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Mohamed ElBaradei


Diretor da agência da ONU ganhou Nobel
da Paz por combate à proliferação nuclear

O egípcio ElBaradei, 63 anos: de ação burocrática a trabalho de campo

O diplomata egípcio Mohammed ElBaradei ocupa um dos cargos mais desafiadores de todo o planeta. Como diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (a AIEA, ou IAEA na sigla em inglês), ele é responsável por impedir que mais países tenham acesso à bomba atômica - ou seja, deve tornar cada vez menor a possibilidade de uma tragédia nuclear no mundo. O brilhantismo com que exerce sua função, contudo, o ajudou a ser recompensado pelo duríssimo trabalho: em 7 de outubro de 2005, ElBaradei foi declarado vencedor do prêmio Nobel da Paz, ao lado da própria agência nuclear.

Principal dirigente da entidade da ONU responsável por evitar a proliferação de armas nucleares, ElBaradei mostra pessimismo. "Nunca o perigo de uma guerra nuclear foi tão grande quanto é hoje", disse em 2004 o diplomata. "Eu tenho medo de que essas armas caiam nas mãos de ditadores inescrupulosos ou terroristas." O Nobel da Paz concedido em 2005 seria um reconhecimento justamente da magnitude e complexidade dessa tarefa. À frente da agência nuclear, o egípcio transformou uma entidade que antes cumpria apenas trabalhos burocráticos em uma organização mais ativa e presente, com freqÜentes missões internacionais e inspeções em usinas e reatores suspeitos.

Doutorado e inspeção - ElBaradei nasceu no Cairo, em 1942, e estudou Direito na universidade local. Ele começou sua carreira diplomática no Ministério das Relações Exteriores egípcio, em 1964, e trabalhou na missão permanente de seu país na ONU, tanto na sede de Nova York como na de Genebra. Ao mesmo tempo, obteve um doutorado em leis internacionais pela Universidade de Nova York e se preparou para crescer na organização - a entrada na agência nuclear ocorreu em 1984. Foi exatamente esse perfil de diplomata preparado e experiente que o beneficiou num trabalho tão complicado como as negociações com países com ambições nucleares.

De fala tranqüila e tom conciliador, o chefe da agência nuclear foi reeleito duas vezes para o cargo mesmo com tendo enfrentado os interesses dos Estados Unidos, principal força da organização - o país teve de reconhecer o prestígio e a eficácia do diretor-geral mesmo discordando de suas políticas. O principal atrito ocorreu antes da guerra do Iraque, quando ElBaradei se juntou ao chefe de inspeção Hans Blix e, depois de visitar Bagdá, anunciou que não havia motivo para atacar o país de Saddam Hussein. Apesar da derrota - os EUA atacaram mesmo assim -, ElBaradei defendeu o procedimento. "A experiência no Iraque demonstrou que as inspeções podem ser eficazes mesmo quando o país inspecionado não coopera", disse ele.

Diálogo e confiança - Outra origem de mal estar entre ElBaradei e os americanos é a crítica do diplomata ao que classifica de "critério duplo" para a posse de armas nucleares. "Precisamos abandonar a incompreensível noção de que é moralmente repreensível para alguns países buscar armas de destruição em massa enquanto é moralmente aceitável para outros apostar nelas para garantir sua segurança", disse ele recentemente. Sempre confiando no diálogo, o egípcio já negociou com ditaduras temidas no mundo todo, como Coréia do Norte, Irã e o próprio Iraque, e continua confiante em suas estratégias. "As inspeções e a diplomacia, quando usadas em conjunto, funcionam", garante.

 
 
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