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Agosto de 2008
Geórgia
X Rússia
Reuters
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Há décadas que as fronteiras
traçadas no Cáucaso são
motivos de tensão. E é por isso
que a região é palco freqüente
de conflitos, como o que eclodiu em agosto
de 2008 na Ossétia do Sul, território
separatista da Geórgia. A situação
é tão delicada que a menor alteração
nas relações entre os habitantes
locais tem o potencial de desencadear uma
guerra. Os fatos que culminaram com a invasão
da Ossétia pela Geórgia, apesar
de terem evoluído em extrema velocidade,
não têm origens recentes. Esses
confrontos armados são resultado de
anos de disputas e desentendimentos, que ultrapassam
os domínios georgianos. Entenda quando
começou a rivalidade e qual é
a participação da Rússia
nessa história e o que pretendem os
separatistas da Ossétia do Sul.
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1.
Qual é a origem do atual conflito entre a Rússia
e a Geórgia?
A recente eclosão de violência na região do Cáucaso
encontra suas raízes quase um século atrás, quando
o ditador Josef Stalin (1879-1953), em 1922, decidiu
transformar o território da Ossétia do Sul em Região
Autônoma da República Socialista Soviética da Geórgia.
A medida colocou os ossetas, grupo etnicamente ligado
à Rússia, dentro do domínio georgiano, que nunca
compartilhou os mesmos laços culturais.
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2.
Qual é o status da Ossétia do Sul atualmente?
Situada na encosta sul das montanhas do Cáucaso,
a cerca de 100 quilômetros ao norte da capital Tbilisi,
a Ossétia do Sul faz parte, oficialmente, da Geórgia,
embora tenha um governo próprio desde o início dos
anos 90. A polêmica sobre a situação política do
território começou em 1989, quando o Congresso de
Deputados Populares da região separatista proclamou
sua conversão em República Autônoma, decisão considerada
inconstitucional pelo Parlamento georgiano. Em 1990,
os deputados anunciaram a soberania e a criação
da República da Ossétia do Sul.
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3.
Por que a Ossétia do Sul quer a independência?
Os ossetas pertencem a um grupo étnico natural
das planícies russas ao sul do Rio Don, mas estão
divididos entre dois territórios distintos: Ossétia
do Norte, república autônoma da Rússia, e Ossétia
do Sul, parte da Geórgia. Menos de um terço da população
da região separatista é composta por georgianos.
Em 2006, a separação de Tbilisi chegou a ser aprovada
em um referendo quase unânime, mas a consulta popular
não foi reconhecida pela Geórgia e ainda foi apontada
como uma provocação encabeçada pela Rússia.
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4.
Os separatistas já travaram outros conflitos violentos
com a Geórgia?
A declaração de autonomia da Ossétia do Sul, em
novembro de 1989, provocou um conflito que se estendeu
por três meses. Em seguida, o colapso da União Soviética
reacendeu a chama separatista entre os ossetas,
que iniciaram uma guerra contra os georgianos no
final de 1990. Ao final do conflito, em 1992, a
Ossétia do Sul proclamou sua independência, embora
o ato não tenha sido reconhecido pela comunidade
internacional. Desde então, a região é ocupada por
uma força de paz, composta por membros da Geórgia,
da Ossétia Sul e da Rússia, que intermediou os acordos
de cessar-fogo.
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5.
Qual foi o estopim da crise atual?
Os ânimos esquentaram no início de agosto, quando
seis pessoas teriam morrido em combates entre separatistas
e militares da Geórgia. O episódio fez com que os
ossetas começassem a evacuar a área, sobretudo em
direção à Rússia e a Ossétia do Norte. Com a invasão
da Ossétia do Sul pela Geórgia no dia 8, a crise
extrapolou as fronteiras do Cáucaso. Após a ofensiva,
a Rússia decidiu enviar tropas para a região. A
comunidade internacional interferiu e depois de
cinco dias de combates, os russos determinaram um
cessar-fogo. Sob a intermediação da França, os dois
países aceitaram um plano de paz, que já foi descumprido
logo no primeiro dia.
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6.
Por que a Rússia se envolveu na briga?
Além dos laços étnicos com os ossetas, Moscou
é acusada de apoiar Tskhinvali (capital separatista).
As ligações são tão estreitas que quase todos os
moradores da região possuem passaportes russos e
usam o rublo como moeda. A Rússia também cobre cerca
de dois terços do orçamento anual da Ossétia do
Sul, de aproximadamente 30 milhões de dólares. Em
2004, a ascensão de Saakashvili, aliado dos Estados
Unidos, à Presidência da Geórgia contribuiu para
aumentar a antipatia dos russos perante os georgianos.
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7.
Quais foram os últimos avanços da Ossétia do Sul
rumo a uma eventual independência?
Saakashvili propôs um acordo de paz com a Ossétia
do Sul, através do qual a região ganharia um "grande
grau de autonomia", mas ainda dentro do estado federal
da Geórgia. Os separatistas, no entanto, rejeitaram
a proposta e seguem insistindo na independência
absoluta. Essa obstinação ganhou força após o Ocidente
reconhecer a separação do Kosovo do domínio sérvio,
no início de 2008.
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8.
Qual é a importância econômica da região em conflito?
Apesar de não ser uma grande produtora de petróleo,
a área possui importantes gasodutos que servem para
transportar gás cru e natural entre a Europa e a
Ásia, o que pode ser um dos motivos pelo quais a
Rússia não quer perder a influência sobre a região.
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