Novas regras
da Fórmula 1
Uma grande
polêmica antecedeu a temporada 2009 de Fórmula
1: a possibilidade de mudanças no sistema
de pontuação que indica o campeão. A Federal
Internacional de Automobilismo (FIA) chegou
a anunciar que o campeão não seria mais o
corredor que somasse mais pontos, mas o que
obtivesse maior número de vitórias. Após muitas
críticas, a entidade máxima do automobilismo
voltou atrás e resolveu adiar a decisão para
2010 - caso haja consenso entre as equipes
e a FIA. O campeonato de 2009, de qualquer
forma, contará com mudanças relevantes. Entenda
o que muda com as novas regras anunciadas
pela FIA e por que o sistema de pontuação
foi motivo de grandes discussões.
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1.
Qual a principal mudança nas regras da
Fórmula 1?
A grande mudança para a temporada 2009 está na
parte aerodinâmica do carro. A FIA acredita que
a redução no número de ultrapassagens se deve à
evolução da tecnologia e das asas aerodinâmicas
do carro de F1. A partir de agora, a asa dianteira
foi rebaixada e alargada e será móvel, passando
a ser controlada pelo piloto. A asa traseira ficou
mais estreita e mais alta. A FIA proibiu ainda os
apêndices colocados nos bicos e laterais dos carros.
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2.
Além da parte aerodinâmica, há outras mudanças?
Sim. A FIA obrigou as equipes a adotarem o Sistema
de Recuperação de Energia Cinética (Kers, na sigla
em inglês). O sistema deve armazenar energia gerada
nas freadas, que será reutilizada para injetar força
no motor. Através de um botão, o piloto acionará
o Kers na hora de fazer uma ultrapassagem ou defender
uma posição. Na temporada de 2009 os pilotos terão
também que se acostumar com os pneus slicks (lisos),
que estavam fora da Fórmula 1 havia mais de uma
década.
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3.
O que a FIA pretende com essas alterações?
A FIA acredita que com essas mudanças a turbulência
do carro será minimizada. Com isso, os carros devem,
por exemplo, voltar a fazer curvas próximos dos
carros da frente, diminuindo a resistência do ar
e aumentando as chances de ultrapassagens na reta.
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4.
O que muda para os pilotos em 2009?
A partir desta temporada os pilotos serão obrigados
a passar por uma entrevista coletiva ao final de
cada corrida. Também terão a obrigação de atender
aos jornalistas os pilotos eliminados durante o
treino de classificação, assim como os que abandonarem
uma prova. São obrigatórias também as sessões de
autógrafos nos boxes durante o dia de treinos livres
de cada Grande Prêmio.
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5.
Em tempos de crise, a FIA promoveu cortes de gastos?
Sim. A partir desta temporada a duração dos motores
deverá ser de 3 corridas (em 2008, eram dois GPs),
e cada piloto poderá usar "apenas" oito motores
por ano - mais quatro para testes. As montadoras
poderão fabricar seus propulsores e vender para
as equipes pequenas. Não haverá testes durante a
temporada e as equipes terão apenas os treinos livres
das corridas para testar mudanças nos carros.
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6.
Já existem mudanças programadas para 2010?
Sim. Em 2010 as escuderias poderão optar por adotar
um teto orçamentário de 30 milhões de libras (cerca
de 95 milhões de reais) por temporada - cerca de
10% do que as escuderias gastam atualmente nos campeonatos.
As equipes que fizerem isso terão vantagens sobre
as demais. Entre os benefícios estão a liberdade
de trabalhar componentes aerodinâmicos, o uso de
asas móveis e de um motor que não tenha o desenvolvimento
congelado ou os giros limitados. As equipes que
optarem por desenvolver seus carros fora do teto
orçamentário perderão possibilidades técnicas de
evolução dos modelos. Além dos benefícios mecânicos,
quem optar por seguir o limite de gastos não terá
restrições no número de testes, simulações e utilização
dos túneis de vento. O limite de gastos já incluirá
o salário dos pilotos e funcionários - o que pode
ser o maior empecilho para as equipes de ponta.
As únicas despesas que ficam de fora do cálculo
são o motorhome - os trailers gigantes que abrigam
as equipes - e eventuais multas.
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7.
Como é a mudança da pontuação pretendida pela FIA?
A duas semanas do início da temporada 2009, o Conselho
Mundial da FIA decidiu que o título iria para o
piloto obtivesse o maior número de vitórias. Os
pontos passariam a ser o primeiro critério de desempate,
caso dois ou mais competidores terminassem a temporada
com o mesmo número de vitórias. As demais posições
no Mundial de Pilotos seguiriam sendo decididas
por pontos. Após uma semana inteira de polêmicas
e discussões, a entidade máxima do automobilismo
voltou atrás e adiou a mudança para 2010.
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8.
Qual a justificativa da FIA para adotar tantas mudanças?
Em relação ao limite de gastos, a ideia é equilibrar
financeiramente a categoria e diminuir as disparidades
entre as escuderias apoiadas por montadoras e as
independentes. A FIA alega que a possível mudança
na definição do campeão mundial foi decidida com
base em uma pesquisa realizada pela Fota (Associação
de Escuderias de Fórmula 1) com fãs de automobilismo
em todo o mundo. Eles pediram que a categoria desse
mais valor às vitórias. Mas, desde 2008, essa mudança
tem como grande inspirador Bernie Ecclestone, o
britânico que detém os direitos comerciais da categoria.
No final de 2008, ele sugeriu que a Fórmula 1 adotasse
um quadro de medalhas, com as vitórias - ou medalhas
de ouro - definindo o campeão.
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9.
Como a ideia de mudança da pontuação repercutiu
entre os pilotos?
Ela foi duramente criticada. O brasileiro Rubens
Barrichello reprovou as ideia porque, segundo ele,
a disputa poderá ser definida na metade do campeonato,
se alguém vencer as nove primeiras corridas - são
17 no total. O espanhol Fernando Alonso disse que
essa regra iria confundir os torcedores e que "os
desejos das escuderias, dos pilotos e de todos os
fãs foram simplesmente ignorados". O italiano Jarno
Trulli disse que elas têm "muitos fatores negativos
e nenhum positivo". Para Jenson Button, esse sistema
de definição do título é perigoso para o Mundial.
"As pessoas terão problemas para entender por que
o piloto com 60 pontos pode ser campeão em vez daquele
que marcou 100", disse.
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10.
Quem mais se mostrou contra a FIA?
O ex-piloto alemão Michael Schumacher, heptacampeão
da categoria, criticou a regra de pontuação proposta
pela FIA dizendo que o regulamento não faz sentido.
"Não consigo imaginar como essa mudança ajudará
a Fórmula 1. Também não vejo sentido em ter um campeão
que tenha menos pontos que o vice, embora eu ache
que é bom valorizar a vitória", disse. A decisão
também não agradou as escuderias. A Fota divulgou
uma nota em que repudia a decisão da FIA. "No que
diz respeito às decisões tomadas pelo Conselho Mundial
da FIA, a Fota gostaria de expressar seu desapontamento
e preocupação com o fato de todas as mudanças terem
sido aprovadas de forma unilateral", disse o documento,
assinado pelo presidente do grupo, Luca di Montezemolo,
que também comanda a Ferrari.
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11.
O que havia sido proposto pela Fota?
A associação das escuderias era a favor de um novo
sistema de pontuação, com 12 pontos para o vencedor
das corridas e nove para o segundo colocado. A ideia
era ouvir os fãs de Fórmula 1 e dar mais valor às
vitórias. Baseando-se nesse argumento, a FIA optou
por uma mudança muito mais radical, o que irritou
os dirigentes das equipes. Essa decisão, no entanto,
está suspensa para votação.
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12.
Quais os argumentos de quem defende as mudanças?
Bernie Ecclestone faz questão de dizer que as mudanças
iriam aumentar a emoção nas corridas e a motivação
dos pilotos para lutar pela vitória. "Alguém que
está em segundo agora vai tentar vencer, é melhor
do que pensar que não valeria a pena ultrapassar
e correr riscos por causa de dois pontos", afirmou
o dirigente. Sobre as queixas dos pilotos e escuderias,
Ecclestone diz que toda vez que há mudanças há aqueles
que dizem que elas não vão funcionar. "Foi assim
quando criamos a regra dos motores por duas corridas",
afirmou. "Os pilotos que sabem que podem vencer
estão satisfeitos. Os demais nem se importam."
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13.
Se este sistema de pontuação tivesse vigorado em
2008, o desfecho do campeonato teria sido o mesmo?
Não. Se o número de vitórias determinasse o campeão
de 2008, o brasileiro Felipe Massa, e não o inglês
Lewis Hamilton, teria conquistado o título. O brasileiro
da Ferrari fechou o ano com seis vitórias, contra
cinco do inglês da McLaren.
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14.
Com base neste sistema de pontuação, Schumacher
ainda seria o maior campeão da história da Fórmula
1?
Sim. O piloto alemão obteve tanto o maior número
de pontos quanto o de vitórias em todos os anos
em que foi campeão mundial - 1994, 1995, 2000, 2001,
2002, 2003 e 2004. A quantidade de títulos dos brasileiros
Nelson Piquet e Ayrton Senna, porém, seria diferente.
Piquet perderia o título de 1983 para Alain Prost
e o de 1987, para Nigel Mansell. Assim, seria apenas
campeão - e não mais tricampeão. Já Senna teria
ganho também o campeonato de 1989, tornado-se tetracampeão
da Fórmula 1.
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