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Dois
estilos. Uma escola
Lembra
aquela enorme distância entre o ensino
conservador e o liberal? Está mais curta.
E a maior guinada é a dos colégios liberais
Thais
de Oliveira
As
pessoas se acostumaram com uma separação das
escolas em dois grandes grupos: as conservadoras e as liberais.
As duas palavras dizem respeito a um ponto de vista próprio
sobre a forma de impor limites e garantir a disciplina na
sala de aula e nas demais dependências do estabelecimento
escolar. Resumindo, as escolas conservadoras eram rigorosas
contra os desvios e suspendiam ou até expulsavam o
aluno diante de um deslize mais sério. Já as
liberais respeitavam um ritual mais lento. Chamavam o pai
do aluno para uma conversa. Depois criavam um grupo de debates
e só então, se nada funcionasse, partiam para
as soluções radicais. Pois tomem-se os seguintes
casos.
Num episódio recente, a direção da Escola
Parque, do Rio de Janeiro, ícone da chamada linha liberal,
descobriu que quatro alunos haviam consumido maconha durante
uma excursão. O que fez a escola? Expulsou os quatro.
Em São Paulo, outro colégio célebre do
ramo "cabeça aberta", o Oswald de Andrade, estabeleceu
uma regra severa e preventiva sobre o assunto. "Há
um processo antes de pedir que o aluno saia, mas é
preciso deixar claro que a escola é terminantemente
contra as drogas", diz o diretor pedagógico Ricardo
Mesquita. Outra restrição na escola diz respeito
à circulação dos alunos. Eles não
podem sair da sala durante as aulas para ir ao banheiro ou
para beber água. "É um coletivo: quem sai atrapalha
a concentração dos demais", explica Mesquita.
Se os casos da Escola Parque, no Rio de Janeiro, e do Oswald
de Andrade, em São Paulo, fossem fruto do acaso, nada
se poderia concluir sobre o assunto. Ocorre que as escolas
de modelo liberal deram uma guinada impressionante em sua
linha original. "Hoje se sabe que a repressão não
resolve, mas limites são fundamentais", diz a psicopedagoga
paulista Sílvia Amaral de Mello Pinto, do Centro de
Aprendizagem e Desenvolvimento, em São Paulo. Em sua
opinião, a sociedade pode finalmente estar encerrando
um ciclo: o do ensino polarizado.
As mudanças não ocorreram apenas na frente liberal.
Também atingiram o lado mais conservador do ensino.
É fato que, neste caso, a transformação
não é tão perceptível. Pode-se
dizer que a grande mudança foi o incremento das atividades
artísticas extraclasse. Implantado em 1992 como matéria
opcional, cobrada à parte, o teatro provocou uma pequena
revolução no tradicional Colégio Rio
Branco, em São Paulo. O número de participantes
saltou de quarenta, em 1994, para os atuais 215. A disciplina
deixou de ser optativa e hoje faz parte do currículo.
No recreio, alunos vestidos de palhaço, com maquiagem
e nariz vermelho, podem ser vistos circulando pelo pátio.
"O teatro tornou a escola mais aberta", acredita Leonardo
Pavam Leite de Oliveira, de 14 anos, aluno do 1º colegial.
No Dante Alighieri, em São Paulo, os estudantes conquistaram
há pouco mais de um ano o direito de publicar um jornal
interno e operar um pequeno estúdio de rádio
durante o recreio. O namoro nas dependências da escola,
entretanto, permanece terminantemente proibido. "O Dante Alighieri
tem uma postura tradicional porque os pais que nos procuram
esperam isso da escola", justifica o diretor pedagógico
Renan de Abreu. O mesmo ocorre no Rio Branco. "Basta você
ficar de mãos dadas com uma menina e o inspetor já
vem falar que não pode", queixa-se Leonardo Pavam.
Se as escolas liberais se movimentam no sentido de criar regras
mais claras, as conservadoras têm como prioridade tornar
o ensino mais atraente. No fundo, no entanto, essas preocupações
norteiam a ambas. O adolescente de classe média dos
dias de hoje vem de uma infância em que podia fazer
tudo. Diante desse quadro, muitas vezes os pais querem que
a escola imponha freios. De outro lado, o jovem tem hoje à
disposição meios de informação
dinâmicos, como a internet. Não tem paciência
com aulas lineares e enfadonhas como aquelas a que seus pais
estavam acostumados a assistir. São alunos com essas
características que os colégios conservadores
ou liberais têm de satisfazer.
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