| O etanol
O biocombustível de maior produtividade no mundo O
álcool de cana-de-açúcar do Brasil já é uma
das melhores alternativas energéticas do planeta. País responde
por 35% da produção mundial do planeta. Só perde para
os EUA (37,5%)
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| Plantio de cana | Grande lucro (Delfim Martins) |
Como
é produzido?
No Brasil, o álcool combustível é
produzido a partir da cana-de-açúcar, que pode ser colhida mecanicamente,
com o uso de máquinas colheitadeiras, ou manualmente, queimando-se a palha
que envolve a base do vegetal e cortando-se o caule. Este caule da cana é
picado e triturado nas moendas das usinas e libera o caldo que serve de matéria-prima
para a produção do etanol. O bagaço que sobra da moagem é
queimado para produzir a eletricidade utilizada pela usina. Após ser filtrado,
o caldo é fermentado com uma mistura composta de leite de levedura, água
e ácido sulfúrico. Da fermentação ele é centrifugado
e bombeado para colunas de destilação, onde é aquecido até 90ēC
e transformado em álcool bruto. Novos processos de destilação
transformam-no em álcool hidratado ou anidro (puro). A cana-de-açúcar
não é a única matéria prima existente para a produção
de álcool combustível. Em outros países, ele é extraído
do milho, da beterraba e até da madeira, de onde é feito o metanol.
A cana, no entanto, é o vegetal mais eficiente para a produção
do etanol. No Brasil, ela encontra condições ideais de clima e solo.
Qual é sua importância para a economia
nacional?
O álcool de cana-de-açúcar do Brasil é
o biocombustível de maior produtividade no mundo cada hectare plantado
do vegetal gera 6.000 litros de etanol, número que pode dobrar em poucos
anos devido ao avanço tecnológico do setor. A produção
nacional cresce à taxa de 9% ao ano, roubando espaço de culturas
menos rentáveis. Entre 2000 e 2006, a área plantada aumentou 43%,
e as exportações cresceram impressionantes 3.000%. As usinas de
açúcar e álcool movimentam 40 bilhões de reais por
ano e fazem girar a roda da economia nos recantos mais remotos do país.
Embora o centro econômico do setor encontre-se no interior de São
Paulo só de usinas de álcool há 300 projetos em andamento
no país, sendo a maioria deles no interior paulista , a fronteira agrícola
se desloca para outras regiões. O clima é de efervescência
econômica, principalmente nos dois novos pólos do setor, Goiás
e Minas Gerais, que possuem cada um mais de dez projetos de novas usinas.
Quantos
empregos gera no Brasil?
Entre engenheiros, agrônomos, produtores
e cortadores de cana os chamados bóias-frias o setor canavieiro emprega
mais de 3,5 milhões de pessoas no Brasil. Destas, cerca de 2,5 milhões
são trabalhadores temporários.
É
um combustível poluente?
Por conter oxigênio em sua composição,
a combustão reação que normalmente retira oxigênio
da atmosfera do álcool é mais fácil do que a da gasolina
e libera menos poluentes. Isso não significa, porém, que seja inofensiva.
A exemplo de outros combustíveis, o etanol lança no ar monóxido
de carbono (CO), óxidos nitrosos (NO e NO2) e hidrocarbonetos (compostos
de hidrogênio e carbono). No entanto, a queima do álcool produz em
média 25% menos monóxido de carbono e 35% menos óxido de
nitrogênio (NO) que a gasolina, dependendo da regulagem do motor. Em contrapartida,
a quantidade de aldeídos compostos orgânicos tóxicos emitidos
pelos carros a álcool é três vezes maior que a dos a
gasolina, embora os do álcool sejam menos nocivos à saúde.
O problema do álcool está em seu processo de produção.
Cada litro obtido da cana-de-açúcar rende outros 13 de vinhoto,
um ácido capaz de contaminar ecossistemas inteiros se não for administrado
de forma segura. A colheita manual, que exige a queimada da palha da cana também
promove uma verdadeira chuva de cinzas tóxicas, e precisa ser controlada
para que a produção do álcool não comprometa seu caráter
de combustível ecologicamente viável.
Como
é o mercado internacional do produto?
O Brasil respondia, ao final
de 2006, por 35% da produção mundial de etanol, atrás apenas
dos Estados Unidos, com 37,2%. A liderança dos dois países é
inquestionável. Abaixo deles, China e Índia produziam respectivamente
7,7% e 7% do etanol mundial. Só que enquanto o etanol brasileiro responde
por 17% do consumo nacional de combustíveis automotivos, o americano é
usado somente por 3% de seu mercado. A gasolina brasileira já vem acrescida
de quase um quarto de álcool, quantidade muito maior que a misturada em
países como o Japão e a França. No entanto, com as recentes
medidas de redução na emissão de gases poluentes assumidas
pelas grandes potências, esta proporção tende a aumentar,
o que expandiria a demanda pelo álcool combustível inclusive o
brasileiro. Projeções do final de 2006 indicavam que o Brasil exportava
cerca de 3,1 bilhões de litros de etanol.
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