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Março de 2009
Novas regras da Fórmula 1

Reuters

Uma grande polêmica antecedeu a temporada 2009 de Fórmula 1: a possibilidade de mudanças no sistema de pontuação que indica o campeão. A Federal Internacional de Automobilismo (FIA) chegou a anunciar que o campeão não seria mais o corredor que somasse mais pontos, mas o que obtivesse maior número de vitórias. Após muitas críticas, a entidade máxima do automobilismo voltou atrás e resolveu adiar a decisão para 2010 - caso haja consenso entre as equipes e a FIA. O campeonato de 2009, de qualquer forma, contará com mudanças relevantes. Entenda o que muda com as novas regras anunciadas pela FIA e por que o sistema de pontuação foi motivo de grandes discussões.

1. Qual a principal mudança nas regras da Fórmula 1?
2. Além da parte aerodinâmica, há outras mudanças?
3. O que a FIA pretende com essas alterações?
4. O que muda para os pilotos em 2009?
5. Em tempos de crise, a FIA promoveu cortes de gastos?
6. Já existem mudanças programadas para 2010?
7. Como é a mudança da pontuação pretendida pela FIA?
8. Qual a justificativa da FIA para adotar tantas mudanças?
9. Como a ideia de mudança da pontuação repercutiu entre os pilotos?
10. Quem mais se mostrou contra a FIA?
11. O que havia sido proposto pela Fota?
12. Quais os argumentos de quem defende as mudanças?
13. Se este sistema de pontuação tivesse vigorado em 2008, o desfecho do campeonato teria sido o mesmo?
14. Com base neste sistema de pontuação, Schumacher ainda seria o maior campeão da história da Fórmula 1?

1. Qual a principal mudança nas regras da
Fórmula 1?

A grande mudança para a temporada 2009 está na parte aerodinâmica do carro. A FIA acredita que a redução no número de ultrapassagens se deve à evolução da tecnologia e das asas aerodinâmicas do carro de F1. A partir de agora, a asa dianteira foi rebaixada e alargada e será móvel, passando a ser controlada pelo piloto. A asa traseira ficou mais estreita e mais alta. A FIA proibiu ainda os apêndices colocados nos bicos e laterais dos carros.

 
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2. Além da parte aerodinâmica, há outras mudanças?

Sim. A FIA obrigou as equipes a adotarem o Sistema de Recuperação de Energia Cinética (Kers, na sigla em inglês). O sistema deve armazenar energia gerada nas freadas, que será reutilizada para injetar força no motor. Através de um botão, o piloto acionará o Kers na hora de fazer uma ultrapassagem ou defender uma posição. Na temporada de 2009 os pilotos terão também que se acostumar com os pneus slicks (lisos), que estavam fora da Fórmula 1 havia mais de uma década.

 
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3. O que a FIA pretende com essas alterações?

A FIA acredita que com essas mudanças a turbulência do carro será minimizada. Com isso, os carros devem, por exemplo, voltar a fazer curvas próximos dos carros da frente, diminuindo a resistência do ar e aumentando as chances de ultrapassagens na reta.

 
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4. O que muda para os pilotos em 2009?

A partir desta temporada os pilotos serão obrigados a passar por uma entrevista coletiva ao final de cada corrida. Também terão a obrigação de atender aos jornalistas os pilotos eliminados durante o treino de classificação, assim como os que abandonarem uma prova. São obrigatórias também as sessões de autógrafos nos boxes durante o dia de treinos livres de cada Grande Prêmio.

 
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5. Em tempos de crise, a FIA promoveu cortes de gastos?

Sim. A partir desta temporada a duração dos motores deverá ser de 3 corridas (em 2008, eram dois GPs), e cada piloto poderá usar "apenas" oito motores por ano - mais quatro para testes. As montadoras poderão fabricar seus propulsores e vender para as equipes pequenas. Não haverá testes durante a temporada e as equipes terão apenas os treinos livres das corridas para testar mudanças nos carros.

 
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6. Já existem mudanças programadas para 2010?

Sim. Em 2010 as escuderias poderão optar por adotar um teto orçamentário de 30 milhões de libras (cerca de 95 milhões de reais) por temporada - cerca de 10% do que as escuderias gastam atualmente nos campeonatos. As equipes que fizerem isso terão vantagens sobre as demais. Entre os benefícios estão a liberdade de trabalhar componentes aerodinâmicos, o uso de asas móveis e de um motor que não tenha o desenvolvimento congelado ou os giros limitados. As equipes que optarem por desenvolver seus carros fora do teto orçamentário perderão possibilidades técnicas de evolução dos modelos. Além dos benefícios mecânicos, quem optar por seguir o limite de gastos não terá restrições no número de testes, simulações e utilização dos túneis de vento. O limite de gastos já incluirá o salário dos pilotos e funcionários - o que pode ser o maior empecilho para as equipes de ponta. As únicas despesas que ficam de fora do cálculo são o motorhome - os trailers gigantes que abrigam as equipes - e eventuais multas.

 
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7. Como é a mudança da pontuação pretendida pela FIA?

A duas semanas do início da temporada 2009, o Conselho Mundial da FIA decidiu que o título iria para o piloto obtivesse o maior número de vitórias. Os pontos passariam a ser o primeiro critério de desempate, caso dois ou mais competidores terminassem a temporada com o mesmo número de vitórias. As demais posições no Mundial de Pilotos seguiriam sendo decididas por pontos. Após uma semana inteira de polêmicas e discussões, a entidade máxima do automobilismo voltou atrás e adiou a mudança para 2010.

 
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8. Qual a justificativa da FIA para adotar tantas mudanças?

Em relação ao limite de gastos, a ideia é equilibrar financeiramente a categoria e diminuir as disparidades entre as escuderias apoiadas por montadoras e as independentes. A FIA alega que a possível mudança na definição do campeão mundial foi decidida com base em uma pesquisa realizada pela Fota (Associação de Escuderias de Fórmula 1) com fãs de automobilismo em todo o mundo. Eles pediram que a categoria desse mais valor às vitórias. Mas, desde 2008, essa mudança tem como grande inspirador Bernie Ecclestone, o britânico que detém os direitos comerciais da categoria. No final de 2008, ele sugeriu que a Fórmula 1 adotasse um quadro de medalhas, com as vitórias - ou medalhas de ouro - definindo o campeão.

 
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9. Como a ideia de mudança da pontuação repercutiu entre os pilotos?

Ela foi duramente criticada. O brasileiro Rubens Barrichello reprovou as ideia porque, segundo ele, a disputa poderá ser definida na metade do campeonato, se alguém vencer as nove primeiras corridas - são 17 no total. O espanhol Fernando Alonso disse que essa regra iria confundir os torcedores e que "os desejos das escuderias, dos pilotos e de todos os fãs foram simplesmente ignorados". O italiano Jarno Trulli disse que elas têm "muitos fatores negativos e nenhum positivo". Para Jenson Button, esse sistema de definição do título é perigoso para o Mundial. "As pessoas terão problemas para entender por que o piloto com 60 pontos pode ser campeão em vez daquele que marcou 100", disse.

 
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10. Quem mais se mostrou contra a FIA?

O ex-piloto alemão Michael Schumacher, heptacampeão da categoria, criticou a regra de pontuação proposta pela FIA dizendo que o regulamento não faz sentido. "Não consigo imaginar como essa mudança ajudará a Fórmula 1. Também não vejo sentido em ter um campeão que tenha menos pontos que o vice, embora eu ache que é bom valorizar a vitória", disse. A decisão também não agradou as escuderias. A Fota divulgou uma nota em que repudia a decisão da FIA. "No que diz respeito às decisões tomadas pelo Conselho Mundial da FIA, a Fota gostaria de expressar seu desapontamento e preocupação com o fato de todas as mudanças terem sido aprovadas de forma unilateral", disse o documento, assinado pelo presidente do grupo, Luca di Montezemolo, que também comanda a Ferrari.

 
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11. O que havia sido proposto pela Fota?

A associação das escuderias era a favor de um novo sistema de pontuação, com 12 pontos para o vencedor das corridas e nove para o segundo colocado. A ideia era ouvir os fãs de Fórmula 1 e dar mais valor às vitórias. Baseando-se nesse argumento, a FIA optou por uma mudança muito mais radical, o que irritou os dirigentes das equipes. Essa decisão, no entanto, está suspensa para votação.

 
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12. Quais os argumentos de quem defende as mudanças?

Bernie Ecclestone faz questão de dizer que as mudanças iriam aumentar a emoção nas corridas e a motivação dos pilotos para lutar pela vitória. "Alguém que está em segundo agora vai tentar vencer, é melhor do que pensar que não valeria a pena ultrapassar e correr riscos por causa de dois pontos", afirmou o dirigente. Sobre as queixas dos pilotos e escuderias, Ecclestone diz que toda vez que há mudanças há aqueles que dizem que elas não vão funcionar. "Foi assim quando criamos a regra dos motores por duas corridas", afirmou. "Os pilotos que sabem que podem vencer estão satisfeitos. Os demais nem se importam."

 
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13. Se este sistema de pontuação tivesse vigorado em 2008, o desfecho do campeonato teria sido o mesmo?

Não. Se o número de vitórias determinasse o campeão de 2008, o brasileiro Felipe Massa, e não o inglês Lewis Hamilton, teria conquistado o título. O brasileiro da Ferrari fechou o ano com seis vitórias, contra cinco do inglês da McLaren.

 
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14. Com base neste sistema de pontuação, Schumacher ainda seria o maior campeão da história da Fórmula 1?

Sim. O piloto alemão obteve tanto o maior número de pontos quanto o de vitórias em todos os anos em que foi campeão mundial - 1994, 1995, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. A quantidade de títulos dos brasileiros Nelson Piquet e Ayrton Senna, porém, seria diferente. Piquet perderia o título de 1983 para Alain Prost e o de 1987, para Nigel Mansell. Assim, seria apenas campeão - e não mais tricampeão. Já Senna teria ganho também o campeonato de 1989, tornado-se tetracampeão da Fórmula 1.

 
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