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1963
- 1964: Nasce Zé do Caixão
Trecho
de: Maldito A Vida e o Cinema de José Mojica Marins,
o Zé do Caixão (André Barcinski e Ivan
Finotti; Editora 34; 448 páginas)
A
história de À Meia-Noite Levarei Sua Alma se passa numa cidade
interior não identificada. O personagem principal é Josefel Zanatas,
o coveiro agente funerário local, apelidado de Zé do Caixão. Ele
é um sujeito enigmático, que zomba das crendices dos caipiras locais
e se diz superior a eles. Zé blasfema e fala mal dos carolas da
cidade. Em plena Sexta-Feira Santa, ele come carne de carneiro e
ri da procissão que passa embaixo de sua janela. Zombeteiro, Zé
mostra o osso de carneiro para os padres, que se benzem quando o
vêem.
Zé
tem uma obsessão: encontrar uma mulher que lhe dará o "filho perfeito".
Ele é casado com Lenita, mas decide matá-la porque ela não consegue
engravidar ("a mulher que não consegue ter filhos não precisa de
cuidados", diz o personagem, num rompante machista curiosamente
parecido com o que o próprio Mojica usara para criticar sua esposa
Rosita durante os seis anos em que ela tentara, sem sucesso, engravidar).
Zé amarra Lenita e solta uma aranha caranguejeira em cima de seu
corpo.
Livre
da esposa, o coveiro volta suas atenções para Terezinha, noiva de
seu amigo Antônio. Zé acompanha o casal até a casa de uma vidente
cigana e esta prevê desgraças para os noivos. A previsão não demora
a se concretizar o coveiro afoga Antônio numa banheira e depois
estupra Terezinha ("você me dará o filho que eu tanto quero!").
Humilhada, Terezinha se enforca. Zé encontra novamente a cigana
e ela prevê que, no Dia dos Mortos, à meia noite, os espíritos das
pessoas que ele matou voltarão para vingar-se.
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