acordo com Gonçalves, depois da Grande Depressão, iniciada com o Crash da Bolsa, em 1929, os economistas aprenderam que o estado tem um papel fundamental na economia. “O estado toma a frente no mercado, restaura a confiança das empresas e ele próprio gera a demanda.” O professor da FGV explicou que, entre as possíveis ações do governo para combater uma recessão estão os cortes de impostos e juros e o aumento dos gastos públicos.

 
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7. Qual a diferença entre recessão e depressão?

“A depressão é caracterizada pela recessão somada à deflação”, resume Gonçalves. Para ajudar na compreensão da diferença entre as duas, existe uma frase antiga, sempre reproduzida nessas situações: “Uma recessão é quando o seu vizinho perde o emprego; já uma depressão é quando você perde o seu”. Alguns especialistas garantem que a depressão pode ser diagnosticada quando o PIB do país declina mais de 10%. No entanto, segundo Gonçalves, não é possível caracterizar uma depressão com um único medidor. O professor da FGV lembra que, depois da crise de 1929, nenhum período da história econômica mundial chegou a ser classificado dessa forma. “Nos anos 1990, o Japão chegou a ter sinais de depressão, mas o governo conseguiu reverter o quadro.”

 
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8. Qual país sofreu a recessão mais duradoura?

Nos últimos 46 anos, a Alemanha foi o país que mais permaneceu sob contração da atividade econômica. Entre 1962 e 2007, ela ficou 144 meses em recessão. Em segundo lugar estão o Japão e a Itália, com 99 meses cada. A terceira posição ficou para a Índia, com 83 meses.

 
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9. Qual órgão deve diagnosticar se o país está em recessão?

No Brasil, órgãos como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Departamento Intersindical de Estatísiticas e Estudos Sócio Econômicos (Dieese) e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) podem detectar uma recessão. Nos Estados Unidos, existe um órgão cuja função é julgar quando o país entra em declínio econômico: o Business Dating Committee, do Bureau Nacional de Pesquisa Econômica (NBER). Para isso, ele avalia cinco indicadores: emprego, produção industrial, renda pessoal total, vendas da indústria e PIB mensal. Na Alemanha, quem anuncia a recessão é o Escritório Federal de Estatísticas. A mesma função tem o Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (INSEE) na França, e a Agência de Estatísticas Nacionais, na Grã-Bretanha.

 
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10. Quais são as efeitos de uma recessão nos EUA para o Brasil?

Segundo o professor Gonçalves, o principal canal de contágio são os mercados externos. Com uma recessão nos Estados Unidos, o mercado para as exportações do Brasil fica menor. Ele lembra, porém, que o comércio exterior responde por menos de 20% do PIB brasileiro. Uma solução, segundo ele, seria buscar outros parceiros comerciais, como a China, por exemplo. Outro problema, que já vem tirando o sono dos empresários brasileiros, é a escassez de crédito. Com menos liquidez na economia mundial, é mais difícil conseguir capital, que também fica mais caro. Além disso, dependendo dos índices de alta do dólar, as importações podem ficar mais caras e, como conseqüência, a inflação poderá aumentar.

 
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11. Como uma recessão afeta o cotidiano das pessoas?

Com a confiança do consumidor reduzida e a incerteza aumentando, as pessoas preferem poupar e pagar dívidas a consumir. Além disso, elas sentem na pele a ameaça do desemprego, adiam a troca do automóvel e cancelam a viagem de férias. Segundo Gonçalves, não há outro jeito: uma recessão “reduz o bem-estar material das pessoas”, mesmo daquelas que permanecem com seus empregos.

 
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