Fórmula 1 e crise
financeira
O anúncio da
saída da equipe Honda da Fórmula 1, no final
de novembro de 2008, foi o indício que a crise
financeira mundial tinha chegado à mais importante
competição de automobilismo do planeta. Desde
então, o presidente da Federação Internacional
de Automobilismo, Max Mosley, tem adotado
como tema quase único a necessidade de reduzir
os custos para que outras escuderias, especialmente
as que pertencem às montadoras, não tenham
o mesmo destino da fabricante japonesa. Entenda
como a crise pode afetar o esporte.
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1.
Quais são as equipes que participam da
Fórmula 1?
Em 2009, nove escuderias devem disputar o campeonato
- Ferrari, McLaren, Renault, Toyota, BMW Sauber,
Force Índia, Toro Rosso, Red Bull Racing e Williams.
Segundo a Federação Internacional de Automobilismo
a Honda colocou a equipe à venda e não deixou oficialmente
a a categoria.
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2.
Quantas e quais escuderias são de montadoras?
Seis pertencem totalmente ou em parte a fabricantes
de automóveis. Renault, Toyota, BMW e Ferrari são
equipes comandadas 100% por montadoras. No caso
da escuderia italiana, a montadora Fiat é a dona.
A Honda que deixou a categoria, também entrava neste
grupo. E a McLaren tem uma parcela de 40% da equipe
que pertence à Mercedes.
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3.
De quanto é o investimento de cada equipe?
Não existem dados oficiais sobre os valores investidos
em cada escuderia. O último levantamento do guia
especializado Formula Money aponta que em 2008 a
Honda, por exemplo, investiu 350 milhões de dólares
enquanto Toyota, BMW, Renault, Ferrari e McLaren
injetaram mais de 200 milhões de dólares em suas
equipes. Abaixo, um levantamento feito pelo site
inglês F1 Fanatic sobre os gastos de 2007:
Toyota: 445,6 milhões de dólares
McLaren: 433,3 milhões de dólares
Ferrari: 414,9 milhões de dólares
Honda: 398,1 milhões de dólares
Renault: 393,8 milhões de dólares
BMW Sauber: 366,8 milhões de dólares
Red Bull Racing: 164,7 milhões de dólares
Williams: 160,6 milhões de dólares
Toro Rosso: 128,2 milhões de dólares
Force Índia: 121, 8 milhões de dólares .
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4.
Como as montadoras têm retorno por investir no esporte?
Mais do que um laboratório para testar novas tecnologias
que podem ser utilizadas em carros de passeio, a
Fórmula 1 é uma grande vitrine para as montadoras.
São 18 provas por ano em média, que deixam as marcas
expostas por muito mais tempo que uma Copa do Mundo,
por exemplo. A consultoria internacional Initiative
Sports Futures apontou que a prova final da F-1
é o segundo evento esportivo de maior audiência
no mundo, com picos de 80 milhões de espectadores
- só perde para a final da NFL, a liga de futebol
americano.
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5.
Desde quando a Fórmula 1 se tornou um bom negócio?
Na década de 1980, as montadoras perceberam que
a F-1 poderia trazer bom resultados de imagem. Nesta
época entraram em pista BMW, Porsche, Renault, Ford,
entre outras menores. Em outra fase, na metade dos
anos 1990, outras empresas também foram à F-1, como
Mercedes, Peugeot, Renault, Toyota, Ford - via Jaguar.
Estar na categoria passou a ser fundamental para
as estratégias de marketing, desenvolvimento tecnológico,
além da imagem. A estimativa é que a indústria automobilística
despeja cerca de 3 bilhões de dólares por ano no
desenvolvimento dos carros de corrida.
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6.
Quais gastos podem ser cortados?
Segundo o presidente da FIA, Max Mosley, a necessidade
nos corte dos gastos se faz necessária não só por
causa da crise financeira mundial. Ele já havia
declarado que o custo da Fórmula 1 estava muito
alto. E para que a categoria sobreviva, Mosley defende
um corte de 10% a 20% nos gastos e uma redução no
orçamento das equipes. Em 2008, as escuderias pequenas
tinham um orçamento de 120 milhões de dólares, mas
Mosley sugeriu que esse valor seja reduzido para
cerca de 40 milhões de dólares anuais. O presidente
da Associação das Equipes de F-1, Luca di Montezemolo,
já confirmou que a categoria reduzirá os custos
aos níveis praticados nos anos 90, mas não falou
em valores.
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7.
Como podem ser reduzidos os gastos?
A principal proposta da FIA é a possibilidade de
usar um motor padrão para todas as equipes - essa
hipótese é a que mais causa discórdia, com a Ferrari
liderando o bloco dos que deixariam a categoria
caso seja aprovada a ideia. Por enquanto, a medida
só seria adotada em 2012. Assim, o motor que será
usado em 2010 e 2011 poderia ser produzido por uma
empresa independente ou pelas atuais fabricantes
(BMW, Mercedes, Ferrari, Toyota e Renault). As equipes
que não produzem o próprio motor - Williams, Toro
Rosso, Red Bull e Force Índia - teriam um propulsor
à disposição por 5 milhões de euros por temporada.
Em 2009, cada equipe deve usar o mesmo motor por
três corridas, e não mais duas, como em 2008. E
ficam proibidos os testes coletivos entre as corridas.
Em 2010, haverá a padronização dos sistemas de telemetria
e rádio e o banimento do reabastecimento durante
as corridas.
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8.
Existe alguma premiação em dinheiro para a escuderia
vencedora?
Atualmente, a Formula 1 Management, entidade que
regulamenta a categoria, divide um prêmio 500 milhões
de dólares de acordo com a posição final dos times
no Mundial de Construtores. Dessa forma, as equipes
grandes, que sempre terminam bem colocadas, têm
sempre mais dinheiro para gastar no ano seguinte
em equipamento e profissionais. Por isso, está sendo
estudado um novo sistema de classificação e de pontuação
- discute-se até a entrega de medalhas.
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9.
O esporte está ameaçado com a crise financeira mundial?
A principal preocupação da FIA é com as equipes
de montadoras. Isso porque a crise tem causado diminuição
nas vendas de automóveis em todo o mundo. A Honda,
por exemplo, teve de cortar 175.000 veículos de
sua produção prevista até março de 2009 para a América
do Norte, onde, em novembro, as vendas da marca
caíram 32% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
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