| Maio de 2008 Grau
de investimento
O dia 30 de abril foi de
euforia para o governo e o mercado financeiro
nacional. A agência de classificação de risco
Standard & Poor's elevou a nota de crédito de
moeda estrangeira do Brasil. O país, assim,
alcançou o tão esperado grau de investimento.
A Bovespa disparou: teve a maior alta porcentual
desde outubro de 2002 e fechou com recorde de
67.868,5 pontos. A notícia tem, basicamente,
dois significados. Primeiro que o Brasil tem
mais segurança em relação ao pagamento de suas
dívidas. Segundo, que esse fator atrairá mais
investimentos externos - montante que poucos
se arriscam a prever. Agora, a economia brasileira
precisa não só manter o posição concedida pela
Standard & Poor's como conquistar o grau de
investimento de outras agências. Entenda como
é o trabalho das agências de classificação de
risco e o que um país ganha com o grau de investimento.
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| 1. O que é
'rating'? É a opinião de uma agência especializada sobre a capacidade
de uma empresa ou um país pagar as suas dívidas. Por exemplo, se uma empresa oferece
ações que irão render juros a investidores, a agência dá a sua opinião sobre os
riscos envolvidos na compra destes papéis. Em relação aos países, avalia a capacidade
deles de pagar os títulos de longo prazo que lançam no mercado internacional.
Assim, o 'rating' é uma nota que indica qual o risco de calote que o investidor
deve encontrar ao colocar dinheiro nestas empresas ou países. |
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| 2. O
que é grau de investimento? Quando uma agência considera um país
ou uma empresa "bons pagadores", eles recebem o grau de investimento. O nome nada
mais é do que um selo de qualidade, que indica baixíssimo risco de calote. As
empresas ou países, uma vez que recebem o grau de investimento, podem continuar
a subir na classificação. Assim que atingem o topo, são consideradas com total
capacidade de quitar suas dívidas. Algumas empresas brasileiras que possuem o
grau de investimento são a Petrobras, a Vale e a AmBev. | | |
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| 3. Para
o que serve esta classificação? Para diferenciar os bons pagadores
dos mau pagadores no mercado internacional. Ao longo dos anos, tornou-se a bússola
dos investidores e instituições financeiras internacionais na hora decidir onde
colocar dinheiro e, ainda, que taxa de juro cobrar por ele. Desta forma, quanto
mais seguro um país ou uma empresa for considerado por uma agência, mais dinheiro
recebe a custos cada vez mais baixos. | | | | •
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| 4. Quem
atribui as notas? As agências de classificação de risco, ou agências
de "ratings". São empresas especializadas que emitem notas sobre o risco de um
país ou empresa suspender os pagamentos de suas dívidas. As mais respeitadas no
mercado internacional são a Fitch, a Moody's e a Standard & Poor's - esta, a primeira
a elevar o Brasil para o grau de investimento. | | |
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| 5. Como
funciona a classificação?
Os países e empresas são classificados em uma
escala que caminha da alta probabilidade de calote
até a total capacidade de pagar as dívidas dentro
do prazo. Tecnicamente, elas são arranjadas em um
ranking com notas, simbolizadas por meio de letras
e sinais. São agrupadas em suas categorias, o Grau
de Investimento e o Grau Especulativo, que é onde
se vai parar quando há risco no pagamento das dívidas.
A melhor qualificação que um país pode receber é
Aaa (para a Moody's) ou AAA (para a Standard & Poor's
e a Fitch, que usam os mesmos símbolos). Por outro
lado, a pior é C (Moody's) ou D (Standard & Poor's
e Fitch). Veja, no quadro, o exemplo da classificação
utilizada pela Standard & Poor's. (veja
quadro)
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| 6. O
que significam os sinais numéricos das notas? Cada nota contém subdivisões
indicadas por sinais numéricos. Por exemplo, a nota mais baixa do grau de investimento
da Moody's é Baa. Assim, da menor à maior classificação dentro desta nota, um
país ou empresa recebe Baa3, Baa2 e Baa1, sucessivamente. No caso da Standard
& Poor's e da Fitch, que utilizam os mesmos símbolos, a menor nota do grau de
investimento é BBB. Assim, da menor à maior colocação dentro desta categoria,
um país ou empresa pode receber BBB-, BBB e BBB+, sucessivamente. Baa3 e BBB-
indicam risco de rebaixamento á nota anterior. Baa1 e BBB+ indicam grande probabilidade
de elevação à próxima nota. O "rating" mais alto de cada agência não recebe esta
subdivisão. Veja a classificação utilizada pela Standard & Poor's. (veja
quadro) | | | | •
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| 7. Como
as agências fazem a avaliação? As agências se baseiam em informações
enviadas pelo emissor, aquele que vai receber a nota, e concedidas por fontes
de mercado consideradas confiáveis. Os técnicos avaliam toda a situação financeira
do país ou da empresa. Depois, combinam estes dados com os obtidos por análises
das condições do mercado mundial e de especialistas da iniciativa privada, da
área acadêmica e também fontes oficiais. A combinação destes dados resulta no
"rating", a opinião da agência quanto à capacidade do emissor em cumprir com seus
débitos. | | | | •
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| 8. As
notas podem ser rebaixadas? Sim. Elas são revistas periodicamente.
Caso uma nova análise dos títulos do país ou da empresa indique que a qualidade
de seu crédito tenha diminuído, ou então que esteja mais vulnerável a não honrar
seus compromissos futuros, a agência a rebaixa ou até mesmo suspende a nota. |
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| 9. Quais
as nações com a maior nota de grau de investimento?
Canadá, França, Alemanha, Estados Unidos, Irlanda,
Reino Unido, Noruega, Suíça e Suécia são países
que possuem a maior nota de grau de investimento
nas três principais agências de classificação de
risco, Standard & Poor's, Fitch e Moody's.
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| 10.
Qual a posição do Brasil nas agências de classificação? A primeira
agência de classificação de risco a atribuir o grau de investimento ao Brasil
foi a Standard & Poor's. O país subiu da classificação BB+ para a BBB-. Este é
o primeiro nível do grau de investimento, ou seja, o mais baixo dentro desta categoria.
Mesmo com a elevação, a agência reforçou que ainda há problemas sérios a serem
resolvidos, como o elevado nível de gastos governamentais e a falta de reformas
estruturais, como a tributária. Na classificação da Fitch, o Brasil tem a nota
BB+ (está a um passo do grau de investimento). Assim que a Standard & Poor's anunciou
sua decisão, a Fitch informou que estava revisando a posição do país. Pelos critérios
da Moody's, a nota do país está em Ba1, também logo atrás do grau de investimento.
Agora, a expectativa do governo e do mercado financeiro é que as duas agências
elevem o "rating" do país. | | | | •
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| 11.
O que deve mudar com o grau de investimento? O Brasil irá receber
mais dinheiro. Os maiores fundos de investimento internacionais poderão aplicar
no país, já que seus estatutos não permitem aplicações em países de risco. O aumento
na procura de títulos públicos brasileiro pode ajudar o governo reduzir seus custos
com empréstimos. Outro benefício é que a classificação das empresas nacionais
também melhora, e elas podem se beneficiar com juros mais baixos. O montante a
entrar no país pode não ser tão grande pois vários investidores, querendo antecipar-se
à decisão das agências, já tratavam o Brasil como se ele tivesse o grau de investimento
-- ou seja, o salto não será explosivo porque, na verdade, já vem acontecendo.
Mesmo assim, o crescimento no fluxo de investimentos pode valorizar ainda mais
o real e ajudar a manter a inflação sobre controle. | | |
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| Quadro:
Do céu ao inferno financeiro A classificação de risco
utilizada pela agência Standard & Poor's Categoria | Nota | O
que significa | | Grau
de Investimento | AAA | Total
capacidade de pagar as dívidas no prazo. O nível mais alto. | | AA | Alta
capacidade de honrar compromissos financeiros. | | A | Boa
capacidade de pagar as dívidas, mas suscetível a mudanças
na conjuntura. | | BBB | Boa
condições financeiras, mas não tão protegidas contra
choques. | | Grau
especulativo | BB | Menos
vulnerável a curto prazo, mas ainda com incertezas em relação
ao futuro. | | B | Consegue
pagar suas dívidas, mas é vulnerável a mudanças nas
condições econômica. | | CCC | Bastante
vulnerável, depende de condições econômicas extremamente
favoráveis para conseguir honrar seus débitos. | | CC | Altamente
vulnerável. | | C | À
beira do calote. | | D | Não-pagamento
dos compromissos dentro do prazo estipulado. Inadimplência. |
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