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Março de 2009
2009: como cuidar do orçamento

Reuters

O Brasil está otimista com a atual crise que varre o planeta, mas mesmo assim é preciso estar atento às contas pessoais e planejar melhor futuros financiamentos. Como se portar em um cenário de crise? É possível vencer a atual tempestade e encerrar o ano de 2009 no azul? Saiba a seguir o que fazer e o que evitar até que o vendaval econômico internacional tenha passado.

1. Em meio aos recentes cortes de funcionários em algumas empresas do país, há alguma maneira de garantir a manutenção do meu emprego?
2. Como os funcionários podem ajudar as empresas em que trabalham a driblar a crise?
3. Estou desempregado. Tenho chances de conseguir uma vaga neste momento?
4. Em quais setores devo focar minha busca?
5. A instabilidade econômica torna as compras a prazo um mau negócio?
6. Este é um bom momento para investir em aplicações financeiras?
7. Quais são as mais seguras?
8. Quais cuidados devo ter ao aplicar meu dinheiro?
9. Este é um bom momento para investir na Bolsa de Valores?
10. Pretendo comprar minha casa própria. Quais os riscos de assumir uma dívida tão grande?
11. Devo deixar as viagens internacionais para depois?
12. Então o melhor é deixar a viagem para as férias de julho?
13. Trocar de carro agora é uma boa ideia?
14. Como chegar ao fim de 2009 com meu orçamento no azul?
15. E como fazer para controlar o orçamento familiar?

1. Em meio aos recentes cortes de funcionários em algumas empresas do país, há alguma maneira de garantir a manutenção do meu emprego?

Para garantir a empregabilidade é preciso estar atento e aberto às mudanças que os efeitos da crise provocam nas empresas. De acordo com a psicóloga Jaqueline Silveira Mascarenhas, coordenadora do Departamento de Carreiras do Ibmec de Minas Gerais, o corte de funcionários pode acarretar um aumento na demanda de trabalho para quem continuou na empresa. Nessa hora, é preciso manter a calma e estar disposto - e apto - a assumir as novas responsabilidades. O profissional deve estar, mais do que nunca, atento à sua qualificação e não hesitar em fazer cursos que o tornem mais bem preparado para a nova demanda. “Mas é preciso ter calma. Alguém vai ter que dar conta do serviço, e é preciso lidar com a pressão, inclusive no que diz respeito a uma maior carga horária”, explica Jaqueline. O funcionário deve deixar de lado as reclamações e fofocas para focar-se em desempenhar bem suas funções. “É preciso ficar muito atento a todas as exigências da empresa e do mercado, de forma a caminhar na mesma direção”, completa Jaqueline.

 
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2. Como os funcionários podem ajudar as empresas em que trabalham a driblar a crise?

É preciso ser criativo para gerar receitas e economizar com custos e despesas, como explica Célia Marcondes, coordenadora da pós-graduação em Gestão de Pessoas e do Núcleo de Estudos em Gestão de Pessoas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “E tenha calma, porque os líderes estarão nervosos”, alerta. Segundo Célia, para manter a empregabilidade é preciso ser considerado um talento. “Os talentos são pessoas que trazem resultados efetivos para a empresa nas áreas onde trabalham e que têm um amplo potencial de desenvolvimento”, explica. Os profissionais devem fazer parte da solução e não do problema. Dessa maneira, quando chegar a hora dos cortes, ele estará entre aqueles que precisam ser preservados.

 
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3. Estou desempregado. Tenho chances de conseguir uma vaga neste momento?

Sim, mas a busca precisa ser incessante. “É preciso estar no lugar certo na hora certa”, define Jaqueline. Quem está em busca de emprego deve estar atento às vagas em sites de consultorias de recursos humanos e jornais, além de estabelecer uma rede de contatos para ser informado sobre possíveis vagas. Para Jaqueline, sempre há vagas para quem é bom - e ser bom profissional significa ser qualificado, flexível e desempenhar bem o que lhe é proposto. Quando alguém se inscreve em muitas vagas e não recebe respostas deve se perguntar: “Será que eu me contrataria?” Se a conclusão for negativa, é preciso se aprimorar e fazer, por exemplo, um curso de idiomas. A especialista ainda ressalta que é preciso ter humildade nesse momento diferente e aceitar até mesmo as vagas de menor remuneração. “As pessoas estão muito exigentes. Neste momento é preciso abrir mão de muitas coisas para poder voltar ao mercado.” Jaqueline lembra que é mais fácil conseguir um bom emprego quando já se está empregado. Portanto, vale a pena utilizar as vagas menos desejáveis como um trampolim para a carreira.

 
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4. Em quais setores devo focar minha busca?

Para Célia Marcondes, a busca deve ser focada em setores como o comércio varejista de auto serviço, como supermercados, além de empresas de alimentos e cosméticos - já que esses são serviços essenciais que costumam demorar para sentir os efeitos de uma crise financeira. Jaqueline lembra que, com o aumento da inadimplência, pode ter bons resultados quem procurar vagas em empresas de telemarketing especializadas em cobranças. Ela ainda cita as áreas de educação e de assessoria, seja fiscal, financeira ou de recursos humanos.

 
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5. A instabilidade econômica torna as compras a prazo um mau negócio?

O que pode tornar as compras a prazo um mau negócio são os juros embutidos nas parcelas, lembram os especialistas. Comprando à vista é sempre mais fácil obter bons descontos. Além disso, comprar a prazo pode se tornar uma armadilha, porque o consumidor acaba levando mais itens do que precisa e pode acabar inadimplente. Evitar o consumo desnecessário é essencial em tempos de crise. O uso do cartão de crédito também deve ser controlado, com parcelas que se ajustem ao limite do salário. Pagar somente o mínimo da fatura pode ser arriscado, já que os juros são altíssimos e a situação pode se tornar uma bola de neve. O aumento dos juros faz com que cresça a parcela do seu salário destinada a pagar cartões e compras a prazo. Como, no momento, é improvável que as empresas proporcionem aumento de salário, sua renda não deve aumentar - portanto, será preciso cortar outras despesas para se livrar dos juros.

 
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6. Este é um bom momento para investir em aplicações financeiras?

Sim. O cenário econômico atual oferece boas oportunidades, como os títulos do Tesouro Nacional, que unem retorno e segurança. Esse tipo de aplicação tem sido de fato muito procurada: o investimento em títulos foi recorde em outubro, totalizando 259,1 milhões de reais, cifra 345,4% superior à do mesmo período de 2007. Funcionando como uma poupança de longo prazo, o site Tesouro Direto, do Ministério da Fazenda, permite aplicações via internet a partir de 200 reais.

 
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7. Quais são as mais seguras?

A velha caderneta de poupança é sempre segura, mas rende muito pouco (cerca de 0,5% ao mês). Por isso, os especialistas indicam o fundo de renda fixa DI (Depósito Interbancário) para quem quer retorno rápido, ou os fundos PGBL e VGBL, para resgate a longo prazo. O DI reúne três vantagens: rende mais que a poupança (cerca de 0,8% ao mês), tem liquidez e rentabilidade mais ou menos asseguradas e oferece rendimento diário, ao contrário da poupança.

 
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8. Quais cuidados devo ter ao aplicar meu dinheiro?

Haja ou não crise, alguns fundamentos básicos da arte de investir não mudam. Um deles é a necessidade de diversificar as aplicações para reduzir os riscos. Nada vai dar certo se o investidor não tiver um objetivo claro. Assim como o viajante, ele pode escolher entre uma jornada rápida e arriscada e outra em que se contempla a paisagem, mas que demora mais tempo. Há, finalmente, recomendações como a de Warren Buffett, um dos três homens mais ricos do mundo: não invista em nada que você ache incompreensível. Investir é como escolher uma roupa. Além de olhar se combina, o investidor tem de se sentir confortável com o que está usando.

 
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9. Este é um bom momento para investir na Bolsa de Valores?

Sim, desde que o investimento seja feito com cautela e que o rendimento esperado não seja a curto prazo. Para Orlando Zainaghi Jr., superintendente da corretora do Banco Santander, este é um ótimo momento para a compra de ações, mas o prazo esperado para retorno deve ser longo, superior a dois anos. O melhor a fazer é não investir todo o seu dinheiro de uma vez. As compras devem ser gradativas até metade de 2009. Além disso, o melhor é dividir o dinheiro em blocos de ações e não jogar tudo em uma empresa só.

 
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10. Pretendo comprar minha casa própria. Quais os riscos de assumir uma dívida tão grande?

O momento não é propício para assumir uma dívida como esta. O professor de Finanças Fábio Gallo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que assumir um endividamento de longo prazo significa pagar juros mais caros. O aconselhável, portanto, é esperar um pouco mais. Caso se decida pela compra, o pagamento à vista é a melhor opção. Caso não seja possível, o recomendável é não se comprometer com um financiamento que seja superior a 30% do valor do imóvel. "Quanto maior o valor em mãos para pagar à vista, melhor", ressalta o professor. "O importante é que as parcelas restantes não ultrapassem 15% da renda mensal, porque em caso de emergência fica mais fácil fazer cortes", explica.

 
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11. Devo deixar as viagens internacionais para depois?

Vale a pena pensar nessa possibilidade. O atual momento é provavelmente um dos piores para quem desejar viajar ao exterior desde o início da crise financeira. De acordo com André Sacconato, da consultoria Tendências, o vendaval financeiro entrou em uma nova fase neste início de ano, quando os grandes bancos voltaram a dar sinais de fraqueza e deixaram a economia mais nervosa - o que provocou novas elevações do dólar. Com a moeda americana em um patamar de cerca de 2,40 reais, nem mesmo as promoções oferecidas pelas agências de viagem depois do Carnaval tornam a compra de pacotes para o exterior uma boa ideia. Segundo Sacconato, os descontos nos pacotes precisariam chegar a 40% para que a viagem compensasse.

 
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12. Então o melhor é deixar a viagem para as férias de julho?

Ainda de acordo com Sacconato, o melhor mesmo é esperar pelas férias de dezembro. Segundo ele, em julho a situação já deverá estar mais calma e o momento para viajar será melhor que o atual, mas não tão bom quanto em dezembro. Para quem não abre mão de visitar outros países, o presidente nacional da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Carlos Alberto Ferreira, recomenda roteiros mais baratos, como a América do Sul. A Disney também pode ser uma boa opção já que, segundo Ferreira, o turista já sai do Brasil com o pacote que inclui ingressos para o parque, o que, segundo ele, evita surpresas com gastos extras durante a viagem.

 
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13. Trocar de carro agora é uma boa ideia?

Sim, mas prefira pagar à vista. Os estoques das montadoras estão elevados, e o governo diminuiu os impostos. O resultado é que os carros novos ficaram mais baratos - especialmente para quem não se importar em adquirir um modelo com ano de fabricação de 2008. Mas os financiamentos ficaram mais caros e mais difíceis. Além disso, os preços dos usados, que normalmente servem de entrada na aquisição de um veículo novo, caíram bastante, o que deixou a troca mais complicada. Para não deixar os pátios e concessionárias cheios, as montadoras fazem todo tipo de negociação. O problema é quando a compra precisa ser parcelada. Em compras a prazo, o consumidor enfrenta dificuldades para conseguir crédito e juros altos. À vista ou a prazo é importante manter a cautela. Automóveis continuam sendo um investimento alto para a maioria dos brasileiros. Os gastos com o veículo devem estar previstos no orçamento familiar e não devem comprometer um porcentual muito grande dele.

 
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14. Como chegar ao fim de 2009 com meu orçamento no azul?

Para garantir tranquilidade durante todo o ano, o ideal é fazer um controle rígido do orçamento familiar. Com os gastos controlados, fica mais fácil poupar dinheiro. Somadas, pequenas economias podem se transformar num bolo de dinheiro considerável no fim do ano. Além disso, é preciso pensar várias vezes antes de comprar. O desejo pode se tratar de uma vontade passageira e o gasto terá sido desnecessário. Quando a compra for inevitável, a palavra é pechinchar - o que fica mais fácil quando o pagamento é feito à vista. Se parcelar for inevitável, é preciso comparar minuciosamente as taxas de juros cobradas. Um bom conselho é não relacionar as compras somente ao dinheiro daquele mês. É sempre preciso ter em mente que possam surgir gastos extras nos meses seguintes e, portanto, ter uma reserva disponível.

 
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15. E como fazer para controlar o orçamento familiar?

Colocando tudo na ponta do lápis. Quando pensam em economizar e planejar o orçamento, as pessoas só costumam anotar os grandes gastos, mas é preciso muito mais do que isso. O ideal é ter anotado inclusive os gastos com gorjetas, lanchonetes e estacionamento. A planilha do orçamento familiar deve existir de fato, seja no papel ou eletrônica, e precisa conter desde a conta de luz até a manicure. Os pequenos gastos podem representar de 10% a 30% do salário e costumam ser gordurinhas fáceis de serem eliminadas do orçamento.

 
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24/10/2008
 
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