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Maio de 2009
Linfoma

Estima-se que 1,5 milhão de pessoas no mundo sofrem de linfoma - o tipo de câncer que afetou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. No Brasil, a doença causa cerca de 3.000 mortes por ano. Na maioria dos pacientes, não é possível saber a causa do surgimento dos tumores. Aos poucos, os especialistas identificam alguns fatores de risco. As chances de cura dependem de numerosas variáveis, como o tipo de linfoma - dezenas já foram caracterizados - e o estágio. Saiba mais sobre a doença, os fatores de risco, os sintomas e os tratamentos, em questões respondidas com a colaboração da chefe do Serviço de Hematologia do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Jane Dobbin, e de Ricardo Bigni, médico do mesmo departamento.

1. O que é linfoma?
2. Quais os tipos existentes? Qual afetou a ministra Dilma?
3. Existem causas conhecidas?
4. Quais os sintomas?
5. Como se diagnostica o linfoma?
6. Quais os tratamentos?
7. Quais as chances de cura?
8. Qual o tratamento e quais as chances de cura da ministra Dilma?
9. Existem formas de prevenção da doença?

1. O que é linfoma?

É o termo usado para designar os tumores cancerígenos no sistema linfático, formado por vasos finos e gânglios (linfonodos) que atuam na defesa do organismo levando nutrientes e água às células e retirando resíduos e bactérias.

 
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2. Quais os tipos existentes? Qual afetou a ministra Dilma?

Existem duas categorias: o linfoma de Hodgkin e o linfoma Não-Hodgkin. Há dezenas de tipos de linfomas dentro dessas categorias - uma lista dinâmica, em atualização constante. O linfoma de Hodgkin é mais raro e atinge na maioria jovens e pessoas de meia idade. Já o Não-Hodgkin, como o que afetou a ministra, responde por 90% dos casos e atinge sobretudo pessoas com mais de 55 anos. Dilma retirou um tumor de 2,5 centímetros da axila esquerda. O linfoma encontrava-se no estágio mais inicial e a ministra não apresentava nenhum sintoma. Os linfomas são classificados em quatro estágios. No estágio 1, observa-se envolvimento de apenas um grupo de linfonodos. Já no estágio 4, há envolvimento disseminado dos linfonodos.

 
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3. Existem causas conhecidas?

Na maioria das ocorrências, não é possível definir o que causou o linfoma. Mas já são conhecidos alguns fatores de risco para o surgimento da doença. Os principais são:
- Sistema imune comprometido - Pessoas com deficiência de imunidade, em conseqüência de doenças genéticas hereditárias, uso de drogas imunossupressoras e infecção pelo HIV, têm maior risco de desenvolver linfomas. Pacientes portadores dos vírus Epstein-Bar e HTLV1 e da bactéria Helicobacter pylori (que causa úlceras gástricas) têm risco aumentado para alguns tipos de linfoma.
- Exposição química - Os linfomas estão também ligados à exposição a certos agentes químicos, incluindo pesticidas, solventes e fertilizantes. Herbicidas e inseticidas têm sido relacionados ao surgimento de linfomas em estudos com agricultores e outros grupos de pessoas que se expõem a altos níveis desses agentes químicos. A contaminação da água por nitrato, substância encontrada em fertilizantes, é um exemplo de exposição que parece aumentar o risco de ocorrência.
- Exposição a altas doses de radiação.

 
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4. Quais os sintomas?

O principais sintomas são aumento dos linfonodos do pescoço, axilas e/ou virilha; sudorese noturna excessiva; febre; prurido (coceira na pele); e perda de peso inexplicada. A lista pode incluir outros sintomas que dependem da localização do tumor. Se a doença ocorre na região do tórax, por exemplo, os sintomas podem ser de tosse, falta de ar e dor torácica.

 
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5. Como se diagnostica o linfoma?

São necessários vários tipos de exames para determinar o tipo exato de linfoma e esclarecer outras características, reunindo informações úteis para a escolha do tratamento mais eficaz. Os métodos utilizados são:
- Biópsia, ou retirada e análise de uma pequena porção de tecido, em geral linfonodos.
- Exames de imagem.
- Estudos celulares, que incluem, entre outros, a análise de cromossomos. Novos testes, bastante promissores, surgem a partir de trabalhos com a análise do genoma.

 
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6. Quais os tratamentos?

A maioria dos linfomas é tratada com quimioterapia, radioterapia ou ambos. A quimioterapia consiste na combinação de duas ou mais drogas, sob várias formas de administração, de acordo com o tipo de linfoma. A radioterapia normalmente é usada para reduzir a carga tumoral em locais específicos, aliviar sintomas relacionados ao tumor e também consolidar o tratamento quimioterápico, diminuindo as chances de recaída em certas áreas do organismo mais suscetíveis.

 
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7. Quais as chances de cura?

As chances de cura variam muito e dependem fundamentalmente do estágio em que a doença é diagnosticada e do tipo de linfoma. Hoje, o cálculo do risco baseia-se nesses dois fatores e no chamado índice prognóstico, que considera uma série de características do paciente. Algumas condições, como ter 60 anos ou mais, sofrer de anemia e ter presença elevada de determinadas enzimas no organismo, elevam o índice e portanto o risco.

 
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8. Qual o tratamento e quais as
chances de cura da ministra Dilma?

O nódulo foi retirado em uma cirurgia de 45 minutos. Os médicos disseram que ela não precisará de mais operações, mas fará quimioterapia durante quatro meses como prevenção. As substâncias químicas serão aplicadas por via intravenosa. Segundo os médicos, como a doença foi descoberta no estágio inicial, em exames de rotina, e não havia mais focos no organismo, as chances de cura são superiores a 90%. O subtipo do linfoma de Dilma é o das grandes células do tipo "b". O câncer foi caracterizado como agressivo, mas isso é uma vantagem, pois significa que a sensibilidade à quimioterapia é maior, por causa da atividade intensa das células cancerosas.

 
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9. Existem formas de prevenção da doença?

Assim como em outros tipos de câncer, é possível que dietas ricas em verduras e frutas tenham efeito protetor contra o desenvolvimento de linfomas. Os especialistas, contudo, lembram que ainda não existem formas de prevenção comprovadas.

 
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