| Setembro de 2007 Protestos
em Mianmar Os protestos pacíficos de
um grupo de monges budistas em um pequeno país asiático estão
atraindo a atenção do mundo todo. Em suas marchas diárias,
os monges defendem a liberdade e a democracia desafiando os líderes
de um violento regime militar que governa o país há duas décadas.
A seguir, as origens e as conseqüências do movimento
em Mianmar. | |
 |
| 1. Onde fica
Mianmar e qual é a história recente do país? Localizada no Sudeste
Asiático, a antiga Birmânia é banhada pelo Oceano Índico,
no Golfo de Bengala. Faz fronteira com Bangladesh, Índia, China, Laos e
Tailândia. Ex-colônia britânica (1824-1886), foi província
da Índia até a independência, em 1948. Durante 26 anos, entre
1962 e 1988, Mianmar viveu sob um regime comunista liderado pelo general Ne Win.
Em 1988, uma junta militar tomou o poder e ainda hoje governa com mão-de-ferro.
A oposição ganhou as eleições realizadas em 1990,
mas a junta não entregou o poder ao contrário, a líder
oposicionista Aung San Suu Kyi, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991,
está há anos confinada em prisão domiciliar. O país,
que era chamado de Birmânia antes do golpe de 1988, é dividido por
grupos étnicos e complicado por persistentes movimentos guerrilheiros.
Outro grave problema é o tráfico de drogas, principalmente ópio. |
| | | • topo |
 |
 |
| 2. O
que motivou a atual onda de protestos populares? Em agosto, a junta
militar decidiu dobrar o preço da gasolina e do diesel e quintuplicar o
preço do gás usado nos ônibus públicos. Todas as tarifas
de transporte dispararam e o preço dos alimentos também aumentou.
No dia 19 daquele mês, cerca de 400 pessoas realizaram a primeira manifestação
pública contra os militares em vários anos dezenas de ativistas
foram detidos. Os protestos, contudo, se espalharam pelo país, em cidades
como Rangoon e Sittwe. | | | | •
topo |  |
 |
| 3. Por
que os monges budistas se envolveram nos protestos? O uso da força
pelas tropas do governo para acabar com um protesto pacífico na cidade
de Pakokku, no início de setembro, fez com que os monges aderissem de vez
ao movimento. Naquele dia, pelo menos três monges ficaram feridos. No dia
seguinte, os budistas deram um prazo para que a junta militar pedisse desculpas
pela repressão violenta ao protesto. Quando o prazo terminou, em 17 de
setembro, os monges passaram a realizar grandes manifestações pacíficas
nas ruas. Além disso, deixaram de prestar qualquer tipo de serviço
ou assistência religiosa aos militares e suas famílias. |
| | | • topo |
 |
 |
| 4. O
que ocorreu depois que os monges entraram no movimento? Os religiosos
budistas passaram a promover protestos diários nos principais templos do
país. As manifestações eram pacíficas e buscavam fragilizar
a junta militar. Com o passar dos dias, os protestos ganharam ainda mais força
e atraíram a atenção da população civil, que
passou a marchar ao lado dos monges e a aplaudir o movimento. Os monges decidiram
declarar suas intenções no dia 21 de setembro: prometeram continuar
realizando protestos diários até que a junta militar que governa
o país deixe o poder. Os líderes da Aliança de Monges Budistas
de Mianmar dizem que a junta é "inimiga do povo" e querem que
"a ditadura militar seja varrida do país". |
| | | • topo |
 |
 |
| 5. Por
que a participação dos monges é tão significativa?
Porque o país abriga centenas de milhares deles em seus monastérios,
e porque os monges budistas são figuras muito reverenciadas pela população
de Mianmar. Os monges já têm grande histórico de participação
nos processos políticos do país, e a realização das
marcas pró-democracia são o maior desafio enfrentado pela junta
desde o golpe de 1988. Os especialistas acreditam que uma repressão violenta
contra o movimento poderia dar início a uma grande revolta nacional contra
o governo militar. | | | | •
topo |  |
 |
| 6. Como
a junta reagiu aos protestos dos monges budistas? Nos primeiros dias
de manifestações, não houve qualquer tipo de interferência
das forças de segurança, que acompanharam os protestos à
distância. Em 24 de setembro, porém, os líderes militares
avisaram que estavam prontos para "entrar em ação" contra
os manifestantes. Na madrugada do dia 25, um toque de recolher foi anunciado e
as forças de segurança se mobilizaram em Rangoon. Em 26 de setembro,
começou a repressão violenta aos protestos. A polícia usou
gás lacrimogêneo e bastões para tentar impedir a manifestação
dos monges. Os civis também entraram em confronto com os policiais. |
| | | • topo |
 |
 |
| 7. Com
a repressão, os monges e civis desistiram dos protestos? Não.
Pelo contrário: tanto os budistas como os ativistas civis desafiaram abertamente
as advertências do governo militar e insistiram nas manifestações.
As tropas oficiais elevaram a brutalidade de suas ações e, no dia
28 de setembro, a imprensa estatal de Mianmar anunciou que pelo menos nove pessoas
já haviam morrido nos confrontos. Testemunhas afirmam que os soldados e
policiais invadiram monastérios, quebraram portas e janelas, espancaram
monges e prenderam milhares deles. Os monges pediram que os civis se afastassem
e deixassem os protestos para eles. Não adiantou: os civis insistiram em
participar. | | | | •
topo |  |
 |
| 8.Qual
é a perspectiva para o país em meio às manifestações? Poucos
acreditam que o pedido de desculpas do governo o motivo inicial dos protestos
seja suficiente para conter as manifestações. Os especialistas
da região dizem que a onda de protestos agora reivindica principalmente
uma mudança no governo. Uma das marchas dos monges passou pela casa da
líder oposicionista Aung San Suu Kyi, símbolo da luta pela democratização
do país. Integrantes do partido de oposição à junta,
a Liga Nacional pela Democracia, também estariam participando dos protestos
no início, estavam afastados. | | |
| • topo |
 |
 |
| 9. O
que aconteceu na última vez que a junta militar foi desafiada? Em
agosto de 1988, a decisão do governo de desvalorizar a moeda local provocou
um grande levante popular. A medida fez com que as economias das pessoas sumissem
do dia para a noite. Naquela época, os protestos começaram entre
os estudantes e se espalharam entre os monges e o resto da população
civil. Em 8 de agosto de 1988, centenas de milhares de pessoas foram às
ruas para exigir a queda do governo. A reação brutal das tropas
oficiais provocou cerca de 3.000 mortes e destruiu o movimento de oposição
em Mianmar. | | | | •
topo |  |
 |
| 10.
Há risco de repetição da tragédia ocorrida duas décadas
atrás? Para muitos analistas, sim, pois a junta militar não
estaria disposta a permitir as manifestações da oposição
o que representaria um grande risco à manutenção de
seu poder. Os países vizinhos e as grandes potências, porém,
tentam impedir que a escalada de conflitos continue. O governo da China, por exemplo,
pede moderação, calma e estabilidade em Mianmar. Mas o governo dos
Estados Unidos através do presidente George W. Bush, que falou sobre
a luta pela democratização de Mianmar na abertura da Assembléia
Geral da ONU estaria estimulando o movimento para acabar com o brutal regime
militar do país. | | | | •
topo | |  |
|