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Desde 1994, quando o Mal de Parkinson começou a dar os primeiros sinais, João Paulo II viu aumentar seus problemas com os movimentos e fala. Além da doença, o sumo pontífice ainda carrega o fardo das seqüelas do atentado que sofreu em 1981, quando foi baleado pelo fanático turco Mehmet Ali Agca na Praça de São Pedro e perdeu trinta centímetros de intestino. A saúde do papa sofreu vários contratempos no decorrer dos anos. Em 1992, uma operação lhe retirou do intestino um tumor do tamanho de uma laranja. O tumor era benigno, mas estava começando a se tornar maligno. No final de 1993, João Paulo II quebrou a omoplata numa queda diante do corpo diplomático e ficou engessado por várias semanas. Outra queda no ano seguinte, no banheiro, teve conseqüências sérias - ele fraturou o fêmur e teve de implantar uma prótese na cabeça do osso. O implante não foi bem-sucedido: o papa ficou mais suscetível a acidentes e mal-estares. Nos últimos meses, a respiração de João Paulo II é o que mais preocupa. No início de 2005, ele foi internado devido às crises de laringoespasmos (fechamento da laringe que impede a passagem do ar para o pulmões, dificultando a respiração) e às inflamações na região. Recentemente, submeteu-se a uma traqueostomia (cirurgia para facilitar respiração) e recupera-se lentamente. A fragilidade de João Paulo II fez crescer as especulações sobre sua renúncia. As conversas em torno da sucessão vêm ocorrendo desde 1996, ano da publicação da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis. Nesse documento, o papa alterou algumas regras do conclave. Um dos pontos que mais chamaram a atenção foi que a lei que rege a eleição de um papa passou a prever formalmente o caso de renúncia do pontífice. Essa possibilidade até então era apenas uma referência vaga que constava do Código de Direito Canônico. A novidade fez com que ganhasse corpo a idéia de que João Paulo II estava preparando o caminho para abdicar depois do Jubileu de 2000. A reforçá-la, muitos lembravam uma frase dita por ele a cardeais: "Seria bom que um papa pudesse assistir à eleição de seu sucessor". Mas a previsão de renúncia não se confirmou. Anos depois, João Paulo II pareceu descartar essa idéia, fazendo várias declarações em público sobre seu desejo de permanecer no trono de Pedro até a morte, apesar dos graves problemas físicos. A polêmica continua nos bastidores da Cúria Romana. A perspectiva de um papa completamente incapacitado para exercer sua função, mais do que embaraçosa, é assustadora. Pelo simples motivo de que toda a estrutura da Igreja está alicerçada na figura do sumo pontífice - característica que se acentuou durante o pontificado de João Paulo II.
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