| Março de 2008 Dengue
AFP
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Em 2008, um antigo problema voltou
a assustar a população brasileira: a dengue - revelando mais uma vez a miséria
da realidade da saúde pública nacional. O Rio de Janeiro foi a cidade mais atingida,
com milhares de pessoas infectadas e dezenas de vítimas fatais. Sim, a dengue
mata. Por isso, todos os cuidados devem ser tomados. O combate ao mosquito transmissor
é a principal arma contra a doença, já que ainda não existe vacina. O tratamento
deve ser iniciado rapidamente, assim que detectados os primeiros sintomas: consiste
em acompanhamento por parte de especialista e medicação. Confira a seguir informações
sobre a doença e as formas de contaminação.
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 | | A
DOENÇA | | | | | |  |
| 1. O que é
dengue? É uma doença infecciosa provocada por um vírus
transmitido ao homem pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dengue já
é endêmica em mais de 100 países da África, Américas
e Ásia. O órgão estima que entre 50 e 100 milhões
de pessoas sejam infectadas a cada ano no mundo todo. O vírus é
subdivido nos tipos 1, 2, 3 e 4, sendo que a presença do último
ainda não foi registrada no Brasil. O mais virulento, aquele que se multiplica
mais depressa no organismo, é o do tipo 3. O tipo 1 é o mais explosivo,
causa grandes epidemias em pouco tempo. Todos eles podem provocar o desenvolvimento
da dengue tradicional e também a hemorrágica, que pode ser fatal.
Acredita-se que a dengue tenha chegado ao Brasil no século XVIII, com as
embarcações que transportavam os escravos trazidos da África. |
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| 2. Como
a doença é transmitida? Além do Aedes aegypti, o mosquito
Aedes albopicutus também pode espalhar o vírus, o que é pouco comum, já
que ele não freqüenta ambientes domésticos como o aegypti. A doença é transmitida
apenas pela fêmea do mosquito, que se alimenta de sangue para amadurecer seus
ovos. A partir do momento em que pica um humano infectado, ela adquire o vírus
e se torna uma fonte de contaminação permanente, transmitindo a todos que picar
durante a vida - que dura cerca de 30 dias. Não existe transmissão pelo contato
direto entre pessoas, por secreções, fontes de água ou alimentos. Casos de transmissão
congênita são extremamente raros. | | | | •
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| 3. Como
identificar o mosquito transmissor? O Aedes aegypti é semelhante
a um pernilongo comum. As características que o diferenciam são o corpo escuro
- cor café ou preto - rajado de listras brancas. É encontrado principalmente dentro
das casas, debaixo de mesas, cadeiras e armários. | | |
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| 4. Quais
são os sintomas da doença? Os principais sintomas são febre alta,
geralmente com início súbito, dores musculares e nas articulações, dores de cabeça
e também na região dos olhos, garganta e barriga. Fraqueza, náuseas, vômito, diarréia
e vermelhidão na pele também são freqüentes. A presença e a intensidade dos sintomas
variam de acordo com idade da pessoa infectada, sendo que podem ser mais amenos
nas crianças - assim mesmo, eles podem se agravar com o tempo. Condições específicas,
como a existência de um quadro anterior da doença, hipertensão arterial, diabetes,
asma e outras doenças respiratórias crônicas, além de idade avançada, favorecem
a evolução do quadro. Por outro lado, nem todas as pessoas infectadas irão apresentam
os sinais. Em outros casos, eles se assemelham aos de uma gripe comum. Veja
quadro. | | | | •
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| 5. Como
os médicos identificam e tratam a doença? Os médicos utilizam
três exames. O primeiro, conhecido como "prova do laço", é simples e pode ser
feito em consultório. Com uma caneta, o médico desenha um quadrado de 2,5 centímetros
no braço do paciente. Depois de prender sua circulação, verifica quantos pontos
vermelhos aparecem dentro deste quadrado - a concentração indicará a eventual
presença da doença. Os outros dois exames, uma sorologia e um hemograma, são feitos
em laboratório a partir de uma amostra de sangue. Não há medicação específica
para a dengue. O tratamento prevê repouso, hidratação oral ou venosa, medicação
contra os sintomas, manutenção da circulação sangüínea e observação, para avaliar
a regressão do quadro. Enquanto isso, o próprio sistema imunológico é encarregado
de destruir o vírus, como em toda a virose. | | |
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| 6. Por
que o diagnóstico correto demora em alguns casos? Existe a possibilidade
de os médicos confundirem os sintomas com os de uma virose normal, já que eles
não são padronizados e variam em cada organismo. Como os sinais podem se apresentar
mais amenos nas crianças, é maior a possibilidade de que, justamente nelas, a
dengue passe despercebida em uma consulta, disfarçada de gripe comum. Por isso,
é importante exigir que, a qualquer suspeita de dengue, os exames sejam realizados. |
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| 7. Que
remédios devem ser evitados em caso de suspeita de dengue?
Os medicamentos que contenham ácido acetilsalicílico, como AAS, Aspirina e Melhoral.
O composto tem efeito anticoagulante, ou seja, diminui a ação das plaquetas, que
têm a função de bloquear hemorragias. Combinado a um quadro de dengue, aumenta
o risco de sangramentos. | | | | •
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| 8. Quem
já contraiu a doença uma vez torna-se imune? Até hoje, foram
identificados quatro tipos de vírus da dengue, e as pessoas tornam-se imunes apenas
ao sorotipo já contraído. Ou seja, quem já foi contaminado pelo tipo 1, só pode
pegar os tipos 2, 3 e 4 (vale lembrar que este último ainda não foi encontrado
no Brasil). Nem sempre é possível saber se alguém é imune a algum dos tipos, já
que a dengue pode se apresentar como uma infecção subclínica, ou seja, sem sintomas.
Pesquisas mostram ainda que infecções subseqüentes aumentam o risco de desenvolver
um quadro severo da doença, principalmente a dengue hemorrágica. |
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| 9. O
que é dengue hemorrágica? A dengue hemorrágica se manifesta por
uma piora repentina no estado geral do paciente, com aparição e retorno da febre
em níveis altos. Assim que a febre regride, o quadro piora, com cólicas abdominais
e hemorragias, que podem variar desde manchas avermelhadas na pele até sangramentos
na gengiva e presença de sangue no vômito. Os casos mais graves levam o paciente
a um quadro de falência circulatória e perda súbita de temperatura, seguido por
estado de choque e, então, morte. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os primeiros
casos de febre hemorrágica foram registrados em 1950, durante epidemias de dengue
na Tailândia e nas Filipinas, sendo que depois a complicação se espalhou por vários
continentes. O diagnóstico precoce e o acompanhamento são essenciais para garantir
a sobrevivência. Veja quadro. | | |
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| 10.
Qual o tratamento para a dengue hemorrágica? Se a suspeita de dengue
clássica pede um diagnóstico rápido, sinais de dengue hemorrágica exigem tratamento
imediato. O fato da febre passar não significa que o paciente está curado. A observação
deve ser cuidadosa, e a reidratação pode ser feita em nível ambulatorial, por
via venosa. Segundo a Organização Mundial da Saúde, sem tratamento apropriado,
a taxa de mortalidade por dengue hemorrágica pode atingir 20%. Com tratamento
adequado e intensivo, este índice pode baixar a 1% - recomendado pela OMS. Após
obter alta, o paciente deve continuar a ingerir muito líquido (de preferência
água e sucos naturais, evitando bebidas industrializadas) e o repouso deve ser
estendido por mais uma semana. | | | | •
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| 11.
Afinal, por que a dengue mata? Existe mais de uma forma de responder
a esta pergunta - e nem todas são clínicas. Podem morrer de dengue pessoas que
não encontram tratamento em hospitais superlotados, recebem um diagnóstico errado
ou não fazem idéia de que a doença pode ser fatal, deixando de procurar auxílio
médico. Também existe uma resposta médica. O quadro de distúrbios no sistema circulatório
que a dengue hemorrágica desencadeia pode levar o paciente a morte entre 12 a
24 horas. A causa não são as hemorragias, mas sim o quadro de choque instalado
pela queda da pressão arterial e a falência circulatória. | | |
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| CONTAMINAÇÃO
E COMBATE | | | |  |
| 1. Por que
ainda não existe vacina contra a dengue? A principal razão é
a existência de quatro vírus diferentes, os tipos 1, 2, 3 e 4, o que dificulta
o trabalho. Não adianta disponibilizar uma vacina para apenas o tipo 1 da doença,
por exemplo. Isso porque, se a pessoa vacinada contraísse um outro tipo do vírus,
poderia ter um quadro ainda mais severo, como acontece nas infecções subseqüentes.
Assim, a vacina deve imunizar o organismo contra os quatro tipos de uma só vez
- e aí está o grande desafio para a ciência. No Brasil, as principais instituições
que trabalham no desenvolvimento da vacina são o Instituto Butantan, em parceria
com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, e a Fundação Oswaldo
Cruz. | | | | •
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| 2.
Há diferença entre a picada de um Aedes e a de um mosquito comum?
Não. A sensação de incômodo e coceira provocada pela picada é semelhante à de
qualquer mosquito. A diferença entre os dois é que o mosquito comum costuma picar
as pessoas durante a noite e o Aedes, durante o dia. |
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| 3.
Como combater a proliferação do mosquito? A melhor oportunidade
para combater o Aedes é durante sua fase larval, e não a adulta. O mosquito
põe seus ovos em recipientes artificiais ou naturais que armazenam água, principalmente
da chuva, como latas e garrafas vazias, pratos sob vasos de plantas, caixas d'água
descobertas, pneus, calhas, bromélias, bambus ou até buracos em árvores. Os ovos
não são desovados na lâmina d'água - ficam presos em uma superfície próxima e,
quando o nível sobe, eclodem. Seco, um ovo pode sobreviver até um ano. Por isso,
não adianta apenas esvaziar os recipientes - os ovos devem ser definitivamente
eliminados, o que é feito pelas equipes de combate com produtos químicos. Quanto
ao mosquito, o uso em larga escala de inseticidas e o próprio fumacês - carros
que circulam pelos bairros borrifando inseticida - podem ajudam no combate. |
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| 4.
Há como evitar a contaminação? Mais uma vez, vale frisar: a melhor
forma de combater a dengue é atacar o mosquito em sua fase larval, eliminando
os focos de reprodução. Algumas medidas ajudam a afastar o inseto em pequenas
áreas e a curto prazo. Pode-se usar inseticidas, embora o Aedes se mostre
cada vez mais resistente a eles. Os repelentes apenas afastam os mosquitos, mantendo-os
vivos. Além disso, por ser um produto químico, deve-se tomar cuidado com a quantidade
usada, principalmente em crianças. As velas de andiroba e citronela também afastam
o Aedes, mas apenas em ambientes fechados. E já que os mosquitos têm hábitos
diurnos, de nada adianta tomar as medidas apenas durante a noite. |
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| 5.
O Rio vive uma epidemia de dengue? Sim. Até o dia 24 de março, a
cidade já contava 24.772 casos registrados. O índice de mortalidade por dengue
hemorrágica atingiu 20%, patamar 20 vezes maior do que o tolerado pela Organização
Mundial da Saúde. O próprio ministro da Saúde, José Gomes Temporão, reconheceu
o fato, atribuindo o problema à falta de trabalho preventivo. |
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| 6.
A cidade já havia vivido essa situação? A cidade enfrenta explosões
de casos de dengue desde 1986, quando ocorreu a primeira epidemia, causada pelo
vírus de tipo 1. No início da década de 1990, o tipo 2 apareceu no Brasil e, em
1991, o sorotipo foi responsável pela maioria dos 52.231 casos registrados na
capital carioca. Durante a epidemia severa de 2002, foram notificados 140.480
casos - naquele ano, o vírus tipo 3 apareceu no país. É justamente esse, o mais
perigoso, que continua a predominar no Rio, cidade em que o calor e as chuvas
facilitam a proliferação do Aedes. | | |
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| 7.
Qual o panorama da dengue no país? A dengue ocorre, principalmente,
entre os meses de janeiro e maio. Em 2007, 79% dos 559.954 casos suspeitos registrados
em todo o país datam deste período, segundo o Ministério da Saúde. Também desse
total, 1.541 foram confirmados como dengue hemorrágica, doença que matou 158 pessoas
no ano passado, resultando numa taxa de mortalidade de 10,2%. Os estados que mais
incrementaram as taxas de 2007 foram Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo, Rio
e Pernambuco. O número de contaminações e mortes por dengue hemorrágica vem aumentando
no país por causa da circulação dos três sorotipos da doença, desde 2002, quanto
o tipo 3 foi introduzido no país. | | | | •
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| 8.
Que medidas deveriam ter sido tomadas para evitar a situação atual? O
Aedes aegypti desapareceu no Brasil na década de 1950, depois de um extenso
trabalho comandado pela Organização Panamericana de Saúde. Mas essa realidade
não foi mantida, e o mosquito voltou a se desenvolver no país. Hoje, considera-se
praticamente impossível erradicá-lo, levando em conta o elevado crescimento da
população, a ocupação desordenada das áreas urbanas, onde o mosquito se desenvolve,
e a falta de infra-estrutura dos grandes centros. Além disso, é fundamental para
o combate à dengue que as comunidades sejam conscientizadas e o trabalho das equipes
na erradicação dos criadouros, intensificados. | | |
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| Sintomas da
dengue Os sintomas da variante clássica são
os mesmo da hemorrágica: na segunda, porém, novos sinais surgem quando a febre
passa. Dengue
Clássica Febre alta e súbita Forte dor
de cabeça Dor atrás dos olhos Perda de paladar
Falta de apetite Manchas vermelhas na pele Náuseas,
vômitos e tonturas Dores nos ossos e articulações
Moleza no corpo Cansaço extremo |  | Dengue
Hemorrágica Dores abdominais, fortes e contínuas
Vômitos persistentes, com ou sem sangue Pele pálida, fria
e úmida Sangramento pelo nariz, boca e gengivas Manchas
vermelhas na pele Sonolência, agitação e confusão
mental Sede excessiva e boca seca Dificuldade respiratória
Pulso rápido e fraco Perda de consciência |
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