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Ler
ou não ler, eis a questão
Com
o tempo ocupado pela televisão e pela internet, adolescentes
deixam os livros em segundo plano
Vivian
Whiteman
Montagem com fotos de Bruno Schultze,
Castle Rock Entertainment e Columbia Tristar Pictures
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Não
existe estudo científico que comprove, mas há
uma percepção disseminada sobre a geração
atual: ela não gosta de ler. A constatação
parte dos professores. Eles se queixam de que só com
muito esforço conseguem obrigar seus alunos a ler os
clássicos da literatura. Um dos argumentos mais utilizados
é recorrer à ameaça do vestibular. Os
pais endossam a percepção de repulsa dos jovens
pelos livros. Reclamam freqüentemente que os filhos padecem
de falta de concentração e, por isso, não
são capazes de ler as obras básicas para entender
a matéria. Por que isso acontece? O que faz com que
uma geração leia e outra fuja dos livros? Há
diversas explicações, mas todas acabam convergindo
para um mesmo ponto. Quando
as pessoas recebem a informação mastigada
na televisão, nos gibis, na internet , acabam
tendo preguiça de ler, um ato que exige esforço
e reflexão.
Os canais pelos quais o jovem se informa nos dias de hoje
são múltiplos. O livro é apenas um deles.
E é o mais trabalhoso. Diante desse quadro, os educadores
são unânimes num ponto: as armas de estímulo
à leitura precisam ser modernizadas. Alguns já
fazem isso, com sucesso. "Eu costumo contar uma parte interessante
ou bizarra de um clássico, para mexer com a curiosidade",
sugere a professora Maria Aparecida Custódio, responsável
pelo laboratório de redação da rede de
escolas Objetivo, em São Paulo. "Outra pedida é
incentivar atividades lúdicas, como pedir para uma
classe encenar peças de teatro a partir de obras famosas",
propõe o educador paulista Gabriel Chalita,
que presta assessoria a várias escolas na área
de treinamento de professores.
Uma parcela da responsabilidade pelo baixo índice de
leitura entre os jovens cabe aos mais velhos, que estigmatizaram
a geração atual como uma geração
burra. "Se você critica a roupa que o adolescente veste,
a música que ele ouve, diz que internet é uma
bobagem e que ele só consome lixo, está construindo
uma barreira intransponível, como se o teen vivesse
numa esfera e os clássicos estivessem em outra, inacessível
para ele", opina Eliane Yambanis, professora de história
do Colégio Equipe, em São Paulo. Ou seja, as
estratégias de sedução à leitura
não funcionam se não levarem em consideração
o universo teen. De acordo com Maria Aparecida Custódio,
o professor deve, sim, incentivar o adolescente a acessar
um conto que esteja disponível na internet, ou ler
a versão de um clássico em quadrinhos. Tudo
isso estimula o hábito da leitura. A lição
que fica é a seguinte: para ensinar alguma coisa a
alguém é preciso antes aprender mais sobre ela.
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