Arte Roubada
Roubos de obras
de arte no Brasil têm chamado cada vez mais
a atenção, ao revelar a fragilidade do sistema
de segurança que deveria proteger trabalhos
de altíssimo valor. Mas afinal: há seguro
e registros para as peças? Como funciona o
mercado de artes? Os roubos são de fato encomendados
por colecionadores obcecados? Para entender
essas e outras questões relacionadas ao assunto,
confira o texto a seguir, com esclarecimentos
do consultor de arte e leiloeiro James Lisboa.
Confira ainda a Galeria
de Imagens com 15 peças de
autores nacionais e estrangeiros roubadas
no Brasil nos últimos anos - e a indicação
sobre o paradeiro dessas preciosidades hoje.
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1.
Como saber a origem de uma obra de arte que eu estou
comprando?
As galerias devem informar a origem das peças que
ofertam. Daí, a importância de procurar as casas
renomadas do ramo. No caso de leilões, em geral
os eventos de grande porte possuem um catálogo detalhado
com o histórico de todas as obras que serão postas
à venda. O fato de esses documentos serem públicos
e circularem livremente dá mais credibilidade e
lisura aos leilões.
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2.
Existe algum documento específico que garanta a
autenticidade das peças?
Algumas galerias e leiloeiros fornecem um documento
de garantia da obra, mas isso não é obrigatório.
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3.
Há obras sem documento?
Sim, o mercado de artes é um nicho em que os negócios
ainda se apoiam na confiança entre as partes. Por
isso, o interessado em adquirir uma peça deve procurar
se informar sobre o local onde irá adquirir as obras.
Isso é fundamental.
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4.
Como são feitos os registros das obras? Que órgãos
ou pessoas estão aptas a emitir esses documentos?
Em geral, os certificados são emitidos por peritos
em artes ou pessoas ligadas a instituições que se
responsabilizam por zelar pelo acervo dos artistas.
No Brasil, é o caso da Fundação Portinari, que emite
todos os laudos de obras atribuídas a Cândido Portinari.
O mesmo acontece com outros autores, no Brasil e
o mundo.
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5.
Existem obras que não podem ser vendidas?
Sim, mas todas elas pertencem a museus ou são patrimônios
públicos. As peças pertencentes a pessoas físicas
ou instituições particulares podem ser comercializados
normalmente.
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6.
Como
funciona o seguro das obras de arte?
No Brasil, as empresas só fazem o seguro quando
a obra de arte é fixa, ou seja, não irá sair do
imóvel do proprietário. Caso a peça seja roubada
e a seguradora for acionada, ela irá pagar o prêmio
ao proprietário; se o item for recuperado, se torna
propriedade da seguradora. Se o dono não acionar
o seguro e a obra recuperada estiver danificada,
cabe ao proprietário pedir o prêmio à seguradora
e, em troca, entregar a peça danificada.
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7.
É verdade que parte dos roubos realmente ocorre
por encomenda de colecionadores obcecados?
Essa informação é veiculada a cada roubo de obra
relevante, mas as investigações não confirmam a
suspeita. Segundo um estudioso do assunto, o americano
Noah Charney, autor do livro O Ladrão de Arte,
o colecionador excêntrico que comissiona um roubo
para seu deleite pertence ao mundo da ficção. Após
o crime, de acordo com Charney, as peças seguem
para o mercado negro internacional, a exemplo do
que aconteceu com uma tela Matisse, que poucos
dias depois de ser roubada do Museu Chácara do Céu,
no Rio de Janeiro, apareceu em um site de bielo-russo
de leilões virtuais. As provas reunidas pela polícia
durante as investigações dos roubos do museu carioca,
do Masp e da Pinacoteca indicam que havia alguém
acima dos assaltantes e que os roubos foram encomendados,
mas não há informações se as encomendas seriam para
o mercado paralelo ou para colecionadores.
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8.
Como é feita a avaliação do valor de uma obra de
arte?
Vários fatores influenciam o valor de uma obra
de arte, como o artista que assinou o trabalho,
as dimensões da peça e a técnica empregada (óleo
sobre tela, técnica mista, aquarela, entre outras).
Outro ponto importante é o estado de conservação
da obra: a pessoa que a avalia confere se o trabalho
já passou por restauração e se todos os seus detalhes
mantêm-se originais - o que valoriza a peça.
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9.
O mercado de obras de arte é considerado uma boa
opção de investimento?
O interessado em investir no mercado deve visitar
muitas instituições, galerias e leilões antes de
adquirir uma obra de artista. Quanto ao retorno
financeiro, o consultor de arte e leiloeiro James
Lisboa alerta: "Trata-se de um investimento a longo
prazo. O ideal é, após a compra de determinada obra,
esperar cerca de cinco anos para revendê-la".
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10.
Como faço para entrar no mercado de obras arte?
A pessoa interessada em entrar nesse mercado deverá
se informar a respeito das obras que deseja adquirir.
Depois, basta acompanhar os informes de galerias
e casas leiloeiras para saber o que estará à venda
e quando. Os leiloeiros são obrigados a anunciar
os pregões em jornais e revistas de grande circulação.
Uma vez conhecidos os pontos de venda e os produtos,
basta frequentar os leilões e adquirir peças.
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11.
Os leilões são abertos para o público em geral ou
restritos a convidados?
Por lei, todo leilão é aberto a qualquer pessoa
- ele é público. A única restrição que o leiloeiro
pode impor é obrigar os frequentadores de um evento
a preencher um pré-cadastro com informações como
nome, endereço e garantias bancárias. O objetivo
é comprovar que aquele interessado poderá de fato
honrar a compra que planeja fazer.
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