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ECONOMIA Por que não há países islâmicos entre os mais ricos?
Nem mesmo os países do Golfo Pérsico, que embolsaram centenas de bilhões de dólares nos últimos anos por meio da exportação de petróleo, conseguiram (ou souberam, ou quiseram) melhorar o estado geral das coisas de maneira a incluir-se no clube dos desenvolvidos. Entre os cinco maiores produtores de óleo do Oriente Médio (Irã, Iraque, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kuwait), o PIB conjunto quadruplicou nos últimos trinta anos - enquanto o PIB mundial apenas dobrou de tamanho. Os petrodólares, na verdade, só serviram para aumentar a concentração de renda e criar simulacros de modernidade em meio às areias escaldantes do deserto. Para se ter uma idéia, a família real saudita detém 40% de toda a renda nacional. Ocidentalização forçada - Nas nações islâmicas, a religião espraia-se pelos campos econômico, social e moral de maneira sufocante. E não se está falando apenas dos regimes teocráticos, como o do Irã e o do Afeganistão. Mesmo nos países com um governo descolado formalmente da hierarquia religiosa, essa distância não é suficiente para neutralizar a crescente ingerência de imãs, aiatolás e ulemás em assuntos que se encontram fora do âmbito teológico. A exceção é a Turquia, que passou por um violento processo de ocidentalização forçada na década de 20. O problema é exatamente esse: entre os muçulmanos, a religião não é parte, mas cada vez mais o todo. Engana-se quem acha ser esse um pecado original. O totalitarismo islâmico - uma outra designação para o fundamentalismo que hoje Osama bin Laden encarna de forma tão assustadora - é produto recente, tem menos de meio século, como notou o jornalista Fareed Zakaria, da revista Newsweek. Ele foi adubado em terreno secular e árabe. Nasceu no Egito, na década de 50, como resistência ao processo de modernização que o então presidente Gamal Abdel Nasser procurou implementar a ferro e fogo. Nasser causou a reação fundamentalista ao tentar, por meio de uma repressão feroz, divorciar completamente o Estado da religião muçulmana. Falhou, como está claro, principalmente porque suas reformas nunca foram além do aspecto cosmético. E, ao falhar, abriu caminho para que o fundamentalismo ganhasse corpo dentro e fora das fronteiras egípcias. 'Preço dos melões' - No Ocidente, a reforma protestante do século XVI engendrou uma ética que, como demonstrou o sociólogo alemão Max Weber, acabaria por libertar o espírito empreendedor das amarras católicas e impulsionar o capitalismo. O fundamentalismo islâmico do século XX, e que adentra o XXI, é uma mentalidade que, do ponto de vista econômico e social, se originou da oposição cega a avanços de qualquer tipo. Alimenta-se da pobreza e, por isso mesmo, não pode ser apartado dela, sob pena de desaparecer como uma miragem. Daí a razão de seu discurso ser irracional - está sempre atrelado a causas genéricas e vagas, como o "pan-islamismo" e a "destruição do Grande Satã". Nunca se detém sobre as questões que realmente interessam. Em seu grande momento, a revolução iraniana de 1979, o fundamentalismo encontrou sua tradução mais fiel numa frase do aiatolá Khomeini: "A revolução refere-se ao Islã, e não ao preço dos melões". Para alguns especialistas, não é possível dizer que o islamismo determina o fracasso econômico e comercial de uma nação. No cenário atual, porém, é impossível não culpar o fundamentalismo pela escassez de avanços nos países islâmicos. Ele não encerra projeto que vise, pelo menos em tese, ao desenvolvimento de um povo. No máximo, oferece migalhas assistencialistas - um modo eficiente, aliás, de arregimentar os jovens sem futuro que perambulam nas superpovoadas e caóticas metrópoles do Oriente Médio. A um fundamentalista cabe tão-somente vagar no inferno, com a esperança de alcançar um paraíso que não existe. O Islã é uma barreira para o desenvolvimento? Diante do radicalismo que contaminou a religião nas últimas décadas, infelizmente sim. |
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