Pesquisas eleitorais
Em ano de eleição,
as pesquisas de intenção de
voto orientam estratégias partidárias,
determinam os rumos das campanhas políticas
e despertam grande interesse no eleitor. A
três meses das eleições
municipais, a VEJA.com consultou dois dos
principais institutos de pesquisa brasileiros,
Datafolha e Ibope, para entender como são
feitos os levantamentos e quais dados podem
realmente refletir a realidade do eleitorado.
Saiba como funcionam as sondagens:
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1.
Como é feita uma pesquisa de intenção de voto?
Uma vez contratada a pesquisa, define-se seu foco,
prazos, conteúdo, abrangência, identificação
da amostra (tamanho, técnica de amostragem,
seleção da amostra). Depois são
estabelecidos os instrumentos de pesquisa (questionário,
cartões, planilhas), o treinamento dos pesquisadores,
a coleta dos dados, checagem, processamento e análise
dos dados. A última etapa é a divulgação
dos resultados e acompanhamento de seus desdobramentos.
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2.
Como é definida a amostra de uma pesquisa?
Várias técnicas amostrais podem ser
utilizadas em pesquisas eleitorais. Nos levantamentos
nacionais ou estaduais, em geral os grandes institutos
trabalham da seguinte forma: num primeiro estágio,
são sorteados ou escolhidos os municípios
que farão parte do levantamento; depois,
os bairros e pontos onde serão aplicadas
as entrevistas. Por fim, os entrevistados são
selecionados aleatoriamente de acordo sexo, faixa
etária e grau de instrução.
Os dados utilizados para composição
da amostra são obtidos junto ao IBGE, Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) e Tribunais Regionais Eleitorais
(TREs).
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3.
Por que eu nunca respondi a uma pesquisa?
As pesquisas têm amostras médias de
2.500 entrevistas e no país há mais
de 127 milhões de eleitores, segundo o TSE.
Assim, em um levantamento nacional, apenas um eleitor
em cada grupo de aproximadamente 50.000 é
entrevistado, ou seja, seriam necessários
50.000 levantamentos com essa amostra para atingir
o total do eleitorado, sem que nenhum indivíduo
seja pesquisado mais de uma vez.
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4.
Nas eleições municipais, as pesquisas
são realizadas em todas as cidades do país?
Como elas são escolhidas?
Não. Segundo o Ibope, as pesquisas são
realizadas apenas nos municípios determinados
pelo órgão de imprensa, entidade,
empresa ou partido que contrata a pesquisa. Assim,
nem todas as 5.563 cidades do Brasil têm essas
informações.
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5.
Existe uma quantidade mínima de pessoas que
têm que ser entrevistadas em cada cidade?
Usualmente a amostra mínima é de
300 pessoas. Entretanto, o tamanho depende do grau
de segmentação e de precisão
desejados nos resultados. Para as pesquisas municipais,
o Ibope faz a seleção em dois estágios:
no primeiro, escolhe-se os bairros; depois os entrevistados.
Na segunda fase a seleção é
feita por cotas proporcionais, de sexo, idade, grau
de instrução e setor de dependência
econômica. As proporções são
feitas com base em dados do IBGE.
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6.
Qual é o número mínimo de entrevistados
para uma pesquisa de eleição presidencial?
Segundo o Datafolha, as amostras nacionais têm
entre 2.000 e 2.500 entrevistas, mas não
há tamanho mínimo ou ideal para uma
amostra eleitoral. O mais importante é a
sua representatividade, ou seja, como são
selecionados os entrevistados. Da mesma forma, para
o Ibope o mais importante é o grau de similaridade
da pesquisa com o universo pesquisado. O tamanho
é calculado com base no grau de precisão
que se deseja, no nível de detalhamento na
análise dos resultados e dependendo do tempo
e recursos disponíveis. Costuma-se utilizar
amostras entre 2.000 e 3.000 entrevistados.
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7.
Existe alguma diferença entre as pesquisas
para eleições municipais e as para
eleições presidenciais?
Na elaboração dos levantamentos
as diferenças são poucas, mas, de
maneira geral, os resultados das pesquisas municipais
e federais podem ter características distintas.
Segundo o Ibope, percebe-se que as mulheres são
mais críticas nas questões relacionadas
ao município, pois os assuntos debatidos
durante a campanha estão mais presentes em
seu dia-a-dia, como questões relativas à
educação e saúde dos filhos.
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8.
Como funciona o cálculo da margem de erro
das pesquisas eleitorais?
Todas as pesquisas, por elas utilizarem amostra
probabilística, têm margem de erro
amostral. Esse erro é calculado em função
do tamanho e da heterogeneidade da amostra e dos
resultados obtidos. A margem de erro normalmente
divulgada refere-se a uma estimativa de erro máxima
para uma amostra aleatória simples. Assim,
considerando o erro amostral, fica estabelecido
um intervalo de confiança -- limites para
mais e para menos em relação ao valor
obtido.
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9.
Qual tipo de intenção de voto é
mais importante numa reta final de eleição:
a espontânea ou a estimulada?
Segundo o Instituto Datafolha, o ideal é
observar conjuntamente os resultados. As taxas obtidas
na intenção de voto espontânea
podem indicar o grau de consolidação
do voto em um candidato, mas os resultados da pergunta
estimulada são mais utilizados pelos analistas,
pois apresentam menor taxa de indecisão e
quanto mais próxima a eleição,
maior é a tendência de que se aproximem
dos resultados apurados. De acordo com o Ibope,
os dois tipos de respostas são importantes:
a espontânea mostra quem já está
"firme com cada candidato" e a estimulada
mostra como o eleitor se comportaria se tivesse
de decidir naquele momento da entrevista.
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10.
Qual é o intervalo de tempo necessário
para um determinado fato refletir-se no resultado
da pesquisa?
Não há regra para determinar tal
intervalo, pois depende de fatores como o grau de
importância que o eleitor atribui ao fato,
o destaque que ele terá no noticiário,
o grau de conhecimento que o eleitor terá
sobre o fato, entre outros. Existem fatos que podem
alterar o resultado da intenção de
voto muito rapidamente, até mesmo na véspera
das eleições, e outros que levam mais
tempo.
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11.
Que fatores garantem a credibilidade de uma pesquisa?
Pesquisas dependem das técnicas utilizadas
e da eficácia com que são aplicadas,
questionários e amostras bem elaborados,
entrevistadores treinados e análises isentas
dos resultados e identificação do
contratante. Também asseguram a qualidade
da pesquisa o modo de apresentação
e divulgação dos resultados. E no
caso de eleições, há regras
importantes, como o registro no TRE ou no TSE.
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12.
Que fatores podem comprometer a credibilidade de
uma pesquisa?
Amostras e questionários não muito
claros, divulgação parcial dos resultados,
divulgação dos resultados muito tempo
depois do levantamento, divulgações
malfeitas dos resultados pelos veículos de
comunicação e a falta de registro
no TSE ou TRE.
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