| Abril de 2007 Controle
de armas nos Estados Unidos
O assassinato de 32 pessoas na Universidade
Técnica da Virgínia, no dia 16 de abril de 2007, reabriu a discussão nos Estados
Unidos acerca do controle de armas em poder da população civil. Para promover
o massacre, o estudante sul-coreano Cho Seung-Hui usou duas pistolas - uma delas
legalmente adquirida por 571 dólares (cerca de 1.200 reais) um mês antes da tragédia.
Começava, assim, o maior massacre ocorrido no interior de uma universidade nos
EUA.
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1. Por que é
tão fácil obter uma arma nos Estados Unidos? O porte privado é pouco
regulamentado, e cada estado aplica suas próprias leis sobre as permissões para
compra, posse e controle de armas. Em 43 estados, por exemplo, não é necessário
ter licença ou registro para obter uma. No Texas e em outros cinco estados, não
há idade limite para obtê-las. | | | | •
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2. Por
que o controle do estado nesse tema é tão tênue? O direito de possuir
um arma está ligado à fundação dos Estados Unidos e é visto como a conquista de
uma liberdade individual. Tanto assim que a Constituição dedicou um trecho específico
ao tema - a famosa Segunda Emenda, de 1791. O texto diz: "Sendo necessária à segurança
de um Estado livre a existência de uma milícia bem organizada, o direito do povo
de possuir e usar armas não poderá ser impedido." | | |
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3. Tragédias
como a ocorrida na Virgínia podem provocar mudanças na lei? Depende
dos rumos da discussão no interior da sociedade americana. Porém, especialistas
adiantam que mudanças drásticas são improváveis. Isso porque, como explicado no
item anterior, a posse de armas é vista como um direito conquistado. Segundo pesquisas,
dois terços dos americanos são contra o controle das armas. |
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4. O
assunto entrou para o debate da sociedade e da classe política dos EUA?
Sem dúvida. Imediatamente após a tragédia da Virgínia, a mídia recolocou o assunto
em pauta. O influente jornal The New York Times incentivou abertamente
a intervenção do estado no assunto: "O que é necessário, urgentemente, são controles
mais fortes sobre as armas letais que causam tal carnificina devastadora e perdas
irreparáveis." Alguns políticos também vieram a público dizer o que pensavam e
espera-se que o assunto entre na agenda da campanha da sucessão presidencial de
2008. | | | | •
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5. Qual
a posição dos democratas a respeito? Os democratas não tomaram posição
clara. Anteriormente, porém, a pré-candidata à Casa Branca Hillary Clinton havia
sugerido a criação de uma carteira com foto para identificar os portadores de
armas, além de um registro nacional de vendas. John Edwards e Barack Obama, outros
presidenciáveis, já fizeram discursos parecidos. Porém, os democratas temem endurecer
o discurso. Na avaliação deles, em 2000, o então candidato Al Gore perdeu votos
no sul do país ao propor a obrigatoriedade de registro aos portadores de armas. |
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6. E
a dos republicanos? Logo depois das 33 mortes na Virgínia, o ex-prefeito
de Nova York e pré-candidato à presidência Rudy Giuliani foi taxativo: "O direito
de portar armas é garantido pela Constituição. Esse direito, é claro, não será
ferido." | | | | •
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7. Muitos
americanos possuem armas? Cerca de 34% da população; há cerca de
200 milhões de armas nas mãos dos civis. Além disso, mais de 300 empresas produzem
armas no país. | | | | •
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8. Por
que episódios como o ocorrido na Virgínia são relativamente comuns nos EUA? Os
especialistas se dividem nessa questão. Entre as razões, aparecem desde a facilidade
de acesso a armas até a violência advinda dos videogames. Os especialistas destacam
a "banalização da violência" na cultura americana, calcada no hábito da disputa
exacerbada em que o "vencedor leva tudo" e o "perdedor perde tudo". Ao protagonizar
episódios trágicos, os atiradores viveriam, segundo essa ótica, seu dia de "vencedores". |
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9. Quais
foram os demais episódios similares ocorridos nos últimos anos? O
caso mais recente ocorreu em setembro de 2006, quando um estudante invadiu uma
escola rural do Condado de Richland, no Wisconsin, disparando um rifle e uma pistola:
o diretor saiu gravemente ferido. Mas o caso que chocou o país ocorreu em abril
de 1999: dois estudantes mataram 12 colegas e uma professora no Colégio Columbine,
em Littleton (Colorado), antes de se suicidarem. | | |
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10.
Os estudantes podiam portar armas na Universidade da Virgínia? Na
maior parte do campus, não. Curiosamente, a proibição foi alvo de críticas após
a tragédia. A Liga da Defesa dos Cidadãos do estado sugeriu a liberação, alegando
que bastaria que uma das vítimas do massacre estivesse armada para que o assassino
fosse contido. | | | | •
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11.
As universidades americanas podem tomar alguma medida preventiva? Escolas
e faculdades já vêm adotando medidas nos últimos anos, como a adoção de sistemas
de cartões magnéticos para controlar a entrada de pessoas. Pais pedem às autoridades
que os estabelecimentos sejam reforçados com guardas e detetores de metais. Há
ainda a sugestão de um sistema de pânico: em caso de emergência, qualquer pessoa
da escola ou universidade poderia escrever uma mensagem, apertar um botão e disparar
o alerta para todos. | | | | •
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