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As
armas contra o monstro
O
teen está mais preocupado com a escolha
profissional que com o vestibular em si
Bruno
Garcez
Fábrica de Quadrinhos
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Para um adolescente, vestibular significa rito de passagem.
É o primeiro momento em que ele enfrenta, para valer,
a concorrência do mundo lá fora. A geração
atual encara esse fenômeno de maneira um pouco diferente
da anterior. Antigamente, o que importava era passar e, com
isso, mostrar para pais, professores e colegas do que se era
capaz. Por isso, muitos adolescentes escolhiam o curso não
apenas visando à carreira, mas sobretudo em função
do status da faculdade. Havia mais mérito em ser aprovado
num curso de medicina, concorridíssimo, do que em um
de letras, em que as vagas geralmente sobravam. Era altíssimo
o índice de jovens que se arrependiam depois e mudavam
de faculdade.
O adolescente ficou mais pragmático. Informa-se melhor
sobre a carreira desde o colegial. Escolhe mais em função
das chances de ascensão profissional e menos pelo glamour
da profissão. Alguns chegam ao requinte de decidir
por um curso tendo como parâmetro as possibilidades
de pós-graduação. "Pelo nível
de informação que recebe, o adolescente amadurece
mais cedo e tem uma visão de mundo mais ampla", afirma
o professor José Coelho Sobrinho, um dos coordenadores
da Fuvest, entidade responsável pelo vestibular da
Universidade de São Paulo. "Os jovens da minha geração
só conheciam medicina, engenharia e direito."
Sandra Garrido, paulistana de 18 anos que prestará
o vestibular para publicidade nos próximos meses, é
um típico exemplo da postura da nova geração.
Antes de escolher a faculdade, visitou várias. Deixou
de lado as públicas, que tinham mais renome, e optou
por uma particular, mais voltada para o mercado e com laboratórios
mais modernos. "A universidade pública se apóia
no passado e às vezes não tem noção
do que está ocorrendo hoje", acha Sandra. Desde antes
do vestibular, a profissão é uma das maiores
preocupações do adolescente. Pesquisas apontam
que a maior fonte de felicidade para o jovem não é
o dinheiro nem o amor. O sucesso profissional é o que
conta para 47% deles.
Grande parte dos jovens é obcecada por informações
sobre carreiras e cursos. Os colégios estão
percebendo isso. Muitos promovem visitas guiadas a faculdades
e locais de trabalho. Tudo para atender a essa demanda. "A
escola ficou muito mais cara, e seus usuários são
cada vez mais exigentes", diz Mauro de Salles Aguiar, diretor
do Colégio Bandeirantes, de São Paulo, que oferece
esse tipo de serviço aos alunos.
Seria ingênuo, no entanto, achar que os adolescentes
dificilmente erram na escolha da profissão ou trocam
de faculdade. "Escolha profissional é questão
de maturidade, e aos 18 anos o jovem pode ou não estar
preparado", acha o professor Coelho. Há vários
fatores que atrapalham. Um deles diz respeito à forma
de testar o conhecimento. O vestibular permanece sendo um
modelo que concentra a avaliação de anos de
estudo num único fim de semana. Basta uma dor de cabeça
ou uma noite maldormida para colocar tudo a perder. Outro
motivo está ligado à oferta de cursos, que é
muito variada e acaba gerando dúvida e confusão.
Há ainda um problema relacionado à estrutura
da universidade, que não ajuda quem erra e quer mudar
de curso. "As faculdades americanas e européias oferecem
em geral os dois primeiros anos básicos, jogando a
especialização para mais adiante", lembra Ruy
de Mathis, psicoterapeuta que há 23 anos promove testes
de orientação vocacional. "No Brasil, o adolescente
só tem uma bala na agulha: ou erra ou acerta." É
exatamente por essa razão que uma boa dose de angústia
resiste, ainda que num grau menor do que antigamente.
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