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Kerry, o herói de guerra, tentará destronar Bush
John Forbes Kerry e George W. Bush nasceram em famílias ricas e tradicionais, cursaram escolas de elite e se formaram na mesma universidade. Mas Kerry seguiu caminhos bastante diferentes dos que Bush trilhou: foi à guerra do Vietnã (Bush não quis ir), trabalhou como defensor público (Bush fez fortuna com empresas), nunca foi pego em escândalos (Bush bebia e foi preso). Ninguém seria mais adequado para comandar a oposição numa eleição como essa, em que os EUA estão profundamente divididos em torno da presidência de Bush. Justamente por isso, Kerry atropelou os adversários na disputa interna do Partido Democrata pela vaga de candidato - o senador por Massachusetts foi considerado o mais "presidenciável", o que melhor combateria Bush. Além da experiência parlamentar (20 anos no Senado) e do passado limpo, Kerry tem na experiência militar sua grande arma para cativar o público em tempos de guerra. Afinal, foi combatente voluntário e condecorado na mesma guerra da qual Bush e o vice Dick Cheney escaparam (e de forma suspeita). Depois, ainda liderou o movimento de contestação à legitimidade da ação dos EUA. Outro JFK? - Ao tentar chegar à Casa Branca, Kerry quer repetir o feito de outro senador democrata católico de Massachusetts, John Fitzgerald Kennedy. Além de compartilhar as mesmas iniciais (JFK) com o ex-presidente, Kerry tem um perfil similar ao do ícone democrata assassinado em 1963 - liberal nas políticas domésticas, é considerado um conservador nas relações exteriores. As diferenças em relação a Kennedy são, no entanto, evidentes. Elas estão nos dois maiores problemas de Kerry na campanha. Em primeiro lugar, o desafiante de Bush é pouco carismático, tem discurso difícil e ar solene. Em segundo, tem fama de indeciso e até "vira-casaca" em várias questões - incluindo a guerra do Iraque, que Kerry primeiro apoiou e, pouco depois, criticou. Pressões - O candidato rebate essa acusação, afirmando que não é fraco em suas decisões e que não muda de posição em função de pressões externas ou de viradas na opinião pública. Até o dia da votação, no entanto, Kerry precisa provar que, além de não ter os principais defeitos de Bush, divide com o presidente a virtude da liderança, considerada fundamental pelo eleitor. |
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