Corte de juros
na crise
Para
conter a desaceleração da economia
mundial em meio à crise financeira,
os bancos centrais de alguns países
estão reduzindo suas taxas de juros.
Em 8 de outubro, Estados Unidos, Canadá,
Grã-Bretanha, Suécia, China
e o Banco Central Europeu reduziram suas taxas.
Vinte e dois dias depois, o Federal Reserve
(Fed), o banco central americano, voltou a
cortar a taxa básica de juros do país.
Com juro baixo, o dinheiro fica mais barato
e, por conseqüência, o volume de
crédito de um país cresce. Se
o consumidor tem mais dinheiro, ele compra.
Se ele consome, a empresa ganha dinheiro e
mantém o emprego e os investimentos.
O resultado esperado é a retomada do
crescimento. Mas esse efeito é garantido?
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1.
As grandes economias mundiais têm reduzido os juros.
Por quê?
Quando o juro é mais baixo, o dinheiro fica mais
barato e o volume de dinheiro em circulação aumenta.
Com o crédito mais acessível, o consumo cresce,
assim como os investimentos das empresas. De acordo
com o consultor econômico Paulo Yokota, ex-diretor
do Banco Central, "a intenção é ativar a economia
do país".
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2.
A redução dos juros está ajudando a acalmar o mercado?
Como?
Sim. Com o aumento do volume de crédito, a população
tende a consumir mais e, com isso, a economia de
um país pára de perder força. "As pessoas compram
das indústrias, que por sua vez geram emprego e,
por fim, investem", disse William Eid, coordenador
do centro de finanças da Fundação Getúlio Vargas
(FGV).
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3.
Cortar juros melhora mesmo o crédito, maior problema
do momento?
Sim. No Brasil, por exemplo, quando os juros estão
muito altos, os preços aumentam e o número de prestações
fica menor. Isso faz o consumo cair. A redução de
juros tende, portanto, a aumentar o poder de compra,
gerando riqueza ao país.
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4.
Quanto tempo demora para a economia sentir os efeitos
dos cortes?
A questão divide os especialistas. Uns acreditam
que é impossível saber; outros, que em menos de
um ano os efeitos serão sentidos. Conforme o consultor
Paulo Yokota, "o que interessa mesmo hoje é saber
qual é a expectativa da economia do país daqui a
seis meses".
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5.
Os Estados Unidos têm agora juro de 1%, menor até
do que a inflação – ou seja, o país tem o chamado
"juro negativo". Quais são os efeitos disso?
Na prática, ter o juro abaixo da inflação incentiva
fortemente o consumo, já que o consumo é ainda mais
estimulado. Isso ajuda as grandes indústrias que
estão com sérios problemas financeiros. Mas o economista
William Eid faz uma ressalva: "O juro negativo traz
com ele o medo de deflação. Na deflação, a televisão
que hoje custa 1.000 dólares estará custando 950
dólares dentro de seis meses. Então o consumidor
não compra, esperando o preço cair". Se o consumidor
não compra, a indústria não vende. Quando não há
vendas, não há dinheiro. Se não há dinheiro, não
há salários, e volta a tendência de aumento do desemprego.
Além disso, as indústrias param de investir no país
e a economia volta a desacelerar.
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6.
Em todo o mundo, os juros são determinados pelos
BCs. O corte de juro é a única ferramenta das autoridades
monetárias contra a crise?
Não. Os BCs podem, por exemplo, reduzir os compulsórios
e liberar mais crédito, injetando mais recursos
na economia. Essas atividades funcionam muito bem
em situações normais. "Em crise, porém, é dificil
estimar", diz o professor William Eid.
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7.
Por que o Copom interrompeu em outubro a série de
quatro aumentos consecutivos na taxa básica de juros
praticada no Brasil?
De acordo com alguns especialistas, o Copom percebeu
que não faria sentido algum aumentar a taxa de juro
para conter o consumo ao mesmo tempo em que o BC
eleva o dinheiro disponível para crédito por meio
da liberação dos compulsórios. Em outras palavras,
a inflação não está sendo movida pela demanda, já
que as pessoas passaram a comprar por conta da crédito.
A conclusão é de que a inflação no país é proveniente
dos custos financeiros elevados.
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8.
Quais são as perspectivas para os juros no Brasil?
Ainda devem cair?
Os economistas acreditam que, depois da resposta
dada pelo Copom com o encerramento da série de quatro
aumentos consecutivos na taxa básica de juros, os
próximos passos devem ser no sentido de reduzir
a Selic. Como o Brasil tem uma dívida interna pesada,
gasta mais quando os juros estão muito altos. "Se
mantiver a taxa de juros elevada, aumenta o risco
de recessão", explica Paulo Yokota.
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9.
Quais são os juros cobrados nas outras grandes economias
(em outubro)?

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