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Julho de 2007
Escolas islâmicas na Ásia

Desde 11 de setembro de 2001, quando terroristas treinados em campos da Al Qaeda atacaram os Estados Unidos, as escolas religiosas radicais do Paquistão e da Índia tornaram-se um importante foco de preocupação. De acordo com muitos especialistas, as chamadas madraçais são parte fundamental do problema do terror islâmico, pois formam e incentivam os jovens militantes dispostos a morrer pela causa. A seguir, as origens das madraçais, seus ensinamentos e as reações das autoridades dos países.

1. O que são as madraçais?
2. Quando e como surgiram essas instituições?
3. Quando as escolas islâmicas começaram a formar radicais?
4. Por que as madraçais são acusadas de formar terroristas?
5. Onde está concentrado o maior número de madraçais?
6. Como o governo do Paquistão lida com essas escolas?
7. O que ocorreu na Mesquita Vermelha de Islamabad?
8. Quais são os objetivos desses estudantes radicais?
9. Qual foi a reação do governo paquistanês ao cerco em Islamabad?
10. Todos os estudantes das madraçais tornam-se militantes radicais?
11. Como são as instalações e as aulas das madraçais?
12. Que tipo de aluno se matricula nessas escolas islâmicas?
13. Por que as autoridades não conseguem regulamentar as escolas?

1. O que são as madraçais?

São escolas islâmicas espalhadas pela Ásia, principalmente no Paquistão e na Índia. Elas diferem das outras escolas formadoras de religiosos muçulmanos que se espalham pelo mundo árabe e em algumas partes do Ocidente. São internatos para homens de 5 a 30 anos, todos muito pobres, que permanecem isolados de suas famílias e das notícias do mundo, mergulhados apenas no estudo do Corão e das leis islâmicas.

 
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2. Quando e como surgiram essas instituições?

As madraçais são uma criação do século XI, quando a religião de Maomé já tinha sólidos quatro séculos de existência e era hegemônica numa região enorme do planeta que ia da Ásia Menor ao leste da África. Elas nasceram para formar juízes, professores, matemáticos e astrônomos. Sua função puramente doutrinária era secundária.

 
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3. Quando as escolas islâmicas começaram a formar radicais?

A politização das madraçais começou em 1979, ano da revolução iraniana e da invasão do Afeganistão pelos soviéticos. Foram dois eventos cruciais. A revolução iraniana marcou a chegada do clero islâmico ao poder político num país de peso. A invasão do Afeganistão pelos soviéticos criou uma resistência armada ao invasor que foi servir-se de combatentes entre os estudantes religiosos. O Talibã, termo que pode ser traduzido por “estudante”, nasceu nas madraçais.

 
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4. Por que as madraçais são acusadas de formar terroristas?

Essas escolas religiosas ensinam uma versão ultraconservadora do Corão. Portanto, é de suas fileiras que saem os mais fanáticos militantes muçulmanos. Acredita-se que muitos dos terroristas da rede Al Qaeda, de Osama bin Laden, tenham estudado nessas escolas.

 
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5. Onde está concentrado o maior número de madraçais?

No Paquistão, país que tem cerca de 7.000 madraçais, que atendem 600.000 alunos. Metade delas ainda consegue manter certa tradição de ensino. A outra metade caiu na teologia da fanatização. Infiltradas por partidos e grupos clandestinos, passaram a formar militantes radicais. Durante a infância e a puberdade eles ouvem todos os dias que o Ocidente é a fonte de todo mal e que a maior glória é morrer por Alá.

 
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6. Como o governo do Paquistão lida com essas escolas?

Antes dos atentados terroristas de 11 de setembro, Pervez Musharraf, presidente do país, dizia que as madraçais eram apenas parte do “sistema de assistência social aos pobres”. Depois dos atentados, a pressão internacional forçou-o a uma revisão. Musharraf colocou muitas das escolas islâmicas sob vigilância. Isso não impediu o conflito de julho de 2007 entre alunos de uma madraçal de Islamabad e as forças de segurança do país.

 
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7. O que ocorreu na Mesquita Vermelha de Islamabad?

O confronto no templo começou depois que cerca de 120 estudantes fundamentalistas das madraçais atacaram o posto de segurança de um edifício do governo próximo à Mesquita Vermelha, seqüestrando policiais e roubando armas. As forças de segurança foram acionadas e deram início ao confronto, lançando bombas de gás lacrimogêneo. Depois de uma semana de cerco ao complexo, o local foi invadido. Dezenas de pessoas morreram.

 
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8. Quais são os objetivos desses estudantes radicais de Islamabad?

Os estudantes fundamentalistas das madraçais da Mesquita Vermelha tentam impor as regras sociais dos radicais do Talibã no Paquistão. Para isso, seqüestram pessoas que teriam cometido atos contra o Islã.

 
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9. Qual foi a reação do governo paquistanês ao cerco na Mesquita Vermelha?

O presidente Pervez Musharraf afirmou que irá erradicar o terrorismo e o extremismo no país. "Infelizmente, tivemos que enfrentar o nosso próprio povo", lamentou. "Eles se desviaram do bom caminho e ficaram suscetíveis ao terrorismo." Musharraf pediu às escolas religiosas que "ensinem os valores verdadeiros do Islã e tirem o extremismo das mentes de seus estudantes".

 
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10. Todos os estudantes das madraçais tornam-se militantes radicais?

Não, nem todas são formadoras de fanáticos -- e nem todos os alunos formados nesses locais atendem ao apelo para se alistarem nas milícias. A maioria dos alunos pobres, embora submetidos a um sistema de lavagem cerebral para livrá-los de “todas as más influências ocidentais”, sai das escolas para disputar empregos comuns no governo do Paquistão. Eles estudam as leis islâmicas, medicina e até administração pública.

 
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11. Como são as instalações e as aulas das madraçais?

Até duas centenas de alunos ocupam meia dúzia de dormitórios e se ajeitam em ralos cobertores de lã espalhados sobre o chão de concreto. O currículo é quase totalmente islâmico: o Corão, gramática árabe para ler o Corão e história do Islã e, para variar, matemática.

 
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12. Que tipo de aluno se matricula nessas escolas islâmicas?

Os alunos das madraçais do Paquistão formam entre os jovens mais pobres do país. Pais ricos, de classe média ou remediados não mandam os filhos para as madraçais. Elas são mesmo o último recurso de um jovem depauperado de um país islâmico. Muitos se internam apenas pela comida, que é frugal mas nunca falta. Os alunos passam de oito a nove anos vivendo em suas instalações.

 
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13. Por que as autoridades não conseguem regulamentar as atividades das escolas?

A maior dificuldade em controlá-las está no fato de que as escolas são independentes. Não podem ser vendidas, porque foram construídas e são mantidas com dinheiro doado a título de caridade. Como formam os fiscais do cumprimento da “charia”, o código de princípios morais e legais do Islã, são muito poderosas. Depois do 11 de Setembro, o presidente Musharraf, numa tentativa de torná-las mais ecléticas, ofereceu nomear professores de química, matemática e geografia para as 7.000 escolas. Só 700 aceitaram a oferta.

 
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