| Fevereiro de 2008 Cartão
de crédito corporativo O ano de 2008 teve início com a revelação
de mais um escândalo na esfera do governo federal: o uso abusivo dos cartões de
créditos corporativos - que, em tese, devem cobrir apenas despesas decorrentes
do exercício da função pública. Porém, somente a então chefe da Secretaria de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, que caiu após o episódio,
torrara no ano anterior 171.500 reais no cartão. A fatura honrada pelos contribuintes
incluiu 126.000 reais relativos a aluguéis de carros e 35.700 reais de hotéis
e resorts, além de despesas com padarias, bares e até free shop. Apesar das distorções,
os cartões corporativos foram criados com o objetivo contrário: dar transparência
aos gastos públicos e evitar abusos. Confira abaixo mais informações a respeito: | |
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1. Afinal, o
que são os cartões corporativos do governo? Em 2001, o governo começou
a distribuir cartões de crédito a seus funcionários de mais alto escalão. Eles
deveriam ser usados por ministros e seus assessores principalmente em viagens
para pagar despesas imprevistas decorrentes do exercício do cargo. Também serviriam
para que as repartições públicas tivessem mais flexibilidade para fazer compras
que não precisam de licitação. Em tese, dariam mais transparência aos gastos,
já que a natureza das despesas fica discriminada nos extratos. |
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2. Eles
continuam de uso exclusivo de ministros e seus assessores? Não. Inicialmente,
os cartões realmente só eram utilizados por ministros, secretários e pelos responsáveis
pelas finanças das repartições públicas. Atualmente, porém, seu uso está disseminado
entre todas as categorias - de policiais federais a antropólogos da Funai. O campeão
do crédito fácil é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O IBGE entregou
1.746 cartões a seus servidores. Só em sua unidade paulista, 260 servidores desfrutam
esse benefício. | | | | •
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3. Qual
é, então, o critério de distribuição dos cartões? Nenhum. Não existe
critério que estabeleça quais funcionários podem ter nas mãos um desses cartões.
Pela legislação atual, os portadores de cartões são escolhidos segundo a "necessidade
de cada repartição". Isso significa que, na prática, cada secretaria, ministério
ou fundação decide quem serão os felizardos agraciados com um pedacinho do Tesouro
para gastar. | | | | •
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4. Quantos
desses cartões estão em uso? Segundo levantamento do Palácio do
Planalto feito a pedido de VEJA, no início de 2008 havia 11.510 cartões nos bolsos
de autoridades. O número é mais de três vezes superior ao registrado em 2004,
quando havia 3.167 unidades. As despesas subiram na mesma velocidade. |
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5. Qual
a despesa desses cartões para os cofres públicos? Confira no gráfico
abaixo a evolução dos gastos realizados com os cartões de crédito corporativos
do governo. 
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6. É
possível rastrear todas essas despesas? Não. Só é possível verificar
o destino de 25% delas. Tome-se, por exemplo, o ano de 2007, em que a despesa
total atingiu 78 milhões de reais. É impossível determinar como foram gastos nada
menos do que 58 milhões de reais. Isso porque esse montante foi sacado em dinheiro
vivo em caixas eletrônicos. Aparentemente, ninguém controla esses gastos. |
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7. Há
um limite para gastos com o cartão? É quase inacreditável, mas o
governo não sabe responder a essa questão. Quando a farra dos cartões veio a público,
o governo divulgou que os cartões tinham limite mensal de 8.000 reais. Sabe-se,
porém, que a ex-secretária da Igualdade Racial torrou, em média, 14.300 reais
por mês. Cada repartição, além de definir quem terá direito aos cartões, também
fixa o limite que cada um poderá gastar. O governo nunca se preocupou em impor
algum tipo de controle. Os esforços foram feitos no sentido oposto, o de aumentar
a liberalidade. Nos meses que antecederam o estouro do escândalo, o Planalto e
o Ministério do Planejamento estimularam a emissão de novos cartões. A alegação
é a de que o uso deles aumentaria a transparência dos gastos, pois a fatura é
de fácil consulta e pode ser publicada na internet. | | |
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8. O
escândalo pode levar a uma alteração na regulação a respeito? É
possível. Depois que a farra com os cartões corporativos foi descoberta, o Tribunal
de Contas da União decidiu fazer um mutirão para analisar todas as faturas dos
cartões oficiais. O tribunal pretende processar quem não apresentar nota fiscal
ou recibo de cada uma das despesas efetuadas com o cartão. A ministra da Casa
Civil, Dilma Rousseff, também decidiu agir. Determinou à Controladoria-Geral da
União que inicie imediatamente uma auditoria sobre a gastança. A ministra colocou
cadeado em um cofre que já havia sido arrombado, mas, se o controle funcionar
daqui para a frente, será um avanço. Ela sinalizou ainda que o uso dos cartões
pelos ministros será reavaliado. O Ministério do Planejamento, por sua vez, estuda
substituir os cartões corporativos dos ministros por diárias de viagem em território
nacional. Para viagens internacionais, os pagamentos já são feitos por meio de
diárias. | | | | •
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