Linfoma
Estima-se que 1,5 milhão de pessoas no
mundo sofrem de linfoma - o tipo de câncer que afetou a ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff. No Brasil, a doença causa cerca de 3.000 mortes por ano. Na maioria
dos pacientes, não é possível saber a causa do surgimento dos tumores. Aos poucos,
os especialistas identificam alguns fatores de risco. As chances de cura dependem
de numerosas variáveis, como o tipo de linfoma - dezenas já foram caracterizados
- e o estágio. Saiba mais sobre a doença, os fatores de risco, os sintomas e os
tratamentos, em questões respondidas com a colaboração da chefe do Serviço de
Hematologia do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Jane Dobbin, e de Ricardo
Bigni, médico do mesmo departamento. | |
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| 1. O que é
linfoma? É o termo usado para designar os tumores cancerígenos no
sistema linfático, formado por vasos finos e gânglios (linfonodos) que atuam na
defesa do organismo levando nutrientes e água às células e retirando resíduos
e bactérias. | | | | •
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| 2. Quais
os tipos existentes? Qual afetou a ministra Dilma? Existem duas categorias:
o linfoma de Hodgkin e o linfoma Não-Hodgkin. Há dezenas de tipos de linfomas
dentro dessas categorias - uma lista dinâmica, em atualização constante. O linfoma
de Hodgkin é mais raro e atinge na maioria jovens e pessoas de meia idade. Já
o Não-Hodgkin, como o que afetou a ministra, responde por 90% dos casos e atinge
sobretudo pessoas com mais de 55 anos. Dilma retirou um tumor de 2,5 centímetros
da axila esquerda. O linfoma encontrava-se no estágio mais inicial e a ministra
não apresentava nenhum sintoma. Os linfomas são classificados em quatro estágios.
No estágio 1, observa-se envolvimento de apenas um grupo de linfonodos. Já no
estágio 4, há envolvimento disseminado dos linfonodos. | | |
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| 3. Existem
causas conhecidas? Na maioria das ocorrências, não é
possível definir o que causou o linfoma. Mas já são conhecidos
alguns fatores de risco para o surgimento da doença. Os principais são:
- Sistema imune comprometido - Pessoas com deficiência de imunidade,
em conseqüência de doenças genéticas hereditárias,
uso de drogas imunossupressoras e infecção pelo HIV, têm maior
risco de desenvolver linfomas. Pacientes portadores dos vírus Epstein-Bar
e HTLV1 e da bactéria Helicobacter pylori (que causa úlceras gástricas)
têm risco aumentado para alguns tipos de linfoma. - Exposição
química - Os linfomas estão também ligados à exposição
a certos agentes químicos, incluindo pesticidas, solventes e fertilizantes.
Herbicidas e inseticidas têm sido relacionados ao surgimento de linfomas
em estudos com agricultores e outros grupos de pessoas que se expõem a
altos níveis desses agentes químicos. A contaminação
da água por nitrato, substância encontrada em fertilizantes, é
um exemplo de exposição que parece aumentar o risco de ocorrência.
- Exposição a altas doses de radiação. |
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| 4. Quais
os sintomas? O principais sintomas são aumento dos linfonodos do
pescoço, axilas e/ou virilha; sudorese noturna excessiva; febre; prurido (coceira
na pele); e perda de peso inexplicada. A lista pode incluir outros sintomas que
dependem da localização do tumor. Se a doença ocorre na região do tórax, por exemplo,
os sintomas podem ser de tosse, falta de ar e dor torácica. |
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| 5. Como
se diagnostica o linfoma? São necessários vários
tipos de exames para determinar o tipo exato de linfoma e esclarecer outras características,
reunindo informações úteis para a escolha do tratamento mais
eficaz. Os métodos utilizados são: - Biópsia, ou
retirada e análise de uma pequena porção de tecido, em geral
linfonodos. - Exames de imagem. - Estudos celulares, que
incluem, entre outros, a análise de cromossomos. Novos testes, bastante
promissores, surgem a partir de trabalhos com a análise do genoma. |
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| 6. Quais os
tratamentos? A maioria dos linfomas é tratada com quimioterapia,
radioterapia ou ambos. A quimioterapia consiste na combinação de duas ou mais
drogas, sob várias formas de administração, de acordo com o tipo de linfoma. A
radioterapia normalmente é usada para reduzir a carga tumoral em locais específicos,
aliviar sintomas relacionados ao tumor e também consolidar o tratamento quimioterápico,
diminuindo as chances de recaída em certas áreas do organismo mais suscetíveis. |
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| 7. Quais as
chances de cura? As chances de cura variam muito e dependem fundamentalmente
do estágio em que a doença é diagnosticada e do tipo de linfoma. Hoje, o cálculo
do risco baseia-se nesses dois fatores e no chamado índice prognóstico, que considera
uma série de características do paciente. Algumas condições, como ter 60 anos
ou mais, sofrer de anemia e ter presença elevada de determinadas enzimas no organismo,
elevam o índice e portanto o risco. | | | | •
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| 8. Qual o tratamento
e quais as chances de cura da ministra Dilma? O nódulo foi retirado
em uma cirurgia de 45 minutos. Os médicos disseram que ela não precisará de mais
operações, mas fará quimioterapia durante quatro meses como prevenção. As substâncias
químicas serão aplicadas por via intravenosa. Segundo os médicos, como a doença
foi descoberta no estágio inicial, em exames de rotina, e não havia mais focos
no organismo, as chances de cura são superiores a 90%. O subtipo do linfoma de
Dilma é o das grandes células do tipo "b". O câncer foi caracterizado como agressivo,
mas isso é uma vantagem, pois significa que a sensibilidade à quimioterapia é
maior, por causa da atividade intensa das células cancerosas. |
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| 9. Existem
formas de prevenção da doença? Assim como em outros tipos de câncer,
é possível que dietas ricas em verduras e frutas tenham efeito protetor contra
o desenvolvimento de linfomas. Os especialistas, contudo, lembram que ainda não
existem formas de prevenção comprovadas. | | |
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