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Outubro de 2007
Copa do Mundo
de 2014
No dia 30 de outubro,
finalmente a notícia se tornou oficial:
o Brasil será o país anfitrião
da Copa do Mundo de Futebol de 2014. O comunicado
foi feito durante reunião do comitê
executivo da Fifa em Zurique, na Suíça,
na qual estavam o presidente Lula, o técnico
da seleção brasileira, Dunga, e
o jogador Romário. Essa será a segunda
Copa realizada nos gramados do país - a
primeira, em 1950, a derrota na final para o Uruguai
calou o Maracanã e enlutou a nação.
Para os torcedores será uma oportunidade
de assistir em casa ao principal torneio da modalidade
esportiva mais praticada no mundo.
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Por
que o Brasil foi o escolhido para sediar Copa de 2014?
A escolha do Brasil se deve a uma mudança no regulamento
da Fifa. Em 2000, quando a Alemanha derrotou a África
do Sul na votação interna do órgão para escolher o país-sede
da Copa de 2006, a Fifa decidiu estabelecer um rodízio
entre os continentes que abrigarão o campeonato. Coube
à África do Sul, o mais desenvolvido país africano,
encarregar-se da Copa de 2010. Para 2014, sendo a América
do Sul a bola da vez, a disputa ficou entre o Brasil
e a Colômbia. Em abril de 2007, alegando que não conseguiriam
cumprir todas as exigências da Fifa para a realização
de uma Copa do Mundo, os colombianos retiraram a candidatura.
O Brasil se tornou candidato único. Mas um dia antes
do anúncio do país-sede para 2014 a Fifa também divulgou
o fim do rodízio de continentes, para evitar as candidaturas
únicas.
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Quais
são as exigências para abrigar o torneio?
Basicamente, as exigências da Fifa para a Copa rezam
que os estádios onde as partidas são disputadas apresentem
as mesmas condições de conforto e segurança que as de
seus equivalentes nos países desenvolvidos. Todos os
assentos, por exemplo, têm de ser numerados e é preciso
haver hospitais e estacionamentos nas imediações. Além
disso, será preciso preparar as cidades que os abrigam
para a complexa operação logística que o certame envolve.
Sediar uma Copa significa hospedar 32 equipes e suas
comitivas durante um mês e criar estrutura para a realização
de 64 partidas, que serão transmitidas globalmente.
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Algum
estádio está preparado para receber a Copa?
Não, todos precisam de obras para abrigar uma partida
do Mundial. Adaptar os modestos estádios brasileiros
às recomendações técnicas da Fifa exigirá reformas colossais,
e até a construção de novas instalações. Nenhum, nem
mesmo os mais recentes, cumpre os requisitos básicos,
a começar pelo conforto do público. A Fifa recomenda
que todos os espectadores tenham assentos individuais,
com encosto de pelo menos 30 centímetros de altura.
Banheiros limpos e em número suficiente, corredores
de entrada e saída largos e tribunas de imprensa bem
equipadas são raridades nos campos brasileiros.
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Quantos
estádios serão escolhidos para o Mundial?
A Fifa deve anunciar a lista de estádios que vão abrigar
partidas do Mundial somente no fim do ano que vem. Serão
selecionados no mínimo oito e no máximo doze.
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Dos
estádios atuais quais mudanças seriam necessárias para
abrigar partidas do Mundial?

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Quantos
turistas o país pode receber?
A expectativa é que em um mês 500 000
turistas 10% do total que o país recebe
em um ano inteiro acorram às cidades onde
acontecerão os jogos. Em 1994, os EUA receberam
400.000 turistas; a França, em 1998, 500.000;
o Japão, em 2002, 400.000; e a Alemanha, por
conta da sua localização geográfica,
bem no centro da Europa, recebeu 2 milhões de
turistas. A previsão para 2010 é que 250.000
turistas vão à África do Sul. O
campeonato atrairá ainda 15.000 jornalistas,
15.000 voluntários para tarefas diversas e 300
funcionários e convidados da Fifa, cuja lista
de exigências ao país organizador inclui
jatinhos, limusines e 400 automóveis.
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Quanto
o país vai gastar para receber o evento?
Calcula-se que o Mundial de Futebol do Brasil consumirá
5 bilhões de dólares, embora as estimativas
finais, quando anunciadas, devam prever cifras bem maiores.
Foi o que aconteceu nos Jogos Pan-Americanos do Rio
de Janeiro. Inicialmente orçados em 500 milhões
de reais, estima-se que tenham consumido 4 bilhões
de reais. Poucos países podem fazer como os Estados
Unidos, que organizaram uma Copa do Mundo (em 1994)
e duas Olimpíadas (em 1984 e 1996) sem um centavo
de ajuda do erário. Isso porque toda a infra-estrutura
estava pronta. Na Alemanha, o setor público (local
ou federal) financiou um terço dos 2 bilhões
de dólares gastos nas obras nos estádios.
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De
onde sairá o dinheiro para bancar as despesas?
No caso da Copa no Brasil, parte da verba virá dos
cofres da Confederação Brasileira de Futebol (CBF),
beneficiária dos polpudos patrocínios da seleção brasileira.
Mas os gastos com infra-estrutura nas cidades onde acontecerão
os jogos – construção de estádios, obras em estradas,
aeroportos e sistemas de telecomunicações – correrão
por conta do estado, ou seja, serão bancados com dinheiro
público.
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Quais
as justificativas para o governo investir na Copa?
Os argumentos a favor dos gastos públicos com a Copa
do Mundo no Brasil dizem que o certame trará empregos,
aumentará o fluxo turístico, promoverá a revitalização
de áreas urbanas e garantirá investimentos de peso no
país.
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Qual
é o retorno para o país depois do torneio?
As estimativas sobre número de turistas, geração
de empregos e impacto do evento sobre o PIB em geral
são exageradas. Levantamentos dão conta
de que em 1994 os EUA aumentaram em 1,4% o PIB; em 1998,
na França, o PIB cresceu 1,3% a mais; em 2002,
a Coréia o elevou em 3,1% enquanto o Japão
teve decréscimo de 0,3%; e a Alemanha teve 1,7%
a mais no PIB em 2006. Mas antes do Mundial da Alemanha,
falou-se na criação de 100.000 empregos.
Um estudo feito depois do evento contabilizou apenas
metade desse total. A Coréia do Sul esperava
500.000 turistas a mais em 2002. Só apareceram
50% deles.
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