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Abril de 2009
Cartéis de drogas no México

Reuters

Para discutir formas de intensificar o combate contra o comércio de drogas na fronteira entre o México e os Estados Unidos, o presidente Barack Obama visitou o país no mês de abril de 2009. Na pauta, o grande número de armas de fogo dos EUA que chega aos cartéis mexicanos. A fronteira é um dos mais movimentados pontos de passagem de drogas do mundo, apesar de 30.000 agentes de segurança participarem da operação contra o crime organizado no país. Estima-se que o narcotráfico mexicano, quase todo direcionado aos EUA, movimenta cerca de 20 bilhões de dólares e que dois terços das cerca de 350 toneladas de cocaína que entram no país anualmente cheguem via México. Há dois anos o presidente mexicano Felipe Calderón colocou militares nas ruas para enfrentar os cartéis, o que intensificou ainda mais a violência. Entenda como o narcotráfico opera na fronteira americana.

1. Quais as drogas mais vendidas pelos cartéis mexicanos?
2. Quais os principais cartéis de drogas no México?
3. O México supera a Colômbia no tráfico de cocaína para os Estados Unidos?
4. Como é feito o transporte das drogas?
5. Em quais regiões do México atuam os cartéis?
6. De onde vêm as armas usadas pelos traficantes?
7. Quantas mortes já foram causadas pelo tráfico?
8. Que medidas já foram tomadas contra a ação dos cartéis?
9. Como reage a população mexicana diante da situação?

1. Quais as drogas mais vendidas pelos cartéis mexicanos?

Cocaína e maconha.

 
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2. Quais os principais cartéis de drogas no México?

O Cartel de Sinaloa é um dos mais perigosos e fortemente armados do país e é hoje o principal responsável pela distribuição de cocaína no mundo, transportando a droga desde os campos de cultivo até as ruas das grandes cidades dos EUA. Joaquin Guzman, seu chefe, conhecido como El Chapo, foi considerado neste ano como um dos homens mais ricos do mundo pela revista americana Forbes. Foi capturado 16 anos atrás, mas desde 2001 voltou à ativa.

Los Zetas: grupo paramilitar, originalmente formado para trabalhar para o Cartel del Golfo em uma ação "antiguerrilha" contra os zapatistas na década de 1990, ao lado dos EUA e de Israel. Hoje atuam hoje de forma independente, promovendo operações complexas de narcotráfico que demandam armamentos sofisticados. Seus integrantes traficam armas, promovem sequestros, recolhem os resgates e cometem assassinatos. Suspeita-se que eles sejam financiados por grandes empresas mexicanas. Los Zetas aceitam trabalhos de outros cartéis, como dos Beltrán Levya e do Cartel de Juárez.

O Cartel del Golfo existe desde a década de 1940, entrou para o narcotráfico nos anos 1970 e começou a controlar todas as atividades desse tipo no nordeste do México. Entre 2005 e 2007, seus integrantes enfrentaram o Cartel de Sinaloa pelo controle da cidade de Nuevo Laredo, na fronteira com o Texas. Quem comanda as ações do Cartel del Golfo é Heriberto Lazcano. Seu verdadeiro líder, Osiel Cárdenas, está preso desde 2003.

La Família Michoacana é um grupo que surgiu pequeno, mas está entre os quatro cartéis mais fortes do México. No momento, seus integrantes estão em confronto com os grupos Los Zetas e Beltrán Levya, reagindo aos roubos e sequestros provocados por estes.

O Cartel de Tijuana ficou bastante enfraquecido depois das prisões de seus líderes e do combate do governo ao tráfico. A organização, retratada no filme do diretor Steven Soderbergh Traffic (vencedor de 4 Oscar em 2001), controla o corredor Tijuana (México)-San Diego (EUA). Seu último líder, Fernando Sánchez Arellano, está em guerra com o antecessor, Teodoro García Simental, que teria se aliado ao Cartel de Sinaloa.

O grupo Beltrán Levya fazia parte do Cartel de Sinaloa e se tornou independente. Trabalha em conjunto com outros cartéis, como Los Zetas, contra as forças do Cartel de Sinaloa.

O Cartel de Juárez já foi responsável por cerca de 50% das substâncias ilegais que entram nos EUA pelo México e considerado o responsável pelo crescimento das vendas de heroína mexicana no Texas. Também está em confronto direto com grupo de Sinaloa.

 
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3. O México supera a Colômbia no tráfico de cocaína para os Estados Unidos?

O México já servia de passagem para a droga produzida na Colômbia, principalmente depois que a repressão se intensificou no Caribe e no sul da Flórida, nos anos 1980. Com o aumento da repressão na própria Colômbia, os cartéis mais famosos foram destruídos, como os de Medellín e Cali, o que abriu oportunidades para os mexicanos. Hoje, o país domina a distribuição e o comércio de cocaína nos estados das regiões oeste e central dos EUA, enquanto os colombianos controlam parte do tráfico no leste do país. A produção da cocaína permanece basicamente nas mãos dos sul-americanos. A maconha consumida pelos americanos é quase toda cultivada no México.

 
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4. Como é feito o transporte das drogas?

Os cartéis não economizam nos meios de levar a droga aos EUA. Em junho de 2008, foi capturado na costa do estado de Oaxaca, no sul do México, um submarino carregado com quase 6 toneladas de cocaína. Em novembro de 2007, foram encontrados contêineres com mais de 23 toneladas da droga, em porto do oeste mexicano. Traficantes mexicanos usavam aviões comerciais para transportar grandes quantidades de droga, como Amado Carrillo, conhecido como "O senhor dos céus". Mas a forma mais comum é por baixo da terra, em vários túneis ao longo dos 3.200 quilômetros de fronteira que separam México e EUA. Muitos dos túneis são passagens ligadas à rede de esgotos, podendo ter mais de 1 quilômetro.

 
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5. Em quais regiões do México atuam os cartéis?

Principalmente nas cidades da fronteira com os EUA, como Juárez, Reynosa, Matamoros e Tijuana. O posto de fiscalização mais movimentado do país fica entre Tijuana e a vizinha americana San Diego, na Califórnia. Por ali passam cerca de 43.000 veículos por dia, e os agentes fiscalizam os carros aleatoriamente. Nesse trecho a polícia faz uma média de quinze apreensões de drogas a cada 24 horas. Mas regiões do interior do México já sofrem com a violência dos traficantes, como Michoacan, Monterrey, Cidade do México e Guadalajara.

 
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6. De onde vêm as armas usadas pelos traficantes?

90% das armas usadas pela polícia mexicana vêm dos Estados Unidos, o que facilita a chegada também às mãos dos vários cartéis, apesar de a legislação mexicana exigir que o Ministério da Defesa aprove todas as importações. Armas destinadas à polícia ou às forças armadas são facilmente levadas até os traficantes por meio de agente corruptos. Mas o trânsito ilegal também é forte na fronteira. Segundo texto da instituição americana Brookings, especializada em questões diplomáticas, cerca de 2.000 armas são contrabandeadas dos EUA para o México diariamente.

 
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7. Quantas mortes já foram causadas pelo tráfico?

Em 2008, cerca de 7.000 pessoas foram mortas em crimes relacionados ao tráfico, como assaltos, sequestros e assassinatos. Nos primeiros meses de 2009, calcula-se que o tráfico já matou mais de mil.

 
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8. Que medidas já foram tomadas contra a ação dos cartéis?

Nos primeiros anos de mandato, o presidente Felipe Calderón colocou soldados nas ruas. Em meados de 2008, eram mais de 30.000. Analistas dizem que a medida incentivou ainda mais a violência dos cartéis, que se sentiram ameaçados ou simplesmente quiseram reforçar seu poder. Em março de 2009, as autoridades americanas anunciaram um programa de 184 milhões de dólares para colocar mais 360 agentes em postos fronteiriços. Durante o governo de George W. Bush, foi anunciado um pacote de ajuda de três anos, de 1,4 bilhão de dólares, também destinado a comprar equipamentos para combate às drogas. Estima-se que nos EUA 6 milhões são viciados em heroína, cocaína e metanfetamina.

 
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9. Como reage a população mexicana diante da situação?

Muitas pessoas se incomodam com a presença militar nas ruas, mas consideram uma "mal necessário". "É como se estivéssemos em guerra. Existem soldados por todos os lados, e uma cidade militarizada não é uma cidade. Não se pode dirigir sem ser parado, nem sair sem ser revistado", diz o estudante Glen Villarreal Zambrano. "De certa forma, os militares nos fazem sentir mais seguros. Estamos realmente precisando de apoio, inclusive internacional", complementa.

 
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