Israel
ataca a Faixa de Gaza Israel lançou uma
nova ofensiva militar contra o território palestino da Faixa de Gaza em 27 de
dezembro de 2008, acusando o grupo radical Hamas de atacar israelenses. Entenda
as razões estratégicas e políticas por trás do novo confronto e as posições de
Israel, dos palestinos e da comunidade internacional. | |
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| 1. Quando teve
início o novo confronto entre judeus e palestinos no Oriente Médio, e por quê? Israel
empreendeu os primeiros ataques em 27 de dezembro de 2008. Foram 30 bombardeios
só nesta data. De acordo com líderes israelenses, a ação foi uma resposta aos
disparos quase diários de foguetes por parte do grupo radical islâmico Hamas sobre
Israel. Eles teriam se intensificado após 19 de dezembro, quando o Hamas, que
detém o controle da Faixa de Gaza, rompeu o acordo de cessar-fogo assinado em
junho. Antes de começar os ataques, Israel teria advertido o Hamas algumas vezes
para que suspendesse os disparos de foguetes. O grupo reagiu à ofensiva israelense
com novos disparos, matando uma pessoa em Ashkelon, cidade no sul de Israel. O
país então declarou que as áreas ao redor de Gaza eram uma "zona militar fechada". |
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| 2. Há
outras razões para o confronto? Analistas apontam motivações políticas
por trás das operações militares em Gaza. A ofensiva ocorreu semanas antes das
eleições em Israel, opondo a chanceler Tzipi Livni e o ex-premiê Benjamin Netanyahu
- um conhecido linha-dura no conflito com os palestinos - na disputa pela chefia
do governo. Com a ofensiva, o atual governo mostra pulso firme ao eleitor. Já
para o Hamas, é conveniente ser visto como vítima e ganhar a simpatia dos árabes
na região. Assim, o grupo pode minar ainda mais, em Gaza, a imagem do presidente
palestino Mahmoud Abbas, do partido rival Fatah, com quem rompeu relações. |
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| 3. Qual
a intensidade e quais os alvos dos ataques? Batizada de "Chumbo endurecido",
a operação é considerada a mais violenta por parte de Israel desde a ocupação
dos territórios palestinos, em 1967. Os principais alvos são ligados ao Hamas.
O plano seria destruir 40 quartéis policiais e outros locais estratégicos do grupo.
No segundo dia do conflito, Israel bombardeou mais de 40 túneis na fronteira da
Faixa de Gaza com o Egito que, segundo um porta-voz do Exército israelense, eram
usados no contrabando de armas, explosivos e pessoas. A Força Aérea de Israel
já teria destruído a principal instalação de segurança do Hamas, e um avião israelense
teria bombardeado a Universidade Islâmica de Gaza, um dos redutos do grupo, num
ataque sem vítimas. Além disso, aviões de guerra teriam atingido a sede do Ministério
do Interior em Gaza. | | | | •
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| 4. Qual
o saldo de mortos e feridos? Nos três primeiros dias da ofensiva
militar, morreram pelo menos 310 palestinos - 51 deles civis, segundo a ONU -
e outros 1.400 ficaram feridos. Só no dia 29 de dezembro de 2008, foram mortas
seis crianças palestinas, quatro delas de uma mesma família. |
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| 5. Com
o fechamento da Faixa de Gaza, Israel pode assumir o controle da região? Não
é o que pensam analistas militares israelenses, para os quais a ofensiva não visaria
à retomada da Faixa de Gaza ou a destruição do governo do Hamas. Esta seria uma
manobra muito arriscada antes da eleição parlamentar, marcada para 10 de fevereiro
de 2009. O plano de Israel seria forçar o Hamas a uma nova trégua, como aquela
rompida em 19 de dezembro de 2008. Num primeiro momento, o fechamento significa
a obstrução, para civis sem salvo-conduto militar, das estradas em uma área distante
entre 2 km e 4 km da fronteira. Só militares israelenses e moradores podem transitar
pela região. Jornalistas também são banidos. Israel justifica a decisão citando
o temor de que militantes palestinos intensifiquem os ataques com foguetes. |
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| 6. O confronto
pode levar a uma guerra? É possível. Analistas previram uma ação
militar por terra, graças à decisão de Israel de bloquear Gaza. O Exército israelense
concentrou tropas na região e, em 29 de dezembro de 2008, o ministro da Defesa,
Ehud Barak, referiu-se a uma guerra "sem trégua" contra o Hamas na Faixa de Gaza.
O Hamas, por sua vez, conclamou seus seguidores a iniciar uma nova intifada (revolta
palestina contra a ocupação israelense). O porta-voz do grupo declarou que o Hamas
iria se vingar - inclusive com atentados suicidas. | | |
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| 7. O que diz
a ONU sobre a questão? Um dia após o início dos ataques de Israel
à Faixa de Gaza, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu em caráter de urgência
e pediu a interrupção imediata da violência na região, chamando atenção para os
danos humanitários que o confronto acarretava. O encontro de cinco horas foi solicitado
pela Líbia, único membro árabe do Conselho. O pedido de paz, no entanto, foi incluído
em uma declaração não vinculante, isto é, sem o peso de uma resolução, e não fez
menção direta nem a Israel, nem ao Hamas. | | |
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| 8. E o restante
da opinião pública internacional? Os países árabes são os mais insuflados
pelo conflito, mas líderes em todo o mundo, entre eles o papa Bento XVI e o presidente
eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, passaram a acompanhar a crise com apreensão.
Jordânia e Turquia manifestaram apoio ao Hamas logo no primeiro dia de confronto.
No Egito, o chanceler Ahmed Abul Gheit disse que tentaria mediar um cessar-fogo.
Entidades no Irã e na Líbia prometeram ajuda humanitária aos palestinos. O papa
Bento XVI pediu "um ímpeto de humanismo e sabedoria por parte de todos os que
têm alguma responsabilidade pela situação". Obama, de férias no Havaí e se preparando
para assumir a presidência dos EUA em 20 de janeiro, declarou por meio de um porta-voz
que acompanhava com atenção os eventos em Gaza. O Ocidente, em geral, condenou
o recrudescimento da violência na região. Aliado de Israel, o governo dos Estados
Unidos pediu ao Hamas que suspendesse os ataques com foguetes e aceitasse um cessar-fogo
duradouro. | | | | •
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| 9. Como o Hamas
obteve o controle da Faixa de Gaza? O controle do empobrecido território
palestino foi conquistado pelo grupo radical em janeiro de 2006, nas urnas. O
Hamas (abreviação, em árabe, de Movimento de Resistência Islâmica) foi o grande
vencedor das eleições legislativas da Autoridade Nacional Palestina (ANP), da
qual participaram eleitores de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental. Mas
a vitória legítima e avassaladora não representou uma temporada de paz: de um
lado, israelenses e americanos não reconheceram a conquista do grupo, por considerá-lo
uma facão terrorista; de outro, a tensão entre o movimento e o partido rival Fatah,
do presidente da ANP, Mahmoud Abbas, se acentuou. O primeiro-ministro israelense
Ehud Olmert chegou a afirmar que não permitiria que o grupo extremista - autor
de cerca de 70 atentados contra Israel desde o início da segunda intifada, em
2000 - se integrasse à ANP. De início, Abbas cedeu à vontade manifestada nas urnas
e convidou o Hamas para formar com o Fatah o novo governo palestino, mas depois
as tensões entre os dois grupos se intensificaram, levando ao rompimento e à divisão
política dos palestinos. Em junho de 2007, o Hamas tomou de fato o poder em Gaza,
após confrontos com tropas israelenses e com militantes do Fatah. Sem reconhecer
o líder do Hamas Ismail Haniya como primeiro-ministro, Abbas indicou Salam Fayyad
como novo premiê palestino. Mas é o Hamas quem exerce o poder de fato na Faixa
de Gaza, mantendo um governo paralelo ao coordenado pelo Fatah na Cisjordânia.
A população da Cisjordânia é de 2,6 milhões de habitantes, e a de Gaza, de 1,5
milhão. | | | | •
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| 10. Qual a
posição do Hamas como partido político? O Hamas não é um partido
político comum. Até decidir participar das eleições em Gaza, era notório patrocinador
das carnificinas perpetradas por homens-bomba em Israel. Ao chegar ao poder, o
grupo palestino não abandonou a defesa da luta armada contra Israel e continuou
se declarando contrário à existência do Estado judeu, inspirando ataques terroristas
contra israelenses e motivando duras respostas militares do governo de Israel
contra milicianos e civis palestinos. | | |
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