Carga tributária
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Uma queixa recorrente entre quase todos os
brasileiros é o peso que a carga tributária
exerce sob a vida das pessoas e empresa. Entra
ano, sai ano e o governo federal sempre anuncia
medidas que mexem diretamente no bolso dos
consumidores e das empresas. Em momentos de
crise financeira, quando a ameaça aos cofres
do governo passa a ser uma realidade, anúncios
sobre reajustes para cima ou para baixo de
determinados tributos passam a tomar conta
do noticiário. Alguns tributaristas, como
o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário (IBPT), Gilberto Luiz do Amaral,
são ferrenhos críticos do atual sistema tributário,
que deverá fechar 2008 com uma arrecadação
total de cerca de 1,05 trilhão de reais. Em
2007, o valor foi de 903,64 bilhões de reais.
Para Amaral, “o país induz o pobre a pensar
que não paga imposto por causa das inúmeras
isenções que existem quando, na verdade, ele
é o que mais paga”. Na opinião do professor
Francisco Barone, da Fundação Getúlio Vargas
e da Escola Brasileira de Administração Pública
e de Empresas (Ebape), o Brasil perde competitividade
no cenário internacional quando aumenta a
carga tributária. A seguir, as explicações
dos dois especialistas sobre o tema.
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1.
O que é carga tributária?
É a quantidade de tributos (impostos, taxas e contribuições)
das três esferas de governo (federal, estadual e
municipal) que incidem sobre a economia, que é formada
pelos indivíduos, empresas e os governos nos seus
três níveis.
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2.
Quantos impostos, taxas e contribuições compõem
a carga tributária?
O sistema tributário brasileiro é composto por
61 tributos federais, estaduais e municipais. Especialistas
da área consideram essa quantidade um exagero, o
que contribui para a complexidade das normas que
regulamentam os tributos. Isso faz com que empresas,
principalmente as de grande porte, tenham departamentos
específicos para cuidar exclusivamente da administração
tributária.
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3.
Em outros países a situação é a mesma?
Países desenvolvidos têm uma estrutura tributária
mais eficiente, com uma menor quantidade de tributos.
Isso, no entanto, não necessariamente implica em
dizer que eles cobram menos impostos em termos porcentuais
do Produto Interno Bruto (PIB, todo valor adicionado
aos produtos e serviços produzidos pelo país em
um determinado período de tempo).
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4.
E qual é o porcentual da carga tributária em relação
ao PIB brasileiro?
Em 2007, a carga tributária correspondeu a 35,3%
do PIB, conforme o último estudo tributário divulgado
pela Receita Federal.
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5.
Como essa proporção se compara com a dos outros
países?
De acordo com um ranking organizado pelo Banco
Mundial, o Brasil está na 145ª posição entre os
países com maior carga tributária em relação ao
PIB. No total, 181 países foram pesquisados. Em
termos de competitividade, o país fica em 125º lugar.
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6.
Essa participação da carga tributária no PIB tem
diminuído ou crescido?
Em 1997, a carga tributária correspondia a 27,81%
do PIB. Em dez anos, esse valor cresceu em 7,49
pontos porcentuais. Os especialistas consultados
por VEJA.com afirmam que esse crescimento é bastante
significativo.
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7.
O aumento indica que o país cresceu economicamente?
Em termos reais do PIB houve, de fato, crescimento
econômico do país. Esse crescimento foi proporcional
ao aumento real da carga tributária cobrada das
empresas e dos cidadãos em geral.
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8.
E quem paga mais imposto são as empresas?
Na verdade, quem paga é sempre o consumidor. As
empresas apenas repassam ao governo os tributos
vindos do consumidor que adquiriu o produto ou serviço,
com exceção das tributações sobre os lucros das
empresas.
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9.
Por que quem paga mais é o consumidor brasileiro?
Porque a tributação no Brasil incide majoritariamente
sobre o consumo, enquanto os países mais ricos concentram
a maior parte de sua cobrança sobre o patrimônio
e a renda.
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10.
Qual seria o modelo ideal de sistema tributário?
Especialistas afirmam que a participação da carga
tributária não deveria ultrapassar os 25% do PIB.
Dessa forma, atenderia melhor as necessidades de
crescimento vegetativo da economia e da infra-estrutura
do país. Tributaristas defendem que o país tem de
criar uma meta de carga tributária de 15% do PIB
dentro de 15 a 20 anos.
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11.
E por que isso não acontece no Brasil?
O país tem uma série de compromissos estabelecidos
pela Constituição Federal, como aplicação de limites
mínimos de recursos em saúde, educação, segurança,
pagamento de seguro desemprego e salário mínimo.
Alguns críticos do sistema tributário afirmam que
o Brasil optou por ser um estado assistencialista,
com direitos muito evidentes para toda a população,
criando a partir daí uma política capaz de dar conta
desses gastos públicos através do aumento da tributação.
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12.
E qual seria a solução para esse problema?
Para que o estado consiga reduzir a carga tributária,
ele precisa de uma melhor gestão dos recursos e
de uma redução da corrupção e do empreguismo, que
são, para muitos tributaristas, o ralo por onde
escoa um grande volume de dinheiro público.
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13.
Apenas essas medidas já seriam o bastante?
Alguns especialistas defendem também o fim de programas
assistencialistas e um maior investimento na infra-estrutura
do país como forma de promover o desenvolvimento
e crescimento econômico. Isso, por conseqüência,
implicaria numa maior redistribuição da riqueza
e diminuição da distância entre as classes sociais.
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14.
Privatizar alguns setores seria uma solução?
Nesse momento de crise internacional, alguns conceitos
que nortearam o liberalismo econômico estão sendo
revistos depois que o estado foi chamado para suprir
a ineficiência do setor privado de vários países.
Diante desse fato, o mais recomendável é o investimento
na construção de estradas, portos e aeroportos para
dar condições ao país crescer assim que os sinais
da crise financeira internacional cessarem.
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15.
O país conseguirá lidar com a crise financeira mantendo
a atual carga tributária?
É pouco provável. É por isso que o governo federal
decidiu abrir mão de cerca de 8,4 bilhões de reais
em impostos no fim de 2008. O pacote tributário
incluiu o corte de algumas taxas, como o Imposto
sobre Produtos Industrializados (IPI) das montadoras
de veículos e o Imposto sobre Operações Financeiras
(IOF) para o consumo, além da criação de duas novas
alíquotas do Imposto de Renda Pessoa Física.
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16.
Por que é tão complicado reduzir os tributos?
Os especialistas da área concordam que se trata
de uma questão de vontade política. Uma das versões
da reforma tributária está no Congresso Nacional
desde o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso
(1995-98). Esses mesmos especialistas lembram que
estados e municípios não querem perder parte de
sua arrecadação.
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17.
Diminuir a carga tributária geraria menos dinheiro
para o governo?
Conforme alguns consultores, o alto valor dos tributos
incentiva a sonegação por parte das empresas. Uma
redução nesse valor diminuiria o porcentual da carga,
mas poderia aumentar a arrecadação porque as empresas
seriam mais colaborativas. Assim, o governo garantiria
seus recursos.
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18.
Quantas versões de reforma tributária tramitam no
Congresso?
O Congresso aprovou treze emendas sobre o assunto
nos vinte anos passados desde a promulgação da Constituição
Federal de 1988. Atualmente, duas das propostas
de emendas que estão em tramitação merecem destaque:
a do deputado federal Sandro Mabel (PR-GO), que
deverá ser votada até março de 2009, e a do senador
Francisco Dornelles (PP-RJ), apresentada em março
de 2008.
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19.
Qual das duas propostas pode ser considerada a melhor?
A do deputado Mabel diminui a quantidade de nomes
dos impostos e as legislações específicas, diminuindo
o custo das empresas com a administração tributária,
mas não implicaria em uma redução da carga tributária
total, dizem alguns especialistas. A proposta de
Dornelles é vista de forma mais positiva, já que
apresenta propostas que mudariam toda a estrutura
do sistema tributário, contribuindo para uma real
redução de sua carga.
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