‘Lei seca’
A nova Lei
11.705, que altera o Código de Trânsito
Brasileiro, proíbe o consumo de praticamente
qualquer quantidade de bebida alcoólica
por condutores de veículos. A partir
de agora, motoristas flagrados excedendo o
limite de 0,2 grama de álcool por litro
de sangue pagarão multa de 957 reais,
perderão a carteira de motorista por
um ano e ainda terão o carro apreendido.
Para alcançar o valor-limite, basta
beber uma única lata de cerveja ou
uma taça de vinho. Quem for apanhado
pelos já famosos "bafômetros"
com mais de 0,6 grama de álcool por
litro de sangue (equivalente três latas
de cerveja) poderá ser preso. Entenda
melhor a nova "Lei seca" brasileira.
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1.
O que diz a lei que restringe o consumo de bebidas
alcoólicas por motoristas?
A lei considera crime conduzir veículos
com praticamente qualquer teor alcoólico
no organismo. Quem for pego sofrerá punições
que variam da multa até a cadeia. O homicídio
praticado por um motorista alcoolizado será
considerado doloso (com intenção de
matar). A lei prevê também a proibição
da venda de bebidas alcoólicas nas das rodovias
federais em zonas rurais.
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2.
Qual é o objetivo da lei?
Diminuir os acidentes de trânsito causados
por motoristas embriagados. O consumo de bebidas
alcoólicas é uma das principais causas
de acidentes automobilísticos no país,
segundo estatística da Polícia Rodoviária
Federal.
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3.
Por que a lei foi endurecida?
Antes, acreditava-se que havia um "nível
seguro" de álcool no organismo – até
esse limite, não haveria alterações
severas de consciência que impedissem uma
pessoa de dirigir. Porém, estudos comprovaram
que as pessoas são diferentes entre si e
que o tal "nível seguro" não
existe em matéria de álcool. "É
muito mais seguro seguir a orientação
de não ingerir nenhuma substância psicoativa
– que muda o comportamento e desempenho do ser humano",
avalia o médico Alberto Sabbag, diretor da
Associação Brasileira de Medicina
de Tráfego (Abramet).
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4.
Outras nações adotam a "lei seca"?
Sim. Em uma lista de 92 países pesquisados
pelo International Center For Alcohol Policies (Icap),
instituição sediada em Washington
(EUA), o Brasil agora se enquadra entre os 20 que
possuem a legislação mais rígida
sobre o tema. A lei aqui é mais restritiva
do que as de outras 63 nações pesquisadas,
mas ainda é superada pelas regras de outros
13 países. Cinco nações têm
o mesmo nível de rigor do Brasil: Estônia,
Polônia, Noruega, Mongólia e Suécia.
Na América do Sul, o Brasil ficou em segundo
lugar, atrás apenas da Colômbia, onde
o limite é zero. Vizinhos como Argentina,
Uruguai, Paraguai, Bolívia e Venezuela estipulam
limites de 0,5 g/l, 0,8 g/l, 0,8 g/l, 0,7 g/l e
0,5 g/l, respectivamente. Estados Unidos (0,8 g/l),
Canadá (0,8 g/l) e alguns países europeus
– Reino Unido (0,8 g/l), Alemanha (0,5 g/l), França
(0,5 g/l), Itália (0,5 g/l) e Espanha (0,5
g/l) – também são mais tolerantes
no assunto.
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5.
Quais as punições aos infratores?
Quem for flagrado com uma dosagem superior a 0,2
gramas de álcool por litro de sangue (equivalente
à ingestão de uma lata de cerveja
ou um cálice de vinho) pagará multa
de 957 reais, receberá sete pontos na carteira
de motorista e terá suspenso o direito de
dirigir por um ano. Aqueles cuja dosagem de álcool
no sangue superar 0,6 g/l (duas latas de cerveja)
deverão ser presos em flagrante. As penas
poderão variar de seis meses a três
anos de cadeia, sendo afiançáveis
por valores entre 300 e 1.200 reais. Os infratores
também perderão o direito de dirigir
por um ano.
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6.
Como foram estabelecidos os limites?
Na verdade, o limite de 0,2 g/l se refere à
margem de erro do próprio bafômetro,
explica o relator da lei, deputado Hugo Leal (PSC-RJ).
"Para que não haja conflito, estabeleceu-se
uma pequena margem de erro na questão da
aferição do aparelho". Esse limite,
porém, poderá ser revisto pelo governo,
a partir de estudos que analisam a dosagem de álcool
em itens como anti-sépticos e até
doces com licor.
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7.
Quanto é permitido beber antes de dirigir?
A partir de agora, praticamente nada – limite
de 0,2 grama de álcool por litro de sangue.
Antes, somente motoristas cuja dosagem de álcool
no sangue superava 0,6 grama de álcool por
litro de sangue (duas latas de cerveja) eram punidos.
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8.
Após beber, quanto tempo é preciso esperar antes
de dirigir?
O tempo de permanência do álcool no
organismo varia de uma pessoa para outra. Fatores
como estar com o estômago vazio ou cheio,
ser homem ou mulher, branco ou negro e até
estar mais ou menos acostumado à bebida influenciam.
"Para uma pessoa, por exemplo, que passou a
noite em claro, o efeito de uma lata de cerveja
é triplicado", explica o médico
Alberto Sabbag, diretor da Associação
Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet).
De maneira geral, um copo de cerveja ou um cálice
de vinho demora cerca de seis horas para ser eliminado
pelo organismo – já uma dose de uísque
leva mais tempo. Por isso, independentemente do
volume ou tipo de bebida ingerida, é mais
prudente que o motorista só reassuma o volante
24 horas depois de beber. Assim mesmo, passado esse
intervalo, se persistirem sintomas do álcool,
o melhor a fazer é não dirigir. A
alternativa é tomar um táxi, transporte
coletivo ou então entregar a direção
a quem não bebeu.
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9.
Comer um chocolate com licor, por exemplo, pode
provocar um resultado positivo no teste do bafômetro?
Sim. Dois bombons com recheio de licor, por exemplo,
são suficientes para o resultado positivo.
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10.
Fazer bochecho com anti-séptico bucal que contenha
álcool dá um resultado positivo?
Sim. O bafômetro é um aparelho sensível,
dizem os especialistas. Caso aconteça isso,
o motorista pode pedir para repetir o teste após
um intervalo de cerca de 20 minutos – o resultado
não acusará mais a presença
de álcool.
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11.
Como o índice de álcool no organismo será verificado
e por quem?
Há três maneiras de realizar o teste:
com o bafômetro, por meio de exame de sangue
ou ainda exame clínico – que serve para indicar
sinais de embriaguez. Esses testes só poderão
ser realizados por fiscais de trânsito, policiais
militares e agentes das polícias rodoviárias.
A autoridade de trânsito também poderá
levar o motorista suspeito para um exame clínico,
caso não tenha um bafômetro no local.
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12.
É obrigatório fazer o teste do bafômetro?
Não. O motorista pode se recusar a fazer
qualquer teste, já que, no Brasil, ninguém
é obrigado a produzir uma prova contra si.
Nesse caso, porém, o condutor sofrerá
a mesma punição destinada a pessoas
comprovadamente alcoolizadas – ou seja, multa de
957 reais e suspensão do direito de dirigir
por um ano. Esse, aliás, é um ponto
polêmico da lei: a Ordem dos Advogados do
Brasil-SP deve fazer uma representação
ao presidente da OAB federal para que seja providenciada
uma ação direta de inconstitucionalidade,
segundo o presidente da Comissão de Trânsito
da OAB, Cyro Vidal. Por ora, caso o motorista use
a artimanha de se negar a fazer o exame, entrando
posteriormente com um recurso na Justiça,
a lei prevê que o testemunho do agente de
trânsito ou policial rodoviário tem
força de prova diante do juiz.
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13.
O que diz a lei sobre a venda de bebidas nas rodovias?
A lei permite a venda de bebidas alcoólicas
nos perímetros urbanos das rodovias federais,
mas prevê multa de 1.500 reais para quem comercializá-las
nas áreas rurais das estradas. Em casos de
reincidência, o valor da multa será
dobrado.
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