| Junho de 2007
Separação e divórcio
O juiz já homologou a separação? Ela é consensual
ou litigiosa? Palavras assim entram no vocabulário
de quem chega ao fim de um casamento. A seguir,
um manual com providências básicas para enfrentar
essa batalha.
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1.
Como escolher o advogado que cuidará do processo?
O advogado que cuida dos negócios do seu marido
não serve para fazer a separação.
O ideal é contratar um representante exclusivo
e, de preferência, especializado na área
de família. Profissionais experientes aconselham
que a primeira conversa com o advogado aconteça
antes mesmo de comunicar a separação ao
marido, se a iniciativa for da mulher, para ter uma
idéia bem clara do que vem pela frente e receber
instruções sobre a melhor maneira de agir.
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2.
Como esse profissional é remunerado pelo serviço?
Separar-se custa caro. O mínimo que um advogado
cobra é 6% sobre o valor real dos bens recebidos
pelo cliente. Em divórcios de casais de classe
média alta, isso gira em torno de 6.000 a 12.000
reais. "O valor deve ser acertado assim que o profissional
for contratado, por escrito", diz Renata di Pierro,
especializada em direito de família. É
comum serem cobradas taxas extras à medida que
o processo vai se complicando. Quem não puder
arcar com os custos pode contar com assistência
judiciária gratuita, uma vez comprovado que não
tem recursos. A Justiça também cobra suas
taxas: em média, 15% sobre o valor atribuído
à causa. Há mais impostos a pagar nos
casos de partilha de imóveis.
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3.
Quais papéis são necessários para
entrar com a ação?
Os documentos necessários para a separação
são certidão de casamento, pacto pré-nupcial
(se houver), certidão de nascimento dos filhos,
comprovação da existência dos imóveis
e de seus valores. Quando o processo não é
amigável, acrescentam-se provas de má
conduta do outro que justifiquem o pedido de separação,
como boletins de ocorrência, exames de corpo de
delito, fotos, gravações, atestados médicos
e e-mails agressivos.
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4.
Como agir quando as partes concordam com a separação?
É a chamada separação consensual.
Em tese, é muito mais simples. Se o casamento
foi há mais de um ano (tempo mínimo para
o primeiro passo, que é o pedido de separação)
ou se o casal está efetivamente separado há
no mínimo dois anos (quando se entra com o pedido
de divórcio, propriamente), e se ele e ela concordam
que não dá mais para ficar juntos, o processo
anda com muito mais facilidade. Pode se acelerar se,
além disso, o casal vai para a Justiça
em perfeito acordo sobre partilha dos bens, visita aos
filhos, pensão e que sobrenome manter. Com isso
em mãos, o advogado deve redigir um documento
chamado petição de acordo e encaminhá-lo
ao juiz. Caso este não veja nenhum impedimento,
a separação ou, se ela já existir,
o divórcio pode ter aprovação no
mesmo dia.
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5.
O que fazer quando um dos dois discorda do rompimento?
Bater a porta e não voltar mais está
totalmente fora de cogitação se o futuro
ex-marido for contra a separação. Ele
pode alegar que houve abandono do lar. Obviamente, em
caso de motivo forte como maus-tratos ou adultério,
de preferência devidamente comprovados ,
não há alternativa. Se for apenas uma
situação em que é difícil
aturar a convivência, o ideal é solicitar
ao juiz, por meio do advogado, uma providência
chamada medida cautelar de separação de
corpos, em que tanto morar juntos quanto fidelidade
deixam de ser deveres dos dois.
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6.
Como funcionam as separações em que há
disputa no casal?
Quando um dos dois não aceita a separação
ou quando não se chega a um acordo sobre, digamos,
quem tem direito a quê, dá-se a separação
litigiosa. Ou seja, o ex-casal, através dos respectivos
advogados, vai brigar perante o juiz por condições
justas para a vida pós-separação.
O divórcio litigioso só pode ser encaminhado
depois que a separação de fato completar
dois anos. Enquanto isso, o advogado solicita ao juiz
que estabeleça a pensão, a guarda dos
filhos e o direito de visitas de maneira provisória.
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7.
Sob quais circunstâncias é possível
pedir a separação?
Agressões físicas ou morais, abandono
de lar, atividades criminosas, ociosidade, alcoolismo,
tudo isso é motivo para requerer uma separação
mesmo que ele (ou ela, claro, na situação
inversa) não queira. Nesses casos, o processo
de separação pode começar antes
mesmo da separação de corpos. Pensão
e guarda também serão definidas, provisoriamente,
pelo juiz.
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8.
Como é calculada a pensão alimentícia
paga nos divórcios?
Ao contrário do que o nome diz, a pensão
não é apenas referente ao valor da nota
fiscal do supermercado. Ela abrange a soma de dinheiro
de que a mulher precisa para manter o mesmo padrão
de vida que tinha durante o casamento. Isso inclui desde
despesas com saúde e moradia até gastos
com restaurantes, academia de ginástica e viagens
ao exterior. Se a pessoa que requer a pensão
(o homem ou a mulher) apresentar documentos que comprovem
seu padrão de vida anterior (valem desde a conta
de luz até fotos das viagens internacionais)
e conseguir provar que não pode arcar com tantas
despesas e, principalmente, que o outro tem condições
de pagar, terá direito à pensão.
Para o estabelecimento do valor da pensão dos
filhos, as regras são as mesmas. Em geral, a
pensão fixada é de um terço dos
rendimentos do ex.
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9.
Em quais casos a mulher não tem direito à
pensão alimentícia?
Mulheres jovens que estejam fora do mercado de trabalho
têm direito a uma pensão temporária,
em geral de um a três anos. "As que trabalham
e têm rendimentos compatíveis com seu padrão
de vida não recebem pensão", diz
Priscila Corrêa da Fonseca, doutora em direito
processual civil pela Faculdade de Direito da USP.
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10.
Quem fica com o apartamento no caso de uma separação?
A partilha dos bens depende do regime adotado na ocasião
do casamento. São eles:
Separação de bens Cada
um tem controle pleno sobre o patrimônio adquirido
antes ou depois do casamento. O mesmo vale para as dívidas.
Comunhão universal Todos os bens,
mesmo os existentes antes do casamento, pertencem aos
dois e devem ser divididos meio a meio.
Comunhão parcial Só o patrimônio
adquirido depois do casamento será dividido,
meio a meio.
Participação por aqüestos
O novo Código Civil permite que o patrimônio
constituído durante o casamento seja dividido
conforme a contribuição que cada um deu
para sua formação daí o
nome complicado. Exemplo: se na compra do apartamento
a mulher contribuiu com o equivalente a um terço
do valor, terá direito a um terço da propriedade
na hora da separação. O novo código
também estabelece que o regime de bens pode ser
alterado a qualquer momento, durante o casamento, desde
que sejam apresentadas justificativas razoáveis
a um juiz.
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11.
Como é possível garantir a segurança
dos bens na separação?
Para assegurar que, durante o processo de separação,
seu ex-marido não venda os bens que estão
em seu nome (e que não dependam da assinatura
da mulher) nem os transfira para terceiros, o advogado
pode pedir o arrolamento, ou seja, uma listagem de tudo
o que o casal possui, inclusive nas contas bancárias.
Os bens são então bloqueados, até
que se resolva a pendenga da separação.
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12.
Como acontece a decisão sobre a guarda dos filhos
do casal?
Quando o casal não consegue chegar a um acordo,
a decisão é exclusivamente do juiz, que
levará em conta o bem-estar das crianças
ao determinar com quem devem ficar e qual será
a freqüência das visitas. Por bem-estar entende-se
que quem vai ficar com os filhos deve ter equilíbrio
emocional e espaço físico suficiente para
abrigá-los. Se houver registro de distúrbios
psicológicos, alcoolismo ou maus-tratos de uma
das partes, a guarda será obrigatoriamente do
outro. "Cabe ao juiz decidir se quer ou não
ouvir a criança, seja diretamente, seja por meio
de laudos psicológicos ou de assistentes sociais",
diz Rolf Madaleno, advogado e professor de direito de
família da Universidade de Santa Cruz do Sul,
no Rio Grande do Sul.
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13.
Como fica o sobrenome do cônjuge depois de uma
separação?
A mulher que adotou o sobrenome do marido pode optar
por mantê-lo ou não depois da separação,
a não ser que no processo ela seja acusada de
atos impróprios. Se comprovados, ela volta obrigatoriamente
a ter o sobrenome de solteira. Caso o marido não
queira que a ex tenha seu sobrenome, ele é quem
tem de tomar a iniciativa de requisitar a mudança.
Ela ainda pode vencer a "causa" se comprovar,
por exemplo, que a mudança de sobrenome afetará
sua carreira profissional.
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14.
Como funciona a separação de casais que
não formalizaram a união?
Quem não casou "de papel passado"
tem a vantagem de poder encerrar informalmente a união.
No entanto, em relações duradouras em
que há bens e filhos em comum, se o casal não
se separar por mútuo acordo terá também
de apelar para a Justiça, como em um casamento
formal. A principal diferença é que, antes
de começar o processo de separação,
é preciso comprovar a existência da união
através de uma iniciativa chamada ação
de reconhecimento e dissolução de união
estável. Para a divisão de bens, vale
em geral o regime de comunhão parcial.
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15.
Em média, em quanto tempo um divórcio
é oficializado pela Justiça?
Em separações litigiosas, o processo
pode arrastar-se por anos às vezes, dura
mais que o próprio casamento. Em uma primeira
audiência, o juiz ouve as duas partes para tentar
uma reaproximação. A partir daí,
começa a correr o processo de separação,
com apresentação das defesas e provas,
audiências de instrução e julgamento,
até que se chegue a um acordo ou que o juiz resolva
oficializar a separação.
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16.
Qual é a diferença entre separação
e divórcio sob o aspecto jurídico?
A separação não dá o direito
de casar novamente no civil. Para isso, é preciso
passar pelo divórcio, em que uma decisão
judicial formaliza o término do casamento. Ele
pode ser solicitado um ano depois da separação
judicial ou pode ocorrer diretamente, depois de dois
anos em que o casal não vive mais junto. Durante
o processo de divórcio, é obrigatória
a partilha de bens, o que não ocorre durante
a separação judicial.
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17.
Quando um cônjuge perde o direito de receber pensão
alimentícia?
Só um novo casamento ou uma união estável
podem permitir o fim do direito de pensão estabelecida
para a ex-mulher. Com isso, a lei supõe que o
novo companheiro contribua para o seu sustento.
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18.
O que muda quando um dos pais inicia outro casamento
ou união estável?
O fato de o ex ter um novo relacionamento não
implica mudanças na guarda ou no direito de visitas
aos filhos, desde que se mantenha o que se entende por
um ambiente saudável para as crianças.
Novo casamento tampouco muda o valor da pensão.
No entanto, se ele tiver filhos com a nova mulher, aí
sim pode pedir uma revisão do valor da pensão,
já que agora tem duas famílias para sustentar.
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