BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
SEÇÕES ON-LINE

Perguntas & Respostas

 
Novembro de 2007
Crise no Paquistão



Encaixado numa das mais complicadas regiões da Ásia, o sempre instável Paquistão passa por um momento de acentuada turbulência política no fim de 2007. Com a popularidade em baixa, o presidente Pervez Musharraf revogou a Constituição desbaratou a Suprema Corte e mandou prendeu opositores com um único objetivo: preservar o próprio poder. Hoje seu governo se vê pressionado pela classe média moderna e urbana que deseja mais democracia no país e ameaçado pelo fanatismo islâmico que pretende instalar um regime teocrático do tipo Talibã . Entenda o complicado contexto paquistanês deste começo de século, e saiba por quê o governo do general provoca tanta discórdia.


1. Qual é a origem do Paquistão?
2. Qual é a relação do Paquistão com o Talibã?
3. Qual é a importância estratégica do Paquistão para as grandes potências?
4. O que está em jogo na atual crise do país?
5. Quando e como o general Pervez Musharraf chegou ao poder?
6. Por que os Estados Unidos apóiam o Paquistão?
7. A população aprova o governo de Musharraf?
8. Quem são os aliados do presidente?
9. E quem está contra?
10. Por que sua situação está cada vez mais complicada?
11. Por que muitos condicionam sua presença no governo à sua saída do comando das Forças Armadas?
12. O que pode acontecer com o país caso Musharraf deixe a presidência?

1. Qual é a origem do Paquistão?

O Paquistão nasceu em 1947, quando os colonizadores ingleses se retiraram da Índia. Na parte ocidental do antigo território indiano, cuja maioria da população era muçulmana, foi fundado o país (que também possuía um pequeno enclave no leste indiano – o Paquistão Oriental, futuro Bangladesh). A região de maioria hindu se tornou a República da Índia. A divisão não impediu que as duas nações se engalfinhassem numa disputa territorial pela região da Caxemira – província indiana, mas de maioria muçulmana, que já foi motivo de guerras entre indianos e paquistaneses.

 
topo

2. Qual é a relação do Paquistão com o Talibã?

O grupo de extremistas islâmicos que pegam em armas e se explodem para defender a doutrina de Alá é uma criação do serviço secreto do Paquistão (ISI) dos anos 80. Conhecido pela forte inclinação fundamentalista de alguns de seus altos membros, o ISI reuniu, nos acampamentos de refugiados afegãos localizados nas montanhas da fronteira entre o país e o Afeganistão, a milícia de estudantes fanatizados do Corão que depois fugiria de seu controle. Dali, o grupo saiu para tomar o poder em Kandahar, primeiro, e depois em todo o resto do Afeganistão – tudo financiado e amparado ideologicamente pelo terrorista saudita Osama bin Laden.

 
topo

3. Qual é a importância estratégica do Paquistão para as grandes potências?

A importância estratégica do Paquistão para os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e todos os outros grandes atores do Ocidente está primeiramente em sua posição geográfica. Além de estar próximo a ex-soviéticos ricos em petróleo, como o Tadjiquistão, o país é uma ilha de moderação islâmica numa região amontoada de árabes extremistas, como é o caso dos vizinhos Afeganistão e Irã. O fato de ser a única nação islâmica com a bomba atômica – desenvolvida sob medida contra os rivais indianos – também faz do Paquistão um motivo de preocupação internacional, especialmente depois que os EUA se lançaram em sua cruzada global contra o terror.

 
topo

4. O que está em jogo na atual
crise do país?

O Paquistão passa por um período de acirrada disputa de poder. Recentemente reeleito pelo Parlamento, Musharraf é contestado por diversos setores da sociedade, que se agita à medida que se aproximam as eleições legislativas de janeiro de 2008. O que está em jogo, no fim das contas, é o controle do país mais vulnerável ao avanço do fanatismo islâmico hoje. Fanatismo cuja máxima expressão política foi o regime Talibã que governou o Afeganistão até a chegada dos Estados Unidos, em 2001. Com a diferença que, no Paquistão, quem toma o poder se apossa também de um perigoso arsenal nuclear.

 
topo

5. Quando e como o general Pervez Musharraf chegou ao poder?

O general Pervez Musharraf, comandante das Forças Armadas do Paquistão, assumiu o comando por meio de um golpe militar não violento em outubro de 1999. Sem derramar sangue, Musharaf defenestrou o primeiro-ministro Nawaz Sharif e nomeou-se presidente. Dois dias depois, suspendeu a Constituição, fechou o Parlamento e enquadrou o Judiciário, pavimentando o caminho para uma ditadura que o mantém no poder há mais de oito anos. Por trás do golpe, estaria o orgulho do general, ferido pela ordem de retirada das tropas que lutavam contra a Índia na Caxemira.

 
topo

6. Por que os Estados Unidos
apóiam o Paquistão?

A posição estratégica do Paquistão lhe valeu um lugar no regaço americano desde a época da Guerra Fria, quando o país foi usado de base pelos Estados Unidos no conflito contra a ocupação soviética do Afeganistão nos anos 80 – em troca de vultuosas ajudas financeiras. Após a descoberta de que os arquitetos dos ataques de 11 de setembro de 2001 poderiam estar escondidos nas montanhas da nebulosa fronteira Paquistão-Afeganistão, o governo paquistanês novamente uniu-se aos EUA. Em troca de apoio político e de um auxílio de 3 bilhões de dólares, o presidente Pervez Musharraf ajudou os americanos a derrubar os talibãs no Afeganistão e se comprometeu a controlar seus próprios extremistas. A hipótese de o presidente paquistanês cair e, com ele, o arsenal nuclear passar às mãos de radicais inspirados em Osama bin Laden, força os EUA a manterem seu apoio ao atual governo.

 
topo

7. A população aprova o governo
de Musharraf?

Existe entre os paquistaneses uma desilusão generalizada com os políticos do país – tanto com os incompetentes governos democráticos quanto com os militares, que nunca foram muito diferentes. Num país em que a população costuma ser convidada a esquecer a fome para comemorar demonstrações de valentia, como testes nucleares e escaramuças de fronteira, o governo de Musharraf encontra tanto apoio popular quanto a maioria de seus antecessores – pouco. Não que isso seja muito importante para um sujeito que “se elegeu” longe das urnas.

 
topo

8. Quem são os aliados do presidente?

Além de contar com o apoio dos Estados Unidos no campo externo, Pervez Musharraf tem sob seu comando – e portanto a seu favor – as Forças Armadas do Paquistão. Não é pouco quando se trata de um país que entrou em guerra logo em seu primeiro ano de existência e onde a Defesa recebe a maior fatia do orçamento. A sustentação política que lhe falta, Musharraf está buscando em negociações com a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que além de possuir prestígio popular, compartilha com o presidente a disposição de entrar em choque com o fanatismo muçulmano. Um acordo entre os dois ainda é incerto.

 
topo

9. E quem está contra?

O caráter autoritário do governo de Musharraf, aliado à sua insistência em não cumprir a promessa de abandonar o comando das Força Armadas, levou o presidente a sofrer forte pressão do Poder Judiciário paquistanês. Juízes e advogados perderam a compostura e foram às ruas depois que Musharraf decretou estado de emergência e mandou prender o presidente da Suprema Corte, Iftikhar Chaudhry, notório opositor de seu governo, em novembro de 2007. A grande oposição ao presidente paquistanês, no entanto, continua a vir do crescente número de militantes islâmicos radicais, a maioria formada nas cerca de 7.000 madraçais do país que pregam a guerra santa. Além de controlarem importantes territórios na fronteira com o Afeganistão e promoverem ataques violentos nas grandes cidades paquistanesas, os fanáticos já demonstram mais de uma vez que estão determinados a derrubar Musharraf à força.

 
topo

10. Por que sua situação está cada
vez mais complicada?

O ódio dos militantes muçulmanos contra Musharraf cresceu em julho de 2007, quando ele ordenou a eliminação dos rebeldes que fizeram centenas de reféns na Mesquita Vermelha da capital Islamabad. Três meses mais tarde, ele foi reeleito para um novo mandato pelo Parlamento paquistanês. Sua vitória, porém, não foi oficializada pela Justiça, sob a alegação de que a Suprema Corte precisava, antes de ratificar o resultado, determinar se Musharraf estava apto a concorrer a um novo mandato presidencial. Prevendo que sua eleição seria vetada pela Judiciário, o governante decretou estado de emergência e suspendeu a vigência da Constituição, provocando a ira da oposição e aumentando a incerteza sobre o futuro político do Paquistão.

 
topo

11. Por que muitos condicionam sua presença no governo à sua saída do comando das Forças Armadas?

As Forças Armadas são a instituição mais poderosa do Paquistão. A presença de Musharraf no comando tanto do Exército quanto dos outros poderes compromete o seu respaldo político e a governabilidade num país cada vez mais dividido. Embora prometa, de tempos em tempos, que vai abandonar a farda para ser um presidente civil, Musharraf não larga o osso das Forças Armadas, pois teme que elas caiam nas mãos de um grupo de militares que simpatizam com os extremistas islâmicos. Suspeita-se que existam partidários do Talibã infiltrados no serviço secreto paquistanês. Este tipo de ameaça ainda impele os EUA a apoiarem um governo militar em meio à sua política de “espalhar a democracia” pelo mundo.

 
topo

12. O que pode acontecer com o país caso Musharraf deixe a presidência?

Embora relutem em oferecer seu total apoio, os Estados Unidos dão sinais de que, por enquanto, a situação é ruim com Musharraf, mas pode ficar pior sem ele. Na falta de uma outra força política que possa de fato conter o avanço do extremismo como o presidente tem feito, ainda que de forma capenga, os americanos preferem endossar as ações de Musharraf. Enquanto isso, ele demonstra entender que sua situação é instável ao oferecer anistia à ex-premiê Benazir Bhutto – muito mais popular – e tentar fechar com ela uma aliança que deve permitir a volta de Benazir ao comando do Parlamento nas eleições legislativas marcadas para janeiro de 2008.

 
topo
CONHEÇA O PAÍS
ARQUIVO VEJA
NO SITE
OUTROS TEMAS
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |