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Reportagem
publicada em 2 de novembro de 1983
Chumbo
grosso na ilha
Os
EUA comandam a invasão de Granada
com 21 navios de guerra e quase 6 000 homens,
mostrando a face dura do governo Reagan
Quando
o primeiro avião de transporte C-130 aterrissou na base militar
americana da Charleston, Carolina do Norte, trazendo em seu bojo
uma leva de 61 jovens evacuados de Granada por força de uma
estrondosa invasão militar dos Estados Unidos naquela ilha
do Caribe, o presidente Ronald Reagan sentiu-se vencedor. Pelo menos
a curto prazo ou, na melhor das hipóteses, até as
eleições presidenciais de novembro do próximo
ano. Vestindo blue jeans e camisetas, agarrados a raquetes de tênis
e violões, beijando o chão de sua pátria e
dando vivas aos soldados americanos, os primeiros retomados civis
do mais inesperado campo de batalha dos Estados Unidos exultavam,
e comoviam a sua gente. "Agora entendo o pleno sentido e a
importância de ser cidadão americano", dizia o
estudante Stephen Hall, rumo à Flórida. "Se um
de nós era antimilitarista, mudou de idéia",
ecoou seu colega Marc Bernstein, que seguia para Nova York.
Até
o final da semana, sucederam-se outros desembarques semelhantes,
despejando em solo americano um total de 380 dos quase 1 000 cidadãos
dos Estados Unidos residentes na ilha - em sua grande maioria estudantes
da Faculdade de Medicina de St. George's, a capital de Granada.
Foi, em parte, para assegurar a supostamente ameaçada segurança
física destes jovens que o presidente Reagan despachou 21
navios de guerra, dois porta-aviões, um porta-helicópteros,
destroyers e quase 6 000 soldados, na primeira invasão de
tropas americanas à América Latina desde 1965, quando
os fuzileiros desceram na República Dominicana. "0 pesadelo
de nossos reféns no Irã não se deve repetir
jamais", proclamou o presidente, referindo-se aos 444 dias
de cativeiro vividos por 52 reféns americanos em mãos
de radicais iranianos quatro anos atrás, e que resultaram
não apenas na pior humilhação dos Estados Unidos
desde a guerra do Vietnã como na mais acachapante derrota
eleitoral de um presidente americano, Jimmy Carter.
Mas
foi também, ou sobretudo, para asfixiar de vez uma estridente
convulsão marxista em Granada, supostamente inspirada pelo
regime cubano de Fidel Castro, que a maior superpotência do
mundo arrebanhou o apoio de seis micronações do Caribe
e se lançou na sua mais retumbante operação
bélica desde a guerra do Vietnã. Foi um estrondo político
e militar em todas as capitais do mundo, e até o final da
semana os peritos em questões de direito internacional ainda
não haviam encontrado uma sólida justificativa legal
para a ação. Do emaranhado de artigos, cláusulas
e parágrafos dos vários tratados internacionais invocados
no caso pelas várias partes afetadas Carta da ONU, da OEA,
ou da até então desconhecida Organização
dos Estados do Caribe Oriental (OECO), que pediu formalmente a invasão
- não se extraiu qualquer apoio consistente para os EUA além
daquele que lhe é dado pela força de suas armas.
RATO
QUE RUGE - "Os Estados Unidos cometeram um enorme erro
político", alertou Fidel Castro, acrescentando que "Washington
obterá uma vitória de Pirro, porem será uma
desastrosa derrota moral ". Militarmente, Castro foi uma das
vítimas da invasão, pois mantinha tropas em Granada
desde 1979, quando se formou na ilha um governo esquerdista. De
Moscou, as condenações a este "crime contra a
humanidade" não foram menos sonoras e o desconforto
entre os aliados mais tradicionais dos EUA foi sem precedentes.
Na ONU, pela primeira vez em muitos anos, os americanos tiveram
de vetar uma resolução do Conselho de Segurança
que condenava ações do governo dos Estados Unidos
e não de Israel. Esta era a conta externa a pagar. Mas foi
dentro dos EUA que Ronald Reagan buscou e obteve apoio para esta
primeira ação militar americana que deu certo, num
primeiro tempo, em mais de uma década. O discurso feito pelo
presidente na noite de quinta-feira, disparando acusações
à União Soviética e mobilizando a nação
na dor pelas perdas em Beirute e no alívio em Granada, foi
um dos melhores de toda sua carreira. Mais de 65% dos americanos
ficaram convencidos de que "chegamos justo na hora", como
disse Reagan em seu discurso, para evitar a cubanização
e comunização da ilha. Exultante, o presidente embarcou
cedo na tarde de sexta-feira no helicóptero que o levaria
do gramado da Casa Branca para um fim de semana prolongado em Camp
David. Todos os funcionários da Casa Branca ainda interromperam
por alguns minutos o seu trabalho e foram juntar-se em peso na ala
sul da residência oficial, para jogar flores no caminho da
primeira dama e aplaudir Reagan entusiasticamente. Era um final
feliz para a semana mais dramática de seu mandato. Só
que, a 3 500 quilômetros dali, na ilha de Granada, a guer-ra
não havia acabado. "Até agora a operação
foi bem-suce-dida mas encontramos muito mais resistência do
que esperá-vamos", adiantou o chefe do Estado-Maior
Conjunto, general John Vessey Jr. "Gostaria de ter sido melhor
informado so-bre o número, a ocupação e os
armamentos dos cubanos na ilha", reconheceu o comandan-te das
tropas de invasão, almirante Wesley McDonald. Com onze soldados
americanos mor-tos, 67 feridos e sete desaparecidos até a
manhã de sábado, os EUA não queriam correr
mais riscos e triplicaram o nú-mero de suas tropas na ilha
dos 1 900 homens iniciais para cerca de 7 500. Sobretudo, tomou-se
a decisão de deixar pelo menos 5600 pára-quedistas
da 82.ª Di- visão Aerotransportada na ilha, para silenciar
os últimos focos de resistência cubana e granadina
que teimavam em permanecer ativas nas acolhedoras montanhas da re-gião
central de Granada. Quatro dias após o início da invasão,
o rato da famosa comé-dia 0 Rato Que Ruge continuava rugindo.
RESISTÉNCIA
IMEDIATA - A operação em si começou com
um clássico ataque na madrugada. Eram 5h30 da manhã
de terça-feira quando a invasão foi desencadeada a
partir dos navios de guerra que haviam cercado a ilha. Os fuzileiros
navais americanos desembarcaram de helicóptero e em barcaças
no nordeste para tomar o aeroporto de Pearls, enquanto os Rangers,
tropa de elite do Exército, foram lançados de pára-quedas
na outra extremidade de Granada para desobstruir a pista do aeroporto
de Ponta Salinas, em fase final de construção pelos
cubanos. Só depois é que os pesados C-130 de transporte
que sobrevoavam a ilha começaram a aterrissar.
Nos
primeiros desembarques constavam unidades especializadas em guerra
psicológica, que montaram imediatamente seus transmissores
para sintonizar as ondas ouvidas com maior freqüência
pela população local de 110 000 habitantes. Locutores
do exército americano passaram a informar que a invasão
por tropas dos países vizinhos - que a essa hora ainda estavam
ao largo - e dos EUA visavam restabelecer a ordem e a democracia
no país. Mas a resistência foi imediata.
Pelo
menos um helicóptero foi derrubado logo nos primeiros minutos
da operação. Até ser tirada do ar, a Rádio
Granada Livre convocara os 4 000 membros da milícia popular
do país a resistir, e as centenas de cubanos, insuflados
pelas ordens iniciais de Fidel Castro de não se render, responderam
com o poder de fogo à sua disposição -morteiros,
peças de artilharia, baterias antiaéreas. Era a primeira
vez que Estados Unidos e Cuba se enfrentavam diretamente, pois em
1961, quando o então presidente americano John Kennedy autorizou
a tentativa de invasão de Cuba pela Baía dos Porcos,
a operação fracassara redondamente. E agora, à
diferença de 1961, quando os americanos misturavam-se na
multidão de exilados que formava o grosso da tropa, os fuzileiros,
pela primeira vez, apareciam diante dos cubanos com seus reais uniformes.
Por
pouco, também não houve o temido corpo-a-corpo entre
soviéticos e americanos, capaz de degenerar, em qualquer
parte do mundo, num conflito mundial de proporções
maiores. Os 49 soviéticos e vários cidadãos
do bloco socialista - norte-coreanos, alemães orientais,
búlgaros -trataram de se enclausurar no prédio da
Embaixada da URSS em Granada, mas nem assim escaparam do bombardeio
aéreo de sua representação diplomática.
FOLHA
DE PARREIRA -- Do ponto de vista do Pentágono, os persistentes
"bolsões de resistência" na ilha se explicavam
porque as tropas americanas tinham ordens de minimizar baixas, não
podendo, portanto, usar canhões pesados. Mas para quem esperava
liquidar a fatura em pouco tempo, o armamento de que dispunham os
americanos deveria ser suficiente: as tropas invasoras eram apoiadas
por uma barragem quase ininterrupta de fogo de artilharia de 105
milímetros, enquanto jatos Corsair A-7 bombardeavam posições
inimigas suspeitas. As forças americanas também usavam
aviões AC-130 equipados com canhões que podem disparar
até 2 000 tiros por minuto, mas nem assim a invasão
foi tão indolor quanto desejavam os cinco comandantes do
Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA. Eles haviam apoiado
a decisão presidencial de invadir Granada, em contraste com
sua relutância em despachar marines para o Líbano,
porque a missão no Caribe lhes parecera exeqüível,
realista e de acordo com o treinamento e o armamento recebidos pelas
forças engajadas. As únicas reticências do Estado-Maior,
e que se revelaram corretas no decorrer da invasão, referiam-se
à qualidade e confiabilidade das informações
recebidas sobre as forças inimigas que iria enfrentar.
Maior
do que as falhas militares, contudo, era a fragilidade da justificativa
legal para a intervenção americana. Segundo Reagan,
tratava-se de uma ação preventiva para proteger as
vidas inocentes de cerca de 1 000 cidadãos americanos que
estudavam ou viviam aposentados na ilha, e que poderiam cair reféns
dos "malfeitores de esquerda", liderados pelo general
Hudson Austin, que haviam tomado o poder duas semanas antes e assassinado
o primeiro-ministro, Maurice Bishop. Reagan também assegurou
que a operação fora deslanchada atendendo a pedidos
urgentes dos chefes de Estado de seis países do Caribe ansiosos
por uma restauração da ordem, e a fim de impedir o
avanço da revolução marxista na região.
A preocupação dessas ilhas vizinhas foi resumida pela
primeira-ministra da diminuta ilha de Domimica, Eugenia Charles,
que se materializou na sala de imprensa da Casa Branca junto com
Reagan, já na manhã de terça-feira, para recitar
a mesma ladainha. Para a maioria dos americanos que viram a cena,
aquela foi a primeira vez em que ouviram falar de um país
chamado Dominica e, provavelmente, terá sido a última
ocasião em que viram a sra. Charles.
Uma
a uma, porém, as justificativas foram desmoronando. Para
começar, a proteção dos cidadãos americanos
na ilha foi questionada pelo próprio reitor da Faculdade
de Medicina onde estudam 650 jovens dos Estados Unidos. "Na
minha opinião", diz o doutor Charles Modica, e seu escritório
em Bayshore, Nova York sede administrativa da escola, "a invasão
foi totalmente desnecessária." Segundo Modica, o chefe
da junta militar que tomara o poder em Granada lhe tinha dado garantias
quanto à segurança dos estudantes, oferecido atendimento
de todas as necessidades dos alunos, permitido a entrada de dois
diplomatas americanos na tarde do sábado que precedeu a invasão,
apesar do toque de recolher decretado no país, e estes diplomatas
puderam verificar que apenas trinta alunos desejavam ser evacuados.
As próprias medidas para a evacuação dos estudantes
haviam sido acertadas com o general Hudson.
É
bem verdade que as boas intenções de Hudson não
chegaram a ser colocadas à prova, restando a dúvida.
Mas também é verdade que o governo Reagan não
montou uma missão limitada de evacuação de
cidadãos americanos, e sim uma invasão de país
estrangeiro em escala total. Afinal, todos os americanos que desejavam
sair de Granada já estão nos Estados Unidos mas os
marines permanecem na ilha ocupada.
A Carta
da Organização dos Estados Americanos (OEA), por outro
lado, diz claramente que nenhum Estado ou grupo de Estados tem o
direito de intervir direta ou indiretamente, por motivo algum, nos
assuntos internos ou externos de outro país-membro. Segundo
admite um advogado do Departamento de Estado, "a única
folha de parreira disponível para encobrir a nossa vergonha
era o obscuro Tratado da Organização dos Estados do
Leste do Caribe Oriental, e mesmo assim era uma folha furada".
Isso porque as decisões da organização precisam
ser tomadas por unanimidade, e três delas não foram
convidadas a participar das deliberações que levaram
ao pedido formal de invasão: Saint Kitts-Nevis, Montserrat
e a própria Granada. Além disso, uma intervenção
só se poderia justificar por uma agressão externa,
e Granada não agredira nem ameaçara agredir qualquer
de seus vizinhos. Sem falar que os Estados Unidos não são
membros da OECO, enquanto todos os países da OECO são
membros da OEA.
SEM
SUTILEZAS - Reconhecendo as evidências, o secretário
adjunto de Estado para Assuntos Políticos, Lawrence Eagleburger,
explicaria mais tarde que a intervenção tivera um
caráter preventivo. "E os três depósitos
de armas que encontramos na ilha, com caixas que iam até
o teto, em quantidade desproporcional às necessidades de
Granada, demonstram que nossas suspeitas eram fundamentadas."
Os cubanos e os soviéticos estavam abarrotando Granada com
armas e munições e o Exército da ilha já
constituía 3% da população local, o que só
poderia ter um objetivo "a desestabilização dos
países vizinhos", afirma ele.
Até
o final da semana, porém, as provas de que cubanos e russos
queriam armar Granada até os dentes permaneciam questionáveis
- simplesmente porque a imprensa não tivera acesso a elas.
Os pedaços de filme liberados pelo Pentágono mostram
apenas armazéns com as paredes cobertas de caixas; e as caixas
abertas diante dos câmaras militares continham fuzis AK47,
rifles, metralhadoras de mão e algumas granadas. Fala-se
também de um documento capturado no centro de comando cubano
em Ponta Salinas, que revela um acordo assinado em 28 de junho deste
ano entre um alto funcionário de Granada e um certo coronel
Uchoa, de Cuba, para treinar um exército de 6 800 milicianos
granadinos, o que transformaria Granada numa potência militar
do Caribe.
A imprensa
americana, aliás, tinha poucos motivos para confiar fundo
nas afirmações e acusações do governo
dos Estados Unidos, já que pela primeira vez em sua história
ela fora proibida de fazer a cobertura independente dos acontecimentos
e obrigada a contentar-se inicialmente com as doses homeopáticas
de informações liberadas pelo Departamento de Defesa.
A denúncia do governo americano de que estava aquartelado
na ilha o dobro de cidadãos cubanos - mais de 1 000 que Fidel
Castro admitia ter em Granada, foi qualificada de -fruto da fantasia
e do pânico- pelo governo cubano. "Temos exatamente 784
cubanos em Granada", indagava uma nota oficial de Fidel Castro,
-e se tomarmos como certo o de 638 cubanos aprisionados pelos americanos,
incluindo os feridos que o Pentágono diz ter em seu poder,
de onde pode sair esta absurda cifra de 500 cubanos resistindo nas
montanhas?
As
suspeitas de histórias mal contadas por parte dos Estados
Unidos, nesta invasão de Granada, conseguiu até mesmo
roer as mais sólidas amizades do governo americano, como
a aliança de ferro da primeira-ministra da Inglaterra, Margaret
Thatcher. Afinal, a estrutura constitucional das relações
entre o Reino Unido e os 47 países que formam o Commonwealth
saiu lesada pela ocupação americana da ilha de Granada,
da qual a Rainha Elizabeth II ainda é chefe de Estado nominal.
0 governador da ilha, sir Paul Scoon, nomeado pelo Palácio
de Buckingham em 1978, consultara a rainha quando Maurice Bishop
deu um golpe no ano seguinte, derrubando o governo corrupto de Eric
Gairy. O palá-cio, por sua vez, comunicou à chancelaria
inglesa a decisão real de reconhecer o novo governo, apesar
deste proclamar-se "o primeiro governo revolucionário
popular do Conmnonwealth". A partir deste momento - comunista
ou revolucionário, pró-cubano ou pró-soviético
-, o governo de Granada tinha o "diploma" da rainha, e
somente a rainha poderia, teoricamente, demiti-lo, ou, mais realisticamente,
acei-tar seu sucessor. Os americanos não deram atenção
a essas sutilezas - e este é o calvário que Thatcher
agora precisa amargar em casa. Os marines chegaram a Granada, hospedaram
o governador Scoon durante quatro dias num navio de guerra, impossibilitando-o
de entrar em contato com o Palácio de Buc-kingham, e anunciaram
ao mundo que ajudariam Granada a retomar o caminho da democracia,
colabo rando com ele na formação de um novo governo.
Mas
e se os remanescentes do govemo Bishop, extremamente popular na
ilha, forem eleitos? E se o general Austin, que até o final
da semana exigia uma embarcação para sair da ilha,
quiser voltar? Ou o próprio sir Eric Gary, conhecido como
Idi Amin do Caribe, considerado "indesejável" pelas
forças de ocupação? Com este pano de fundo,
o aspecto puramente militar da intervenção americana
talvez acabe sendo ainda o mais fácil de ser vencido por
Ronald Reagan.
ATO
POLÍTICO - Com Granada em mãos dos Estados Unidos,
Ronald Reagan recupera para o seu país um troféu que
outros presidentes americanos preferiram considerar maldito: o de
guardião e gendarme do mundo. Parecem longínquos os
tempos em que outro ocupante da Casa Branca. Jimimy Carter, cogitava
armar com balas de borracha os marines que deveriam resgatar os
reféns
americanos aprisio-nados em Teerã, para não ferir
de morte os seus captores iranianos. Hoje, a América de Reagan
acha mais eficaz mostrar músculos e mar-car presença
de verdade. Para tanto, já há 3 500 soldados americanos
exercitando-se em Hon-duras, às portas do regime sandínista
da Nicarágua, 1 600 fuzi-leiros navais aquartelados em Beirute,
800 pára-quedistas no Deserto do Sinai, supervisionando o
Tratado de Paz entre Egito e Israel, uma unidade naval no Mar Arábico,
pronta a intervir em caso de bloqueio do Golfo Pérsico por
parte do lrã.
Paralelamente,
outros valores também são reabilitados. Não
é por acaso, por exemplo, que Ronald Reagan tenha agraciado
o ex-diretor da CIA, Richard Helms, com a Medalha da Segurança
Nacional, a mais cobiçada condecoração da comunidade
de informações dos EUA. Seis anos atrás, Helms
fora obrigado a abandonar o governo em desgraça, condenado
por um tribunal federal por ter mentido ao Congresso a respeito
de tentativas de seus agentes no Chile para derrubar o governo marxista
de Salvador Allende. "Imagino que eu tenha me beneficiado com
a mudança do pêndulo no país", observou
Helms, satisfeito.
Para
uma parte da sociedade americana, estes fortes ventos ideológico
são perigosos, e não resistem a um confronto com os
princípios querem a história dos Estados Unidos. "Até
o momento", escreveu o jornal New York Times em editorial na
semana passada, " a radical cirurgia (aplicada a Granada) parece
ser fruto de um governo frustrado que agiu não por direito
o necessidade, mas por vontade e facilidade. O ato foi político.
Nele está embutida a promessa de varrer o Caribe de uri mosquito
pró-soviético, e a demonstração, para
os radicais da América Central, de que não são
as leis nem os trata dos que determinarão quais métodos
o Estados Unidos estão decididos a usar contra eles.
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