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Dezembro de 2008
Israel ataca a Faixa de Gaza

Reuters

Israel lançou uma nova ofensiva militar contra o território palestino da Faixa de Gaza em 27 de dezembro de 2008, acusando o grupo radical Hamas de atacar israelenses. Entenda as razões estratégicas e políticas por trás do novo confronto e as posições de Israel, dos palestinos e da comunidade internacional.

1. Quando teve início o novo confronto entre judeus e palestinos no Oriente Médio, e por quê?
2. Há outras razões para o confronto?
3. Qual a intensidade e quais os alvos dos ataques?
4. Qual o saldo de mortos e feridos?
5. Com o fechamento da Faixa de Gaza, Israel pode assumir o controle da região?
6. O confronto pode levar a uma guerra?
7. O que diz a ONU sobre a questão?
8. E o restante da opinião pública internacional?
9. Como o Hamas obteve o controle da Faixa de Gaza?
10. Qual a posição do Hamas como partido político?

1. Quando teve início o novo confronto entre judeus e palestinos no Oriente Médio, e por quê?

Israel empreendeu os primeiros ataques em 27 de dezembro de 2008. Foram 30 bombardeios só nesta data. De acordo com líderes israelenses, a ação foi uma resposta aos disparos quase diários de foguetes por parte do grupo radical islâmico Hamas sobre Israel. Eles teriam se intensificado após 19 de dezembro, quando o Hamas, que detém o controle da Faixa de Gaza, rompeu o acordo de cessar-fogo assinado em junho. Antes de começar os ataques, Israel teria advertido o Hamas algumas vezes para que suspendesse os disparos de foguetes. O grupo reagiu à ofensiva israelense com novos disparos, matando uma pessoa em Ashkelon, cidade no sul de Israel. O país então declarou que as áreas ao redor de Gaza eram uma "zona militar fechada".

 
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2. Há outras razões para o confronto?

Analistas apontam motivações políticas por trás das operações militares em Gaza. A ofensiva ocorreu semanas antes das eleições em Israel, opondo a chanceler Tzipi Livni e o ex-premiê Benjamin Netanyahu - um conhecido linha-dura no conflito com os palestinos - na disputa pela chefia do governo. Com a ofensiva, o atual governo mostra pulso firme ao eleitor. Já para o Hamas, é conveniente ser visto como vítima e ganhar a simpatia dos árabes na região. Assim, o grupo pode minar ainda mais, em Gaza, a imagem do presidente palestino Mahmoud Abbas, do partido rival Fatah, com quem rompeu relações.

 
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3. Qual a intensidade e quais os alvos dos ataques?

Batizada de "Chumbo endurecido", a operação é considerada a mais violenta por parte de Israel desde a ocupação dos territórios palestinos, em 1967. Os principais alvos são ligados ao Hamas. O plano seria destruir 40 quartéis policiais e outros locais estratégicos do grupo. No segundo dia do conflito, Israel bombardeou mais de 40 túneis na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito que, segundo um porta-voz do Exército israelense, eram usados no contrabando de armas, explosivos e pessoas. A Força Aérea de Israel já teria destruído a principal instalação de segurança do Hamas, e um avião israelense teria bombardeado a Universidade Islâmica de Gaza, um dos redutos do grupo, num ataque sem vítimas. Além disso, aviões de guerra teriam atingido a sede do Ministério do Interior em Gaza.

 
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4. Qual o saldo de mortos e feridos?

Nos três primeiros dias da ofensiva militar, morreram pelo menos 310 palestinos - 51 deles civis, segundo a ONU - e outros 1.400 ficaram feridos. Só no dia 29 de dezembro de 2008, foram mortas seis crianças palestinas, quatro delas de uma mesma família.

 
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5. Com o fechamento da Faixa de Gaza, Israel pode assumir o controle da região?

Não é o que pensam analistas militares israelenses, para os quais a ofensiva não visaria à retomada da Faixa de Gaza ou a destruição do governo do Hamas. Esta seria uma manobra muito arriscada antes da eleição parlamentar, marcada para 10 de fevereiro de 2009. O plano de Israel seria forçar o Hamas a uma nova trégua, como aquela rompida em 19 de dezembro de 2008. Num primeiro momento, o fechamento significa a obstrução, para civis sem salvo-conduto militar, das estradas em uma área distante entre 2 km e 4 km da fronteira. Só militares israelenses e moradores podem transitar pela região. Jornalistas também são banidos. Israel justifica a decisão citando o temor de que militantes palestinos intensifiquem os ataques com foguetes.

 
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6. O confronto pode levar a uma guerra?

É possível. Analistas previram uma ação militar por terra, graças à decisão de Israel de bloquear Gaza. O Exército israelense concentrou tropas na região e, em 29 de dezembro de 2008, o ministro da Defesa, Ehud Barak, referiu-se a uma guerra "sem trégua" contra o Hamas na Faixa de Gaza. O Hamas, por sua vez, conclamou seus seguidores a iniciar uma nova intifada (revolta palestina contra a ocupação israelense). O porta-voz do grupo declarou que o Hamas iria se vingar - inclusive com atentados suicidas.

 
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7. O que diz a ONU sobre a questão?

Um dia após o início dos ataques de Israel à Faixa de Gaza, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu em caráter de urgência e pediu a interrupção imediata da violência na região, chamando atenção para os danos humanitários que o confronto acarretava. O encontro de cinco horas foi solicitado pela Líbia, único membro árabe do Conselho. O pedido de paz, no entanto, foi incluído em uma declaração não vinculante, isto é, sem o peso de uma resolução, e não fez menção direta nem a Israel, nem ao Hamas.

 
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8. E o restante da opinião pública internacional?

Os países árabes são os mais insuflados pelo conflito, mas líderes em todo o mundo, entre eles o papa Bento XVI e o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, passaram a acompanhar a crise com apreensão. Jordânia e Turquia manifestaram apoio ao Hamas logo no primeiro dia de confronto. No Egito, o chanceler Ahmed Abul Gheit disse que tentaria mediar um cessar-fogo. Entidades no Irã e na Líbia prometeram ajuda humanitária aos palestinos. O papa Bento XVI pediu "um ímpeto de humanismo e sabedoria por parte de todos os que têm alguma responsabilidade pela situação". Obama, de férias no Havaí e se preparando para assumir a presidência dos EUA em 20 de janeiro, declarou por meio de um porta-voz que acompanhava com atenção os eventos em Gaza. O Ocidente, em geral, condenou o recrudescimento da violência na região. Aliado de Israel, o governo dos Estados Unidos pediu ao Hamas que suspendesse os ataques com foguetes e aceitasse um cessar-fogo duradouro.

 
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9. Como o Hamas obteve o controle da Faixa de Gaza?

O controle do empobrecido território palestino foi conquistado pelo grupo radical em janeiro de 2006, nas urnas. O Hamas (abreviação, em árabe, de Movimento de Resistência Islâmica) foi o grande vencedor das eleições legislativas da Autoridade Nacional Palestina (ANP), da qual participaram eleitores de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental. Mas a vitória legítima e avassaladora não representou uma temporada de paz: de um lado, israelenses e americanos não reconheceram a conquista do grupo, por considerá-lo uma facão terrorista; de outro, a tensão entre o movimento e o partido rival Fatah, do presidente da ANP, Mahmoud Abbas, se acentuou. O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert chegou a afirmar que não permitiria que o grupo extremista - autor de cerca de 70 atentados contra Israel desde o início da segunda intifada, em 2000 - se integrasse à ANP. De início, Abbas cedeu à vontade manifestada nas urnas e convidou o Hamas para formar com o Fatah o novo governo palestino, mas depois as tensões entre os dois grupos se intensificaram, levando ao rompimento e à divisão política dos palestinos. Em junho de 2007, o Hamas tomou de fato o poder em Gaza, após confrontos com tropas israelenses e com militantes do Fatah. Sem reconhecer o líder do Hamas Ismail Haniya como primeiro-ministro, Abbas indicou Salam Fayyad como novo premiê palestino. Mas é o Hamas quem exerce o poder de fato na Faixa de Gaza, mantendo um governo paralelo ao coordenado pelo Fatah na Cisjordânia. A população da Cisjordânia é de 2,6 milhões de habitantes, e a de Gaza, de 1,5 milhão.

 
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10. Qual a posição do Hamas como partido político?

O Hamas não é um partido político comum. Até decidir participar das eleições em Gaza, era notório patrocinador das carnificinas perpetradas por homens-bomba em Israel. Ao chegar ao poder, o grupo palestino não abandonou a defesa da luta armada contra Israel e continuou se declarando contrário à existência do Estado judeu, inspirando ataques terroristas contra israelenses e motivando duras respostas militares do governo de Israel contra milicianos e civis palestinos.

 
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Um aperto de mãos, uma nova história
22/09/1993
 
 
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