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Março de 2008
Dengue

AFP


Em 2008, um antigo problema voltou a assustar a população brasileira: a dengue - revelando mais uma vez a miséria da realidade da saúde pública nacional. O Rio de Janeiro foi a cidade mais atingida, com milhares de pessoas infectadas e dezenas de vítimas fatais. Sim, a dengue mata. Por isso, todos os cuidados devem ser tomados. O combate ao mosquito transmissor é a principal arma contra a doença, já que ainda não existe vacina. O tratamento deve ser iniciado rapidamente, assim que detectados os primeiros sintomas: consiste em acompanhamento por parte de especialista e medicação. Confira a seguir informações sobre a doença e as formas de contaminação.


> A doença > Quadro: sintomas
A DOENÇA
 
1. O que é dengue?
2. Como a doença é transmitida?
3. Como identificar o mosquito transmissor?
4. Quais são os sintomas da doença?
5. Como os médicos identificam e tratam a doença?
6. Por que o diagnóstico correto demora em alguns casos?
7. Que remédios devem ser evitados em caso de suspeita de dengue?
8. Quem já contraiu a doença uma vez torna-se imune?
9. O que é dengue hemorrágica?
10. Qual o tratamento para a dengue hemorrágica?
11. Afinal, por que a dengue mata?
 

1. O que é dengue?

É uma doença infecciosa provocada por um vírus transmitido ao homem pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dengue já é endêmica em mais de 100 países da África, Américas e Ásia. O órgão estima que entre 50 e 100 milhões de pessoas sejam infectadas a cada ano no mundo todo. O vírus é subdivido nos tipos 1, 2, 3 e 4, sendo que a presença do último ainda não foi registrada no Brasil. O mais virulento, aquele que se multiplica mais depressa no organismo, é o do tipo 3. O tipo 1 é o mais explosivo, causa grandes epidemias em pouco tempo. Todos eles podem provocar o desenvolvimento da dengue tradicional e também a hemorrágica, que pode ser fatal. Acredita-se que a dengue tenha chegado ao Brasil no século XVIII, com as embarcações que transportavam os escravos trazidos da África.

 
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2. Como a doença é transmitida?

Além do Aedes aegypti, o mosquito Aedes albopicutus também pode espalhar o vírus, o que é pouco comum, já que ele não freqüenta ambientes domésticos como o aegypti. A doença é transmitida apenas pela fêmea do mosquito, que se alimenta de sangue para amadurecer seus ovos. A partir do momento em que pica um humano infectado, ela adquire o vírus e se torna uma fonte de contaminação permanente, transmitindo a todos que picar durante a vida - que dura cerca de 30 dias. Não existe transmissão pelo contato direto entre pessoas, por secreções, fontes de água ou alimentos. Casos de transmissão congênita são extremamente raros.

 
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3. Como identificar o mosquito transmissor?

O Aedes aegypti é semelhante a um pernilongo comum. As características que o diferenciam são o corpo escuro - cor café ou preto - rajado de listras brancas. É encontrado principalmente dentro das casas, debaixo de mesas, cadeiras e armários.

 
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4. Quais são os sintomas da doença?

Os principais sintomas são febre alta, geralmente com início súbito, dores musculares e nas articulações, dores de cabeça e também na região dos olhos, garganta e barriga. Fraqueza, náuseas, vômito, diarréia e vermelhidão na pele também são freqüentes. A presença e a intensidade dos sintomas variam de acordo com idade da pessoa infectada, sendo que podem ser mais amenos nas crianças - assim mesmo, eles podem se agravar com o tempo. Condições específicas, como a existência de um quadro anterior da doença, hipertensão arterial, diabetes, asma e outras doenças respiratórias crônicas, além de idade avançada, favorecem a evolução do quadro. Por outro lado, nem todas as pessoas infectadas irão apresentam os sinais. Em outros casos, eles se assemelham aos de uma gripe comum. Veja quadro.

 
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5. Como os médicos identificam
e tratam a doença?

Os médicos utilizam três exames. O primeiro, conhecido como "prova do laço", é simples e pode ser feito em consultório. Com uma caneta, o médico desenha um quadrado de 2,5 centímetros no braço do paciente. Depois de prender sua circulação, verifica quantos pontos vermelhos aparecem dentro deste quadrado - a concentração indicará a eventual presença da doença. Os outros dois exames, uma sorologia e um hemograma, são feitos em laboratório a partir de uma amostra de sangue. Não há medicação específica para a dengue. O tratamento prevê repouso, hidratação oral ou venosa, medicação contra os sintomas, manutenção da circulação sangüínea e observação, para avaliar a regressão do quadro. Enquanto isso, o próprio sistema imunológico é encarregado de destruir o vírus, como em toda a virose.

 
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6. Por que o diagnóstico correto
demora em alguns casos?

Existe a possibilidade de os médicos confundirem os sintomas com os de uma virose normal, já que eles não são padronizados e variam em cada organismo. Como os sinais podem se apresentar mais amenos nas crianças, é maior a possibilidade de que, justamente nelas, a dengue passe despercebida em uma consulta, disfarçada de gripe comum. Por isso, é importante exigir que, a qualquer suspeita de dengue, os exames sejam realizados.

 
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7. Que remédios devem ser evitados
em caso de suspeita de dengue?

Os medicamentos que contenham ácido acetilsalicílico, como AAS, Aspirina e Melhoral. O composto tem efeito anticoagulante, ou seja, diminui a ação das plaquetas, que têm a função de bloquear hemorragias. Combinado a um quadro de dengue, aumenta o risco de sangramentos.

 
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8. Quem já contraiu a doença uma
vez torna-se imune?

Até hoje, foram identificados quatro tipos de vírus da dengue, e as pessoas tornam-se imunes apenas ao sorotipo já contraído. Ou seja, quem já foi contaminado pelo tipo 1, só pode pegar os tipos 2, 3 e 4 (vale lembrar que este último ainda não foi encontrado no Brasil). Nem sempre é possível saber se alguém é imune a algum dos tipos, já que a dengue pode se apresentar como uma infecção subclínica, ou seja, sem sintomas. Pesquisas mostram ainda que infecções subseqüentes aumentam o risco de desenvolver um quadro severo da doença, principalmente a dengue hemorrágica.

 
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9. O que é dengue hemorrágica?

A dengue hemorrágica se manifesta por uma piora repentina no estado geral do paciente, com aparição e retorno da febre em níveis altos. Assim que a febre regride, o quadro piora, com cólicas abdominais e hemorragias, que podem variar desde manchas avermelhadas na pele até sangramentos na gengiva e presença de sangue no vômito. Os casos mais graves levam o paciente a um quadro de falência circulatória e perda súbita de temperatura, seguido por estado de choque e, então, morte. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os primeiros casos de febre hemorrágica foram registrados em 1950, durante epidemias de dengue na Tailândia e nas Filipinas, sendo que depois a complicação se espalhou por vários continentes. O diagnóstico precoce e o acompanhamento são essenciais para garantir a sobrevivência. Veja quadro.

 
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10. Qual o tratamento para a dengue hemorrágica?

Se a suspeita de dengue clássica pede um diagnóstico rápido, sinais de dengue hemorrágica exigem tratamento imediato. O fato da febre passar não significa que o paciente está curado. A observação deve ser cuidadosa, e a reidratação pode ser feita em nível ambulatorial, por via venosa. Segundo a Organização Mundial da Saúde, sem tratamento apropriado, a taxa de mortalidade por dengue hemorrágica pode atingir 20%. Com tratamento adequado e intensivo, este índice pode baixar a 1% - recomendado pela OMS. Após obter alta, o paciente deve continuar a ingerir muito líquido (de preferência água e sucos naturais, evitando bebidas industrializadas) e o repouso deve ser estendido por mais uma semana.

 
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11. Afinal, por que a dengue mata?

Existe mais de uma forma de responder a esta pergunta - e nem todas são clínicas. Podem morrer de dengue pessoas que não encontram tratamento em hospitais superlotados, recebem um diagnóstico errado ou não fazem idéia de que a doença pode ser fatal, deixando de procurar auxílio médico. Também existe uma resposta médica. O quadro de distúrbios no sistema circulatório que a dengue hemorrágica desencadeia pode levar o paciente a morte entre 12 a 24 horas. A causa não são as hemorragias, mas sim o quadro de choque instalado pela queda da pressão arterial e a falência circulatória.

 
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CONTAMINAÇÃO E COMBATE
 
1. Por que ainda não existe vacina contra a dengue?
2. Há diferença entre a picada de um Aedes e a de um mosquito comum?
3. Como combater a proliferação do mosquito?
4. Há como evitar a contaminação?
5. O Rio vive uma epidemia de dengue?
6. A cidade já havia vivido essa situação?
7. Qual o panorama da dengue no país?
8. Que medidas deveriam ter sido tomadas para evitar a situação atual?
 

1. Por que ainda não existe vacina
contra a dengue?

A principal razão é a existência de quatro vírus diferentes, os tipos 1, 2, 3 e 4, o que dificulta o trabalho. Não adianta disponibilizar uma vacina para apenas o tipo 1 da doença, por exemplo. Isso porque, se a pessoa vacinada contraísse um outro tipo do vírus, poderia ter um quadro ainda mais severo, como acontece nas infecções subseqüentes. Assim, a vacina deve imunizar o organismo contra os quatro tipos de uma só vez - e aí está o grande desafio para a ciência. No Brasil, as principais instituições que trabalham no desenvolvimento da vacina são o Instituto Butantan, em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, e a Fundação Oswaldo Cruz.

 
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2. Há diferença entre a picada de um Aedes
e a de um mosquito comum?

Não. A sensação de incômodo e coceira provocada pela picada é semelhante à de qualquer mosquito. A diferença entre os dois é que o mosquito comum costuma picar as pessoas durante a noite e o Aedes, durante o dia.

 
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3. Como combater a proliferação do mosquito?

A melhor oportunidade para combater o Aedes é durante sua fase larval, e não a adulta. O mosquito põe seus ovos em recipientes artificiais ou naturais que armazenam água, principalmente da chuva, como latas e garrafas vazias, pratos sob vasos de plantas, caixas d'água descobertas, pneus, calhas, bromélias, bambus ou até buracos em árvores. Os ovos não são desovados na lâmina d'água - ficam presos em uma superfície próxima e, quando o nível sobe, eclodem. Seco, um ovo pode sobreviver até um ano. Por isso, não adianta apenas esvaziar os recipientes - os ovos devem ser definitivamente eliminados, o que é feito pelas equipes de combate com produtos químicos. Quanto ao mosquito, o uso em larga escala de inseticidas e o próprio fumacês - carros que circulam pelos bairros borrifando inseticida - podem ajudam no combate.

 
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4. Há como evitar a contaminação?

Mais uma vez, vale frisar: a melhor forma de combater a dengue é atacar o mosquito em sua fase larval, eliminando os focos de reprodução. Algumas medidas ajudam a afastar o inseto em pequenas áreas e a curto prazo. Pode-se usar inseticidas, embora o Aedes se mostre cada vez mais resistente a eles. Os repelentes apenas afastam os mosquitos, mantendo-os vivos. Além disso, por ser um produto químico, deve-se tomar cuidado com a quantidade usada, principalmente em crianças. As velas de andiroba e citronela também afastam o Aedes, mas apenas em ambientes fechados. E já que os mosquitos têm hábitos diurnos, de nada adianta tomar as medidas apenas durante a noite.

 
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5. O Rio vive uma epidemia de dengue?

Sim. Até o dia 24 de março, a cidade já contava 24.772 casos registrados. O índice de mortalidade por dengue hemorrágica atingiu 20%, patamar 20 vezes maior do que o tolerado pela Organização Mundial da Saúde. O próprio ministro da Saúde, José Gomes Temporão, reconheceu o fato, atribuindo o problema à falta de trabalho preventivo.

 
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6. A cidade já havia vivido essa situação?

A cidade enfrenta explosões de casos de dengue desde 1986, quando ocorreu a primeira epidemia, causada pelo vírus de tipo 1. No início da década de 1990, o tipo 2 apareceu no Brasil e, em 1991, o sorotipo foi responsável pela maioria dos 52.231 casos registrados na capital carioca. Durante a epidemia severa de 2002, foram notificados 140.480 casos - naquele ano, o vírus tipo 3 apareceu no país. É justamente esse, o mais perigoso, que continua a predominar no Rio, cidade em que o calor e as chuvas facilitam a proliferação do Aedes.

 
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7. Qual o panorama da dengue no país?

A dengue ocorre, principalmente, entre os meses de janeiro e maio. Em 2007, 79% dos 559.954 casos suspeitos registrados em todo o país datam deste período, segundo o Ministério da Saúde. Também desse total, 1.541 foram confirmados como dengue hemorrágica, doença que matou 158 pessoas no ano passado, resultando numa taxa de mortalidade de 10,2%. Os estados que mais incrementaram as taxas de 2007 foram Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo, Rio e Pernambuco. O número de contaminações e mortes por dengue hemorrágica vem aumentando no país por causa da circulação dos três sorotipos da doença, desde 2002, quanto o tipo 3 foi introduzido no país.

 
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8. Que medidas deveriam ter sido tomadas para evitar a situação atual?

O Aedes aegypti desapareceu no Brasil na década de 1950, depois de um extenso trabalho comandado pela Organização Panamericana de Saúde. Mas essa realidade não foi mantida, e o mosquito voltou a se desenvolver no país. Hoje, considera-se praticamente impossível erradicá-lo, levando em conta o elevado crescimento da população, a ocupação desordenada das áreas urbanas, onde o mosquito se desenvolve, e a falta de infra-estrutura dos grandes centros. Além disso, é fundamental para o combate à dengue que as comunidades sejam conscientizadas e o trabalho das equipes na erradicação dos criadouros, intensificados.

 
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Sintomas da dengue

Os sintomas da variante clássica são os mesmo da hemorrágica: na segunda, porém, novos sinais surgem quando a febre passa.

Dengue Clássica
• Febre alta e súbita
• Forte dor de cabeça
• Dor atrás dos olhos
• Perda de paladar
• Falta de apetite
• Manchas vermelhas na pele
• Náuseas, vômitos e tonturas
• Dores nos ossos e articulações
• Moleza no corpo
• Cansaço extremo

Dengue Hemorrágica
• Dores abdominais, fortes e contínuas
• Vômitos persistentes, com ou sem sangue
• Pele pálida, fria e úmida
• Sangramento pelo nariz, boca e gengivas
• Manchas vermelhas na pele
• Sonolência, agitação e confusão mental
• Sede excessiva e boca seca
• Dificuldade respiratória
• Pulso rápido e fraco
• Perda de consciência

 
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