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Outubro de 2008
Corte de juros na crise

Reuters

Para conter a desaceleração da economia mundial em meio à crise financeira, os bancos centrais de alguns países estão reduzindo suas taxas de juros. Em 8 de outubro, Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha, Suécia, China e o Banco Central Europeu reduziram suas taxas. Vinte e dois dias depois, o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, voltou a cortar a taxa básica de juros do país. Com juro baixo, o dinheiro fica mais barato e, por conseqüência, o volume de crédito de um país cresce. Se o consumidor tem mais dinheiro, ele compra. Se ele consome, a empresa ganha dinheiro e mantém o emprego e os investimentos. O resultado esperado é a retomada do crescimento. Mas esse efeito é garantido?

1. As grandes economias mundiais têm reduzido os juros. Por quê?
2. A redução dos juros está ajudando a acalmar o mercado? Como?
3. Cortar juros melhora mesmo o crédito, maior problema do momento?
4. Quanto tempo demora para a economia sentir os efeitos dos cortes?
5. Os Estados Unidos têm agora juro de 1%, menor até do que a inflação – ou seja, o país tem o chamado "juro negativo". Quais são os efeitos disso?
6. Em todo o mundo, os juros são determinados pelos BCs. O corte de juro é a única ferramenta das autoridades monetárias contra a crise?
7. Por que o Copom interrompeu em outubro a série de quatro aumentos consecutivos na taxa básica de juros praticada no Brasil?
8. Quais são as perspectivas para os juros no Brasil? Ainda devem cair?
9. Quais são os juros cobrados nas outras grandes economias (em outubro)?

1. As grandes economias mundiais têm reduzido os juros. Por quê?

Quando o juro é mais baixo, o dinheiro fica mais barato e o volume de dinheiro em circulação aumenta. Com o crédito mais acessível, o consumo cresce, assim como os investimentos das empresas. De acordo com o consultor econômico Paulo Yokota, ex-diretor do Banco Central, "a intenção é ativar a economia do país".

 
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2. A redução dos juros está ajudando a acalmar o mercado? Como?

Sim. Com o aumento do volume de crédito, a população tende a consumir mais e, com isso, a economia de um país pára de perder força. "As pessoas compram das indústrias, que por sua vez geram emprego e, por fim, investem", disse William Eid, coordenador do centro de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

 
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3. Cortar juros melhora mesmo o crédito, maior problema do momento?

Sim. No Brasil, por exemplo, quando os juros estão muito altos, os preços aumentam e o número de prestações fica menor. Isso faz o consumo cair. A redução de juros tende, portanto, a aumentar o poder de compra, gerando riqueza ao país.

 
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4. Quanto tempo demora para a economia sentir os efeitos dos cortes?

A questão divide os especialistas. Uns acreditam que é impossível saber; outros, que em menos de um ano os efeitos serão sentidos. Conforme o consultor Paulo Yokota, "o que interessa mesmo hoje é saber qual é a expectativa da economia do país daqui a seis meses".

 
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5. Os Estados Unidos têm agora juro de 1%, menor até do que a inflação – ou seja, o país tem o chamado "juro negativo". Quais são os efeitos disso?

Na prática, ter o juro abaixo da inflação incentiva fortemente o consumo, já que o consumo é ainda mais estimulado. Isso ajuda as grandes indústrias que estão com sérios problemas financeiros. Mas o economista William Eid faz uma ressalva: "O juro negativo traz com ele o medo de deflação. Na deflação, a televisão que hoje custa 1.000 dólares estará custando 950 dólares dentro de seis meses. Então o consumidor não compra, esperando o preço cair". Se o consumidor não compra, a indústria não vende. Quando não há vendas, não há dinheiro. Se não há dinheiro, não há salários, e volta a tendência de aumento do desemprego. Além disso, as indústrias param de investir no país e a economia volta a desacelerar.

 
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6. Em todo o mundo, os juros são determinados pelos BCs. O corte de juro é a única ferramenta das autoridades monetárias contra a crise?

Não. Os BCs podem, por exemplo, reduzir os compulsórios e liberar mais crédito, injetando mais recursos na economia. Essas atividades funcionam muito bem em situações normais. "Em crise, porém, é dificil estimar", diz o professor William Eid.

 
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7. Por que o Copom interrompeu em outubro a série de quatro aumentos consecutivos na taxa básica de juros praticada no Brasil?

De acordo com alguns especialistas, o Copom percebeu que não faria sentido algum aumentar a taxa de juro para conter o consumo ao mesmo tempo em que o BC eleva o dinheiro disponível para crédito por meio da liberação dos compulsórios. Em outras palavras, a inflação não está sendo movida pela demanda, já que as pessoas passaram a comprar por conta da crédito. A conclusão é de que a inflação no país é proveniente dos custos financeiros elevados.

 
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8. Quais são as perspectivas para os juros no Brasil? Ainda devem cair?

Os economistas acreditam que, depois da resposta dada pelo Copom com o encerramento da série de quatro aumentos consecutivos na taxa básica de juros, os próximos passos devem ser no sentido de reduzir a Selic. Como o Brasil tem uma dívida interna pesada, gasta mais quando os juros estão muito altos. "Se mantiver a taxa de juros elevada, aumenta o risco de recessão", explica Paulo Yokota.

 
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9. Quais são os juros cobrados nas outras grandes economias (em outubro)?

 

 
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