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Janeiro de 2009
Fórmula 1 e crise financeira

Reuters

O anúncio da saída da equipe Honda da Fórmula 1, no final de novembro de 2008, foi o indício que a crise financeira mundial tinha chegado à mais importante competição de automobilismo do planeta. Desde então, o presidente da Federação Internacional de Automobilismo, Max Mosley, tem adotado como tema quase único a necessidade de reduzir os custos para que outras escuderias, especialmente as que pertencem às montadoras, não tenham o mesmo destino da fabricante japonesa. Entenda como a crise pode afetar o esporte.

1. Quais são as equipes que participam da Fórmula 1?
2. Quantas e quais escuderias são de montadoras?
3. De quanto é o investimento de cada equipe?
4. Como as montadoras têm retorno por investir no esporte?
5. Desde quando a Fórmula 1 se tornou um bom negócio?
6. Quais gastos podem ser cortados?
7. Como podem ser reduzidos os gastos?
8. Existe alguma premiação em dinheiro para a escuderia vencedora?
9. O esporte está ameaçado com a crise financeira mundial?

1. Quais são as equipes que participam da
Fórmula 1?

Em 2009, nove escuderias devem disputar o campeonato - Ferrari, McLaren, Renault, Toyota, BMW Sauber, Force Índia, Toro Rosso, Red Bull Racing e Williams. Segundo a Federação Internacional de Automobilismo a Honda colocou a equipe à venda e não deixou oficialmente a a categoria.

 
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2. Quantas e quais escuderias são de montadoras?

Seis pertencem totalmente ou em parte a fabricantes de automóveis. Renault, Toyota, BMW e Ferrari são equipes comandadas 100% por montadoras. No caso da escuderia italiana, a montadora Fiat é a dona. A Honda que deixou a categoria, também entrava neste grupo. E a McLaren tem uma parcela de 40% da equipe que pertence à Mercedes.

 
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3. De quanto é o investimento de cada equipe?

Não existem dados oficiais sobre os valores investidos em cada escuderia. O último levantamento do guia especializado Formula Money aponta que em 2008 a Honda, por exemplo, investiu 350 milhões de dólares enquanto Toyota, BMW, Renault, Ferrari e McLaren injetaram mais de 200 milhões de dólares em suas equipes. Abaixo, um levantamento feito pelo site inglês F1 Fanatic sobre os gastos de 2007:

Toyota: 445,6 milhões de dólares
McLaren: 433,3 milhões de dólares
Ferrari: 414,9 milhões de dólares
Honda: 398,1 milhões de dólares
Renault: 393,8 milhões de dólares
BMW Sauber: 366,8 milhões de dólares
Red Bull Racing: 164,7 milhões de dólares
Williams: 160,6 milhões de dólares
Toro Rosso: 128,2 milhões de dólares
Force Índia: 121, 8 milhões de dólares .

 
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4. Como as montadoras têm retorno por investir no esporte?

Mais do que um laboratório para testar novas tecnologias que podem ser utilizadas em carros de passeio, a Fórmula 1 é uma grande vitrine para as montadoras. São 18 provas por ano em média, que deixam as marcas expostas por muito mais tempo que uma Copa do Mundo, por exemplo. A consultoria internacional Initiative Sports Futures apontou que a prova final da F-1 é o segundo evento esportivo de maior audiência no mundo, com picos de 80 milhões de espectadores - só perde para a final da NFL, a liga de futebol americano.

 
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5. Desde quando a Fórmula 1 se tornou um bom negócio?

Na década de 1980, as montadoras perceberam que a F-1 poderia trazer bom resultados de imagem. Nesta época entraram em pista BMW, Porsche, Renault, Ford, entre outras menores. Em outra fase, na metade dos anos 1990, outras empresas também foram à F-1, como Mercedes, Peugeot, Renault, Toyota, Ford - via Jaguar. Estar na categoria passou a ser fundamental para as estratégias de marketing, desenvolvimento tecnológico, além da imagem. A estimativa é que a indústria automobilística despeja cerca de 3 bilhões de dólares por ano no desenvolvimento dos carros de corrida.

 
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6. Quais gastos podem ser cortados?

Segundo o presidente da FIA, Max Mosley, a necessidade nos corte dos gastos se faz necessária não só por causa da crise financeira mundial. Ele já havia declarado que o custo da Fórmula 1 estava muito alto. E para que a categoria sobreviva, Mosley defende um corte de 10% a 20% nos gastos e uma redução no orçamento das equipes. Em 2008, as escuderias pequenas tinham um orçamento de 120 milhões de dólares, mas Mosley sugeriu que esse valor seja reduzido para cerca de 40 milhões de dólares anuais. O presidente da Associação das Equipes de F-1, Luca di Montezemolo, já confirmou que a categoria reduzirá os custos aos níveis praticados nos anos 90, mas não falou em valores.

 
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7. Como podem ser reduzidos os gastos?

A principal proposta da FIA é a possibilidade de usar um motor padrão para todas as equipes - essa hipótese é a que mais causa discórdia, com a Ferrari liderando o bloco dos que deixariam a categoria caso seja aprovada a ideia. Por enquanto, a medida só seria adotada em 2012. Assim, o motor que será usado em 2010 e 2011 poderia ser produzido por uma empresa independente ou pelas atuais fabricantes (BMW, Mercedes, Ferrari, Toyota e Renault). As equipes que não produzem o próprio motor - Williams, Toro Rosso, Red Bull e Force Índia - teriam um propulsor à disposição por 5 milhões de euros por temporada. Em 2009, cada equipe deve usar o mesmo motor por três corridas, e não mais duas, como em 2008. E ficam proibidos os testes coletivos entre as corridas. Em 2010, haverá a padronização dos sistemas de telemetria e rádio e o banimento do reabastecimento durante as corridas.

 
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8. Existe alguma premiação em dinheiro para a escuderia vencedora?

Atualmente, a Formula 1 Management, entidade que regulamenta a categoria, divide um prêmio 500 milhões de dólares de acordo com a posição final dos times no Mundial de Construtores. Dessa forma, as equipes grandes, que sempre terminam bem colocadas, têm sempre mais dinheiro para gastar no ano seguinte em equipamento e profissionais. Por isso, está sendo estudado um novo sistema de classificação e de pontuação - discute-se até a entrega de medalhas.

 
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9. O esporte está ameaçado com a crise financeira mundial?

A principal preocupação da FIA é com as equipes de montadoras. Isso porque a crise tem causado diminuição nas vendas de automóveis em todo o mundo. A Honda, por exemplo, teve de cortar 175.000 veículos de sua produção prevista até março de 2009 para a América do Norte, onde, em novembro, as vendas da marca caíram 32% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

 
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