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Com participação na criação do sindicato Solidariedade (pólo de resistência católica à União Soviética dentro da Polônia), aproximação aos Estados Unidos, ataques à teologia da libertação (surgida na América Latina e impregnada de receitas marxistas) e até uma proibição às críticas à política armamentista americana em plena Guerra Fria, o papa viu o muro de Berlim cair e fez campanha para isso. Na qualidade de chefe de Estado do Vaticano, João Paulo II fez-se ouvir em todos os foros sobre problemas mundiais, recuperando uma projeção que havia sido perdida pelo papado. Estabeleceu relações diplomáticas formais com 63 países e abriu diálogo com o ditador Fidel Castro, de Cuba. O papa foi interlocutor privilegiado de três presidentes americanos, Ronald Reagan, George Bush e Bill Clinton, e do último líder da ex-União Soviética, Mikhail Gorbachev. Em outra iniciativa política de grande calibre, João Paulo II obrigou o Vaticano a reconhecer o estado de Israel em 1994. Até então, o Estado judeu era um assunto tabu na cúpula católica. Já no início de seu pontificado, ele comprometeu-se a ajudar na resolução dos conflitos que fazem daquela região uma das mais conturbadas do planeta e se tornou o primeiro papa a visitar uma sinagoga e um memorial de vítimas do holocausto. A atuação do papa mais "político" da história - fato que o transformou numa das figuras mais importantes da história do século XX -, porém, acabou questionada por muitos dentro do Vaticano. Sua estratégia passou a ser vista como frágil porque perdeu o sentido cedo demais, ao contrário do que aconteceu com outros papas igualmente engajados em embates temporais. Em contrapartida, talvez até para preencher essa lacuna, ele reafirmou uma série de vetos morais que confrontaram diretamente com hábitos e costumes liberais das sociedades contemporâneas. |
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