Chuvas e enchentes
no verão
Entra ano, sai ano e as fortes
chuvas que costumam cair no verão sempre provocam
alagamentos em várias partes do país. Em função
desses desastres, muitos moradores das regiões
prejudicadas pelas cheias perdem seus bens
e ficam desabrigados, como ocorreu na tragédia
de Santa Catarina, em novembro de 2008. Se
o filme é o mesmo todos os anos, por que não
são tomadas providências para contornar os
efeitos dos temporais da estação? A culpa
é só do governo ou também da população?
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1.
Em qual período do ano o risco de enchentes é maior?
Entre novembro e março. Para este verão, a previsão
é de que as chuvas mais fortes aconteçam em dezembro
e janeiro. De acordo com a previsão do instituto
de meteorologia Climatempo, a maior cidade do país
poderá ser muito castigada pelos temporais em janeiro,
quando uma frente fria deve estacionar em São Paulo.
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2.
O que o governo faz para evitar as enchentes?
A Defesa Civil de São Paulo se mobiliza todos os anos para tentar prevenir
os danos provocados pela chegada das chuvas de verão.
Para este ano, está em vigência desde o início de
novembro o Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC),
que tem duração prevista até o dia 15 de abril de
2009.
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3.
Quais são os principais pontos do Plano Preventivo
de Defesa Civil?
São a prevenção aos riscos e integridade física
e psicológica da população, redução das perdas e
danos causados à cidade e aos munícipes, monitoramento
e gerenciamento de áreas de risco e envolvimento
da comunidade em práticas preventivas através dos
Núcleos de Defesa Civil (Nudec).
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4.
Que tipo de obra pode ser feita numa região sujeita
a inundações?
Limpeza de bueiros e canalização, obras em córregos, ampliações de galerias
e muros de contenção, além dos piscinões, que recebem
a água das chuvas em regiões onde o relevo é favorável
às inundações.
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5.
Até que ponto é possível prever uma enchente?
Em São Paulo, o órgão responsável por isso, o Centro
de Gerenciamento de Emergências (CGE), é equipado
com um radar meteorológico capaz de fazer a previsão
do tempo com até 15 dias de antecedência. “Com isso
nós conseguimos antever a chuva e emitir boletins
para os principais orgãos envolvidos com a emergência
na cidade”, explica Hassan Barakat, engenheiro do
CGE. Em caso de uma chuva forte, o centro indica
os estados de observação, atenção (quando começa
um alagamento), alerta (alagamento, mais enchente)
e alerta máximo (decretado apenas com autorização
do prefeito).
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6.
O que a população pode fazer para evitar as enchentes?
As pessoas devem tentar manter as drenagens, valas e canaletas desobstruídas.
Nunca devem jogar lixo nas ruas, em encostas, córregos,
margens de rios ou áreas verdes. “Quando se fala
em lixo, falamos desde o papel de bala até móveis
velhos. Basta andar pela cidade, principalmente
na periferia, que você encontra facilmente geladeiras
e móveis jogados no rio. É preciso ter consciência
e não transformar um rio numa extensão de lixão”,
ressalta Hassan Barakat, do CGE de São Paulo. Além
disso, a população deve cobrar as obras necessárias
para conter as águas e fiscalizar o poder público.
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7.
Existe outra forma de ajudar?
Sim. As pessoas podem participar como voluntárias
do Núcleo de Defesa Civil (Nudec), formado por um
grupo comunitário organizado em um distrito, bairro,
rua, edifício, associação comunitária ou entidade.
O Nudec tem por objetivo organizar e preparar a
comunidade local a dar a pronta resposta aos desastres.
Suas principais atividades são incentivar a educação
preventiva, organizar e executar campanhas, cadastrar
os recursos e os meios de apoio existentes na comunidade,
coordenar e fiscalizar o material estocado e sua
distribuição e promover treinamentos.
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8.
Como acontece uma inundação?
Há dois tipos clássicos de inundações: as repentinas
e as lentas. As inundações repentinas ocorrem geralmente
em regiões de relevo montanhoso. Elas acontecem
pela presença de grande quantidade de água num curto
espaço de tempo. Chuvas fortes ou moderadas, mas
duradouras, também podem originar inundações repentinas,
quando o solo esgota sua capacidade de infiltração.
Já nas inundações lentas as águas elevam-se de forma
previsível, mantêm-se em situação de cheia durante
algum tempo e, a seguir, escoam-se gradualmente.
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9.
Quando acontece uma enchente, quem é o culpado?
Os culpados são tanto o governo como a população. O governo, por não fazer
obras preventivas, e a população, por jogar lixo
nas ruas e ocupar as encostas de forma irregular.
Quando ambos, governo e população, cumprem seus
deveres, as enchentes podem ser mais raras. “Alagamento
sempre acontecerá. Se chover mais do que o solo
agüenta, é claro que ele vai transbordar. Mas, se
a população é consciente, podemos evitar um desastre”,
afirma o engenheiro Hassan Barakat.
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10.
Perdi bens numa enchente. Como devo proceder?
Tudo depende da situação dos bens das pessoas que
foram afetadas pela tragédia. Os que têm seguro
devem imediatamente procurar seus corretores. Já
os que não têm devem procurar um advogado o quanto
antes para estudar a possibilidade de abrir uma
ação judicial contra o poder público.
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11.
O que devo fazer quando estou no carro e ocorre
uma enchente?
De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego
(CET), em caso de chuva forte, o motorista deve
imediatamente reduzir a velocidade do veículo e
evitar passar perto de rios e córregos. A CET também
recomenda que o motorista não passe por locais alagados
em que não se pode ver a rua. Em casos extremos,
quando é preciso atravessar o trecho alagado, mantenha
o carro acelerado e não troque de marcha.
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12.
O que devo fazer quando estou em casa e ocorre uma
enchente?
No caso de alagamento, a chave geral de energia
deve ser desligada, e alimentos e produtos de limpeza
devem ficar fora do alcance da água. “Além disso,
os moradores devem procurar um lugar alto para ficar”,
aconselha Ronaldo Malheiros Figueira, geólogo e
coordenador de ações preventivas e recuperativas
da Defesa Civil da cidade de São Paulo.
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