| Setembro de 2007 Tropas
no Haiti As Nações Unidas enviaram em 2004
uma missão de paz ao Haiti, depois que o país mergulhou em um conflito civil devido
à renúncia do então presidente Jean-Bertrand Aristide. Três anos mais tarde, a
população haitiana continua miserável, e os direitos humanos estão longe de serem
respeitados, mas as violentas milícias que ameaçavam tomar conta do país foram
controladas pelas tropas da ONU. Mesmo sem tirar o Haiti da situação de absoluta
pobreza em que vive, o Brasil foi peça chave na operação da ONU, sendo desde o
início a nação com maior efetivo militar no país caribenho. Entenda o conflito
que motivou o envio da força de paz internacional, e saiba qual é o papel dos
soldados brasileiros no Haiti.
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| 1. Onde fica
o Haiti e como vive sua população? Ex-colônia da França, primeira
república liderada por negros no mundo e primeiro estado do Caribe a obter sua
independência, o Haiti divide a ilha de Hispaniola, ao sudeste de Cuba, com a
República Dominicana. Mas várias décadas de ditaduras violentas e corruptas, como
as de François "Papa Doc" Duvalier e de seu filho, Jean-Claude, o "Baby Doc",
tornaram o país o mais pobre das Américas, com uma população miserável e sem perspectivas
– faltam serviços básicos, como coleta de lixo e distribuição de água potável. |
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| 2. O
que motivou o confronto político no Haiti? Em 2004, a oposição
ao então presidente Jean-Bertrand Aristide acreditava que ele deixaria de convocar
as eleições parlamentares marcadas para aquele ano. Segundo os oposicionistas,
Aristide tentaria alterar as leis do país para abrir caminho para uma reeleição,
em 2005. A tensão política, somada à grave crise social e econômica do país, detonou
um confronto político entre oposição e governo que acabou se desdobrando em ondas
de violência em diversas cidade haitianas. | | |
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| 3. Quem
é o ex-presidente Jean-Bertrand Aristide? Primeiro presidente
eleito de forma direta no Haiti em 200 anos de história do país, o ex-padre católico
Aristide chegou ao governo em 1990 – com enorme apoio popular, era considerado
um defensor dos pobres. Meses depois, Aristide foi deposto num golpe militar.
Se exilou nos Estados Unidos e voltou ao Haiti em 1994, quando tropas internacionais
reconduziram o presidente ao poder. Governou até o fim do mandato, em 1995. Em
2000, Aristide disputou e venceu outra eleição, e tornou-se presidente haitiano
pela segunda vez. A partir de então, contudo, crises políticas e econômicas enfraqueceram
sua liderança de maneira irreversível, e ele não conseguiu completar o mandato. |
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| 4. Quais
fatos precederam a queda de Aristide? Durante vários meses entre
2003 e 2004, a oposição organizou atos de repúdio ao presidente, como um boicote
ao Congresso e a recusa em apoiar todas as iniciativas do governo. O grupo se
negava a participar das eleições caso Aristide continuasse no poder. Diante da
resistência do presidente em ceder às pressões, milícias rebeldes partiram para
a luta armada rumo à capital, conquistando os territórios do norte e cercando
Porto Príncipe. Entrincheirado no palácio do governo e sem opções, Aristide finalmente
renunciou em 29 de fevereiro de 2004, exilando-se na República Centro-Africana,
e posteriormente na África do Sul. | | | | •
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| 5. O
que mudou na política do Haiti com a renúncia do presidente?
Quando Aristide deixou o país no início de 2004, o chefe do Judiciário, Alexandre
Boniface, assumiu a presidência de forma interina, e lá permaneceu até 2006. Tropas
dos EUA, França e Canadá foram enviadas ao país para garantir uma transição política
sem perturbações. Em 2006, novas eleições diretas para presidente foram realizadas,
e venceu René Préval, atual governante e ex-aliado político de Aristide. A exemplo
de tudo o que acontece na política do Haiti, a eleição de Préval foi marcada por
fraudes e acordos ilegítimos. Depois de eleito, Préval nomeou Jacques-Edouard
Alexis para primeiro-ministro. | | | | •
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| 6. Quem
cuida da segurança no Haiti? Passadas as turbulências políticas e
sociais que resultaram na renúncia de Aristide e na morte violenta de dezenas
de haitianos, o Conselho de Segurança da ONU criou a Força Militar da Missão das
Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) em junho de 2004. Comandada
pelo Brasil, que de pronto enviou 1.200 militares, a força de paz possui contingentes
de Argentina, Uruguai, Chile, Nepal e Peru, entre outros. A nova missão substituiu
a força antes capitaneada pelos EUA e França, que continha também tropas do Canadá.
Inicialmente planejada para ficar até a eleição de um novo presidente, a missão
da ONU continua no Haiti, passados três anos de sua chegada. |
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| 7. Qual
o papel do Brasil no Haiti? O Brasil assumiu a liderança da missão
da ONU no Haiti a pedido da própria organização – dos 5.000 militares e policiais
estrangeiros que atuam no país, um quarto é de brasileiros. A força de paz tem
por objetivo intensificar os esforços para restabelecer a paz, assegurar a ordem,
desarmar as milícias rebeldes e garantir a restauração do estado democrático.
Três anos depois de chegarem ao Haiti, as tropas brasileiras conseguiram garantir
uma relativa estabilidade no que diz respeito à segurança – por conta disso, já
ajudam em outras áreas, pavimentando ruas, limpando canais poluídos ou promovendo
projetos sociais para crianças. Desde o início da missão, o contingente da ONU
já foi comandado pelos generais brasileiros Augusto Heleno Ribeiro Pereira, Urano
Teixeira da Matta Bacellar, que se suicidou, e José Elito Carvalho Siqueira. |
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| 8. O
que aconteceu com o ex-presidente Aristide? Exilado na África
do Sul, Aristide acusou os EUA de serem responsáveis pelo golpe que resultou na
sua queda – a Casa Branca desmente. Em 1994, o haitiano teve a ajuda de Washington
para voltar ao poder depois de um golpe de estado. Acusado de fraude eleitoral
e de incapacidade para comandar o país, porém, o ex-presidente segue afastado,
e não deve receber nenhum tipo de ajuda externa caso queira retomar o comando
do governo. Depois de eleito, Préval declarou que poderia permitir o retorno de
Aristide ao Haiti. | | | | •
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| 9. O
que aconteceu com a população? Passados o golpe, o envio de tropas
da ONU e a eleição de René Préval, os haitianos continuam a ostentar o título
de população do país mais pobre das Américas. Cerca de 70% dos habitantes do Haiti
não têm emprego, e o que restou da economia é parcamente sustentado por ajudas
internacionais esporádicas e algumas poucas remessas de dinheiro dos haitianos
que conseguiram migrar para os Estados Unidos nas últimas décadas. A violência
ainda é uma ameaça da qual nenhum haitiano está livre, e os direitos humanos são
apenas um vago conceito do qual a maioria da população – iletrada – jamais ouviu
falar. O colapso do país também ameaça afetar os vizinhos, especialmente a República
Dominicana. | | | | •
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