| O biodiesel
De soja, mamona, dendê, canola, algodão, babaçu...
Diesel produzido com óleos de grãos
são aposta do governo brasileiro para o futuro. Na próxima década,
país deve passar a consumir 2 bilhões de litros do combustível
vegetal por ano
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| Negócios | Lula e Bush com amostra (Reuters) |
Como
é produzido?
O biodiesel, uma alternativa ao óleo diesel
mineral derivado do petróleo, é produzido a partir de óleos
vegetais extraídos de diferentes matérias-primas, como soja, mamona,
dendê, girassol, amendoim, algodão, babaçu, canola e gordura
animal. Pode ainda ser obtido com o reaproveitamento de óleos vegetais
que sobram de frituras, por exemplo. De maneira geral, o processo de produção
do biodiesel envolve o esmagamento dos grãos das matérias-primas
para a extração de seus óleos, que são posteriormente
reagidos com um álcool – etanol ou metanol. Esta reação gera
o novo combustível em seu estado puro, conhecido por B100. Cada matéria-prima
produz um biodiesel com diferentes níveis de combustão e capacidade
de lubrificação. Variam também o teor de óleo em cada
vegetal, bem como a produtividade que proporcionam. Segundo a Empraba (Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária), 48% da mamona se transforma em óleo,
ao contrário, por exemplo, do dendê, que rende apenas 22% de óleo.
Por outro lado, um hectare de dendê pode gerar 4 toneladas de biodiesel
– a mesma área de plantação de mamona produz apenas 0,7 toneladas.
De acordo com um estudo feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia
Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da
USP, a soja é hoje a matéria-prima de utilização imediata
mais viável para se produzir o biodiesel no Brasil. A estrutura já
existente para o seu plantio, distribuição e esmagamento dos grãos
não requer muitos investimentos extras, o que barateia o preço final
do combustível – por enquanto, o biodiesel ainda é mais caro que
o diesel mineral.
Qual é sua importância
para a economia nacional? O Programa Nacional de Produção
e Uso do Biodiesel, criado pelo governo em 2004, prevê a adição
obrigatória de 2% desse combustível ao diesel tradicional a partir
de 2008. Em 2013, este percentual sobe para 5%, o que deve gerar demanda anual
superior a 2 bilhões de litros de biodiesel. Para cumprir essa meta, projeções
dão conta de que será preciso dobrar a capacidade atual de produção
do combustível até 2008. De acordo com a Associação
dos Produtores de Biodiesel, os aportes em novas usinas passaram de 100 milhões
de reais em 2005 para 600 milhões em 2006. Em 2007, o setor deve fechar
o ano com 1,2 bilhão de reais investidos. Em tese, com o biodiesel será
possível reduzir a despesa com a importação do óleo
diesel, o que proporcionaria uma economia de divisas da ordem de 9,4 bilhões
de reais por ano.
Quantos empregos gera no Brasil? Mesmo
entre fontes oficiais, não há consenso sobre quantos empregos a
indústria do biodiesel gera hoje no país. Comparando-se projeções
da Embrapa e do ministério de Minas e Energia, conclui-se que o combustível
tem potencial para criar entre 270.000 e 500.000 postos de trabalho nos próximos
anos – a maioria para mão-de-obra não qualificada.
É
um combustível poluente?
A principal vantagem do biodiesel é
a ausência de enxofre em sua composição, que por si só
reduz em no mínimo 15% a emissão de poluentes na atmosfera. Além
disso, o volume de gás carbônico liberado durante sua queima é praticamente
o mesmo retirado do ar pelas plantações de soja, mamona e dendê,
entre outras oleaginosas. Anulando a emissão de enxofre e CO2, o biodiesel
torna-se uma alternativa viável ao diesel tradicional, um dos derivados
do petróleo mais nocivos ao meio ambiente.
Como
é o mercado internacional do produto?
A Alemanha lidera a fabricação
e o consumo do biodiesel e responde por mais da metade da produção
européia. Em 2006, registrou demanda superior a 2 bilhões de litros.
Os postos do país já vendem até biodiesel puro, o chamado
B-100. Apesar de existir desde o início do século XX, a adoção
comercial do combustível se difundiu na Europa a partir do final dele.
O início da produção na Áustria e na França
deu-se em 1988 e, em 1997, os Estados Unidos aprovaram o biodiesel como combustível
alternativo. Apesar do começo tardio, já haviam no país 35
usinas em 2005 – hoje, passam de 100. Na França, onde a Shell começou
a comercializar o biodiesel em 1994, os níveis de adição
ao diesel comum chegam a 5% e podem atingir 30% para aplicações
específicas. Outros países a utilizar o combustível em escala
crescente são a Itália, a Bélgica e o Canadá. Enquanto
em 2004 foram produzidos cerca de 2,5 bilhões de litros de biodiesel no
mundo, a quantidade saltou para 8 bilhões de litros em 2006.
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