| Junho de 2008 Campanha
eleitoral americana O presidente americano, George W. Bush,
tem pouco mais de seis meses de mandato pela frente e a sucessão é o tema do momento
nos EUA. Com a definição dos candidatos dos dois principais partidos, Democratas
e Republicanos, a briga pelo posto na Casa Branca deve esquentar ainda mais. Entenda
quais são os próximos passos até o dia da votação (4 de novembro): | |
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1. Quando os
eleitores americanos elegerão seu novo presidente? A eleição está
marcada para 4 de novembro de 2008. O pleito indicará o 44º presidente dos Estados
Unidos, pois o atual ocupante do cargo, George W. Bush, do Partido Republicano,
não pode concorrer outra vez – ele já foi reeleito em 2004, quando derrotou John
Kerry, do Partido Democrata. Ao contrário do que geralmente ocorre nos EUA, onde
um presidente reeleito costuma apoiar seu vice na eleição seguinte, Dick Cheney
não será candidato. Por escolha própria, o vice de Bush abdicou da disputa antes
mesmo da votação de 2004 (quando Bush chegou a cogitar a troca de seu companheiro
de chapa). Será a primeira eleição sem um presidente ou vice em 80 anos. |
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2. Por
que os pré-candidatos começaram essa campanha tão cedo? Por causa
da realização das eleições primárias, no início de 2008, e da busca de recursos
para financiar as campanhas, a corrida começou nos primeiros meses de 2007. Em
primeiro lugar, os pré-candidatos precisavam ganhar projeção nacional (em palestras,
comícios e viagens) e viabilizar uma candidatura vitoriosa. Só assim teriam chances
de chegar às primárias com força. Em relação à arrecadação, é uma necessidade
legal. A legislação eleitoral americana é muito rigorosa no controle das doações
feitas pelos simpatizantes de cada pré-candidato. Para poder receber qualquer
valor, o político que almeja chegar à Casa Branca deve obrigatoriamente formar
um "comitê exploratório", tornando oficial sua intenção de concorrer. |
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3. Como
funciona o processo de eleição do presidente americano? O presidente
não é eleito por voto popular, mas sim por um colégio eleitoral. O colégio tem
538 votos, divididos entre os estados. Em quase todos, o vencedor do voto popular
leva todos os votos do colégio eleitoral do estado. Na eleição de 2000, Bush venceu
assim: mesmo tendo menos votos que o rival Al Gore na soma do país todo, foi o
mais votado na Flórida, e levou todos os votos do colégio eleitoral naquele estado.
A distribuição dos votos no colégio é feita de acordo com o número de deputados
e senadores de cada estado. O estado mais populoso, a Califórnia, tem 55 votos
no colégio (ou cerca de 10% do total, apesar de abrigar 12% da população americana). |
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4. Por
que a escolha do presidente não é feita pela votação popular? O
sistema de colégio eleitoral é uma velha tradição americana, e por isso jamais
foi alterado. Ele surgiu na constituição de 1787, quando os treze estados que
formavam o país na época não quiseram entregar a eleição do presidente ao povo.
Assim, cada assembléia legislativa estadual ficava encarregada de votar no colégio.
Com o tempo, os membros do colégio passaram a ser apontados pelos partidos e,
em seguida, pela votação popular – o que ocorre até hoje. De tempos em tempos
aparecem tímidas propostas para mudar o sistema. A possibilidade de transformação,
porém, é considerada remota, pelo menos a curto e médio prazos. |
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5. Como
os candidatos são indicados por democratas e republicanos? Através
das convenções dos partidos, em que delegados de todos os estados se reúnem e
indicam quem é o candidato de sua preferência. Os delegados, por sua vez, são
escolhidos nos meses que antecedem as convenções, em votações primárias e assembléias
("caucuses"), nos estados. Nas primárias, os eleitores filiados a cada partido
vão às urnas – de forma voluntária – e indicam qual candidato preferem. Na assembléia,
ou caucus, os eleitores se reúnem em locais públicos ou residências, discutem
qual é o melhor nome e optam por um deles. A porcentagem de votos nas primárias
e de adesões nas assembléias corresponde ao número de delegados enviados à convenção
para defender cada candidato. Na prática, o favorito dos seguidores de cada partido
é apontado pelos próprios eleitores e depois consagrado publicamente nas convenções. |
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6. Qual
é o calendário depois de concluída as primárias? Apesar dos candidatos
dos dois principais partidos já estarem definidos, a convenção que oficializa
a candidatura de cada um deles ainda não ocorreu. Entre 25 e 28 de agosto, os
democratas realizam a sua convenção, em Denver, Colorado. Entre 1 e 4 de setembro,
é a vez dos republicanos, em St. Paul, Minnesota. Só então a campanha começa oficialmente.
Depois da votação de 4 de novembro, os integrantes do colégio eleitoral se reúnem
em 15 de dezembro para confirmar o vencedor. No dia 6 de janeiro de 2009, o resultado
oficial é apresentado ao Congresso dos EUA. Em 20 de janeiro, o novo presidente
é empossado. | | | | •
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7. Quem
é o candidato da oposição democrata? O senador por Illinois, Barack
Obama, alcançou o número de delegados suficiente para garantir sua candidatura
à Casa Branca. Foram cinco meses de disputa com a senadora por Nova York, Hillary
Clinton. Obama cresceu nas pesquisas com o apoio declarado da apresentadora de
TV Oprah Winfrey. | | | | •
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8. Quem
é o candidato dos republicanos (governistas)? O senador pelo Arizona,
John McCain, foi o escolhido para representar o partido Republicano nas eleições
de novembro. Ele foi nomeado em março, depois de vencer as prévias em quatro Estados,
entre eles Texas e Ohio. MacCain alcançou o número de delegados necessário e ganhou
o apoio do atual presidente George W. Bush. | | |
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9. Quais
os pontos fortes de cada candidato? De um lado o candidato democrata,
Barack Obama, aproveita-se da esperança de mudança de boa parte dos americanos
para atrair votos. Com carisma e juventude chama a atenção dos mais jovens, cansados
do continuismo na política, depois de dois mandatos seguidos de George W. Bush.
Se eleito, Obama será o primeiro negro na presidência. No outro canto do ringue,
o experiente republicano John McCain, de 71 anos. Combatente na guerra do Vietnã,
o republicano criticou Bush nos casos de tortuna na base de Guantánamo, mas mantém
uma postura mais firme que Obama em relação às questões de segurança do país e
não admite conversa com os inimigos. | | | | •
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10.
Existe um favorito? Não, os Estados Unidos normalmente ficam dividos
entre os principais partidos. Por isso, é impossível prever o resultado das eleições.
Pesquisas que simulavam o confronto entre Obama e McCain, divulgadas em maio,
dão vantagem ao primeiro. Obama teve 46,1% das intenções de voto, segundo a Real
Clear Politics (RCP). Contudo, com o sistema de colégio eleitoral, um candidato
favorito disparado na eleição popular pode não conseguir vencer o pleito. |
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11.
Qual será o papel de George W. Bush e Dick Cheney na eleição? Se
a popularidade do presidente continuar baixa, Bush deverá se afastar da campanha.
Se recuperar pelo menos parte de sua aprovação popular, deverá subir ao palanque
do candidato republicano para pedir votos e tentar garantir a manutenção do partido
no poder. Em qualquer cenário, porém, Bush e Cheney serão personagens centrais
da disputa. Os democratas deverão centrar fogo nos fracassos da gestão republicana.
Os governistas tentarão defender as escolhas do atual presidente – ou, numa jogada
mais arriscada, criticar o próprio governo Bush e tentar ganhar votos com a insatisfação
provocada pelo atual governo. | | | | •
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12.
Qual é o peso da guerra do Iraque para a campanha presidencial? Todos
os analistas políticos americanos apontam a guerra como o tema central da disputa
presidencial de 2008. A crescente falta de apoio popular à presença americana
no Iraque pode minar as chances de vitória dos republicanos. Barack Obama deve
insistir no assunto, pois não estava no Congresso quando os EUA atacaram o Iraque,
por isso, não tem histórico de votações favoráveis a Bush na questão. Nos últimos
meses, Obama foi um dos principais críticos da guerra na política americana. |
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13.
Qual resultado é melhor para o Brasil? Democrata ou republicano? Ainda
não se sabe. Os governos republicanos geralmente são menos protecionistas do que
os democratas, o que em teoria beneficia os produtores brasileiros que exportam
para os EUA. Mesmo assim, os políticos democratas têm a simpatia de muitos setores
importantes da política brasileira, enquanto a rejeição ao partido de Bush é grande
no país. | | | | •
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14.
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