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Julho de 2008
Farc
Um pesadelo de mais de seis anos terminou
para a colombiana e ex-candidata à
Presidência Ingrid Betancourt no dia
2 de junho, ao ser libertada do cativeiro
imposto pelas Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia (Farc), o grupo narcoterrorista
que a mantinha aprisionada. Em janeiro, as
também colombianas Clara Rojas e Consuelo
González haviam sido foram libertadas, depois
de também serem privadas de direitos
básicos e vivendo em campos de concentração
no meio da selva colombiana. Seus relatos
mostraram ao mundo como age a organização
de facínoras que pretende ser reconhecida
pelo mundo como um agente político legítimo.
Em 2008, a organização também
teve seus maiores líderes mortos e
perde cada vez mais seu poder de fogo. Entenda
as origens do conflito na Colômbia, e porque
a classificação de cunho político jamais
poderá ser aplicada às Farc.
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| 1. Quem são
e o que querem as Farc? As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
são um grupo de rebeldes de ideologia comunista cujo objetivo declarado é tomar
o poder no país pela força. Gostam de se autodenominar "guerrilheiros marxistas",
dada a inspiração esquerdista que tiveram quando da sua criação, em meio a uma
guerra civil ocorrida na Colômbia nos anos 60. Há muito tempo, entretanto, degeneraram
em uma espécie de seita de fanáticos que vive à custa do tráfico de cocaína e
de toda sorte de barbaridades. Contam atualmente com 16.000 homens. |
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| 2. Elas
atuam desde quando? As Farc surgiram precisamente em 1964. Desde
então, 45.000 colombianos morreram pelas mãos de seus integrantes. Só nos últimos
cinco anos, mais de 5.000 pessoas foram assassinadas em 930 chacinas. |
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| 3. Que
métodos utilizam na busca por seus objetivos? Seqüestros, tráfico
de drogas, extorsão e assassinatos são as principais técnicas que constam na cartilha
das Farc. Estupros de reféns e tortura vêm a reboque, como descreveu Consuelo
González, uma das cativas libertadas em janeiro. Suas vítimas são acorrentadas
pelo pescoço, obrigadas a marchas forçadas no meio do mato e submetidas a cirurgias
improvisadas com facas de cozinha. Não satisfeitas, as Farc transformaram a Colômbia
na líder do ranking mundial das vítimas de minas terrestres – em sete anos, 9.500
pessoas foram atingidas pelos artefatos. No mais, recrutam boa parte de seus novos
membros entre garotos de 10 a 14 anos de idade. Após se embrenharem na selva,
os jovens são isolados do mundo exterior, da família e perdem o próprio nome,
substituído por um "nome de guerra". | | | | •
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| 4. Por
que são terroristas? Que qualificação se dá a uma organização de
seqüestradores e narcotraficantes que comete todos os crimes descritos acima?
Conforme estabelece o conceito da ONU, as Farc não podem ser consideradas outra
coisa que não uma organização terrorista. Não lutam contra um governo totalitário
ou ocupação estrangeira. É como terroristas que as vêem os Estados Unidos e a
União Européia. Delinqüentes comuns, eles vivem de seqüestros, tráfico de drogas
e extorsão. Terroristas, eles torturam os seqüestrados, cometem atentados a bomba
e executam a sangue-frio militares e civis. O debate semântico só existe hoje
devido ao apelo feito pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, para "o reconhecimento
da guerrilha colombiana como forças insurgentes". | | |
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| 5. Qual
é a relação da facção com o tráfico de drogas? As Farc dominam
hoje todas as fases para a obtenção da cocaína na Colômbia, a maior produtora
mundial da droga. O envolvimento do grupo com o narcotráfico começou no início
da década de 90, quando uma ofensiva para erradicar as plantações de folha de
coca na Bolívia e no Peru levou os cartéis colombianos a se associar com a guerrilha
para o plantio nas áreas rurais sob controle dos esquerdistas. O negócio fez uma
tremenda diferença. De guerrilheiros pobres, que tinham perdido a mesada de Cuba,
as Farc se tornaram milionárias. Segundo as estimativas oficiais, a atividade
rende aos narcoguerrilheiros 590 milhões de dólares por ano. |
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| 6. Quantos
reféns estão em poder das Farc?
É difícil obter um número preciso.
Nos últimos doze anos, cerca de 7.000 seqüestrados passaram pelos cativeiros das
Farc. Hoje, há mais de 700 reféns em poder dos guerrilheiros, que aguardam o pagamento
de resgate em dinheiro. Destes, pelo menos 25 reféns são considerados prisioneiros políticos,
que as Farc querem trocar por terroristas presos. Não há mais muito sentido econômico
nos seqüestros, já que os terroristas têm no narcotráfico uma fonte rentável de
financiamento. | | | | •
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| 7. O
que significou a recente libertação
de Ingrid Betacourt?
Serviu principalmente para fortalecer
a imagem do presidente colombiano Álvaro Uribe no combate ao narcotráfico e ao contrário fazer descer a do venezuelano Hugo Chávez, aliado das Farc. Tanto Ingrid como a famíla dela não se cansaram de agradecer os esforços de Uribe na ação em que foi libertada juntamente com três americanos e outros 13 colombianos. | | | | •
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8.
Quais os grandes golpes do governo contra a narcoguerrilha?
Sua maiores baixas foram exatamente nas mais altas
patentes desde o início de 2008. Em 1º de março,
Raúl Reyes, segundo em comando, foi morto em ataque
aéreo. Seis dias depois, Ivan Rios, tesoureiro das
Farc, foi morto por um guarda-costas, que recebeu
a recompensa de 2,7 milhões de dólares oferecida
pelo governo colombiano. Para provar sua morte,
o guarda-costas entregou ao governo a mão direita
(cortada depois de morto), documentos de identidade
e o computador pessoal do chefe. E ainda março –
mas só divulgado em junho – morreu de infarto o
fundador e “el supremo” das Farc, Manuel Marulanda,
o Tirofijo. Além disso, cada vez mais guerrilheiros
se entregam ao governo.
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9.
Qual é a posição do governo colombiano sobre o grupo?
Desde o primeiro
dia na Presidência da Colômbia, Uribe investiu com firmeza – e tropas especiais
treinadas com a ajuda dos Estados unidos – na tarefa de recuperar o controle de
seu país não apenas dos comunistas, mas também dos narcotraficantes e das milícias
paramilitares de direita. Quando assumiu o cargo, em 2002, estimava-se que a guerrilha
comunista circulasse à vontade ou tivesse o controle efetivo de 40% do território
colombiano. Essa área era basicamente de florestas e montanhas de difícil acesso.
Seu governo empurrou os terroristas aos grotões e conseguiu diminuir o número
de seqüestros aumentando o contingente policial e criando unidades especializadas
em combater especificamente esse tipo de crime. Graças a Uribe, os índices de
criminalidade colombianos atingiram em 2005 os níveis mais baixos em 20 anos.
Há nele uma motivação pessoal nesta luta: seu pai foi assassinado pelas Farc em
1983. | | | | •
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10.
Quem se alia ao governo no combate às Farc?
O governo colombiano tem
na maior potência do mundo o seu principal aliado na luta contra os narcoguerrilheiros:
os Estados Unidos. Uribe é o melhor amigo da Casa Branca na América do Sul, o
que lhe permitiu implementar uma cooperação militar com Washington que tem rendido
bons frutos. Apesar de ele ser um dos raros presidentes que podem ser levados
a sério nos países fronteiriços com o Brasil, o governo Lula é daqueles que tratam
Uribe com frieza. O presidente brasileiro não deixou de classificar, porém, os
atos das Farc como “abomináveis” no início de 2008. | | |
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11.
E quem as apóia?
Na linha de frente do cenário internacional, as
Farc têm o apoio de Hugo Chávez. O caudilho venezuelano sustenta que a organização
tem um projeto político legítimo, que ele associa ao seu próprio socialismo bolivariano.
Sua proposta de retirar o nome das Farc da lista de grupos terroristas internacionais
recebeu um único apoio – o do presidente Daniel Ortega, da Nicarágua, cujo passado
inclui a tomada do poder pela força das armas. Fora isso, há em lugares da Europa
uma visão romântica da guerrilha, especialmente por parte dos governos da França
e da Espanha, que pressionam Uribe para negociar um acordo que liberte os reféns
mais conhecidos. Passam longe de apoiar os criminosos, contudo. |
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12.
O que a população colombiana
pensa das Farc? Os colombianos também
não têm dúvida sobre o assunto: as mais recentes pesquisas de opinião realizadas
no país mostram que 93% da população se opõe às Farc. Desde 2000, quando o Instituto
Gallup começou a monitorar o conceito do grupo terrorista entre os colombianos,
a rejeição se mantém acima dos 87%. | | | | •
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13.
Existem outros grupos políticos
criminosos na Colômbia? Além
das Farc, os colombianos ainda são obrigados a conviver com outros dois grupos
igualmente violentos, embora não tão poderosos. O primeiro é o Exército de Libertação
Nacional, o ELN, criado em 1962 por um grupo de jovens colombianos que foram a
Cuba aprender técnicas de guerrilha. O ELN já foi o principal movimento da Colômbia,
mas perdeu seu poder com a derrocada do regime cubano, e hoje conta com apenas
3.000 homens. Mais numerosas que eles são as tenebrosas organizações paramilitares
que, a pretexto de combater os dois grupos guerrilheiros, adotaram os métodos
dos rivais e aplicaram-nos contra a mesma população que já sofria nas mãos de
Farc e ELN. Estima-se que as Autodefensas Unidas de Colômbia (AUC), o maior grupo
paramilitar, conte hoje com até 30.000 homens. | | |
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