Carta ao leitor
Apresentação: O retrato de uma geração
Entrevista: Alissa Quart
Ponto de vista: Içami Tiba
Ponto de vista: Jairo Bouer
Humor: Luis Fernando Verissimo

Sexo: Eles sabem tudo, mas estão confusos
Gravidez: Quando o bebê vem cedo demais
Religião: Os jovens estão mais místicos
Voluntariado: A nova causa é fazer o bem
Drogas: Por que é tão difícil ficar longe delas
Família: Os filhos adiam a saída da casa dos pais
Blogs: O diário do século XXI é público

Nutrição: As regras da boa alimentação
Moda: Saiba o que garotas e rapazes estão usando neste inverno
Estilo: Os jovens e suas tribos
Tatuagem: Símbolo de rebeldia, ela virou sinal de vaidade
Gente: Famosos contam os vexames de sua juventude
Viagem: Férias legais por preços mais legais ainda
Decoração: Meu quarto, meu castelo
Aventura: A galera que curte adrenalina

Profissão: Como escolher a carreira
Vida escolar: Dicas para ser um estudante melhor
Intercâmbio: Uma experiência para toda a vida

Crescimento: Os jovens brasileiros estão mais altos
Ciência: Médicos explicam o aborrescente
Esporte: É melhor não exagerar

Compras: Eles gastam muito

Computadores: A geração pontocom
 

Exclusivo on-line
Quem são eles

Para a escolha dos jovens que aparecem na capa, VEJA entrevistou quarenta jovens de São Paulo. Eles foram escolhidos em dois colégios tradicionais, na Galeria Ouro Fino, reduto da rapaziada descolada, e em duas escolas públicas da região metropolitana. Dezessete foram selecionados e fotografados em estúdio, dos quais seis foram aproveitados na imagem da capa. Outros tiveram suas fotos publicadas em outras matérias, dentro da revista. Por fim, uns poucos só podem ser visto nesta edição online. Saiba mais sobre os dezessete jovens que participaram da produção fotográfica.


Marina Ramos Turra Vieira, 18 anos
  O sonho de Marina é ter a sua própria grife. E ela não poupa esforços para alcançar esse objetivo. Acaba de entrar numa faculdade de moda e começou a trabalhar como vendedora de uma loja de roupas na Galeria Ouro Fino, reduto dos descolados de São Paulo. "Precisava de capital para começar a costurar e contatos no mundo da moda", diz. Marina usa saia em cima de calça, adora cores fortes, como verde e roxo, e usa anéis em todos os dedos das mãos, mas não gosta de baladas e música tecno. "Não é porque eu uso roupa moderna e piercing no nariz que tenho de gostar desse tipo de música. Não pertenço a nenhuma tribo", afirma. Marina já teve alguns rolos e o namoro mais longo durou quatro meses, mas essa não é uma de suas principais preocupações. Além do sucesso profissional, Marina também quer conhecer o mundo: Índia, Ilhas Fiji e África, para começar. "Amo conhecer gente e novas culturas", diz.


Gabriel Sinisgalli Reginato, 17 anos
  Aluno do último ano do ensino médio, Gabriel é popular na escola. Está sempre rodeado de amigos e marca presença nas competições esportivas. Ele se define como vaidoso. Não sai de casa sem gel no cabelo e usa roupas de marca combinadas com acessórios modernos. Balada é com ele mesmo. Gabriel freqüenta festas rave, vai a shoppings, curte bares da moda e adora viajar nos finais de semana. Gosta de qualquer tipo de música e vai bastante ao cinema. Seus melhores amigos são da turma do colégio. Ele não bebe, não fuma e pratica esporte quase todos os dias - treina futebol e basquete na escola. "Não suporto a idéia de ficar velho, careca e com barriga", diz. No final deste ano, Gabriel vai prestar vestibular para Administração de Empresas. Sonha em entrar numa boa faculdade, conseguir um bom emprego e ganhar muito dinheiro. "Meu objetivo de vida é obter estabilidade financeira. Depois, posso pensar em ter um relacionamento amoroso estável e uma família", afirma.


Roberto Spaggiari, 17 anos
  O que Roberto mais gosta de fazer? "Dormir e comer", diz ele. De temperamento introspectivo, o estudante confessa que não gosta muito de baladas. Raramente acompanha os amigos quando eles resolvem ir a barzinhos ou danceterias. Em casa, ocupa o tempo assistindo à TV e navegando na internet. Este ano Roberto termina o ensino médio, mas ainda não decidiu o que vai fazer da vida. "Preciso escolher uma carreira em pouquíssimos meses", preocupa-se. Ao contrário da maioria dos colegas de sua turma, o estudante nunca se preocupou com a alimentação. Odeia comida saudável e engole qualquer coisa que estiver na mesa. "Tudo, menos salada. Essa parte eu pulo", diz.


Jullyanne Marques Souza Teixeira, 15 anos
  Todos os dias é o mesmo ritual. Ela acorda às 5 da manhã e gasta uma hora e quinze minutos diante do espelho. Passa cremes, coloca base no rosto, disfarça as espinhas, pinta as bochechas, passa lápis nos olhos, batom, arruma o cabelo e coloca uma lente colorida nos olhos - dependendo do seu humor, escolhe entre a verde e a cinza. Depois, decide que roupa vai usar. "Gosto de me arrumar e me preocupo muito com a aparência", admite. Católica praticante, Jullyanne vai três vezes por semana à igreja. Não suporta cigarro, nunca bebeu álcool e não curte noitadas em danceterias. "Vou no máximo ao cinema e ao shopping com amigos", diz. Ela compra CDs, revistas e todos os produtos ligados ao cantor Junior, da dupla Sandy&Junior. "Só dá ele no meu quarto", conta. E o namorado? "Ele morre de ciúmes dessa minha paixão pelo Junior. Mas tem de entender que é diferente. É coisa de fã, né?"


Juliana Maria da Silva, 18 anos
  A jovem adora música rap. Há três anos, montou um grupo de rap com quatro amigos. Juliana leva o hobby muito a sério. Toda quarta-feira, tem aula de canto livre para soltar a voz e, durante o resto da semana, ensaia com a turma. Seu sonho é ganhar dinheiro com música. "Queria fazer o que mais gosto, que é cantar, e ainda conseguir viver disso", diz. Juliana terminou o ensino médio no final do ano passado e, como não gosta de ficar parada, está procurando cursos de línguas e informática para ocupar suas manhãs. À tarde, ela trabalha como assistente de cabeleireiro. E o pouco tempo livre que tem passa com o namorado. "É meu primeiro namoro sério, mas acho que tem futuro", diz.


Sara Ferreira da Cruz, 20 anos
  Namoro é um assunto tabu na casa de Sara. Quando a garota resolveu assumir o relacionamento com um rapaz mais velho e divorciado, a mãe dela, que é evangélica, ameaçou expulsá-la de casa. Sara não desistiu do namoro, nem rompeu com a família. "Eu briguei muito e consegui ficar com os dois", conta. Depois de três anos, o namoro terminou, mas Sara aprendeu a lição: nunca mais vai discutir temas polêmicos em família. Sara vive com a mãe, padrasto e um irmão no bairro de Sapopemba, Zona Leste de São Paulo. Trabalha nos Jardins, na Zona Sul, e está estudando para entrar numa faculdade no final do ano. Ela quer cursar Ciências Sociais e trabalhar em projetos de educação de jovens carentes e menores abandonados.


Fabrício Mariano Gonçalves
Ichimura Fukumori, 16 anos
  Está no terceiro ano do ensino médio e sabe muito bem o que quer: "Vou ser um grande arquiteto", diz. Durante o dia, ele trabalha como desenhista em um escritório de arquitetura. À noite, estuda o terceiro colegial. Mesmo no trabalho, Fabrício não tira seu uniforme: bermuda larga, camiseta preta de banda de rock, coturnos velhos e um gorro na cabeça. "Não adianta meu pai reclamar, enquanto puder ando assim mesmo", conta. O garoto mora com o pai, a madrasta e um casal de irmãos em Cotia, na Grande São Paulo, e reclama por ter de dividir seu quarto com os irmãos. "Queria espalhar meus pôsteres do Nirvana e do Pearl Jam por toda a parede, mas não posso", lamenta. Ele anda de skate nas ruas, joga futebol uma vez por semana com os amigos e pratica hóquei no clube. "É o melhor exercício para descontar a raiva do dia-a-dia", garante. Fabrício também toca violão e está montando uma banda de rock.


Edmilson de Oliveira Barbosa, 22 anos
  Seu sonho é ser modelo profissional. "Já participei de alguns comerciais na TV e quero investir nessa profissão", diz. Vaidoso, pratica musculação e faz exercícios de flexão e abdominais em casa. "Me preocupo com a aparência por causa da carreira", explica. Edmilson terminou o terceiro colegial há três anos e parou de estudar. "Pretendo fazer faculdade de Educação Física no futuro", afirma. Ele mora com os pais e a irmã de 19 anos na Zona Leste de São Paulo. Seu pai é dono de uma marcenaria. "Ele me ensinou a fazer vários objetos na oficina e de vez em quando eu o ajudo nos serviços", conta. Nos finais de semana, Barbosa joga basquete com os amigos e à noite, vai a danceterias que tocam black music. Já teve três namoradas, mas atualmente está sozinho. "De vez em quando fico com algumas garotas, pois ninguém é de ferro", afirma. Barbosa é católico como sua família, mas não vai à igreja. "Acredito em Deus e gosto de ler sobre mitologia", diz.


Vanderson Elidio Marinho, 19 anos
  Terminou o 3º colegial há um ano, mas por enquanto não pensa em cursar uma faculdade. "O que eu quero agora é me dedicar ao meu grupo de pagode, o Eterno Prazer", diz. Vanderson montou o grupo há pouco mais de um ano com outros oito amigos e nele toca tam-tam, um tipo de tambor. O grupo se apresenta em festas, salões e danceterias de Guarulhos, na Grande São Paulo, onde Vanderson mora, e toca canções de músicos conhecidos, como Fundo de Quintal e Raça Negra. Quando o grupo não se apresenta de graça, ganha uma mixaria por cada show. "Ainda não dá para viver só de música", lamenta Vanderson. Por isso, há um mês, ele começou a trabalhar meio período em um supermercado como ajudante-geral. Ganha 10 reais por dia. Marinho é filho único e mora com os pais. Seu pai trabalha como fiscal da prefeitura e a mãe é dona-de-casa. O rapaz nunca namorou sério, mas já ficou com várias garotas.


Valter Aparecido dos Santos, 18 anos
  Ele cursa o terceiro ano em uma escola estadual de Guarulhos, na Grande São Paulo, e pretende fazer faculdade. "Meu sonho é trabalhar em alguma grande empresa de veículos e, por isso, quero fazer o curso de Administração de Emprsas", diz ele. "Adoro carros. Quando vejo algum modelo diferente na rua, pego papel e lápis e começo a desenhá-lo", afirma. Alguns anos atrás, Valter pensou em estudar Arquitetura. "Mas hoje não quero mais", diz. O estudante mora com os pais e uma irmã. Há um ano, namora Juliana, de 16 anos. Nos finais de semana, o rapaz trabalha em um lotação e ganha 40 reais por dia. Com o dinheiro, consegue sair com a namorada ou ir a danceterias com os amigos.


Edivaldo José da Silva, 20 anos
  Ao lado do amigo Vanderson Elidio Marinho, Edivaldo é integrante do grupo de pagode Eterno Prazer. Ele é o vocalista do grupo e sonha em um dia ser famoso como seus ídolos do Fundo de Quintal, Raça Negra ou Art Popular. Edivaldo terminou o 3º colegial há dois anos e parou de estudar. "Quero seguir a carreira de músico", afirma. No ano passado, trabalhou como ajudante em um supermercado, mas agora está desempregado. Edivaldo já teve três relacionamentos sérios. O último durou 11 meses e terminou há um ano. Nos finais de semana, ele se apresenta com seu grupo de pagode em salões e danceterias e fica com algumas garotas.


Luís Álvaro de Castro Gallelo, 17 anos
  O objetivo de Luís é estudar muito para ser um advogado bem-sucedido. "Acho que meus pais vão gostar de me ver cursando direito, mas a decisão é totalmente minha", afirma. Luís mora com os pais e seus dois irmãos mais novos, de 11 e 15 anos. Ele é católico, como sua família, e de vez em quando vai à igreja para rezar. De manhã, cursa o 3º colegial no colégio Dante Alighieri, um dos mais tradicionais de São Paulo, e à tarde, vai ao clube, faz musculação e natação. Nas noites de sextas e sábados, freqüenta danceterias badaladas com os amigos. "Só não saio quando a grana está curta", explica. Gallelo não recebe mesada. "Meu pai vai me dando dinheiro aos poucos", conta. Ele diz nunca ter se apaixonado e é avesso a namoro. "Para mim, é perda de tempo", diz, categoricamente. Isso não significa que ele não fique com as garotas. "Mas não é nada sério", desconversa.


Priscilla Cristine Alves Sbarra, 16 anos
  A estudante sonha em ser socióloga. "Gosto de causas sociais", diz ela, que está no segundo colegial do Colégio Santa Maria, em São Paulo. Priscilla adora ir ao shopping center nos finais de semana. À noite, quase não sai. "Vou apenas a reuniõezinhas ou festas de aniversário na casa de amigos", afirma. Nas horas vagas, também gosta de dedilhar o violão e atualmente está fazendo um curso para tocar melhor. No ano passado, teve aulas de teatro, mas parou. Seu primeiro namorado foi aos 14 anos. O segundo namoro sério durou três meses e foi rompido no início do ano. Priscilla não segue uma religião, mas é simpatizante do budismo. "Minha família é católica, mas os princípios do budismo me atraem mais", diz ela. Os pais dela são separados e Priscilla mora com a mãe e um irmão de 11 anos. Adora comer pizza e de vez em quando não resiste a um pacote de salgadinhos. "Às vezes eu me culpo porque gostaria de ser mais saudável", afirma.


Alexandre Brito, 18 anos
  Trabalha em um salão de beleza durante o dia e estuda à noite. "Quero fazer faculdade de moda e ser um estilista famoso", diz. Alexandre não gosta de praticar esportes, mas adora sair à noite. "Vou ao cinema, ao teatro e a danceterias", conta. "Freqüento locais que tocam rock e música eletrônica." Ele se veste sempre de preto e calça jeans e exibe tatuagens nos dois braços. "Já usei piercings, mas tirei", diz. Seu corte de cabelo é inusitado: um pouco comprido atrás, tampando a nuca, e totalmente raspado dos lados, no melhor estilo moicano. Em ocasiões especiais, passa gel e coloca todos os fios para cima. Brito mora com os pais e se dá bem com eles. "São caretas, mas respeitam o meu jeito de ser", diz. Ele acredita em Deus, mas não segue nenhuma religião. Brito, que é magro para a altura que tem - 1,70 metro e 57 quilos -, diz que vive de dieta. "Já fui gordo", explica. "Para piorar, gosto de tudo o que engorda, principalmente massas e chocolate."


Franco Messina, 16 anos
  Aluno do terceiro ano do ensino médio, Franco adora malhar. Pratica kung fu e corre regularmente no Parque do Ibirapuera. Nos finais de semana, vai com os amigos a danceterias na Vila Olímpia, bairro badalado de São Paulo. Sai depois das 10 da noite e só volta para casa de madrugada. "Volto de táxi", diz. Mas é capaz de trocar a companhia dos amigos por um jantar com os pais. "Eles são separados, eu moro com a minha mãe e sinto saudades do meu pai", conta. "Então, sempre que posso, procuro ficar perto da minha família." Messina não tem namorada e nunca namorou sério, só ficou com algumas meninas. De família católica, Messina considera-se não-praticante e não freqüenta a igreja. "Mas rezo todas as noites em casa", diz.


Fernanda Figueiredo de Oliveira, 16 anos
  Mesmo estando em plena forma, com 1,66 metro de altura e 51 quilos, Fernanda vive de regime. "O problema é que gosto de comer de tudo, principalmente alimentos calóricos", diz. "Procuro sempre incluir muita salada nas refeições e comer pouca quantidade de comida para não correr o risco de engordar." Fernanda estuda de manhã e nas horas vagas trabalha como monitora em um bufê infantil. Seus pais são divorciados e ela mora com a mãe e os dois irmãos, um de 9 e outro de 10 anos. Nos finais de semana, freqüenta as danceterias da Vila Olímpia, bairro badalado de São Paulo. Sai de casa por volta das 10 e meia da noite e volta às 3h. "Meus pais e os pais dos meus amigos fazem revezamento", diz ela. "Quando um leva, o outro vai buscar a gente na volta da danceteria", diz. Fernanda já teve namorado, mas atualmente está sozinha.


Camila Copia Oliveira França, 21 anos
 

O lema de Camila é viver o dia de hoje, sem pensar no futuro. Ela trabalha como vendedora de loja e, por enquanto, não quer voltar a estudar. Filha de pais separados, mora com a mãe, o padrasto e o irmão de 19 anos. Camila exibe um visual peculiar. Pintou as pontas de seus longos cabelos castanho-escuros de rosa pink. No corpo, tem 22 piercings e brincos: nos lóbulos das orelhas, na língua, uma argola no nariz, no umbigo e até nos mamilos. Ela também tem três tatuagens. Camila adora junk food. "Mas como muita salada, para compensar e faço muita ginástica. Pratico corrida nas ruas perto de casa", diz. Também gosta bastante de sair à noite. "Vou a danceterias que tocam black music, rock, sons psicodélicos, não me prendo a um único estilo", afirma ela, que se considera eclética. Namorar, nem pensar. "Já namorei sério e hoje não quero mais, antes só do que mal acompanhada", afirma.