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Novembro de 2007
Novo apagão energético
No final de outubro
de 2007, para acionar as usinas térmicas devido
ao baixo nível dos reservatórios de água que alimentam
as hidrelétricas, a Petrobras cortou o fornecimento
de gás em 17%, em São Paulo e no Rio de Janeiro
- onde se concentram os dois maiores parques industriais
do país. A medida pegou de surpresa grandes empresas,
que se viram obrigadas a interromper sua produção,
movida a gás. Além disso, houve filas de carro
nos postos de GNV (gás natural veicular). O episódio
despertou o receio de um novo apagão energético,
a exemplo do que ocorreu em 2001. Mas, afinal,
esse medo é real? Confira essas e outras questões
abaixo:
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1.
O Brasil corre o risco de sofrer um novo apagão?
Sim. A oferta de eletricidade no país, por exemplo,
vem crescendo num ritmo inferior ao do consumo. Segundo
os números disponíveis, as duas taxas
se equilibram atualmente - ou seja, estamos no limite.
Por isso, é provável que o fantasma do
apagão volte em 2010, considerando-se um crescimento
do PIB de 4,5% ao ano até lá.
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2.
O que pode ser feito a curto prazo?
Segundo especialistas do setor, é possível
adotar medidas positivas em várias áreas,
tais como:
- simplificar os procedimentos para a instalação
de novas usinas hidrelétricas, principal fonte
de energia do país;
- estimular a concorrência no fornecimento de
gás natural, atualmente sob monopólio
da Petrobras;
- tornar atrativo o preço da energia gerada pelas
usinas de bagaço de cana.
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3.
Qual a responsabilidade do governo no tema?
Estudos mostram que o governo Lula não iniciou
nenhuma grande obra de geração de energia.
Mais de 90% das usinas inauguradas pelo petista foram
licitadas nos anos de Fernando Henrique Cardoso. Desde
2003, 17.500 megawatts foram acrescentados à
matriz energética. Desses, apenas 1.700 megawatts
foram contratados durante a atual administração,
energia suficiente para abastecer não mais do
que 5 milhões de residências.
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4.
Qual o peso do gás na matriz energética
brasileira?
Desde o apagão de 2001, os governos procuram
convencer os brasileiros de que o gás natural
é um ótimo substituto para a energia hidrelétrica
e a gasolina. Seu consumo foi largamente estimulado.
Deu certo. Desde 2000, sua utilização
cresceu 120%; em 2006, o produto já respondia
por cerca de 10% de toda a matriz energética
nacional. Seu uso é atualmente imprescindível
não apenas no 1,5 milhão de veículos
e nas dezenas de fábricas que o utilizam, mas
também, de forma emergencial, na geração
de energia elétrica. Durante os períodos
de estiagem, quando cai o nível dos reservatórios,
são acionadas as cerca de vinte usinas termelétricas
movidas a gás inauguradas depois do apagão.
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5.
De onde vem o gás que o Brasil utiliza?
Todo o gás natural no Brasil é fornecido
pela Petrobras. Metade dele vem da Bolívia, e
o restante, de poços brasileiros. O fornecimento
aos consumidores finais, como indústrias, é
feito por meio de distribuidoras privadas.
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6.
O que ocasionou o corte no fornecimento de gás?
O racionamento de outubro de 2007 decorre pura e simplesmente
da falta de planejamento de longo prazo e do baixo nível
de investimento em infra-estrutura no país. Ninguém
se importaria com a escassez de gás se os projetos
de novas usinas hidrelétricas tivessem saído
do papel. Como questões ambientais e regulatórias
travam esses investimentos, ampliou-se a necessidade
do gás de origem termelétrica. Já
o baixo nível dos reservatórios não
seria tão dramático em tempos de seca
se houvesse mais fontes de gás no país.
Mas não há uma coisa nem outra.
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7.
O setor do gás enfrenta outros problemas?
O gasoduto Brasil-Bolívia, que representa metade
do consumo nacional, está no seu limite. O projeto
de ampliá-lo não foi adiante nem será
agora com o risco político representado pelo
fanfarrão presidente boliviano Evo Morales. A
Petrobras preferiu dedicar-se de corpo e alma à
meta de atingir a auto-suficiência em petróleo.
Outro ponto a ser considerado é a falta de concorrência
no fornecimento do combustível. Em tese, qualquer
empresa privada poderia competir com a Petrobras na
produção de gás. O problema é
que os gasodutos existentes estão nas mãos
da Petrobras. Haveria a possibilidade de importar gás
liquefeito, mas a infra-estrutura portuária necessária
para isso ainda não existe. Na prática,
o fornecimento de gás no país depende
apenas do planejamento de uma única empresa.
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8.
A megajazida de petróleo e gás de Tupi,
na Bacia de Santos, pode resolver o problema do gás
no Brasil?
Ainda é cedo para saber. Por enquanto, a certeza
é de que as reservas de petróleo são
realmente gigantes - cerca de 8 bilhões de barris,
o que eleva em mais de 50% o estoque brasileiro, atualmente
nos 14 bilhões. Mas a Petrobras, responsável
pelas pesquisas, ainda não precisou o tamanho
das reservas de gás. De qualquer forma, mesmo
no caso do petróleo, os benefícios econômicos
da descoberta só virão literalmente à
superfície por volta de 2013, quando deve começar
a exploração em escala comercial da megajazida
de Tupi.
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9.
Um eventual apagão energético pode colocar
em risco o crescimento do país?
Sim. Nos últimos quinze anos, o país
vem se integrando cada vez mais à economia mundial,
e nunca antes o acesso a bens foi tão disseminado.
O consumo avançou tão rapidamente que
o Brasil começa a trombar cada vez mais em seus
limites. As reformas foram feitas pela metade, ainda
falta muito a privatizar e inexiste planejamento de
longo prazo. Enquanto não houver investimentos
em hidrelétricas e em novas fontes de gás,
esse mesmo roteiro virá sempre à tona.
Até lá, a sorte do país estará
nas mãos das chuvas de São Pedro e do
gás de Evo Morales.
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10.
A escassez de energia pode provocar um aumento de tarifas?
Sim. Logo após o corte de fornecimento de gás
no Rio e em São Paulo, em outubro de 2007, a
Petrobras avisou que estimava um aumento de 25% no produto
no ano seguinte. Mas o quadro já é ruim.
Comparando-se o preço da eletricidade para novos
projetos industriais no Brasil às tarifas do
resto do mundo, chega-se a uma conclusão surpreendente.
Embora consumam sobretudo energia de fonte hídrica,
25% mais barata do que a nuclear, os brasileiros pagam
tarifas mais caras do que na França, onde a energia
nuclear reina absoluta. Isso ocorre por causa de uma
série de fatores, todos desastrosos. O maior
deles é a carga tributária. Ela representa
metade do valor da conta de luz dos brasileiros.
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