Doping nas Olimpíadas
A cada quatro
anos, o mundo volta suas atenções para as
quadras, pistas, campos e piscinas durante
a disputa dos Jogos Olímpicos. Nas últimas
edições do evento, contudo, os holofotes se
voltaram também para os laboratórios e tribunais,
em função dos vários escândalos de uso de
substâncias proibidas pelos atletas. O doping
é uma das principais preocupações dos organizadores
dos Jogos de Pequim, que começam em agosto.
O Comitê Olímpico Internacional (COI) avisa
que o combate à prática ilegal nos Jogos será
o mais rígido da história. A preocupação se
justifica: o mundo do esporteo registrou numerosos
escândalos de doping nos últimos anos. No
Brasil, por exemplo, ganhou destaque o caso
da nadadora Rebeca Gusmão, que foi desclassificada
da disputa dos Jogos. Saiba como é feito o
controle de doping e quais substâncias estão
na lista do COI.
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1.
Qual é a definição de doping no mundo esportivo?
Considera-se doping, na definição
oficial dos comitês e federações
esportivas, a utilização de substâncias
ou métodos capazes de aumentar artificialmente
o desempenho esportivo, sejam eles potencialmente
prejudiciais à saúde do atleta, à
saúde de seus adversários ou contrários
ao espírito da competição.
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2.
Quais serão as regras para os exames em Pequim?
As regras estão descritas num documento
do COI divulgado em abril. Elas valem dos dias 27
de julho (abertura da Vila Olímpica) até
24 de agosto (data da cerimônia de encerramento).
As principais normas são:
- Todos os atletas estão sujeitos aos testes,
e sem aviso prévio;
- O não-comparecimento aos testes em duas
ocasiões separadas durante os Jogos (ou
em uma ocasião nos Jogos e outra em até
18 meses após) será considerada
violação das regras antidoping;
- A posse de qualquer substância proibida
da lista será considerada violação
das regras;
- Os testes também poderão ser aplicados
em ocasiões anteriores às competições,
como os treinos.
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3.
Houve mudanças em relação aos Jogos de Atenas?
A principal mudança é o aumento do
número de testes realizados. Em 2008 serão
realizados 4.500 (cinco primeiros colocados de cada
prova, mais dois testes aleatórios). O número
é 25% maior do que o registrado em 2004 (3.600
no total) e 90% maior do que os exames realizados
na Olimpíadas de 2000, em Sydney. O COI informou
também que os testes deste ano serão
mais avançados. Por precaução,
contudo, o comitê não divulgou mais
detalhes das mudanças. Em Atenas, a posse
de apenas algumas substâncias específicas
era considerada violação das regras.
Já neste ano, a posse de qualquer substância
que esteja listada é ato ilícito.
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4.
Quando são feitos os exames? Quem os realiza?
Os exames são feitos pelo COI, em cooperação com
a Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em
inglês) e o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos
de Pequim (Bocog, na sigla em inglês). Os atletas
poderão ser selecionados para fazer o teste em qualquer
momento, em qualquer local (na Vila Olímpica ou
fora dela), antes ou depois de uma competição.
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5.
Como são feitos os testes entre os competidores?
A partir de amostras de urina ou sangue do atleta.
Os exames de urina são normalmente usados
para detectar tipos de hormônios sintéticos
que melhoram a performance esportiva. Já
os testes de sangue são adotados para a detecção
de outros tipos de substâncias proibidas.
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6.
Os exames são feitos somente quando há suspeitas?
Não. A seleção dos atletas
é aleatória, não determinada
por possíveis suspeitas. Existe o controle
em competição, realizado imediatamente
após o término de uma prova, e o controle
fora de competição, que pode ser efetuado
a qualquer momento fora do período dos Jogos.
As drogas controladas nos dois tipos de testes não
são as mesmas. O exame em competição
inclui todas as classes de substâncias e métodos
proibidos. Já os testes que são feitos
fora das competições são mais
específicos e incluem apenas algumas substâncias,
como os anabolizantes. Existe um terceiro tipo de
teste, realizado imediatamente antes de uma competição,
que é característico do ciclismo e
de alguns esportes de inverno, como o esqui e a
patinação. Esse tipo de controle é
feito com exame de sangue.
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7.
Quais tipos de drogas são mais usadas pelos atletas?
Registros do Comitê Olímpico Brasileiro
(COB) mostram quais eram as substâncias mais
consumidas em escala mundial em 2005. Atualmente
as porcentagens podem ser diferentes. As principais
substâncias usadas pelos atletas, porém,
continuam as mesmas. O levantamento analisou os
casos de 139.836 atletas. Desse total, 2.958 tiveram
resultados positivos para doping:
- 43,4% usaram anabolizantes;
- 14,2%, beta-2 agonistas (que aumenta a massa
muscular e diminui a gordura);
- 11,8%, estimulantes;
- 11,7%, canabinóides (alucinógenos
ou depressores, como a maconha)
- 7,6%, glucocorticosteróides (que garantem
reserva energética e ajudam a equilibrar
os níveis psíquicos e físicos
dos atletas)
- 5,7%, diuréticos e outros agentes mascarantes;
- 3,8%, hormônios;
- 1,8%, outros.
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8.
E no caso do hipismo, há exames para os cavalos?
Sim, já que os animais também podem
ser dopados com substâncias estimulantes.
Um dos casos mais conhecidos aconteceu em Atenas,
em 2004. O irlandês Cian O'Connor ganhou o
ouro no concurso individual de hipismo. O exame
de seu cavalo, Waterford Crystal, acusou uso de
uma substância proibida. Com isso, a medalha
de ouro ficou com o brasileiro Rodrigo Pessoa, que
havia terminado a prova em segundo lugar.
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9.
Quais cuidados o atleta deve tomar antes dos Jogos?
Conforme o COB, a maioria dos produtos denominados
suplementos alimentares não tem segurança
garantida – portanto, não deveriam ser usados.
Um estudo realizado pelo Laboratório de Controle
de Doping de Colônia, na Alemanha, mostrou
que alguns desses produtos não apenas não
contêm o que deveriam conter como também
podem possuir em sua formulação precursores
de hormônios e testosterona. Isso pode resultar
em reprovação no exame antidoping.
Por isso, atletas de alto rendimento devem apenas
utilizar produtos tradicionais, preferencialmente
testados previamente. Produtos medicinais, por exemplo,
oferecem riscos, já que podem esconder substâncias
que aparecem na lista de itens proibidos pelo COI.
Além disso, de acordo com as regras do comitê,
é um dever do atleta informar ao seu médico
pessoal ou farmacêutico sobre o consumo de
quaisquer medicamentos, de forma a evitar possíveis
punições.
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10.
E os que tomam remédios contra doenças crônicas?
Atletas hipertensos, por exemplo, muitas vezes
não podem ficar sem diuréticos. Da
mesma forma, atletas com diabetes precisam continuar
usando insulina, e os asmáticos também
não podem dispensar o uso de seus medicamentos.
Nesses casos, é preciso avisar sua confederação
para solicitar uma permissão especial, que
poderá ser concedida após a análise
do diagnóstico e da indicação
de um determinado medicamento.
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11.
Quais são as substâncias proibidas nas Olimpíadas?
Há uma lista extensa de substâncias
que não podem ser usadas pelos atletas olímpicos.
Para orientar esse controle, definindo o que pode
ou não ser usado pelos atletas, a Wada publica
todos os anos em seu site (www.wada-ama.org)
a lista completa de drogas e métodos proibidos.
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12.
Quais são as punições para um atleta que é flagrado?
As conseqüências previstas pelas normas
do COI são:
- Desqualificação: o atleta
perde o lugar conquistado na prova que disputou
dopado; ele fica sem as medalhas, os pontos e
eventuais prêmios.
- Inelegibilidade: o atleta fica barrado
por um período determinado de participar
de qualquer competição.
- Suspensão provisória: o
atleta fica barrado temporariamente de participar
de qualquer competição. Esse período
vale até a decisão final do julgamento
sobre o caso. Em caso de condenação,
o prazo pode ser prorrogado.
Além da punição por parte
do comitê organizador, cada país pode
punir seus atletas de acordo com as próprias
legislações e regras esportivas.
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13.
As drogas avançaram bastante. Os testes também?
Ao anunciar as regras antidoping para os Jogos
de Pequim, o alemão Thomas Bach, vice-presidente
do COI, reconheceu que o avanço das drogas
é muito grande. Bach, no entanto, preferiu
manter sigilo sobre as novas técnicas de
combate ao problema. "Nós reagimos a isso",
limitou-se a dizer na ocasião.
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14.
Quais foram os casos mais famosos em Olimpíadas?
O episódio mais marcante foi protagonizado
pelo velocista canadense Ben Johnson. Ele foi recordista
mundial nos 100 metros rasos em Seul, em 1988, mas
teve a medalha cassada depois da descoberta de uso
de anabolizantes. Outro caso famoso foi o da americana
Marion Jones, que ganhou cinco medalhas em Sydney-2000.
Os três ouros e dois bronzes foram retirados
depois que ela admitiu ter competido dopada. A velocista
ainda foi condenada a seis meses de prisão
pela Justiça dos EUA. Entre os brasileiros
não há casos de atletas flagrados
nas Olimpíadas; Rebeca Gusmão, protagonista
do episódio mais recente no país,
foi flagrada nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no
Rio de Janeiro. Está suspensa por dois anos.
Outro atleta que perderá a chance de disputar
os Jogos é um nadador chinês, Ouyang
Kunpeng. Flagrado no início de maio, foi
banido para sempre das piscinas.
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