Protesto de
muçulmanos
na China
Reuters
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Os choques entre
dois grupos na província chinesa de Xinjiang,
no noroeste do país, deixaram mais de 180
mortos e 1.000 feridos no início de julho
e provocaram um desentendimento diplomático
entre a China e a Turquia. Foi o mais sangrento
conflito no país desde o massacre da Praça
da Paz Celestial, há 20 anos. Em jogo, estão
as diferenças étnicas, culturais e religiosas
da minoria uigure e da maioria han – a predominante
no país. A província de Xinjiang é, na verdade,
um barril de pólvora, cuja explosão já era
prevista. Entenda o que está por trás desse
conflito.
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1.
Como começou o conflito na província chinesa de
Xinjiang?
Jovens da etnia uigure promoveram uma marcha na
cidade de Urumqi, capital de Xinjiang, no dia 5
de julho, para protestar contra um caso de discriminação
judicial, ligado ao assassinato de dois uigures
por membros da etnia han. A marcha se espalhou pela
cidade e terminou em choque com a polícia, resultando
na morte de cidadãos da etnia han. Como vingança,
membros desse grupo atacaram e mataram uigures.
O governo admitiu que pelo menos 184 pessoas morreram
e outras 1.000 ficaram feridas.
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2.
Quem são os uigures e quem são os hans?
Os uigures formam uma minoria étnica mulçumana
de origem turca, com língua própria, que alega ser
a primeira a habitar a região montanhosa da província
de Xianjiang, no noroeste da China. Dados oficiais
do governo chinês dizem que eles são 45% da população
local atualmente. Os han, que são maioria na China,
representam cerca de 40% dos cerca de 20 milhões
de habitantes da província. Eles são vistos pelos
uigures como colonizadores, pois começaram a chegar
em grande escala à região em 1949, após a Revolução
Comunista.
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3.
Qual foi a reação de Pequim aos distúrbios em Xianjiang?
O governo de Pequim foi rápido e brutal na repressão,
mas não conseguiu desfazer a impressão de que o
país padece do mesmo desarranjo nacional que levou
ao esfacelamento do Leste Europeu. Em ambas as regiões,
a mão dura do comunismo abafou diferenças étnicas
e uma multiplicidade de aspirações nacionais durante
décadas. Com a queda do Muro de Berlim, a panela
de pressão explodiu em guerras e na contínua fragmentação
dos antigos satélites soviéticos em nações cada
vez menores.
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4.
Xinjiang sempre pertenceu à China?
Não. A província só foi anexada
à China em 1760 pela dinastia Qing. Pela
região, passava a Rota da Seda, caminho utilizado
por mercantes que faziam o intercâmbio de
produtos entre a Europa e Ásia. Atualmente,
é classificada como região autônoma
controlada pelo governo central (assim como o Tibete,
que fica ao sul) e ocupa mais de um sexto do território
chinês. A província, que serviu de
cenário para o filme O Caçador
de Pipas (2007), também é palco
de uma luta pela independência, promovida
por militantes uigures, que são retratados
por Pequim como terroristas com ligações
com a rede terrorista Al Qaeda, de Osama Bin Laden.
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5.
Só há essas duas etnias na província?
Não. Além dos uigures e dos han,
outras 18 etnias compõem a população
local, entre elas cacazaquistaneses, mongóis,
manchus, uzbequistaneses, russos e tibetanos.
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6.
Qual é a importância econômica da região?
Xinjiang é considerada estratégica
por ser rica em gás natural e petróleo.
Mas a produção rural também
tem grande peso na economia local. As chamadas bingtuan,
grandes fazendas criadas pelo governo chinês
na década de 50, são lucrativas e
estima-se que um em cada seis hans que vivem em
Xinjiang trabalhe em uma dessas propriedades. Os
uigures, contudo, raramente trabalham nessas fazendas:
as desvantagens deles, aliás, são
outro motivo da revolta contra a Pequim.
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7.
De que tipo de desvantagem reclamam os uigures?
Eles alegam que sofrem desvantagens econômicas em relação
aos imigrantes chineses da etnia han, que obtêm os melhores empregos.
Esse desnível vem crescendo nos últimos 30 anos, uma vez que a
concentração de membros da etnia han na província é
crescente. Com a recente crise econômica, acredita-se que a crescente
dificuldade para se encontrar emprego tenha forçado trabalhadores uigures
a migrar para outras regiões da China.
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8.
Há outras razões para insatisfação?
Sim. Os uigures se dizem reprimidos culturalmente
desde o início da década de 1990,
logo após a queda do muro de Berlim e do
colapso da União Soviética – momento
em que uma onda nacionalista percorreu o mundo.
A China temia que os uigures se identificassem com
os turcos nacionalistas que pregam o islamismo fundamentalista.
Atualmente, entre as restrições culturais
de que são vítimas os uigures, estão
o controle da prática da fé islâmica
e a submissão da língua própria
ao mandarim, idioma oficial da China, para fins
profissionais.
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