| Fevereiro de 2007 Maioridade
penal
A morte do menino João Hélio, de
6 anos, arrastado por um carro depois de um assalto no Rio de Janeiro, reacendeu
o debate sobre a redução da maioridade penal no país. Como em outros crimes violentos,
menores de idade tiveram papel ativo no brutal crime - mas poderão ficar no máximo
3 anos presos. Saiba quais são os principais argumentos dos defensores e dos críticos
da medida - e como a mudança na lei poderia ser realizada.
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O que é maioridade
penal? A maioridade penal fixada em 18 anos é definida pelo artigo
228 da Constituição. É a idade em que, diante da lei, um jovem passa a responder
inteiramente por seus atos, como cidadão adulto. É a idade-limite para que alguém
responda na Justiça de acordo com o Código Penal. Um menor é julgado pelo Estatuto
da Criança e do Adolescente (ECA). | | | | •
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O que
diz a legislação brasileira sobre infrações de quem não atingiu a maioridade penal? Pela
legislação brasileira, um menor infrator não pode ficar mais de três anos internado
em instituição de reeducação, como a Febem. É uma das questões mais polêmicas
a respeito da maioridade penal. As penalidades previstas são chamadas de “medidas
socioeducativas”. Apenas crianças até 12 anos são inimputáveis, ou seja, não podem
ser julgadas ou punidas pelo Estado. De 12 a 17 anos, o jovem infrator será levado
a julgamento numa Vara da Infância e da Juventude e poderá receber punições como
advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade,
liberdade assistida, inserção em regime de semiliberdade ou internação em estabelecimento
educacional. Não poderá ser encaminhado ao sistema penitenciário. |
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Como
é a legislação brasileira em relação a outros países? A legislação
brasileira sobre a maioridade penal entende que o menor deve receber tratamento
diferenciado daquele aplicado ao adulto. Estabelece que o menor de 18 anos não
possui desenvolvimento mental completo para compreender o caráter ilícito de seus
atos. Adota o sistema biológico, em que é considerada somente a idade do jovem,
independentemente de sua capacidade psíquica. Em países como Estados Unidos e
Inglaterra não existe idade mínima para a aplicação de penas. Nesses países são
levadas em conta a índole do criminoso, tenha a idade que tiver, e sua consciência
a respeito da gravidade do ato que cometeu. Em Portugal e na Argentina, o jovem
atinge a maioridade penal aos 16 anos. Na Alemanha, a idade-limite é 14 anos e
na Índia, 7 anos. | | | | •
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Quais
os argumentos para reduzir a maioridade penal? Os que defendem a
redução da maioridade penal acreditam que os adolescentes infratores não recebem
a punição devida. Para eles, o Estatuto da Criança e do Adolescente é muito tolerante
com os infratores e não intimida os que pretendem transgredir a lei. Eles argumentam
que se a legislação eleitoral considera que jovem de 16 anos com discernimento
para votar, ele deve ter também tem idade suficiente para responder diante da
Justiça por seus crimes. | | | | •
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Quais
mudanças são as propostas em relação à maioridade penal? Discute-se
a redução da idade da responsabilidade criminal para o jovem. A maioria fala em
16 anos, mas há quem proponha até 12 anos como idade-limite. Propõe-se também
punições mais severas aos infratores, que só poderiam deixar as instituições onde
estão internados quando estivessem realmente “ressocializados”. O tempo máximo
de permanência de menores infratores em instituições não seria três anos, como
determina hoje a legislação, mas até dez anos. Fala-se em reduzir a maioridade
penal somente quando o caso envolver crime hediondo e também em imputabilidade
penal quando o menor apresentar "idade psicológica" igual ou superior a 18 anos. |
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O que
dizem os que são contra a redução da maioridade penal? Os que combatem
as mudanças na legislação para reduzir a maioridade penal acreditam que ela não
traria resultados na diminuição da violência e só acentuaria a exclusão de parte
da população. Como alternativa, eles propõem melhorar o sistema socioeducativo
dos infratores, investir em educação de uma forma ampla e também mudar a forma
de julgamento de menores muito violentos. Alguns defendem mudanças no Estatuto
da Criança e do Adolescente para estabelecer regras mais rígidas. Outros dizem
que já faria diferença a aplicação adequada da legislação vigente |
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Quem
é contra a redução da maioridade penal? Representantes da Igreja
Católica e do Poder Judiciário combatem a redução da maioridade penal. Para a
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Ellen Gracie, a melhor
solução seria ter uma “justiça penal mais ágil e rápida”. O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva diz que o Estado “não pode agir emocionalmente”, pressionado pela
indignação provocada por crimes bárbaros. Karina Sposato, diretora do Instituto
Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção e Tratamento da Delinqüência
(Ilanud), diz que o país não deveria “neutralizar” parte da população e sim procurar
“gerir um sistema onde as pessoas possam superar a delinqüência”. Tanto o presidente
nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, como o presidente da
Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, afirmam que reduzir a maioridade penal
não seria uma solução para a violência. | | |
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Quem
se manifestou a favor da redução da maioridade penal? Os quatro governadores
da região Sudeste - José Serra (PSDB-SP), Sérgio Cabral Filho (PMDB-RJ), Aécio
Neves (PSDB-MG) e Paulo Hartung (PMDB-ES) propõem ao Congresso Nacional alterar
a legislação para reduzir a maioridade penal. Eles querem também aumentar o prazo
de detenção do infrator para até dez anos. Além dos governadores, vários deputados
e senadores querem colocar em votação propostas de redução da maioridade. |
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Quais
são os trâmites legais para reduzir a maioridade penal? Depois de
ser discutida pelo Senado, a proposta de emenda constitucional (PEC) deve ir a
plenário para votação em dois turnos. Na seqüência, a proposta tem de ser votada
pela Câmara dos Deputados para transformar-se em lei. | | |
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Que
propostas sobre maioridade penal serão avaliadas pelo Congresso Nacional? Das
seis propostas de redução da maioridade penal que a Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania do Senado avalia, quatro reduzem a maioridade de 18 para 16
anos, e uma para 13 anos, em caso de crimes hediondos. Há ainda uma proposta de
emenda constitucional (PEC), do senador Papaléo Paes (PSDB-AP) que determina a
imputabilidade penal quando o menor apresentar "idade psicológica" igual ou superior
a 18 anos. | | | | •
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Quando
a Câmara dos Deputados votará as propostas de redução de maioridade penal? Não
há prazo definido. O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
não quis incluir o assunto entre as primeiras medidas do chamado “pacote da segurança”.
O que tem ocorrido é que em períodos de comoção e mobilização da opinião pública
o assunto ganha visibilidade e várias propostas chegam ao Congresso. Passada a
motivação inicial, os projetos caem no esquecimento. A proposta para redução da
maioridade está parada no Congresso desde 1999. Desde 2000, esta é a quarta vez
que um “pacote de segurança” é proposto. O último “esforço concentrado” foi em
junho de 2006, após os ataques do PCC em São Paulo, quando o Senado aprovou 13
projetos de endurecimento da legislação penal, que não incluíam a discussão sobre
a maioridade. Em 2003, após a morte de dois juízes, houve uma “semana da segurança”.
Em 2000, depois de um sequestrador de um ônibus ser morto ao lado de uma refém,
a Câmara e o Senado criaram uma comissão mista para discutir o endurecimento das
leis. Não houve votação originada desta comissão. | | |
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