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Dezembro de 2007
Efeitos das grandes
altitudes
Quem desembarca
numa cidade de altitude elevada costuma sentir
logo de cara o impacto do ar rarefeito em nosso
organismo. Em alguns casos, os efeitos são
perigosos – o ministro da Justiça, Tarso
Genro, desmaiou em uma solenidade realizada em
La Paz, na Bolívia. O brasileiro passou
mal justamente durante um discurso do presidente
boliviano Evo Morales – o líder populista
que faz campanha contra a Fifa para evitar um
veto ao futebol nas cidades mais altas do planeta.
Afinal, a altitude é um perigo?
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1.
Qual é a diferença entre as condições
encontradas nessas cidades?
Quanto maior é a altitude, menor é a
pressão atmosférica e mais rarefeito é
o ar que respiramos. Também há uma redução
na temperatura, que cai em média 6,5 graus a
cada 1.000 metros de altura. Por fim, há um aumento
na intensidade dos raios solares (que, aliás,
podem provocar graves queimaduras). Com o ar rarefeito,
somado ao incômodo provocado pelas condições
climáticas mais duras, o funcionamento do organismo
muda, e podem ocorrer efeitos desconfortáveis.
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2.
O que acontece quando alguém sai do nível do mar e sobe
demais?
Quem vive em cidades ao nível do mar ou em localidades
relativamente baixas não está acostumado
às condições atmosféricas
das grandes altitudes portanto, o organismo sente
o impacto da mudança e precisa de tempo para
se adaptar. O corpo responde da seguinte maneira: a
freqüência respiratória aumenta, a
freqüência cardíaca se acelera e a
concentração de glóbulos vermelhos,
que transportam o oxigênio para os músculos,
aumenta no sangue. Nesse período de adaptação,
os sintomas mais comuns são respiração
curta, dores de cabeça, náusea, vômitos,
tontura, insônia (em dois terços dos casos)
e perda de apetite (em um terço das pessoas).
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3.
Todas as pessoas sentem os sintomas negativos da altitude
maior?
Não. É impossível prever se alguém
sofrerá com os sintomas ou terá uma adaptação
tranqüila. Calcula-se que os sintomas negativos
sejam sentidos por cerca de 15% das pessoas a 2.000
metros de altura. O índice sobe para 60% quando
se chega a 4.000 metros. A mais de 5.000, todas as pessoas
sentem algum tipo de efeito negativo. Qualquer pessoa
está sujeita ao problema fatores como
idade ou sexo não são determinantes. A
característica que mais pesa na definição
de quem sofre ou não com os efeitos da altitude
é a condição física. Geralmente,
quem está bem condicionado lida melhor com a
situação. O bom preparo e o fôlego
em dia, porém, não garantem totalmente
que uma pessoa ficará livre dos sintomas.
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4.
O que é possível fazer para amenizar (ou
eliminar) esses sintomas?
O melhor é subir aos poucos, ou seja, viajar
a alturas sucessivamente maiores e dar tempo suficiente
para a adaptação. Quanto mais rápida
é a chegada e mais alto é o destino, piores
são os sintomas. Assim, uma pessoa que vive ao
nível do mar e resolve visitar La Paz, a mais
de 3.600 metros, pode evitar problemas gastando alguns
dias numa altura intermediária, a pouco mais
de 2.000 metros. Quem não tem tempo para fazer
a adaptação deve tentar chegar ao destino
com uma boa condição física
recomenda-se caminhar ou correr nas semanas que antecedem
a viagem.
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5.
Que tipo de substância é possível
ingerir para evitar os problemas?
Alguns médicos prescrevem medicamentos para
combater os efeitos da altitude. O Diamox (acetazolamida),
que ajuda a metabolizar mais oxigênio, é
um deles o consumo deve começar 24 horas
antes da chegada ao destino, duas ou três vezes
ao dia. Outras opções são a dexametasona,
um esteróide, e o gingko biloba, um fitoterápico.
O uso dos remédios, contudo, é polêmica.
Muitos médicos não gostam de receitar
essas substâncias contra a altitude. Soluções
mais seguras são a aspirina, a cafeína
e, nos países andinos, o chá de coca
todos são capazes de amenizar os efeitos da altitude.
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6.
Quais são as cidades onde os sintomas podem ser mais
sentidos?
Todas as que são localizadas em grandes cadeias
de montanhas ou em altiplanos. Há localidades
muito altas na Europa, América do Norte e Ásia,
em especial Nepal e Tibete. No continente sul-americano,
as mais altas cidades estão na Bolívia,
no Peru, no Equador e na Colômbia. O país
de Evo Morales tem, além de La Paz, as cidades
de Oruro, El Alto e Potosí essa última
é conhecida como a cidade mais alta do planeta,
a mais de 4.100 metros. A peruana Cusco (3.400 metros),
a equatoriana Quito (2.800 metros) e a colombiana Bogotá
(2.650 metros) são outras cidades muito altas
nos países vizinhos.
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7.
Existe risco de vida para uma pessoa que viaja às
altitudes maiores?
Sim. Nos casos de sintomas mais graves, pode surgir
até um edema pulmonar (fluidos nos pulmões)
ou edema cerebral (inchaço do cérebro).
Se o visitante de uma cidade muito alta não cometeu
excessos (na alimentação, no consumo de
bebidas alcoólicas e no excesso de atividade
física) mas ainda assim sofreu sintomas fortes
demais, recomenda-se procurar um médico. Os sintomas
devem ser levados a sério: se não desaparecerem
com o tempo, precisam ser examinados.
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8.
Quem mora na altitude elevada pode passar mal ao descer
ao mar?
Algumas pessoas nessa situação reclamam
de algum desconforto, de perda de apetite e de dores
de cabeça por causa da diferença nas condições
climáticas. No geral, porém, os moradores
de cidades muito altas não enfrentam dificuldades
na descida. No caso dos atletas, isso é até
usado em favor de um melhor desempenho. Quem treina
na altitude rende mais ao nível do mar. Como
o ar rarefeito ensina o organismo a absorver e a processar
melhor o oxigênio, o rendimento melhora.
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9.
A altitude pode ser um elemento decisivo em uma disputa
esportiva?
Os estudos dos efeitos da altitude sobre a performance
física começaram a ser realizados depois
dos Jogos Olímpicos de 1968. A competição
realizada na Cidade do México, a 2.400 metros,
registrou nas corridas de média e longa distância
o triunfo de atletas de países montanhosos, como
Tunísia, Etiópia e Quênia, enquanto
australianos e americanos, os favoritos, mal conseguiam
alcançar a linha de chegada. Pesquisas confirmaram
que o treinamento em altitude elevada produzia um ganho
de desempenho em provas de resistência, e alguns
países, como os Estados Unidos, começaram
a levar seus atletas para se condicionar em cidades
montanhosas.
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10.
Por que a Fifa fala em proibir partidas oficiais de
futebol nas alturas?
Porque o calendário da modalidade não
permite que os times e seleções tenham
tempo suficiente para a adaptação à
altitude. As equipes das outras regiões reclamam
do deseqüilíbrio provocado por esse fator
nas disputas. O Equador, por exemplo, foi às
duas últimas Copas do Mundo graças aos
bons resultados obtidos em Quito. Na Copa Libertadores
da América, diversos clubes brasileiros sofreram
nos duelos com equipes muito inferiores tecnicamente.
A forte reação dos países andinos,
que incluiu até a promessa de boicote às
competições internacionais, adiou a aplicação
do veto aos jogos na altitude, decidido no início
do ano. Mas em dezembro, o Comitê Executivo da
Fifa declarou que os jogos não podem ser disputados
acima dos 2.750 metros, a não ser que os times
tenham o prazo necessário para a aclimatação.
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