2009: como cuidar do orçamento
O Brasil está otimista com a atual crise que varre o planeta, mas mesmo assim é preciso estar atento às contas pessoais e planejar melhor futuros financiamentos. Como se portar em um cenário de crise? É possível vencer
a atual tempestade e encerrar o ano de 2009
no azul? Saiba a seguir o que fazer e o
que evitar até que o vendaval econômico internacional
tenha passado.
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1.
Em meio aos recentes cortes de funcionários em algumas
empresas do país, há alguma maneira de garantir
a manutenção do meu emprego?
Para garantir a empregabilidade é preciso estar
atento e aberto às mudanças que os efeitos da crise
provocam nas empresas. De acordo com a psicóloga
Jaqueline Silveira Mascarenhas, coordenadora do
Departamento de Carreiras do Ibmec de Minas Gerais,
o corte de funcionários pode acarretar um aumento
na demanda de trabalho para quem continuou na empresa.
Nessa hora, é preciso manter a calma e estar disposto
- e apto - a assumir as novas responsabilidades.
O profissional deve estar, mais do que nunca, atento
à sua qualificação e não hesitar em fazer cursos
que o tornem mais bem preparado para a nova demanda.
“Mas é preciso ter calma. Alguém vai ter que dar
conta do serviço, e é preciso lidar com a pressão,
inclusive no que diz respeito a uma maior carga
horária”, explica Jaqueline. O funcionário deve
deixar de lado as reclamações e fofocas para focar-se
em desempenhar bem suas funções. “É preciso ficar
muito atento a todas as exigências da empresa e do mercado, de forma a caminhar na mesma direção”, completa Jaqueline.
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2.
Como os funcionários podem ajudar as empresas em
que trabalham a driblar a crise?
É preciso ser criativo para gerar receitas e economizar
com custos e despesas, como explica Célia Marcondes,
coordenadora da pós-graduação em Gestão de Pessoas
e do Núcleo de Estudos em Gestão de Pessoas da Escola
Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “E tenha
calma, porque os líderes estarão nervosos”, alerta.
Segundo Célia, para manter a empregabilidade é preciso
ser considerado um talento. “Os talentos são pessoas
que trazem resultados efetivos para a empresa nas
áreas onde trabalham e que têm um amplo potencial
de desenvolvimento”, explica. Os profissionais devem
fazer parte da solução e não do problema. Dessa
maneira, quando chegar a hora dos cortes, ele estará
entre aqueles que precisam ser preservados.
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3.
Estou desempregado. Tenho chances de conseguir uma
vaga neste momento?
Sim, mas a busca precisa ser incessante. “É preciso
estar no lugar certo na hora certa”, define Jaqueline.
Quem está em busca de emprego deve estar atento
às vagas em sites de consultorias de recursos humanos
e jornais, além de estabelecer uma rede de contatos
para ser informado sobre possíveis vagas. Para Jaqueline,
sempre há vagas para quem é bom - e ser bom profissional
significa ser qualificado, flexível e desempenhar
bem o que lhe é proposto. Quando alguém se inscreve
em muitas vagas e não recebe respostas deve se perguntar: “Será
que eu me contrataria?” Se a conclusão for negativa,
é preciso se aprimorar e fazer, por exemplo, um
curso de idiomas. A especialista ainda ressalta que
é preciso ter humildade nesse momento diferente e
aceitar até mesmo as vagas de menor remuneração.
“As pessoas estão muito exigentes. Neste momento
é preciso abrir mão de muitas coisas para poder
voltar ao mercado.” Jaqueline lembra que é mais
fácil conseguir um bom emprego quando já se está
empregado. Portanto, vale a pena utilizar as vagas
menos desejáveis como um trampolim para a carreira.
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4.
Em quais setores devo focar minha busca?
Para Célia Marcondes, a busca deve ser focada em
setores como o comércio varejista de auto serviço,
como supermercados, além de empresas de alimentos
e cosméticos - já que esses são serviços essenciais
que costumam demorar para sentir os efeitos de uma crise financeira.
Jaqueline lembra que, com o aumento da inadimplência,
pode ter bons resultados quem procurar vagas em
empresas de telemarketing especializadas em cobranças.
Ela ainda cita as áreas de educação e de assessoria,
seja fiscal, financeira ou de recursos humanos.
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5.
A instabilidade econômica torna as compras a prazo
um mau negócio?
O que pode tornar as compras a prazo um mau negócio
são os juros embutidos nas parcelas, lembram os
especialistas. Comprando à vista é sempre mais fácil
obter bons descontos. Além disso, comprar a prazo
pode se tornar uma armadilha, porque o consumidor
acaba levando mais itens do que precisa e pode acabar
inadimplente. Evitar o consumo desnecessário é essencial
em tempos de crise. O uso do cartão de crédito também
deve ser controlado, com parcelas que se ajustem
ao limite do salário. Pagar somente o mínimo da
fatura pode ser arriscado, já que os juros são altíssimos
e a situação pode se tornar uma bola de neve. O
aumento dos juros faz com que cresça a parcela do
seu salário destinada a pagar cartões e compras
a prazo. Como, no momento, é improvável que as empresas
proporcionem aumento de salário, sua renda não deve
aumentar - portanto, será preciso cortar outras despesas
para se livrar dos juros.
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6.
Este é um bom momento para investir em aplicações financeiras?
Sim. O cenário econômico atual oferece boas oportunidades,
como os títulos do Tesouro Nacional, que unem retorno
e segurança. Esse tipo de aplicação tem sido de
fato muito procurada: o investimento em títulos
foi recorde em outubro, totalizando 259,1 milhões
de reais, cifra 345,4% superior à do mesmo período
de 2007. Funcionando como uma poupança de longo
prazo, o site Tesouro Direto, do Ministério da Fazenda,
permite aplicações via internet a partir de 200
reais.
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7.
Quais são as mais seguras?
A velha caderneta de poupança é sempre segura,
mas rende muito pouco (cerca de 0,5% ao mês). Por
isso, os especialistas indicam o fundo de renda
fixa DI (Depósito Interbancário) para quem quer
retorno rápido, ou os fundos PGBL e VGBL, para resgate
a longo prazo. O DI reúne três vantagens: rende
mais que a poupança (cerca de 0,8% ao mês), tem
liquidez e rentabilidade mais ou menos asseguradas
e oferece rendimento diário, ao contrário da poupança.
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8.
Quais cuidados devo ter ao aplicar meu dinheiro?
Haja ou não crise, alguns fundamentos básicos da
arte de investir não mudam. Um deles é a necessidade
de diversificar as aplicações para reduzir os riscos.
Nada vai dar certo se o investidor não tiver um
objetivo claro. Assim como o viajante, ele pode
escolher entre uma jornada rápida e arriscada e
outra em que se contempla a paisagem, mas que demora
mais tempo. Há, finalmente, recomendações como a
de Warren Buffett, um dos três homens mais ricos
do mundo: não invista em nada que você ache incompreensível.
Investir é como escolher uma roupa. Além de olhar
se combina, o investidor tem de se sentir confortável
com o que está usando.
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9.
Este é um bom momento para investir na Bolsa de
Valores?
Sim, desde que o investimento seja feito com cautela
e que o rendimento esperado não seja a curto prazo.
Para Orlando Zainaghi Jr., superintendente da corretora
do Banco Santander, este é um ótimo momento para
a compra de ações, mas o prazo esperado para retorno
deve ser longo, superior a dois anos. O melhor a
fazer é não investir todo o seu dinheiro de uma
vez. As compras devem ser gradativas até metade
de 2009. Além disso, o melhor é dividir o dinheiro
em blocos de ações e não jogar tudo em uma empresa
só.
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10.
Pretendo comprar minha casa própria. Quais os riscos
de assumir uma dívida tão grande?
O momento não é propício para assumir uma dívida
como esta. O professor de Finanças Fábio Gallo, da Fundação Getúlio
Vargas (FGV), explica que assumir um
endividamento de longo prazo significa pagar juros
mais caros. O aconselhável, portanto, é esperar
um pouco mais. Caso se decida pela compra, o pagamento
à vista é a melhor opção. Caso não seja possível,
o recomendável é não se comprometer com um financiamento
que seja superior a 30% do valor do imóvel. "Quanto
maior o valor em mãos para pagar à vista, melhor",
ressalta o professor. "O importante é que as parcelas
restantes não ultrapassem 15% da renda mensal, porque
em caso de emergência fica mais fácil fazer cortes",
explica.
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11.
Devo deixar as viagens internacionais para depois?
Vale a pena pensar nessa possibilidade. O atual momento é provavelmente um dos piores
para quem desejar viajar ao exterior desde o início
da crise financeira. De acordo com André Sacconato,
da consultoria Tendências, o vendaval financeiro
entrou em uma nova fase neste início de ano, quando
os grandes bancos voltaram a dar sinais de fraqueza
e deixaram a economia mais nervosa - o que provocou
novas elevações do dólar. Com a moeda americana
em um patamar de cerca de 2,40 reais, nem mesmo as promoções
oferecidas pelas agências de viagem depois do Carnaval
tornam a compra de pacotes para o exterior uma boa
ideia. Segundo Sacconato, os descontos nos pacotes precisariam
chegar a 40% para que a viagem compensasse.
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12.
Então o melhor é deixar a viagem para as férias
de julho?
Ainda de acordo com Sacconato, o melhor mesmo é
esperar pelas férias de dezembro. Segundo ele, em
julho a situação já deverá estar mais calma e o
momento para viajar será melhor que o atual, mas
não tão bom quanto em dezembro. Para quem não abre
mão de visitar outros países, o presidente nacional
da Associação Brasileira de Agências de Viagens
(Abav), Carlos Alberto Ferreira, recomenda roteiros
mais baratos, como a América do Sul. A Disney também
pode ser uma boa opção já que, segundo Ferreira,
o turista já sai do Brasil com o pacote que inclui
ingressos para o parque, o que, segundo ele, evita
surpresas com gastos extras durante a viagem.
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13.
Trocar de carro agora é uma boa ideia?
Sim, mas prefira pagar à vista. Os estoques das
montadoras estão elevados, e o governo diminuiu
os impostos. O resultado é que os carros novos ficaram
mais baratos - especialmente para quem não se importar
em adquirir um modelo com ano de fabricação de 2008.
Mas os financiamentos ficaram mais caros e mais
difíceis. Além disso, os preços dos usados, que
normalmente servem de entrada na aquisição de um
veículo novo, caíram bastante, o que deixou a troca
mais complicada. Para não deixar os pátios e concessionárias
cheios, as montadoras fazem todo tipo de negociação.
O problema é quando a compra precisa ser parcelada.
Em compras a prazo, o consumidor enfrenta dificuldades
para conseguir crédito e juros altos. À vista ou
a prazo é importante manter a cautela. Automóveis
continuam sendo um investimento alto para a maioria
dos brasileiros. Os gastos com o veículo devem estar
previstos no orçamento familiar e não devem comprometer
um porcentual muito grande dele.
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14.
Como chegar ao fim de 2009 com meu orçamento no
azul?
Para garantir tranquilidade durante todo o ano,
o ideal é fazer um controle rígido do orçamento
familiar. Com os gastos controlados, fica mais fácil
poupar dinheiro. Somadas, pequenas economias podem
se transformar num bolo de dinheiro considerável
no fim do ano. Além disso, é preciso pensar várias
vezes antes de comprar. O desejo pode se tratar
de uma vontade passageira e o gasto terá sido desnecessário.
Quando a compra for inevitável, a palavra é pechinchar
- o que fica mais fácil quando o pagamento é feito
à vista. Se parcelar for inevitável, é preciso comparar
minuciosamente as taxas de juros cobradas. Um bom
conselho é não relacionar as compras somente ao
dinheiro daquele mês. É sempre preciso ter em mente
que possam surgir gastos extras nos meses seguintes
e, portanto, ter uma reserva disponível.
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15.
E como fazer para controlar o orçamento familiar?
Colocando tudo na ponta do lápis. Quando pensam
em economizar e planejar o orçamento, as pessoas
só costumam anotar os grandes gastos, mas é preciso
muito mais do que isso. O ideal é ter anotado inclusive
os gastos com gorjetas, lanchonetes e estacionamento.
A planilha do orçamento familiar deve existir de
fato, seja no papel ou eletrônica, e precisa conter
desde a conta de luz até a manicure. Os pequenos
gastos podem representar de 10% a 30% do salário
e costumam ser gordurinhas fáceis de serem eliminadas
do orçamento.
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